E Deus disse: "Não é bom que o homem esteja sozinho. Vou fazer para ele uma auxiliar que lhe seja semelhante". (Gênesis 2:18). Assim começa a história do povo de Deus. Homem e mulher criados à semelhança do Todo-Poderoso para se amarem e multiplicarem-se povoando a terra.
Ao longo de todos esses anos, muitos foram os modelos de relacionamento homem/mulher, – Alguns tão desumanos! – mas à medida que conhecemos melhor a palavra de Deus, através da Sagrada Escritura, percebemos nitidamente o plano de Deus para nós. Ele criou homem e mulher para formarem uma família e educarem os filhos no amor e na fé. E para isso, é necessário que eles se conheçam e se preparem para uma convivência harmoniosa. É no período do namoro que começa a preparação para uma saudável vida a dois.
Em pleno século XXI, com o mundo cada vez mais egoísta, violento e erotizado, parece obsoleto falar de namoro e, mais ainda, falar de namoro cristão, namoro santo. Porém, para quem é católico, acredita nas palavras de Jesus, vive o amor e a fidelidade em família, é isso que vai ensinar para as novas gerações. Ainda mais neste ano em que estamos saindo de uma Campanha da Fraternidade voltada para os jovens e preparando-nos para vivenciar a Jornada Mundial da Juventude, no Brasil, seria hipocrisia não educarmos o jovem para viver o Evangelho também no namoro.
A mocidade é uma fase da vida muito abençoada por Deus. Entre tantos sonhos que povoam a vida desses moços e moças, tantas aspirações para um futuro idealizado e a urgência em correr contra o tempo, está o anseio por um amor puro e verdadeiro. Nessa busca, é comum encher-se de ilusões e sentir dificuldade para encontrar alguém que preencha os anseios da alma. Não bastasse os arrojos próprios dessa fase, ainda se depara com a cultura do “vale tudo”. A mídia apresenta para o jovem um mundo em que tudo é permitido e isso entra em choque com os valores recebidos da família. Muitos se sentem em uma encruzilhada, sem saber o que deve ser considerado apropriado e o que deve ser evitado. Um conselho que ajuda nessas horas de indecisão vem de São Paulo, na primeira carta aos Coríntios: "Tudo é permitido, mas nem tudo convém. Tudo é permitido, mas nem tudo edifica.”
Para seguir nessa estrada em busca de um relacionamento que o edifica, o jovem precisa procurar, em primeiro lugar, um encontro muito profundo com Deus; depois, encontrar-se consigo mesmo procurando se conhecer melhor. Só então estará preparado para uma adequada convivência. Terá maturidade para cultivar o romantismo, a gentileza, a cordialidade, o carinho, enfim, o amor. É na Bíblia também que encontramos palavras que simbolizam esse viver a dois: “Completai a minha alegria, permanecendo unidos. Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos.” (Filipenses 2:2)
Pensando dessa forma, o jovem terá mais firmeza para viver esse período de uma forma mais proveitosa, buscando a felicidade nas pequenas coisas – na família, nos amigos, na Igreja, no grupo de jovens, nas flores e em tudo que o Criador nos concedeu. Sentirá alegria também ao se interessar por alguém e viver um namoro tranquilo buscando o conhecimento da pessoa escolhida através de atitudes simples como conversar, sair, brincar, rezar juntos, participar da comunidade. Assim, se não der certo – o que é normal, pois o ser humano é muito complexo e a juventude é uma fase de descobertas – cada um estará inteiro para recomeçar a caminhada e, no tempo de cada um, buscar outra pessoa e começar outra vez até encontrar alguém com quem partilhar o “mesmo amor, a mesma alma, os mesmos pensamentos”.
Luisa Garbazza
Publicado no "Informativo Igreja Viva"
Paróquia Nossa Senhora do Rosário
Junho de 2013
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