quarta-feira, 12 de abril de 2023

Vida Nova

 

Chegamos ao fim da Semana Santa. Mais uma vez, revivemos todas essas cenas da paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Na caminhada do povo cristão, Deus sempre se fez presente. E continua no meio de nós, agora, através de seu filho Jesus. É a Ele que rendemos graças. É por Ele que passamos por todos esses momentos, caminhando com Ele os quarenta dias da Quaresma e acompanhando, mesmo com sacrifício, todas as celebrações e caminhadas da Semana Santa. É uma semana cansativa para o corpo, mas dignificante para a alma. Percorrer todos esses caminhos faz-nos perceber, pelo menos um pouco, o sofrimento enfrentado por Jesus até o calvário. Mas não podemos mensurar o tormento que atravessou, nem a dor vivida por Ele, ao ser pregado na cruz, e seu padecimento até a morte.

Esses são momentos de intensa espiritualidade em que, nós cristãos, demonstramos nossa fé. Como é bom passar por tudo isso. Como é bom sentir a presença de tantos fiéis e acompanhar a participação de cada um. Na sua individualidade, cada um manifesta sua fé de maneira distinta. São gestos e atitudes de demonstração de amor a Deus e, de alguma forma, pertença à Igreja. São irmãos e irmãs nossos, buscando o sagrado, com sede de Deus. Dá gosto de ver. Como diria dona Maria, minha santa mãe: É maravilhoso!

Gestos de fé

Em meio a tanta gente, somos anônimos, mas, um olhar mais apurado, um coração mais sensível, é capaz de perceber um pouco da expressão de cada um. Gosto de observar as pessoas durante as celebrações e as procissões.

Há riqueza nos momentos de oração, principalmente espontânea, em que as pessoas se identificam com alguma fala, alguma prece, e depois vem agradecer.  Agradecimentos, no exercício de Via-Sacra. São muitos fiéis em oração, oferecendo a Deus seu cansaço, doando sua voz para as meditações em cada estação. Sou grata ainda quando alguém, mesmo não tendo leitura fluente, tem a oportunidade de ajudar nas leituras. Sinto um carinho tão grande por quem me procura para agradecer e dizer que tinha muita vontade de ler, mas nunca tivera a oportunidade. Aquela reflexão, mesmo entrecortada, deve ter chegado mais nitidamente aos ouvidos de Deus do que as de quem lê com facilidade.

Nas procissões, somos tomados pela melodia piedosa dos cantos que traduzem o momento: a dor de Maria, os passos de Jesus, o encontro entre Mãe e Filho, a dolorosa “Procissão do Enterro”. Na aglomeração, presenciamos as mais variadas manifestações de fé: o canto, a oração, a luz das velas, os pés descalços, o silêncio. A cadência dos passos traduz o desejo único: a demonstração da fé.

Percebo ainda a concretude de nossa fé, na contemplação das imagens, na escuta dos sermões, nas procissões e após as procissões. Depois de longa caminhada, ainda resta forças para enfrentar uma longa fila, aproximar-se da imagem e ali, com o olhar fixo, deixar suas últimas considerações a Deus através de Jesus e Maria. O que é coroado pela oferta, deixada aos pés do santo, em forma de agradecimento.

A alegria vivida no Sábado Santo e no Domingo da Ressurreição vem laurear, com êxito, mais uma festa. O cansaço é certeiro, mas o júbilo da alma compensa qualquer dor, qualquer desânimo. É tempo de ação de graças. E tempo de encher os olhos para desejar vida nova ao irmão e à irmã com os quais cruzamos. Tempo de agradecer a Deus por todos os momentos vividos, por todos os irmãos que pudemos acolher e ajudar a matar a sede de Deus. De sorrir por dentro, cheio de contentamento, e dizer: Obrigada, senhor, por todos esses momentos que nos prepararam para bem viver a Páscoa, na Liturgia e na vida.

Luisagarbazza@hotmail.com

Do Jornal Paróquia N. Sra. do Bom Despacho

Abril de 2023

 


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