sábado, 7 de julho de 2018

Laços de amor


Laços de amor que se encontram,
Unem com alegria e ternura
Corações que um ao outro se doam.
Irradiando brandura,
Alcançam, no fundo da alma,
Na fonte de doçura,
A presença que preenche e acalma.

E se completam, traçam metas, dão passos...

Passos que figuram em completa sintonia.
Enamorados, os corações em um só compasso,
Descobrem a vida em harmonia.
Real o amor, estreitam os laços:
O sim de Luciana e Pedro se realiza.


Lisa Garbazza

Para meus sobrinhos Luciana e Pedro, 
que hoje se unem em matrimônio,
com carinho.

domingo, 1 de julho de 2018

Criança que reza


 
A oração é o nosso meio de comunicação com Deus e com os santos, nossos intercessores, aqueles que, conforme acreditamos, levam nossos pedidos ao Pai, através de seu filho Jesus. Quando nascemos em família orante, aprendemos, desde pequeno, a rezar, assim que nos levantamos pela manhã, e parar um pouco, no final do dia, erguer os olhos para o céu e formular uma prece de agradecimento pelo dia que passou. Depois aprendemos a rezar participando da Santa Missa. Aos domingos, ir à Missa é um ritual, uma obrigação, um momento de encontro com Jesus na Eucaristia. E assim, pela vida toda, a oração é – ou deveria ser – o que nos sustenta e nos faz entender que a espiritualidade é essencial para nossa existência.
Seria bom que essa certeza fizesse parte da vida de todas as pessoas, ou pelo menos da vida dos cristãos, pois foi o próprio Cristo que nos ensinou a rezar, através dos apóstolos. No entanto, em todos os tempos, mais ainda na era científica e tecnológica em que vivemos, o homem tem uma estranha mania de pensar que pode viver sem Deus. Então cria suas próprias certezas, seus próprios deuses e vive cada um à sua maneira. Por isso é tão importante intensificarmos nossa vida de oração e pedirmos, insistentemente, que a mão de Deus esteja sobre nós e sobre o mundo inteiro. Através do nosso exemplo de fé e oração, pela força do Espírito, podemos atingir a vida de muitas pessoas. E são muitos os necessitados, inclusive nós próprios.
Um dos momentos mais sublimes de comunhão com Deus é a Santa Missa. Quando realmente entramos em sintonia com o mistério celebrado, saímos com a alma leve e o coração feliz pela presença de Jesus em nossa vida. Gosto de observar, durante as celebrações, a atitude das crianças. Fico emocionada e agradecida quando vejo uma criança que reza, que participa da celebração. Algumas, apesar da pouca idade, acompanham o folheto, rezam alto, repetem os gestos, tudo com seriedade e concentração. Outro dia, acompanhei o comportamento de uma menina – sete, oito anos mais ou menos – que estava sentava bem à minha frente. Foi lindo de ver: os olhos fixos no altar, alheia aos demais acontecimentos. Dava para imaginar a presença dos anjos ali à sua volta.
Outro momento de alegria, pela presença de criança que reza, foi no dia em que celebramos o Sagrado Coração de Jesus. A turma do Apostolado da Oração estava em destaque na igreja, com suas camisas brancas e suas fitas vermelhas. Vivemos momentos de emoção e muita fé. No final, o Padre André, que presidia a celebração, chamou à frente as pessoas que iriam receber a fita. Entre elas, duas crianças – pré-adolescentes, talvez. Foi uma grata surpresa ver aqueles dois pequenos participando do Apostolado da Oração. Eu olhava com admiração a atenção dos dois, o olhar atento dirigido ao padre, ouvindo-lhe as palavras. Senti, junto com eles, a presença de Jesus, quando receberam a fita vermelha.
"Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.” Foi uma das mensagens que Jesus nos deixou através do Evangelho de São Mateus. A oração sustenta o espírito. É muito bom ver alguém em oração. Melhor ainda é ver uma criança que reza, pois sabemos que, por trás de tal comportamento, há uma família que reza, que ensina, que dá o exemplo aos filhos. Dai-nos, ó Pai, a graça de nos mantemos unidos a vós através da oração. Amém.
Luisa Garbazza

Jornal "A Paróquia"
Julho de 2018





sexta-feira, 15 de junho de 2018

Bom de ver


Hoje ganhei um pequeno par de asas. Vesti-me e deixei-as me levar. Vou voar até onde elas me levarem. Falar de amor, espalhar meus sonhos, fazer com que a poesia da vida alcance outras pessoas.
O dia mal começara quando saí, levada pelas mãos de uma amiga. A leveza do voo fez-me sentir nas nuvens. E feliz.  Na alegria do caminho, nem sei ao certo quanto voamos. Sei apenas que aterrissamos em um lugar encantado, cheio de graça, cor e poesia.
Em instantes, fui percebendo que estava no mundo mágico da literatura: havia livros, desenhos, montagens de cenas, enfeites; havia projetos inteiros representados em cenas e palavras; havia murais coloridos, agradáveis aos olhos; e ali, naquele mundo paralelo de tantas belezas, encontrei “A menina que queria ser vento”, bem nas alturas, com suas asas imaginárias. Em mais alguns instantes, vindas de todos os lados, havia crianças, muitas crianças. Os pequenos iam e vinham, seguindo seus orientadores, segurando a blusinha uns dos outros, em uma ciranda confusamente organizada.
 Acompanhei aqueles passos. Os olhos brilhantes procuravam este ou aquele enfeite mais bonito, paravam, queriam ver de perto e tocar. O burburinho das vozes encheu o salão. Voz de criança é diferente, tem ritmo e cadência, tem musicalidade, tem harmonia. E acompanhei aquilo tudo com alegria e uma pontinha de saudosa lembrança: tempos em que eu fazia parte daquele universo.
Mais uns passos e quedou-se o balé dos pequeninos. Acomodados em cadeiras, foram convidados a participar da atração principal: o lançamento de um novo caminho a ser trilhado. Acompanhei-os com simplicidade, como se criança fosse. A festa foi animada. Ali saudamos a Pátria, brincamos, cantamos, assistimos a uma bela historinha, ouvimos. Falou a Secretária da Educação, falou o Prefeito, falou a coordenadora do projeto. Era a materialização do sonho literário: o Projeto Bom de Lê, das escolas municipais, lançando o concurso de desenho para 2018. A partir dali, vão ter muito trabalho, de leitura, escrita e desenho. Precisam caminhar bastante, sonhar, voar cada vez mais alto, até a chegada de outra festa, naquele mesmo lugar.
Então fui levada pelas mãos e apresentada aos pequenos. E aos grandes também. Fui convidada a participar desse projeto tão envolvente. Vi-me ali, frente a todos aqueles rostinhos que me olhavam curiosamente, e o coração se agigantou. Comecei a falar de sonhos, de histórias, de vida e poesia; falar do mundo mágico da leitura que nos faz ganhar asas e voar, cada vez mais longe, em busca de nossos ideais. É a ciranda das palavras, que nos leva pelas mãos, em uma dança alegre, viva, cheia de cores e formas, e nos eleva, cada vez mais alto, impulsiona nossas ideias, faz-nos donos do nosso destino...
Hoje, quando acordei, bem cedinho, ganhei um pequeno par de asas. Entreguei-me ao momento e aceitei voar. Achei que fosse apenas sonho. Agora, já de volta, trazida pelas mesmas asas, conduzida pela mesma amiga, sei que foi um sonho real. Tomara possa ser concretizado plenamente e que as asas me levem, mais uma vez, quando for o momento certo.
Luisa Garbazza

15 de junho de 2018

Lançamento do Projeto “Bom de Lê”,
das escolas municipais de Bom Despacho. 




 






segunda-feira, 11 de junho de 2018

Cuidados com o que é nosso



No princípio, Deus criou o céu, a terra e tudo o que neles contém; criou o homem à sua imagem e semelhança. E Deus contemplou a sua obra e viu que tudo era bom. Deu, então, ao homem toda essa imensidão, para que cuidasse e dela tirasse o seu sustento.
Todos nós, cristãos, conhecemos essa passagem bíblica presente no Livro de Gênesis. Deus criou esse mundo com todas as suas maravilhas e deu-o de presente à sua melhor criatura: o homem. E a ordem foi dada: “Enchei a terra e submetei-a”.
Assim, em todos esses anos, o homem tira da terra o seu sustento e, consequentemente, é responsável por preservá-la da devastação. No entanto, movido pelo desejo de sempre ter mais e de maneira mais fácil, o homem tem causado danos à natureza, alguns irreversíveis. Hoje estamos colhendo os frutos provindos dessa maneira imprópria de explorar os bens naturais; entre eles a falta de água, que já bate à nossa porta.
A Igreja Católica, sempre preocupada com as questões sociais e com a natureza, já propôs várias vezes, através da Campanha da Fraternidade, temas sobre o cuidado com a casa comum para serem discutidos e possam servir de ponto de partida na luta pela preservação da natureza.
Dentro desse plano da Igreja, a Diocese de Luz está sempre propondo ações de alerta e de atitudes concretas para a prevenção dos desgastes ecológicos. Um aspecto que merece atos constantes é o cuidado com a água, por ser berço da nascente de um importante manancial: o Rio São Francisco. Em 16 de setembro de 2018, a diocese sediará, dentro das ações que marcam seu centenário, a celebração final da 21ª Romaria das Águas de Minas Gerais, que acontecerá em Lagoa da Prata. Em preparação para esse evento, as paróquias foram convocadas a fazer a “Pré-Romaria”, uma movimentação para conscientizar a população sobre os cuidados que devemos ter com o ambiente em que vivemos e a preservação da água, bem indispensável à nossa sobrevivência. 
A Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho, conforme combinado na reunião do Conselho Forâneo, realizará um concurso de redação e desenho sobre o dever que todos temos de cuidar da nossa água. Todos os alunos das escolas situadas aqui na paróquia serão convidados a participar dessa corrente ecológica. O encerramento desse movimento – com entrega de prêmios – será realizado na Praça da Matriz, no dia catorze de julho, às nove horas da manhã.
Se você é aluno, participe desse momento de conscientização e proponha atitudes para salvarmos nossos mananciais. Se você é pai ou mãe, incentive seu filho a participar. Seja um agente transformador da dura realidade em que vivemos, para que não se repita a escassez de água pela qual passamos em 2017.
Todos nós somos responsáveis pelo cuidado devido ao planeta que recebemos de presente das mãos do bom Deus. Precisamos estar sempre atentos aos atos de economia: fazer uso da água sem desperdício. Façamos nossa parte, por pequenina que seja, para vivermos em um lugar livre de poluição, com água pura e em quantidade suficiente para atender às necessidades de todo o povo de Deus.
Que a Romaria das Águas seja mais que um simples movimento: seja um ato de fé, coragem e gratidão e que leve a tomadas de consciência e atitudes concretas em prol do direito à vida e da necessidade da água para que vivamos plenamente.
Luisa Garbazza
Publicado no Jornal "Paróquia N. Sra. do Bom Despacho
Junho de 2018


sábado, 2 de junho de 2018

Maria, nossa padroeira


Nossa Senhora do Bom Despacho, também conhecida como “Senhora do Sol”, é um dos milhares títulos atribuídos a Maria. As primeiras devoções a Maria com esse título começaram a surgir no século XVII, em Portugal, na cidade de Cervães. Depois a devoção alcançou outras cidades e foi se espalhando. Aqui chegou trazida pelos portugueses que ajudaram a povoar esta região, primeiramente chamada de “Freguesia de Nossa Senhora do Bom Despacho do Picão”. Aí começa a nossa devoção.
         Nós, bom-despachenses, temos o privilégio de morar nesta cidade nascida sob o manto de Nossa Senhora. Sim, temos como padroeira Maria, com o título de Nossa Senhora do Bom Despacho. Esse título, às vezes mal interpretado, ou não entendido, é, talvez, um dos mais significativos. Quando foi instituído, era Nossa Senhora do Bom Despacho das Almas, aquela que intercedia para que as almas fossem despachadas para o céu após a morte. Hoje, apenas Nossa Senhora do Bom Despacho, nossa intercessora durante a vida e também quando partimos para a eternidade. Por isso é tão importante invocarmos Maria com esse título. Com seu olhar de Mãe, ela despacha em favor dos seus filhos e filhas, e assim os livra do mal, do pecado, de tudo o que pode afastá-los de Deus.
A eficácia protetora de nossa padroeira é muito forte, embora seja pouco requisitada. Ou pouco divulgada. Uma devota fervorosa foi minha mãe, dona Maria Garbazza, “filha de Maria”, que alimentou, por toda a vida, um amor profundo pela Mãe de Deus. Lembro-me de suas palavras, contando as ocasiões em que a ela recorreu. Por mais de uma vez, mamãe saiu da Santa Casa, ou de algum consultório médico, com um filho e um diagnóstico desfavorável. Aturdida pelas palavras negativas e sem esperança do médico, sem saber o que pensar ou o que fazer, ia refugiar-se na Matriz, prostrar-se diante do Santíssimo Sacramento, pedir a graça a Deus através da intercessão de Nossa Senhora do Bom Despacho. A resposta vinha nas palavras do médico, enquanto analisava os exames, na próxima consulta: “Não tenho explicação.” Ou “A senhora é uma mulher de muita fé.” Ela sabia que Nossa Senhora havia analisado seus pedidos e despachado favoravelmente.
         Para exaltar e bem celebrar Nossa Senhora do Bom Despacho, não havia, durante todos esses anos, uma data específica. Mais de uma vez, houve mudanças nesse sentido. Nos últimos anos, no entanto, foi escolhido o dia 31 de maio, que agora foi oficialmente instituído como o “Dia da Padroeira”, que o é não apenas de nossa paróquia, mas de toda a cidade de Bom Despacho. Temos então um dia dedicado especialmente a ela, que espera de nós, seus devotos, o carinho de filhos que somos. Assim, precisamos cultivar e divulgar a devoção a Nossa Senhora do Bom Despacho, nossa mãe, nossa padroeira, nossa intercessora e, principalmente, aquela que há de despachar nossos pedidos a seu filho Jesus, para que os leve a Deus. E que, um dia, há de fazer nosso último despacho, com o carinho de Mãe, devolvendo-nos aos braços do Pai.
Nossa Senhora do Bom Despacho, rogai por nós.
Luisa Garbazza
Maio de 2018
Jornal "Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho"

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Parabéns, Bom Despacho!



Bom Despacho, minha terra natal,
nela nasci, meu lugar é aqui.
Cidade sorriso, terrinha especial,
torrão amado onde sempre vivi.

Bom Despacho, quero vê-la progredir,
a justiça acontecer e a paz aqui reinar.
Assim o povo possa realmente sorrir
e toda gente suas grandezas exaltar.

Nesses 106 anos de existência,
abençoada seja, terra altaneira,
por Deus em sua onipotência
e por Nossa Senhora, nossa padroeira.

Luisa Garbazza
1º de junho de 2018: 
aniversário de Bom Despacho

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Instantes de vida


É muito prazeroso ler poesia. Dar vida a cada verso, parar em uma palavra ou outra, sentir a emoção de se conectar com outro universo.
É melhor ainda escrever poesia. Deixar o coração à larga e a mão – Amo escrever à mão, apesar das modernidades. – ir registrando cada sentimento, a palavra única, especial, que toca a alma e provoca outros sentimentos.
Mas a graça maior está em viver a poesia. Foi exatamente o que vivi na manhã desta sexta-feira: a poesia da vida.
Convidada pela professora – e amiga – Tânia, fui à Escola Municipal Dona Duca para falar às crianças, apresentar meu livro e contar-lhes minha história: “A menina que queria ser vento”. Tudo ali era poesia: o acolhimento da diretora e demais funcionários, a educação das crianças, a organização e ornamentação do ambiente, os trabalhos dos alunos.
O que aconteceu então, aquele contato prazeroso com os pequenos, foi lindo, pura poesia. Ver todos aqueles pares de olhos olhando-me, prestando atenção nas minhas palavras, brilhando ao escutar minha história, foi mágico.
 A presença dos alunos que queriam levar meu livro e a alegria ao registrar a dedicatória foram versos que saíram carregados de afetos, de rimas e de sons.
Receber, depois de tudo, a ternura, o carinho, o sorriso e o abraço dos pequenos foram os versos finais, os mais lindos, que compuseram os momentos poéticos que preencheram as linhas de minha manhã.
Gratidão imensa. Gratidão sentida, vivida, extravasada.
Luisa Garbazza
18 de maio de 2018