terça-feira, 7 de novembro de 2017

Momentos mágicos

Nas horas incertas da vida, o caminho vai se formando. Às vezes os passos são certos, outras vezes hesitantes, mas sempre em frente, em busca dos ideais. Nessas idas e vindas, nem tudo é perfeito. Há momentos de alegria, de luz e de paz e há momentos de tristeza, de turbulências, de céu nublado. Em todos, porém, há a fé que impulsiona e a confiança de que tudo vai dar certo.
Foi mais ou menos assim que me senti ao sair de casa com um destino traçado: Colégio Universo. A convite da professora Sheyla, recebi um telefonema da Alessandra, para participar de um projeto, com os alunos do 6º ano, como escritora de nossa cidade. Fiquei muito feliz com o convite! Em um misto de curiosidade, alegria e ansiedade, parti para a escola. Eram dezesseis horas e vinte minutos quando ali cheguei. Fui muito bem recebida pela Ângela, que eu já conhecia. Ali encontrei rostos sorridentes, pessoas amigas e, para minha surpresa, Lucimar, que, em outros tempos, foi minha aluna na primeira série.
Ao longe, fiquei observando as professoras organizarem os alunos que, aos poucos, foram chegando. Quando a Alessandra me fez um sinal de que estava tudo pronto e anunciou meu nome, aproximei-me, um tanto apreensiva, e fui conhecer minha plateia. Havia alunos de várias idades, do primeiro ao sexto ano. Comecei a conversa, fiz perguntas para interagir, falei dos meus propósitos, percebi as diferenças: uns estavam ansiosos, outros queriam “passar o carro na frente dos bois”, como diziam os mais antigos, e ouvir logo a história, ainda os que olhavam impassíveis, e alguns nem conseguiram se concentrar.
Depois do primeiro momento, fui contar a história de Maria, “A menina que queria ser vento”. E o aconteceu? Voltei no tempo. Tempo áureo, em que dava aulas para as crianças pequenas e lhes contava histórias; tempo em que as histórias eram contadas para os meus dois filhos. Tempo em que as histórias ganhavam vida em minha mente e alcançava a mente de outras pessoas. E aconteceu tudo outra vez. À medida que as páginas iam sendo mostradas e as palavras sendo ditas, o retorno por parte dos pequeninos: “Que desenho lindo!”, “Perfeito!” E viviam comigo os devaneios de Maria. Os olhos sorriam. Entusiasmados, queriam participar da história. Ouviam, falavam, faziam suposições. Até que o desfecho trouxe-nos de volta ao mundo real.
Então os alunos quiseram saber sobre a escritora: se quer continuar escrevendo, quantos livros já editou, onde encontra inspiração e outras informações do gênero. Falei um pouco sobre a edição do livro e agradeci. O bando de pequeninos veio se aproximando. Queriam me abraçar. Queriam receber minha atenção. Cada um tinha algo para falar: “Gostei muito da sua história!”, “Seus desenhos são lindos!”, “Gostei muito de você!”, “Quantos anos você tem?”, “Eu quero seu livro”, “Você é a melhor!”. E outros comentários que só mesmo uma criança os fazem com tamanha sinceridade. Eu retribuía com abraços e beijos de gratidão. Prometi levar os livros em outra ocasião e as professoras foram reconduzindo-os para as salas. A turma do sexto ano e a professora Sheyla ficaram para tirar fotos e registrar esse momento que irá enriquecer o projeto em andamento.

Saí dali tão agradecida! Foram momentos mágicos que me enriqueceram como pessoa e como escritora: a receptividade, o carinho das crianças, a organização da escola, a oportunidade de falar de coisas leves, de natureza, de sentimento puro e verdadeiro. O caminho de volta foi mais fácil; os passos, mais seguros. A alma mais leve e o sorriso nos lábios traduziam a paz do coração.
Luisa Garbazza
6 de novembro de 2017

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