terça-feira, 11 de junho de 2019

Sobre o amor


Em nossa caminhada de cristãos, Deus vai traçando os rumos, que nos são apresentados, muitas vezes, em forma de coincidências, ou providências. Uma dessas providências divinas aconteceu comigo dia 23 de maio de 2019. Ao começar o dia, sempre registro, em minha página, nas redes sociais, uma mensagem de fé, de esperança, com o objetivo de evangelizar, de passar algo positivo para alegrar o dia de alguém, ou que possa servir como reflexão. Sempre peço a luz do Santo Espírito e escrevo o que vier à mente naquele momento, podendo ser uma frase, uma trova, uma mensagem ou uma poesia. No dia 23, escrevi assim:

Dentro da alma, pelo sono renovada,
que se abre para o novo dia, a voz de Deus:
"Ame. Ame a vida, ame o irmão, ame a si mesmo, ame as obras de minha mão. Esse é o segredo."
            Assim que terminei de escrever, sintonizei a rádio Terra FM-Manhumirim, para ouvir o programa “Fé e compromisso”, com o diácono Matheus Garbazza. O coração transbordou de alegria e ação de graças, pois percebi a sintonia com o que escrevi, ao ouvi-lo fazer a leitura do Evangelho de São João (15,9-11): Disse Jesus: “Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor. Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa”.
Nesse mesmo dia, à tarde, passei na igreja para visitar o Santíssimo Sacramento. Comecei a pensar sobre qual assunto escrever para o jornal. No silêncio do meu coração, a voz de Deus: “Escreve sobre o amor.” E aqui estou eu, escrevendo sobre o amor.
Falar de amor é tão fácil! Essa palavra, creio eu, é a mais falada, cantada em prosa e em versos. Mas o sentimento amor, ah! esse não é tão vivido assim. É justamente essa vivência que é preciso aprender. Aprender a amar sem distinção, sem exigências, sem esperar nada em troca. Amar os pais, os irmãos, a família. Amar o esposo, a esposa. Amar cada pessoa que encontrar. Viver o amor fraternidade, tão pregado por Jesus Cristo. Esse que faz ajudar o outro, fazê-lo se sentir bem apesar de suas misérias. Dar algo de si a quem nada possui; não apenas bens materiais, mas a fé, a alegria, a graça de ser filho de Deus. Dar um bom dia, um abraço, saber do outro, cuidar.
Peçamos a Deus que nos ensine a amar. Peçamos a Ele a graça de sabermos amar, de entendermos que o amor deve ser vivido em quaisquer circunstâncias. Não existe amor pela metade, o amor é a totalidade. Amar apesar das divergências, das diferenças, do caminho escolhido. Amar na alegria, mas também na dor. E isso, apendemos aos poucos, desde que deixemos a luz de Deus brilhar sobre nós e nos contagiar. Por isso, peçamos:
 Se não estamos sabendo amar o irmão, ó Deus, vem nos ensinar. Ensina-nos o caminho a seguir, as palavras que devem ser ditas, o que fazer para viver o teu amor. Nos dias de alegria, dá-nos a graça de dividir essa alegria com alguém. Nos dias difíceis, dá-nos forças para superar as intempéries e não deixar que isso nos prive da missão de servir. Dá-nos sabedoria para entendermos o amor em sua plenitude. Para compreendermos a necessidade do outro e levarmos o teu amor a todos os irmãos. E, acima de tudo, ajuda-nos a entender que esses ensinamentos, essa busca são por toda a existência, pois amor verdadeiro, pleno, inteiro só o teremos em ti. Amém.

Luisa Garbazza

Publicação do Jornal Paróquia N. Sra. do Bom Despacho
Junho de 2019

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Sempre Mãe


Chega maio. Que alegria!     
Celebremos a magia
de um ser chamado Mãe.

Mãe é luz, é força, é bondade,
É paz, é amor, é verdade,
toque suave no coração.
É sentir serenidade,
alegria na saudade,
aconchego na aflição.

Mãe é puro sentimento:
esperança daquela que quer ser mãe;
euforia da jovem mãe;
cuidado da mãe de filho pequeno;
ansiedade da mãe de filho adolescente;
ternura da mãe que se torna avó;
saudade da mãe de filho distante;
tristeza, nostalgia pela mãe que já se foi.

Mãe é sempre mãe,
um ser de existência reluzente.
Por mais que esteja velhinha,
distante ou falecida,
mãe é outra Maria
na vida de toda gente.
                      Luisa Garbazza

                      Maio de 2019



Homenagem à  minha querida, amada e santa mãe, que, mesmo tendo sido chamada à presença de Deus, faz parte de cada minuto de minha vida.
Mamãe, amo a senhora tanto, tanto, tanto...




                     


quarta-feira, 8 de maio de 2019

Alegria em Cristo Jesus


Nós, seres humanos, somos simples e complexos, imperfeitos, inacabados, necessitados uns dos outros para realizarmos uma tarefa que não é tão simples assim: viver. Na construção de nossa própria história, somos dotados de liberdade para escolher nossos caminhos e inteligência para realizar maravilhas. Como filhos e filhas de Deus, no entanto, temos necessidade de conservar o elo que nos mantém conectados com o Criador. É essa sintonia com Deus que nos faz capazes de dar passos seguros e confiantes, na certeza de que estamos amparados, acompanhados e que somos amados a despeito de quaisquer circunstâncias.
Por sermos seres inacabados, somos movidos a fé, a esperança, a sonhos e precisamos buscar algo novo a cada dia. Também é necessário estar em sintonia com o semelhante, nossos irmãos e irmãs de caminhada. É em comunidade que vamos crescer, ajudar a quem precisa, amadurecer nossa fé, professar nossa crença em Deus todo poderoso. Na busca por esse amadurecimento, caminhamos rumo à santidade. Dia após dia, ano após ano, a Igreja nos oferece oportunidades de vivenciarmos a trajetória do povo de Deus e do próprio Jesus através das festas litúrgicas. Recentemente passamos pela Quaresma, Semana das Dores, Semana Santa e Páscoa – ressurreição de Jesus, proposta de vida nova para cada filho e filha de Deus. São momentos de oração, penitência, jejum, abstinência, para culminar na alegria do Cristo ressuscitado; momentos que reforçam nossa fé e nos dão esperança para continuarmos a batalha da vida.
Neste ano, ao celebrar a Semana das Dores, reunimo-nos para meditar as dores de Maria na Igreja Matriz, sempre às 18 horas, encerrando com a Missa das 19 horas. Como coordenadora, procurava acolher a cada um que chegava. Revezamos nos momentos das leituras e das orações, para que haja participação de todos. No primeiro dia dessa semana, domingo, dia 14 de abril, refletíamos sobre a primeira dor de Maria: Profecia de Simeão. A igreja estava quase cheia. No primeiro banco, notei a presença de dois jovens, bem concentrados, atentos às orações. Aproximei-me, com o terço na mão, e perguntei se queriam rezar um mistério. A resposta foi-me surpreendente: ”Nós não sabemos rezar. Somos novos convertidos. Agora que estamos aprendendo a rezar a Ave-Maria.” Durante a rápida conversa, disseram que estavam frequentando a catequese. Em um misto de surpresa e contentamento, eu os acolhi e pedi que lessem o texto de contemplação dos mistérios, o que fizeram com alegria.
Esse acontecimento encheu-me o coração. Acolher aqueles jovens fez a diferença no meu dia, na minha oração, no meu modo de pensar. Por um instante, quis falar para a igreja toda, contar a novidade, como as mulheres ao contar que Jesus havia ressuscitado: com o coração cheio de alegria. Contive-me, no entanto, entendendo que aquela não seria a melhor hora para fazê-lo.
A alegria sentida, ao encontrar aqueles dois jovens, fez-me lembrar de uma passagem bíblica, às vezes tão difícil de entender: “Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento”. (Lucas 15:7) Fiquei pensando que Jesus devia estar mais alegre com aqueles dois jovens, em cujos corações a fé católica começava a brotar, do que com a minha presença e a de tantos outros que estão a vida inteira na igreja. Os meus olhos se abriram, e já não havia nenhuma dúvida a respeito dessas palavras, pois a alegria transbordava também do meu coração.
Luisa Garbazza
Maio 2019
Jornal "Paróquia"

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Exaltação dos humildes



Estamos vivendo o tempo quaresmal. Durante estes quarenta dias, somos convidados a uma postura de oração, jejum e caridade. É preciso padecer um pouco: fazer abstinência de alguma coisa, deixar de comer algum alimento, reservar um tempo maior para a oração e ainda lançar um olhar sobre o irmão e ajudá-lo em suas necessidades.
Para os momentos orantes, recorremos à Palavra de Deus, presente no livro santo. As leituras bíblicas da liturgia nos levam a refletir sobre o pecado, a conversão, a súplica a Deus todo poderoso. Também nos convida a acompanhar os últimos passos de Jesus e a ouvir suas palavras, que nos dão lições de humildade, de desapego, de perseverança e nos convida a tomar nossa cruz e segui-lo.
Ao falar em lição de humildade, lembro-me das palavras do Padre Jayme, na homilia da quarta-feira, dia 20 de março. Comentando o Evangelho da mãe que queria escolher lugares para os filhos ao lado de Jesus, na vida eterna, Padre Jayme nos instruía sobre o valor da humildade.  Segundo ele, por mais que pensemos estar nas graças de Deus, não cabe a nós exigir alguma coisa. Mesmo que ocupemos um cargo mais alto, seja na sociedade, na política ou na própria Igreja, importa mais o modo como conduzimos esse cargo. Precisamos agir com humildade, servir o outro sem procurar nos enaltecer. Afinal, foi o próprio Jesus que nos disse: “Eu vim para servir, e não para ser servido”. – O próprio Padre Jayme nos dá o exemplo de humildade quando, pelas limitações do corpo, aceita as mãos que o levam ao altar.
Ouvindo as palavras do Padre Jayme, percebemos o quanto devemos estar vigilantes. Cuidar para que o ego não ocupe o lugar de honra em nossa vida. O que precisamos, de verdade, é nos convencer de que tudo o que fazemos é para Deus. Nada deve ser feito para nos engrandecer. E tudo deve ser a favor do irmão. A glória é, portanto, toda de Deus. O que fica de nós, diante do Criador, é o que somos lá no coração, onde só Ele vê. Como diz Madre Teresa de Calcutá, “Veja você que, no final das contas é tudo entre Você e Deus e não entre você e os homens”.
Jesus pregava a humildade. Em sua trajetória entre os homens, tinha sempre uma palavra de censura para os grandes e poderosos que não respeitavam os pobres e oprimidos. E sempre ajudava os humildes, mesmo aqueles que ocupavam um cargo mais elevado. Ele, sim, sabia ler o íntimo da pessoa e ver suas verdadeiras intenções, seus verdadeiros sentimentos. Por isso valorizava tanto os humildes de espírito e os chamava de bem-aventurados, porque deles é o reino dos céus.
Assim, neste tempo quaresmal, peçamos a Deus a graça de fazer tudo por amor. Saibamos nos colocar, de corpo e coração, à disposição dos mais necessitados. Há tanto a ser feito! “A messe é grande e poucos os operários.” Aprendamos de Jesus a lição de humildade. Aprendamos de Maria a lição de estar sempre pronta a atender a vontade do Pai: “Faça-se em mim segundo a vossa palavra”.
Dai-nos, Senhor, a graça de entender a nova aliança proposta por Jesus: “um novo reino de justiça e esperança, fraternidade, onde todos têm lugar”. Ajudai-nos, a não cairmos na tentação do egoísmo, do orgulho, da audácia de pensar que somos melhores que qualquer um de nossos irmãos e irmãs. Concedei-nos sabedoria para vivermos a verdadeira humildade, essa que nos leva a crer que somos todos iguais e precisamos de nos amar e de cuidar uns dos outros como aprendemos de vós. Amém.
Luisa Garbazza 

Publicação do jornal "Paróquia"
Abril de 2019

segunda-feira, 11 de março de 2019

Verdadeira fraternidade


Manhã de domingo, em minha casa, é quase sempre a mesma rotina: levantar cedo e se preparar para participar da Santa Missa. No último domingo, entretanto, como teríamos função na missa da noite, mudou-se a rotina: levantamos cedo, e o Flávio convidou-me para uma caminhada.
O ar fresco da manhã e a conversa amena tornavam agradável o caminhar. No meio do caminho, no entanto, algo quebrou nosso encantamento: em frente à cadeia, um grupo de mulheres aguardava o momento das visitas. Aquela cena muito nos sensibilizou. A partir daí, então, a conversa foi sobre a Campanha da Fraternidade 2019, sobre políticas públicas, para qual estamos nos preparando, pois sabemos que muitos dos presos são jovens que se envolveram no mundo das drogas.
Em preparação para a Campanha da Fraternidade, tivemos, no último sábado, um encontro de formação para a liderança da paróquia. Convidamos o promotor público, Dr. Giovani Vieira, para falar para nós sobre as políticas públicas. Muito interessante as palavras do Giovani, que nos dizia o quanto a Constituição Federal do Brasil é rica e completa. Triste é vê-la tão desvalorizada. Ali entendemos que há, sim, leis que protegem os menores, o meio ambiente, os idosos, a família, que privilegiam a educação e a saúde. Pena que os políticos não cumprem – pelo menos não em sua totalidade – o que dita nossa constituição. E as consequências? Vemo-las no meio de nós: pessoas desamparadas, idosos sem amparo, muitos doentes sem socorro, infância desvalida, jovens sem perspectivas, educação precária e o meio ambiente cada vez mais devassado.
Vendo tanto descaso por parte dos políticos, nós cristãos não podemos nos acomodar. É aí que entra a verdadeira fraternidade. Precisamos tomar consciência da nossa obrigação de filhos e filhas de Deus e partir para a prática do “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.  Esse é o mandamento deixado por Jesus. Esse deveria ser o maior de todos os mandamentos, e às vezes fica esquecido. Abramos nosso coração. Há tanto a ser feito! Podemos apoiar o irmão que sofre, cobrar dos políticos que seja cumprido o que nos propõe a Constituição Federal. Está tudo lá, nas leis. É necessário apenas que haja forças para vencer a corrupção e colocar em prática a lei dos direitos iguais para todos, em quaisquer circunstâncias, a começar pelo direito à saúde, à educação e a uma vida com dignidade. Posso estar sendo muito otimista, mas creio que se todos tivessem acesso a esses direitos, haveria bem menos violência, menos revolta, menos tragédias.
Tomara que, nesta Campanha da Fraternidade, possamos, todos juntos, olhar com mais compaixão para nossos irmãos que sofrem e fazer alguma coisa para ajudá-los a conseguir o que lhe é de direito. Nem todos se conformam com a situação em que vivemos. Juntos, com a certeza da graça de Deus, que se fará presente em nossas atitudes, podemos melhorar a vida dos nossos irmãos e a nossa também. A certeza de que Deus está conosco, nos dará forças na caminhada de fé e de fraternidade.
Aqui me lembro de outro fato da última semana: saindo bem cedo de casa, passei perto de uma construção civil e ali, sentado ao lado de um monte de areia, aguardando a hora de começar o trabalho, um jovem, de cabeça baixa. Ao me aproximar, notei que ele tinha nas mãos uma Bíblia – já amassada e um pouco suja – e um lápis, com o qual ia marcando algumas palavras. Tenho certeza de que aquele jovem também sofre as consequências do regime de privilégios em que vivemos. Mas sei também que ele coloca todas as suas esperanças em Deus, o qual estava ouvindo através da Palavra.
Luisa Garbazza

Publicação do jornal "Paróquia"
Março de 2019

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Tempo de agradecer


O tempo é um mistério. O homem tenta dominá-lo em vão. Conforme as peculiaridades, o tempo foi sendo divido: segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos, séculos... Mas, na corrida do dia a dia, o passar do tempo continua sendo um mistério: às vezes vai rápido demais, outras vezes parece que está estacionado; às vezes acontecem tantas coisas, outras vezes vivemos o marasmo da existência. De uma coisa podemos ter certeza: o único que domina esse mistério é o Criador. Ele, sim, sabe o tempo certo para cada coisa acontecer. Ou deixar de acontecer.

Nós, da Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho, estamos vivendo o tempo de agradecer. Celebramos, em 2019, os oitenta anos da presença sacramentina em Bom Despacho. É com alegria que elevamos ao Pai cânticos e preces de louvor e ação de graças pela dádiva de sermos guiados pelos discípulos do Padre Júlio Maria De Lombaerde, hoje servo de Deus.
Quando se conhece um pouco da história do Padre Júlio Maria, é fácil visualizá-lo chegando nestas terras: um homem alto, barbas longas, olhar calmo, alma serena. Homem sério, trabalhador, generoso, ciente de sua vocação e de sua missão como consagrado: evangelizar, pregar e praticar o amor, a solidariedade, a justiça. Tinha um amor muito grande por Jesus Eucarístico e pela Mãe da Eucaristia. Seu lema era “Amor e sacrifício”. Onde passava, deixava pegadas de fé e marcas de Deus. Assim ele viveu. Assim ele quis que vivessem as três congregações que criou.
Na década de 1930, Padre Júlio Maria veio por estas bandas com o firme propósito de assumir a Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho, e o fez, oficialmente, no dia 1º de janeiro de 1939, instituindo como primeiro pároco o Padre João Balke, SDN. A partir dessa data, muitos foram os sacerdotes sacramentinos que passaram por estas terras. Alguns aqui permaneceram por muitos anos, foram incansáveis missionários e marcaram a vida de tantas pessoas. Lembro-me das histórias de minha mãe: a espiritualidade e o jeito severo do Padre Antenor; a caridade e o amor às Sagradas Escrituras do Padre João Heffels; a incansável solicitude do Padre Henrique. Não podemos nos esquecer dos sacramentinos bom-despachenses: Padre Robson, Padre Jayme, Padre Antônio Otaviano. E tantos outros, cada um com seu carisma, com suas particularidades, mas todos imbuídos dos ideais julimarianos, tão sublimes e tão necessários na vida dos cristãos.
Primeiro de janeiro de 2019: são 80 anos de missão sacramentina entre nós. Primeiramente em toda a cidade; agora, com a divisão de paróquias, a missão continua na Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho. A cada dia conhecemos mais a história do fundador e nos empenhamos para ajudar os sacerdotes a concretizar os ideais propostos por ele. A cada dia nos convencemos de que seus ideais são admiráveis e necessários para uma boa vivência cristã, pois são os mesmos pregados pelo Mestre Jesus.
Por isso é tempo de agradecer. Estamos vivendo o “Ano jubilar”. Em 2019, vamos fazer memória dos oitenta anos da presença sacramentina em Bom Despacho. Durante todo o ano, teremos ações concretas e celebrativas em comemoração a esse jubileu. Demos graças a Deus pelo privilégio de participarmos de uma paróquia sacramentina. Graças por propagarmos o nome do servo de Deus Padre Júlio Maria e rezarmos para que ele alcance a glória dos altares. Graças por todos os missionários sacramentinos que aqui viveram: pelos que estão vivos e pelos que Deus chamou para si. E graças pelos que estão conosco neste ano jubilar: Padre Jayme, Padre Antônio, Padre Márcio e Padre André. Amém.

Luisa Garbazza
Publicação do Jornal "Paróquia"
Fevereiro de 2019

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Crônica de viagem


Região dos Lagos
       
Sair de férias é sempre uma experiência cheia de riquezas. Sair de férias em família, mais ainda. Em se tratando da minha família, o difícil é acertar o destino e o endereço que agrade a todos. 2019: Arraial do Cabo, RJ; endereço: condomínio Vila da Praia, bairro Praia Grande. Tudo acertado, saímos na madrugada do dia 20 de janeiro.
        A primeira surpresa sobreveio ainda na viagem de ida: alertados sobre a dificuldade do caminho mais curto, passamos pela cidade do Rio de Janeiro, ainda não visitada por nós. Era para ser apenas um caminho, no entanto tornou-se um pedacinho especial da viagem. A visão das belezas da cidade maravilhosa foi de encher os olhos: a grandiosidade da ponte Rio-Niterói, pela qual trafegamos, a imponência do Pão-de-açúcar e os braços abertos do Cristo Redentor que, mesmo ao longe, nos abraçava.



        



        
 Ao nos aproximarmos do destino, o arco de boas-vindas nos acolheu e, ao mesmo tempo, aumentou nossas expectativas. Já na cidade, foi bem fácil encontrar nosso novo e efêmero endereço. Em instantes, já instalados, sentíamo-nos em casa, prontos para aqueles dias de descanso, lazer e convivência em família.


        O burburinho da cidade era imenso. Carros e pedestres disputavam as ruas mais movimentadas, próximas às praias. Era difícil sair de carro por aquelas ruas. Mais ainda, encontrar um lugar para estacionar. Mas toda a ansiedade era esquecida quando a disputa era por um lugar ao sol, por uma sombra agradável para passar algumas horas e o encontro, indispensável, com as águas claras do mar.


        A semana foi muito agradável. Alguns momentos marcaram nossa estada. Entre eles, a manhã de sol quando os olhos amados se encontraram com os meus. Ou a escalada da escada de 255 degraus que nos levou à Praia do Pontal; e ainda o prazeroso passeio de barco que, regado a ventos peraltas que nos levantava os cabelos, aguçou nossa imaginação sobre aquele mar sem fim que se mostrava à nossa frente.



        Aproveitando a viagem, reservamos tempo para visitar Cabo Frio: areia branca, sol forte, praia apinhada de banhistas e, como não poderia deixar de ser, uma passadinha no forte São Matheus para lembrar nossa história e repetir uma foto com a cidade ao fundo e aquele mar tão azul.


Um tempo também para rever o encanto da praia de Geribá e aproveitar, de forma muito especial, as maravilhas das pedras das ruas de Búzios, com suas atrações, seus artistas, sua graça, sua poesia, como este anjo - estátua viva - que me sensibilizou.


        No domingo, dia 27, já em clima de despedida, partimos para participar da Santa Missa. No melhor horário para nós, a Missa era na antiga e delicada Igreja de Nossa Senhora dos Remédios. Momentos de fé e confiança em Deus e na Virgem Maria.


    Ainda na manhã do domingo, uma esticadinha até a cidade de São Pedro da Aldeia, com um objetivo específico: visitar a enigmática Casa da Flor. Há muito, desde que se veicularam propagandas a seu respeito e de seu criador – Gabriel dos Santos – alimento a vontade de conhecê-la de perto. É lindo de se ver! A casinha em si é bem simples. O deslumbre fica por conta da arquitetura que a cerca: a escadaria ladeada de pequenas e trabalhadas colunas, a riqueza dos detalhes, a graciosidade de seus singelos encantos.





Na manhã da segunda-feira, dia 28 de janeiro, a foto de despedida traduz a sensação de gratidão pelos dias de bênçãos passados naquele cantinho de mundo, no sudeste do Brasil. O corpo, antes fatigado pelo cansaço do trabalho, respira aliviado. A alma, enriquecida pelas maravilhas captadas pelas atentas retinas, sorri agradecida.

Entretanto, a imagem mais marcante, o sentimento mais profundo, o êxtase maior ficou por conta do grande espetáculo da natureza, da visão mais bela que meus olhos já viram e que ficará para sempre em minha memória: direto da Praia Grande, em Arraial do Cabo, o pôr do sol em alto mar.

Luisa Garbazza
30 de janeiro de 2019