segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Lugar de acolhida

 


Como é gratificante o exercício do aprendizado da leitura! É mágico os movimentos dos olhos ao traduzir os anseios do cérebro na ânsia do saber. A magia continua na identificação de cada letra e na junção que se faz de umas com as outras, decifrando o emaranhado que se apresenta à primeira vista. Quando cada grupo de letras começa a fazer sentido, a significar algo, a decifrar os anseios do pensamento, aí sim, acontece a magia da leitura. Aprender a ler é algo inenarrável. E aí começa o delicioso passeio pelas páginas dos livros.

O melhor palco para esse divertido passeio é, sem dúvida, para nós bom-despachenses, a Biblioteca Municipal. E, justamente neste dia 7 de setembro, celebramos seu aniversário. São 62 anos de luta e incentivo à leitura, à pesquisa, ao aprendizado de forma geral.

Situada hoje no centro da cidade, em local bem acessível, é um espaço de acolhimento a quem quiser visitá-la e fazer uso de seus recursos.  Lugar de muitas histórias, a nossa biblioteca já fez parte da vida de muita gente ao longo desses anos, inclusive da minha! Logo que comecei a decifrar as primeiras letras, descobri esse lugar fantástico, que me ajudou a fazer grandes descobertas pela vida afora e, nos últimos anos, acolheu-me como escritora. Sou extremamente grata por tudo que ali vivi e pelos muitos livros que já tive a oportunidade de ler. E ainda abriga muitas pessoas. Quantos estudantes, mesmo na era digital, ainda procuram a biblioteca para estudar! Quantos leitores têm o hábito de emprestar livros para serem lidos em casa! Quantos escritores fazem da biblioteca o palco para o lançamento de seus livros!

Ao celebrar os 62 anos da biblioteca, em nome de tantos bibliotecários que já passaram por ali, quero tecer meus agradecimentos à Juliana Rodrigues, atual bibliotecária, e a sua equipe. Juliana não mede esforços para fazer daquele espaço um lugar agradável e diversificado em suas atividades. Hoje, além do empréstimo de livros e lugar de pesquisas, a biblioteca acolhe os escritores para noite de autógrafos, acolhe as escolas para momentos de contação de história, promove o famoso “Chá Literário”, em que homenageia os escritores, celebra “Noite de museus e biblioteca”, abre espaço para o “Clube de leitura”, entre outros eventos. É uma grande riqueza em nossa cidade. Há que ser preservada, valorizada, frequentada.

Parabéns, Biblioteca Municipal Jacinto Guerra!

Parabéns, Juliana e todos os funcionários que ali desempenham suas funções.

Parabéns, Bom Despacho, por cultivar esse espaço de promoção de vida, de aprendizado, de alegria, de acolhida.

Luisa Garbazza

7 de setembro de 2026

Pelos 62 anos da Biblioteca Municipal de Bom Despacho






domingo, 9 de agosto de 2026

Presença paterna

 


Hoje celebramos o Dia dos Pais.

E o que este dia representa?

Uma explosão de sentimentos que precisam ser notados, cultivados, sentidos em plenitude em cada família.

Ser pai é a ansiosa espera em tempo de gravides.

É o sorriso bobo que contempla o rostinho do filho pela primeira vez.

É a segurança da mão que sustenta; a firmeza da voz que aconselha; a cadência dos passos que caminham em sintonia.

O pai é a presença constante, na alegria e na tristeza. Fala, escuta, motiva, modera, empurra, se preciso for.

Algumas vezes, o pai fica um pouco esquecido. O filho pensa que pode caminhar sozinho, sem amparo, sem ninguém para ajudá-lo a discernir os melhores rumos, a tomar as melhores decisões.

O pai, no entanto, com generosidade de coração, está sempre ali para amparar o filho quando os sonhos se desmoronam.

Pai então é aquele que zela, enche de cuidados, abre caminhos, rompe obstáculos. É aceitação nas saídas e porta aberta para cada volta.

Seja qual for a história, a figura do pai é força, é segurança, ombro amigo e, antes de tudo, o início da vida.

Deus abençoe você, pai, para que possa caminhar com alegria e ser o suporte na vida de seu filho, de sua família.

Receba nosso abraço e nossas orações.

Feliz Dia dos Pais!

Feliz vida na graça de Deus.

Luisa Garbazza

Dia dos Pais 2026


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Gratidão

Sabemos que a vida é cheia de altos e baixos, chegadas e partidas, alegrias e tristezas. E como a vida é efêmera! A partida definitiva de alguém que amamos provoca em nós sentimentos que nem imaginávamos existir. Mas é a lei da vida. Assim são os seres vivos, criados pelo bom Deus: finitos. Seres humanos que somos, nem sempre estamos preparados para os momentos difíceis. Resta-nos aceitar e confiar.

No dia 19 de julho deste ano, nós nos despedimos do senhor Vicente Zeferino Pinto, o “Sô Vicente”, que foi sacristão na Igreja Matriz Nossa Senhora do Bom Despacho por longos anos. Contratado pelo padre Estevam, na década de 1990, “Sô Vicente” cuidou da Matriz com zelo e responsabilidade. Sabia tudo, organizava tudo. E cuidava para que tudo ficasse assim, cada coisa em seu lugar. Todos os dias, "Sô Vicente" estava ali auxiliando a todos na sacristia e na igreja, atento a todos os detalhes. À primeira vista, um homem sério, de poucas palavras. Mas, na medida em que com ele íamos convivendo, descobríamos, por trás do semblante sério, um homem simples, fraterno, sorridente, que nos auxiliava em tudo aquilo de que precisávamos.

Era também um homem religioso. Nutria devoção a Nossa Senhora, por meio da reza do terço, o que fazia todos os dias antes da missa. Com os filhos e netos, participava da festa do Reinado, em homenagem a Nossa Senhora do Rosário. Era também devoto do Sagrado Coração de Jesus e pertencia ao Apostolado da Oração.

Esse homem de Deus, pai de família, serviu à Igreja como sacristão enquanto teve forças. Quando se afastou, deixou uma lacuna muito grande. Para nós, que convivemos com ele, foi difícil acostumar com sua ausência. Mas ele continuava firme nas celebrações, fervoroso em suas orações. Quando abordado, tinha sempre um sorriso e um abraço para ofertar.

Tristeza foi o que sentimos ao saber de sua partida. Mas, ao mesmo tempo, gratidão. Gratidão pelo homem honesto e responsável que ele foi; pela família numerosa que teve a graça de formar; pelo tempo que dedicou ao serviço de sacristão; por tudo o que ele fez e nos ensinou por meio de suas palavras e seus exemplos.

A nós, da Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho, cabe cultivar suas lembranças e pedir a Deus que o receba de braços abertos no reino que Ele prepara para todos nós, seus filhos e filhas.

A mim, cabe demonstrar minha gratidão a Deus pelo privilégio de ter convivido com esse homem íntegro e simples. Guardá-lo-ei com carinho em minhas lembranças.

Obrigada, “Sô Vicente”!



Luisa Garbazza

Publicação da revista digital da Paróquia N. Sra. do Bom Despacho

Agosto de 2026

 


quinta-feira, 2 de julho de 2026

Caminho de santidade

 


Já ouvi várias vezes, de nossos pregadores, que todos nós nascemos para sermos santos. Mas o que é realmente ser “santo”, muitas vezes me pergunto. A resposta sempre vem da observação ou do conhecimento da vida de pessoas que trilharam um caminho de santidade. Uma dessas pessoas indescritivelmente admiráveis é, sem dúvida, o missionário Júlio Maria De Lombaerde, fundador da Congregação dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

Nascida em uma paróquia sacramentina, pouco conhecia do Pe. Júlio Maria. Em 2010, no entanto, quando meu filho ingressou no seminário, ganhei, do saudoso Pe. Demerval Alves Botelho,sdn, o livro, que ele mesmo traduzira, “Diário Missionário do Pe. Júlio Maria”. A obra, escrita pelo próprio Pe. Júlio, narra a caminhada de um garoto que queria entregar a vida a Deus já aqui na terra. Em cada página do livro, uma passagem que me fazia encantar com a história de fé, coragem, determinação e santidade daquele jovem. Em pouco tempo, já me considerava uma devota do Pe. Júlio Maria. Comecei a rezar pedindo sua intercessão, por meio da qual recebi grandes graças. Hoje, 16 anos depois, continuo a nutrir a devoção por esse homem santo e a divulgar, de forma mais concreta, seu carisma. Não só divulgar, como também vivê-lo, da melhor forma possível, como Missionária Leiga Sacramentina.

Por tudo isso é que a notícia desta manhã teve um impacto imensurável em meu coração. Fiquei deveras feliz e emocionada. Assim estava escrito, no site do Vaticano:

“Durante a audiência concedida na manhã desta quinta-feira (18/06), ao prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, cardeal Marcello Semeraro, o Sumo Pontífice autorizou o mesmo Dicastério a promulgar o Decreto referente às virtudes heroicas do Servo de Deus Júlio Maria De Lombaerde (nascido Júlio Emilio Alberto), sacerdote professo da Congregação dos Missionários da Sagrada Família e fundador da Congregação das Filhas do Imaculado Coração de Maria, da Congregação dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento e da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, nascido em Waregem (Bélgica) em 7 de janeiro de 1878 e falecido próximo ao atual município de Alto Jequitibá (MG - Brasil) em 24 de dezembro de 1944, aos 66 anos.”

Por meio desse decreto, Pe. Júlio Maria, missionário no Brasil, torna-se “venerável”. Mais um significativo passo nessa caminhada de reconhecimento de sua santidade. Pela grande devoção que tenho por ele em seu coração, meu desejo, assim como o de tantos irmãos de fé, é vê-lo ser proclamado santo, venerado e amado por toda a Igreja.

Venerável Pe. Júlio Maria De Lombaerde, intercedei por nós.

Luisa Garbazza

Junho 2026

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Coração Eucarístico de Jesus

 


Findamos o mês de maio, todo ele dedicado a Maria, mulher eucarística que merece nossa veneração e todas as homenagens. Junho chega para celebrar o Sagrado Coração de Jesus. Um Coração manso, humilde, um Coração Eucarístico. E para coroar o simbolismo deste mês, celebramos ainda a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus. Jesus Eucarístico é adorado e levado pelas ruas de nossa cidade para estender as suas bênçãos a todos os filhos e filhas de Deus.

Em se tratando de Jesus Eucarístico, gostaria de aproveitar para refletir sobre a comunhão eucarística, momento de suma beleza e importância e que, às vezes, é vivido tão mecanicamente. Quando estamos preparados para a comunhão e temos a oportunidade de vivê-la em sua magnitude, o corpo todo responde de maneira sublime. As respostas da preparação para a comunhão, a caminhada até à frente, o olhar que pousa docemente na pequena hóstia branca – presença viva e substancial de Jesus – que passa pelas mãos ungidas do sacerdote e pousa, com suavidade, em nossa mão, o “amém” rezado com convicção, tudo isso contribui para a sublimidade desse momento ímpar em nossa caminhada de fé.

Ao segurar a comunhão, estamos segurando o próprio Cristo. Os olhos acompanham o movimento da mão ao levar Cristo até a boca. Aí então a alma se expande, se alegra, se engrandece. O Corpo de Cristo se funde ao nosso. É uma sensação de completude, de êxtase a nos inundar por completo. Por alguns instantes, somos “sacrários de Cristo”, assim como Maria também o foi. E podemos ter a certeza de que Maria também está presente. Justamente nessa hora, podemos repetir suas palavras: “Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus meu salvador”. E continuamos ainda em intensa sintonia com Jesus. Às vezes o arrebatamento é tão profundo que apenas a voz do sacerdote, no oremos final, nos traz de volta ao momento presente.

Portanto, em especial nesse mês de junho, ao celebrarmos a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus, aproveitemos a oportunidade para fazer uma comunhão bem feita e nos deixar ser arrebatados por Jesus Eucarístico. Então, ao caminhar com Ele, pelas ruas de nossa cidade, tenhamos consciência de sua presença real e invoquemos, como nos ensinou o servo de Deus Júlio Maria De Lombaerde: Nossa Senhora do Coração Eucarístico de Jesus, rogai por nós.

Luisa Garbazza

Junho 2026


sábado, 9 de maio de 2026

Lembranças de Mãe

 


Dia das Mães, sempre um mistério! Uns sorriem, outros choram; uns celebram, outros vivem de lembranças; uns se reúnem, outros se isolam. É preciso respeitar as particularidades de cada pessoa. Justamente por causa das diferenças e particularidades da história de cada um.

Para mim, há muito, Dia das Mães é um dia de lembranças. Minha amada mãezinha partiu para o céu na noite do dia 16 de junho de 2014. Deixou marcas na vida de muita gente. Então as lembranças vêm, aos poucos, na mente acordada ou em sonhos, para permitir a permanência de sua presença em minha vida.

Ontem, antevéspera do Dia das Mães. Uma terna lembrança veio povoar meus pensamentos, provocar risos e direcionar minhas ações. No final da tarde, fui cortar um pedaço de rapadura pra comer. Ao primeiro toque com a faca, lembrei-me de minha mãe e de como ela nos entretinha mesmo na simplicidade, como o ato de cortar uma rapadura. Sentávamos todos próximos à mesa e ela, com suavidade, ia raspando a rapadura, de leve, seguidas vezes. As raspas, bem fininhas, quase transparentes, iam se acumulando na vasilha. Então ela deixava a faca de lado, ajuntava as raspas e amassava-as com a ponta dos dedos, formando um pequeno cone que ela chamava de “capitão”. – Lembro-me bem desse nome, apesar de não me lembrar se ele tinha algum significado. – A filharada acompanhava o processo com curiosidade e ansiosos para vê-lo chegar ao fim. Depois de o “capitão” estar bem formado, bem lisinho, ela segurava-o nas mãos, com extrema delicadeza, e entregava-o a um dos filhos. E recomeçava o processo, oferecendo “capitão” aos filhos um a um. Alegria para quem já havia ganhado; ansiedade aumentada nos outros, que olhavam os movimentos daquelas mãos de mãe, pensando, com água na boca, qual seria o próximo a receber aquele “presente” tão desejado.

Então, sentindo a alegria da criança que fui, desejosa por meu “capitão”, comecei a raspar a rapadura. Em cada raspa, uma lembrança: a silhueta delicada de minha mãe; sua facilidade em reunir os filhos com algum subterfúgio, por mais simples que fosse; o vaivém de suas mãos, tão ágeis e suaves; aqueles pares de olhos, todos apertados em volta da mãe; o gosto da rapadura recebida com tanto amor...

Terminei de raspar a rapadura e pus-me a montar o meu “capitão”, com suavidade e ternura. Levantei-o, depois de pronto, e levei-o à boca, com lágrimas nos olhos. O gosto foi inexplicável. O sabor daquelas raspas, misturado com o sabor de uma época distante, foi tão suave ao paladar, como a mais fina das iguarias. O amor estava ali, embutido no calor desse momento, no movimento das mãos, na montagem do “capitão” e no sabor do alimento. E, na alegria que transbordava, repeti a ação várias vezes, até ver saciada a fome da saudade que ocupara meu coração.

Minha mãe, sempre e sempre em minha vida, feliz Dia das Mães!

E feliz dia para todas as mães.

Luisa Garbazza

Dia das Mães, maio de 2026


sábado, 2 de maio de 2026

Braços de mãe

 


O Senhor nosso Deus, Criador de todas as coisas, criou o homem à sua imagem e semelhança. Criou também a mulher e a ela deu o dom da maternidade. Em toda a história da humanidade, percebemos o papel da mulher e o carinho de Deus para com as que não podiam engravidar. Vários são os exemplos das mulheres que conceberam já com a idade avançada, como o caso de Sara, mãe de Isaac: “Sara concebeu e, apesar de sua velhice, deu à luz um filho a Abraão, no tempo fixado por Deus.” Gen. 21,2; e Isabel, mãe de João Batista: “Mas o anjo disse-lhe: ‘Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração: Isabel, tua mulher, vai dar-te um filho, e tu o chamarás João’.” Lc 1,13. A maternidade mais sublime, no entanto, foi, sem dúvida, a de Maria, pois deu a luz ao próprio filho de Deus, que se fez homem para a nossa salvação.

Não se comparando à maternidade de Maria, todas as mães são sublimes, e seu amor incomparável. Mãe ama, espera, acolhe, cuida, ensina, educa... e deixa ir. Quando a mulher percebe que está gerando uma nova vida, é imensurável o amor gerado em seu coração. Mas, ao dar a luz, é incomparável a beleza e a servidão encontradas nos braços de uma mãe.

Braços de mãe é ninho, que acolhe, com amor e carinho, o filho recém-nascido. Aquele ser, tão pequenino, cabe inteirinho dentro de seus braços. É ali que se acostuma com a vida aqui fora, aprende a sorrir, a se alimentar, a lançar nos olhos da mãe o olhar mais sincero e inocente que no mundo pode haver. É ali que o filho chora quando algo o incomoda, pois a mãe é capaz de entendê-lo.

Braços de mãe é estendido para segurar pequenas mãozinhas que começam a explorar o mundo, a dar os primeiros passos. Depois, soltam-nas, para que o filho possa seguir seu caminho. Mas continuam sempre abertos para acolhê-lo após as quedas, as frustrações da vida, os desânimos, a dor de amor, a saudade, quando estão distantes.

Braços de mãe é colo, é divã, lugar de repouso, de descanso, de pausa. Nos braços da mãe, podem-se dizer todas as coisas, pode questionar, pedir conselho, contar os sonhos e planos. A qualquer hora, seja dia, seja noite, eles estarão sempre lá, prontos para envolver, consolar, agasalhar, proteger. Mãe é mãe todo o tempo, por toda a vida e além da vida.

Todos os dias, sentimos a presença da mãe. E como é doce essa presença! Quando elas vão embora dessa vida, a dor é demais sentida. Fica a saudade de tudo, mas são dos braços que mais sentimos falta. Fica um vazio, e o mundo parece ser grande demais. Mas não é verdade que, às vezes, nos momentos de maior saudade, notamos nosso coração arder pelo caminho da vida e sentimos dois braços a nos lembrar de que não estamos sozinhos?

Luisa Garbazza

Maio 2026




domingo, 5 de abril de 2026

Ressurreição

 


Ressurreição: ato de ressurgir, ressuscitar, pôr-se de pé, voltar à vida. Para a mente humana, a despeito de todos os avanços da ciência, o ato de ressuscitar é algo impossível. Para Deus, no entanto, tudo é possível, inclusive a volta à vida. E nós, católicos, acreditamos plenamente na ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo e a revivemos, ano após ano, coroando as celebrações da Semana Santa.

A ressurreição de Cristo é algo confirmado, como nos diz o Pe. Júlio Maria De Lombaerde em seu texto de Via-Sacra: “E esse Jesus, cuja morte foi tão cuidadosamente verificada, ressuscitou vivo, foi visto, não só durante algumas horas, mas durante 40 dias. É outro fato histórico irrecusável. Tal ressurreição foi provada por um conjunto de fatos que não deixam dúvidas. Apareceu em circunstâncias muito diversas. (...) Ora, impossível que tanta gente, que todos esses testemunhos tenham sido iludidos, e que muitos tenham dado a vida em confirmação do que viram. Seria admitir uma verdadeira ilusão mundial. Jesus Cristo morreu, pois, e ressuscitou verdadeiramente.”

Esse acontecimento, que marcou a história da humanidade daquela época, venceu a barreira do tempo e continua sendo o ápice da nossa fé. Ao celebrar a ressurreição de Cristo, ganhamos novo ânimo para seguir a vida e renovamos a certeza de que nossa crença não é vã. É ela que norteia nossa caminhada de filhos e filhas de Deus.

Como filhos de Deus, precisamos não apenas celebrar a ressurreição de Cristo, mas também deixar que a Páscoa aconteça em nossa vida. Precisamos ressuscitar com Cristo. Ninguém é tão perfeito que não tenha nada a ser renovado, a ser deixado para trás. Todos nós temos algo a melhorar para sentir essa vida nova acontecendo. E isso só é possível por meio da fé, da pertença a Deus, da certeza de que Cristo vive no meio de nós.

Ressuscitar com Cristo é deixar que Ele aja. É entregar o coração, o corpo, a alma, as vontades, os projetos, tudo que temos e somos, para que Ele nos dê a direção. É aceitar que somos limitados e incapazes de caminhar sozinhos. Por isso é importante esse processo de renovação. Na vida, os tropeços são inevitáveis, mas sabemos que Cristo está sempre lá, de mãos estendidas, para nos levantar, nos acolher, nos oferecer uma vida nova e nos conduzir os passos.

Cristo vive! Feliz Páscoa!

                                                                                  Luisa Garbazza

                                                                                                        Abril 2026

 


sábado, 7 de fevereiro de 2026

A cortina do tempo

 


A cortina do tempo está sempre em movimento. Abre-se de um lado, fecha-se de outro. Move-se levemente com a brisa fresca; esvoaça-se nas tempestades. Às vezes pega-nos desprevenidos. Nós, da Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho, estamos passando por um desses momentos de fechar e abrir de cortinas. O tempo, que se fechou para o Pe. Renato, abre agora suas cortinas para deixar entrar o Pe. Luiz Paulo Fagundes, SDN.

Ordenado aos 27 de julho de 1998, em Santana do Manhuaçu/MG, onde nasceu, Pe. Luiz Paulo exerceu seu ministério em várias paróquias da congregação – impulsionado pelas palavras do seu ponto de partida: “Tu és meu Servo, eu te escolhi. O Senhor Deus me envia, com o seu Espírito”. (Is 41,9; 48,16) –, sempre com sua alegria e com seu canto que cativa e evangeliza. Sua simpatia nos contagia, e seu amor por Maria, a quem pede “Ei, Maria, não se esqueça de mim”, é a marca de sua simplicidade e de seu carisma como missionário sacramentino.

Pe. Luiz Paulo chega com seu jeito alegre, de braços abertos, para cumprir sua vocação em resposta ao chamado de Deus e da Congregação dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. Traz até nós sua alegria e nos propõe a arte de “ser aprendiz do amor de Deus”. Como um “missionário que veio de longe” – sua última missão foi no Ceará – ele sabe a quem seguir e nos ensina que “Jesus é nosso farol”.

Por tudo isso, Padre Luiz Paulo, sacerdote que se declara: “Sou feliz”, nós o acolhemos com carinho. Nossa paróquia o recebe com a certeza de que temos muito a aprender com o senhor. O aprendizado sempre vem aos poucos. Então, de “gota em gota”, vamos nos beneficiar de sua sabedoria, de seu entusiasmo, de sua alegria e, por que não, de sua música.

Seja bem-vindo, Padre Luiz Paulo! O tempo agora é todo do senhor. Ensina-nos a também sermos felizes no seguimento de Jesus.

Por outro lado, ao falar de partidas e chegadas, é preciso entender que o senhor do tempo é alguém de muita generosidade. Quando a cortina do tempo se fecha, por um ou outro motivo, ela sempre deixa frestas, por onde passar as lembranças dos que amamos, e conserva uma porta aberta para os que desejarem retornar.

Luisa Garbazza

Jornal "Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho"

Fevereiro 2026 


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

“Permanecei no meu amor.”

 

Esse é o chamado de Jesus para todos nós: que permaneçamos no seu amor. Esse chamado foi feito mais de perto, com maior insistência, ao jovem Felipe Cunha há alguns anos. E ele o aceitou. Trilhando por caminhos diversos, segundo a vontade do Senhor, eis chegada a hora da entrega total, de corpo e alma, ao Senhor da messe. Nós, da Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho, fomos testemunhas de toda essa trajetória e do desfecho, para o qual nos preparamos e do qual nos orgulhamos.

No dia 12 de dezembro, dia de Nossa Senhora de Guadalupe, o jovem Felipe Cunha se aproximou do altar do Senhor, acompanhado de seus pais, para a Celebração Eucarística, na qual seria ordenado sacerdote para a glória de Deus. Dom Antônio Carlos Félix, bispo de Luz na época em que o Felipe foi coroinha, presidiu a cerimônia, carregada de fé, de espiritualidade e simbolismo. Momento ímpar da celebração, a ladainha, quando o diácono Frater Felipe Cunha se prostrou no chão, diante do altar, fazendo sua entrega total como missionário do Senhor, reafirmando sua vocação e o desejo de “ser sacerdote eternamente, segundo a ordem do rei Melquisedec” (Sl 109,4).

O sim do então diácono Frater Felipe, a imposição das mãos de Dom Felix, a unção com o óleo sagrado foram sinais visíveis da graça de Deus, por meio da qual foi ordenado o neo-sacerdote Pe. Felipe Cunha Azevedo, SDN. Demonstrando alegria, o Pe. Felipe se emocionou ao receber o abraço de Dom Félix, de cada sacerdote presente e ao abençoar e abraçar seus pais. As lágrimas escorriam-lhe pelo rosto, denunciando a emoção e o júbilo sentidos naquele momento de graças e bênçãos.

As palavras do Pe. Felipe, ao final da celebração, foram de gratidão. Sem pressa, com a voz calma, serena, ele proferiu palavras que reviveram sua história e profetizaram seu futuro como sacerdote. A todos os presentes e aos que o acompanharam em sua trajetória vocacional Pe. Felipe expressou seus sinceros agradecimentos.

Nós, da Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho, também queremos expressar nosso agradecimento ao Pe. Felipe, pelo sim que proferiu diante de Deus, pela entrega confiante, pelos propósitos de trabalho, humildade, amor e sacrifício. Agradecimento ao Pe. Renato Dutra Borges, SDN, nosso pároco, que ajudou na condução dos preparativos para a ordenação. Agradecimento a todos os sacerdotes presentes, na pessoa do Pe. José Raimundo da Costa, SDN, superior geral da Congregação dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. Agradecimento a cada irmão de caminhada, que prestou sua ajuda, qualquer que seja, para o bom êxito dessa ordenação presbiteral.

Rezemos pelo Pe. Felipe, para que permaneça no amor de Deus e tenha um ministério fecundo e feliz. Rezemos ao Senhor que envie operários para a sua messe.

Em tudo demos graças a Deus. (1Tes 5,18)

                                              Luisa Garbazza

Jornal da Paróquia

Janeiro 2026