sábado, 2 de maio de 2026

Braços de mãe

 


O Senhor nosso Deus, Criador de todas as coisas, criou o homem à sua imagem e semelhança. Criou também a mulher e a ela deu o dom da maternidade. Em toda a história da humanidade, percebemos o papel da mulher e o carinho de Deus para com as que não podiam engravidar. Vários são os exemplos das mulheres que conceberam já com a idade avançada, como o caso de Sara, mãe de Isaac: “Sara concebeu e, apesar de sua velhice, deu à luz um filho a Abraão, no tempo fixado por Deus.” Gen. 21,2; e Isabel, mãe de João Batista: “Mas o anjo disse-lhe: ‘Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração: Isabel, tua mulher, vai dar-te um filho, e tu o chamarás João’.” Lc 1,13. A maternidade mais sublime, no entanto, foi, sem dúvida, a de Maria, pois deu a luz ao próprio filho de Deus, que se fez homem para a nossa salvação.

Não se comparando à maternidade de Maria, todas as mães são sublimes, e seu amor incomparável. Mãe ama, espera, acolhe, cuida, ensina, educa... e deixa ir. Quando a mulher percebe que está gerando uma nova vida, é imensurável o amor gerado em seu coração. Mas, ao dar a luz, é incomparável a beleza e a servidão encontradas nos braços de uma mãe.

Braços de mãe é ninho, que acolhe, com amor e carinho, o filho recém-nascido. Aquele ser, tão pequenino, cabe inteirinho dentro de seus braços. É ali que se acostuma com a vida aqui fora, aprende a sorrir, a se alimentar, a lançar nos olhos da mãe o olhar mais sincero e inocente que no mundo pode haver. É ali que o filho chora quando algo o incomoda, pois a mãe é capaz de entendê-lo.

Braços de mãe é estendido para segurar pequenas mãozinhas que começam a explorar o mundo, a dar os primeiros passos. Depois, soltam-nas, para que o filho possa seguir seu caminho. Mas continuam sempre abertos para acolhê-lo após as quedas, as frustrações da vida, os desânimos, a dor de amor, a saudade, quando estão distantes.

Braços de mãe é colo, é divã, lugar de repouso, de descanso, de pausa. Nos braços da mãe, podem-se dizer todas as coisas, pode questionar, pedir conselho, contar os sonhos e planos. A qualquer hora, seja dia, seja noite, eles estarão sempre lá, prontos para envolver, consolar, agasalhar, proteger. Mãe é mãe todo o tempo, por toda a vida e além da vida.

Todos os dias, sentimos a presença da mãe. E como é doce essa presença! Quando elas vão embora dessa vida, a dor é demais sentida. Fica a saudade de tudo, mas são dos braços que mais sentimos falta. Fica um vazio, e o mundo parece ser grande demais. Mas não é verdade que, às vezes, nos momentos de maior saudade, notamos nosso coração arder pelo caminho da vida e sentimos dois braços a nos lembrar de que não estamos sozinhos?

Luisa Garbazza

Maio 2026