O Senhor nosso Deus, Criador de todas as coisas,
criou o homem à sua imagem e semelhança. Criou também a mulher e a ela deu o
dom da maternidade. Em toda a história da humanidade, percebemos o papel da
mulher e o carinho de Deus para com as que não podiam engravidar. Vários são os
exemplos das mulheres que conceberam já com a idade avançada, como o caso de
Sara, mãe de Isaac: “Sara concebeu e,
apesar de sua velhice, deu à luz um filho a Abraão, no tempo fixado por Deus.”
Gen. 21,2; e Isabel, mãe de João Batista: “Mas
o anjo disse-lhe: ‘Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração: Isabel, tua mulher, vai dar-te um filho, e
tu o chamarás João’.” Lc 1,13. A maternidade mais sublime, no entanto, foi,
sem dúvida, a de Maria, pois deu a luz ao próprio filho de Deus, que se fez
homem para a nossa salvação.
Não se comparando à maternidade de Maria, todas as
mães são sublimes, e seu amor incomparável. Mãe ama, espera, acolhe, cuida,
ensina, educa... e deixa ir. Quando a mulher percebe que está gerando uma nova
vida, é imensurável o amor gerado em seu coração. Mas, ao dar a luz, é
incomparável a beleza e a servidão encontradas nos braços de uma mãe.
Braços de mãe é ninho, que acolhe, com amor e
carinho, o filho recém-nascido. Aquele ser, tão pequenino, cabe inteirinho
dentro de seus braços. É ali que se acostuma com a vida aqui fora, aprende a
sorrir, a se alimentar, a lançar nos olhos da mãe o olhar mais sincero e
inocente que no mundo pode haver. É ali que o filho chora quando algo o
incomoda, pois a mãe é capaz de entendê-lo.
Braços de mãe é estendido para segurar pequenas
mãozinhas que começam a explorar o mundo, a dar os primeiros passos. Depois,
soltam-nas, para que o filho possa seguir seu caminho. Mas continuam sempre
abertos para acolhê-lo após as quedas, as frustrações da vida, os desânimos, a
dor de amor, a saudade, quando estão distantes.
Braços de mãe é colo, é divã, lugar de repouso, de
descanso, de pausa. Nos braços da mãe, podem-se dizer todas as coisas, pode
questionar, pedir conselho, contar os sonhos e planos. A qualquer hora, seja
dia, seja noite, eles estarão sempre lá, prontos para envolver, consolar,
agasalhar, proteger. Mãe é mãe todo o tempo, por toda a vida e além da vida.
Todos os dias, sentimos a presença da mãe. E como é
doce essa presença! Quando elas vão embora dessa vida, a dor é demais sentida.
Fica a saudade de tudo, mas são dos braços que mais sentimos falta. Fica um
vazio, e o mundo parece ser grande demais. Mas não é verdade que, às vezes, nos
momentos de maior saudade, notamos nosso coração arder pelo caminho da vida e
sentimos dois braços a nos lembrar de que não estamos sozinhos?
Luisa Garbazza
Maio 2026




