terça-feira, 3 de novembro de 2026

“Dai graças ao Senhor porque Ele é bom”

Como é alegre o coração de quem ama Deus! É bom amar a Deus, saber que Ele nos amou primeiro e sua bondade para conosco é infinita. Isso nos alegra o coração e nos dá força na caminhada. Mesmo nos momentos mais difíceis, sabemos que podemos confiar na misericórdia de Deus, que nos acolhe, nos ajuda a vencer as intempéries e nos conduz os passos para um novo caminhar. Assim na vida de cada um, assim na vida da Igreja, que ganha novo impulso a cada ano litúrgico. Mês de novembro é justamente o marco de nossa caminhada de igreja. Encerramos o ano litúrgico e, imbuídos do espírito de conversão e de renovação, preparamo-nos para um novo ciclo.

Justamente por isso, novembro é época de ação de graças. É importante olhar para trás e perceber quanta coisa vivemos durante o ano. Nós, da Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho, vivenciamos um tempo de adaptação, com a mudança do pároco. Despedimo-nos do Pe. Renato e demos as boas-vindas ao Pe. Luiz Paulo. Outros tempos, mas o mesmo espírito de fé, de oração, de pertença à Igreja e ao carisma julimariano.

Chega então novembro e abrimos nosso coração a Deus em ação de graças. Agradecemos por tudo o que foi vivido em nossa paróquia. Pelos Missionários Sacramentinos, que se doam e se desdobram testemunhando o amor-sacrifício; pelas pastorais e movimentos, que se empenham para viver em comunhão e servir o outro em suas necessidades; pelos Missionários Leigos Sacramentinos, em sua missão de viver e semear o carisma do Pe. Júlio Maria; por todos os momentos de formação e crescimento na fé dos quais pudemos participar; pelas datas celebrativas que nos aproximaram ainda mais de Jesus e da Santíssima Virgem Maria, como a festa de nossa padroeira, Nossa Senhora do Bom Despacho.

Agradecemos ainda pela alegria de podermos celebrar, em 18 de junho deste ano, a venerabilidade do Pe. Júlio Maria De Lombaerde, sabendo que suas virtudes heroicas foram reconhecidas pela Santa Mãe Igreja. Pe. Júlio Maria deixou exemplos de virtudes suficientes para despertar em nós, que nos aproximamos de sua história de vida, a vontade de seguir seus rastros e, com a graça de Deus, vê-lo proclamado santo.

Ao findar esse ano litúrgico, portanto, recolhamo-nos em oração de louvores a Deus por todos os benefícios que Ele nos concede a cada dia. Reconhecendo a bondade do Criador, peçamos bênçãos para o que virá e rezemos com São Paulo na Carta aos Tessalonicenses: “Em tudo demos graças a Deus”.

                                                                            Luisa Garbazza

Artigo publicado no jornal da Paróquia N. Sra. do Bom Despacho

Novembro 2026 


domingo, 4 de outubro de 2026

Vida e missão

 


Querido povo de Deus, como é bom ser igreja! Como é desafiante a vida em Cristo! Encerramos o mês de setembro ouvindo a voz do profeta Daniel a nos dizer que “o Reino de Deus jamais será destruído”. Da mesma forma, nossa missão também não tem fim. Assim chegamos ao mês de outubro, mês missionário por excelência, a nos convidar para mergulharmos mais ainda no processo de nos ocuparmos das coisas de Deus. Há sempre algo a mais ou alguém a mais precisando de nossa disponibilidade para servir.

Chega outubro e celebramos o dia das crianças. É preciso festejar, valorizar a infância, permitir que os pequenos sintam a alegria dessa fase tão simples, mágica, ingênua até. Mas também precisamos, desde cedo, de incutir no coraçãozinho deles uma vivência voltada para os ensinamentos de Cristo. Muitas vezes a criança é exposta a tantas atividades e esquece-se da espiritualidade. A criança é tão receptiva! Apresentar a ela o universo do amor ao próximo e a necessidade de nos ajudarmos mutuamente é nossa missão.

É nossa missão contribuir para o amadurecimento da fé das crianças, dos adolescentes e jovens, enfim, de cada pessoa que se mostra aberta às verdades de Cristo por meio dos ensinamentos da Igreja. Quando esses ensinamentos começam na infância, cresce a esperança de que possam ser ampliados e cheguem a perdurar. Os primeiros ensinamentos cristãos, principalmente quando vêm dos pais, deixam marcas profundas na vida do ser humano. Na família se aprende a rezar, a respeitar, a dividir, a cuidar. E quem cresce em um ambiente assim aprende também que é preciso levar esses valores para além da família, para a vida em sociedade.

Essa então é nossa missão: catequizar nossas crianças para que cresçam com o coração cheio de Deus. Mas, se isso não foi feito na infância, catequizar jovens e adultos. Para cuidar do outro é necessário que cuidemos de nossa própria vivência cristã. Precisamos encher o nosso coração do amor divino para levar Cristo ao coração das pessoas. Para essa missão ser bem sucedida, é fundamental uma vida de oração, cujo exemplo nos vem de Santa Teresinha, celebrada justamente no primeiro dia do mês.

Possamos nós viver este mês com a alegria de sermos missionários. E com a convicção de que precisamos dedicar um pouco do nosso tempo para nos aproximarmos do outro, ouvir suas dificuldades, falar de Deus. Santa Teresinha, que prometeu cuidar de todos lá do céu, interceda por todos nós. Amém.

Luisa Garbazza

Publicação digital da Paróquia N. Sra. do Bom Despacho


segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Lugar de acolhida

 


Como é gratificante o exercício do aprendizado da leitura! É mágico os movimentos dos olhos ao traduzir os anseios do cérebro na ânsia do saber. A magia continua na identificação de cada letra e na junção que se faz de umas com as outras, decifrando o emaranhado que se apresenta à primeira vista. Quando cada grupo de letras começa a fazer sentido, a significar algo, a decifrar os anseios do pensamento, aí sim, acontece a magia da leitura. Aprender a ler é algo inenarrável. E aí começa o delicioso passeio pelas páginas dos livros.

O melhor palco para esse divertido passeio é, sem dúvida, para nós bom-despachenses, a Biblioteca Municipal. E, justamente neste dia 7 de setembro, celebramos seu aniversário. São 62 anos de luta e incentivo à leitura, à pesquisa, ao aprendizado de forma geral.

Situada hoje no centro da cidade, em local bem acessível, é um espaço de acolhimento a quem quiser visitá-la e fazer uso de seus recursos.  Lugar de muitas histórias, a nossa biblioteca já fez parte da vida de muita gente ao longo desses anos, inclusive da minha! Logo que comecei a decifrar as primeiras letras, descobri esse lugar fantástico, que me ajudou a fazer grandes descobertas pela vida afora e, nos últimos anos, acolheu-me como escritora. Sou extremamente grata por tudo que ali vivi e pelos muitos livros que já tive a oportunidade de ler. E ainda abriga muitas pessoas. Quantos estudantes, mesmo na era digital, ainda procuram a biblioteca para estudar! Quantos leitores têm o hábito de emprestar livros para serem lidos em casa! Quantos escritores fazem da biblioteca o palco para o lançamento de seus livros!

Ao celebrar os 62 anos da biblioteca, em nome de tantos bibliotecários que já passaram por ali, quero tecer meus agradecimentos à Juliana Rodrigues, atual bibliotecária, e a sua equipe. Juliana não mede esforços para fazer daquele espaço um lugar agradável e diversificado em suas atividades. Hoje, além do empréstimo de livros e lugar de pesquisas, a biblioteca acolhe os escritores para noite de autógrafos, acolhe as escolas para momentos de contação de história, promove o famoso “Chá Literário”, em que homenageia os escritores, celebra “Noite de museus e biblioteca”, abre espaço para o “Clube de leitura”, entre outros eventos. É uma grande riqueza em nossa cidade. Há que ser preservada, valorizada, frequentada.

Parabéns, Biblioteca Municipal Jacinto Guerra!

Parabéns, Juliana e todos os funcionários que ali desempenham suas funções.

Parabéns, Bom Despacho, por cultivar esse espaço de promoção de vida, de aprendizado, de alegria, de acolhida.

Luisa Garbazza

7 de setembro de 2026

Pelos 62 anos da Biblioteca Municipal de Bom Despacho






domingo, 9 de agosto de 2026

Presença paterna

 


Hoje celebramos o Dia dos Pais.

E o que este dia representa?

Uma explosão de sentimentos que precisam ser notados, cultivados, sentidos em plenitude em cada família.

Ser pai é a ansiosa espera em tempo de gravides.

É o sorriso bobo que contempla o rostinho do filho pela primeira vez.

É a segurança da mão que sustenta; a firmeza da voz que aconselha; a cadência dos passos que caminham em sintonia.

O pai é a presença constante, na alegria e na tristeza. Fala, escuta, motiva, modera, empurra, se preciso for.

Algumas vezes, o pai fica um pouco esquecido. O filho pensa que pode caminhar sozinho, sem amparo, sem ninguém para ajudá-lo a discernir os melhores rumos, a tomar as melhores decisões.

O pai, no entanto, com generosidade de coração, está sempre ali para amparar o filho quando os sonhos se desmoronam.

Pai então é aquele que zela, enche de cuidados, abre caminhos, rompe obstáculos. É aceitação nas saídas e porta aberta para cada volta.

Seja qual for a história, a figura do pai é força, é segurança, ombro amigo e, antes de tudo, o início da vida.

Deus abençoe você, pai, para que possa caminhar com alegria e ser o suporte na vida de seu filho, de sua família.

Receba nosso abraço e nossas orações.

Feliz Dia dos Pais!

Feliz vida na graça de Deus.

Luisa Garbazza

Dia dos Pais 2026


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Gratidão

Sabemos que a vida é cheia de altos e baixos, chegadas e partidas, alegrias e tristezas. E como a vida é efêmera! A partida definitiva de alguém que amamos provoca em nós sentimentos que nem imaginávamos existir. Mas é a lei da vida. Assim são os seres vivos, criados pelo bom Deus: finitos. Seres humanos que somos, nem sempre estamos preparados para os momentos difíceis. Resta-nos aceitar e confiar.

No dia 19 de julho deste ano, nós nos despedimos do senhor Vicente Zeferino Pinto, o “Sô Vicente”, que foi sacristão na Igreja Matriz Nossa Senhora do Bom Despacho por longos anos. Contratado pelo padre Estevam, na década de 1990, “Sô Vicente” cuidou da Matriz com zelo e responsabilidade. Sabia tudo, organizava tudo. E cuidava para que tudo ficasse assim, cada coisa em seu lugar. Todos os dias, "Sô Vicente" estava ali auxiliando a todos na sacristia e na igreja, atento a todos os detalhes. À primeira vista, um homem sério, de poucas palavras. Mas, na medida em que com ele íamos convivendo, descobríamos, por trás do semblante sério, um homem simples, fraterno, sorridente, que nos auxiliava em tudo aquilo de que precisávamos.

Era também um homem religioso. Nutria devoção a Nossa Senhora, por meio da reza do terço, o que fazia todos os dias antes da missa. Com os filhos e netos, participava da festa do Reinado, em homenagem a Nossa Senhora do Rosário. Era também devoto do Sagrado Coração de Jesus e pertencia ao Apostolado da Oração.

Esse homem de Deus, pai de família, serviu à Igreja como sacristão enquanto teve forças. Quando se afastou, deixou uma lacuna muito grande. Para nós, que convivemos com ele, foi difícil acostumar com sua ausência. Mas ele continuava firme nas celebrações, fervoroso em suas orações. Quando abordado, tinha sempre um sorriso e um abraço para ofertar.

Tristeza foi o que sentimos ao saber de sua partida. Mas, ao mesmo tempo, gratidão. Gratidão pelo homem honesto e responsável que ele foi; pela família numerosa que teve a graça de formar; pelo tempo que dedicou ao serviço de sacristão; por tudo o que ele fez e nos ensinou por meio de suas palavras e seus exemplos.

A nós, da Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho, cabe cultivar suas lembranças e pedir a Deus que o receba de braços abertos no reino que Ele prepara para todos nós, seus filhos e filhas.

A mim, cabe demonstrar minha gratidão a Deus pelo privilégio de ter convivido com esse homem íntegro e simples. Guardá-lo-ei com carinho em minhas lembranças.

Obrigada, “Sô Vicente”!



Luisa Garbazza

Publicação da revista digital da Paróquia N. Sra. do Bom Despacho

Agosto de 2026

 


quinta-feira, 2 de julho de 2026

Caminho de santidade

 


Já ouvi várias vezes, de nossos pregadores, que todos nós nascemos para sermos santos. Mas o que é realmente ser “santo”, muitas vezes me pergunto. A resposta sempre vem da observação ou do conhecimento da vida de pessoas que trilharam um caminho de santidade. Uma dessas pessoas indescritivelmente admiráveis é, sem dúvida, o missionário Júlio Maria De Lombaerde, fundador da Congregação dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

Nascida em uma paróquia sacramentina, pouco conhecia do Pe. Júlio Maria. Em 2010, no entanto, quando meu filho ingressou no seminário, ganhei, do saudoso Pe. Demerval Alves Botelho,sdn, o livro, que ele mesmo traduzira, “Diário Missionário do Pe. Júlio Maria”. A obra, escrita pelo próprio Pe. Júlio, narra a caminhada de um garoto que queria entregar a vida a Deus já aqui na terra. Em cada página do livro, uma passagem que me fazia encantar com a história de fé, coragem, determinação e santidade daquele jovem. Em pouco tempo, já me considerava uma devota do Pe. Júlio Maria. Comecei a rezar pedindo sua intercessão, por meio da qual recebi grandes graças. Hoje, 16 anos depois, continuo a nutrir a devoção por esse homem santo e a divulgar, de forma mais concreta, seu carisma. Não só divulgar, como também vivê-lo, da melhor forma possível, como Missionária Leiga Sacramentina.

Por tudo isso é que a notícia desta manhã teve um impacto imensurável em meu coração. Fiquei deveras feliz e emocionada. Assim estava escrito, no site do Vaticano:

“Durante a audiência concedida na manhã desta quinta-feira (18/06), ao prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, cardeal Marcello Semeraro, o Sumo Pontífice autorizou o mesmo Dicastério a promulgar o Decreto referente às virtudes heroicas do Servo de Deus Júlio Maria De Lombaerde (nascido Júlio Emilio Alberto), sacerdote professo da Congregação dos Missionários da Sagrada Família e fundador da Congregação das Filhas do Imaculado Coração de Maria, da Congregação dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento e da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, nascido em Waregem (Bélgica) em 7 de janeiro de 1878 e falecido próximo ao atual município de Alto Jequitibá (MG - Brasil) em 24 de dezembro de 1944, aos 66 anos.”

Por meio desse decreto, Pe. Júlio Maria, missionário no Brasil, torna-se “venerável”. Mais um significativo passo nessa caminhada de reconhecimento de sua santidade. Pela grande devoção que tenho por ele em seu coração, meu desejo, assim como o de tantos irmãos de fé, é vê-lo ser proclamado santo, venerado e amado por toda a Igreja.

Venerável Pe. Júlio Maria De Lombaerde, intercedei por nós.

Luisa Garbazza

Junho 2026

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Coração Eucarístico de Jesus

 


Findamos o mês de maio, todo ele dedicado a Maria, mulher eucarística que merece nossa veneração e todas as homenagens. Junho chega para celebrar o Sagrado Coração de Jesus. Um Coração manso, humilde, um Coração Eucarístico. E para coroar o simbolismo deste mês, celebramos ainda a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus. Jesus Eucarístico é adorado e levado pelas ruas de nossa cidade para estender as suas bênçãos a todos os filhos e filhas de Deus.

Em se tratando de Jesus Eucarístico, gostaria de aproveitar para refletir sobre a comunhão eucarística, momento de suma beleza e importância e que, às vezes, é vivido tão mecanicamente. Quando estamos preparados para a comunhão e temos a oportunidade de vivê-la em sua magnitude, o corpo todo responde de maneira sublime. As respostas da preparação para a comunhão, a caminhada até à frente, o olhar que pousa docemente na pequena hóstia branca – presença viva e substancial de Jesus – que passa pelas mãos ungidas do sacerdote e pousa, com suavidade, em nossa mão, o “amém” rezado com convicção, tudo isso contribui para a sublimidade desse momento ímpar em nossa caminhada de fé.

Ao segurar a comunhão, estamos segurando o próprio Cristo. Os olhos acompanham o movimento da mão ao levar Cristo até a boca. Aí então a alma se expande, se alegra, se engrandece. O Corpo de Cristo se funde ao nosso. É uma sensação de completude, de êxtase a nos inundar por completo. Por alguns instantes, somos “sacrários de Cristo”, assim como Maria também o foi. E podemos ter a certeza de que Maria também está presente. Justamente nessa hora, podemos repetir suas palavras: “Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus meu salvador”. E continuamos ainda em intensa sintonia com Jesus. Às vezes o arrebatamento é tão profundo que apenas a voz do sacerdote, no oremos final, nos traz de volta ao momento presente.

Portanto, em especial nesse mês de junho, ao celebrarmos a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus, aproveitemos a oportunidade para fazer uma comunhão bem feita e nos deixar ser arrebatados por Jesus Eucarístico. Então, ao caminhar com Ele, pelas ruas de nossa cidade, tenhamos consciência de sua presença real e invoquemos, como nos ensinou o servo de Deus Júlio Maria De Lombaerde: Nossa Senhora do Coração Eucarístico de Jesus, rogai por nós.

Luisa Garbazza

Junho 2026