sábado, 1 de janeiro de 2022

Um jeito novo

 


Queridos leitores, estamos no começo do tempo. Não no começo “dos tempos”, como alguém possa ter imaginado, mas do começo do tempo, tempo novo, o qual temos a alegria de reviver todo início de ano. Ainda bem que o tempo é dividido nesse significativo espaço de 365 dias. Assim tempos a oportunidade de fazer um balanço das nossas escolhas, das nossas realizações, dos nossos erros e acertos, de cada curva do nosso caminhar. Assim podemos olhar para trás com sentimento de gratidão. Assim poderemos traçar metas e – pelo menos – tentar reescrever nossa história de um jeito novo.

Em se tratando de mudanças, principalmente para nós, que professamos a fé católica e seguimos Jesus Cristo, é preciso dar mais ouvido às palavras do nosso representante de Cristo aqui na terra: o santo Padre, Papa Francisco. Ele tem nos dado tantos conselhos! Ele tem nos ensinado um jeito novo de caminhar, de desamarrar as sandálias e pisar descalço no chão do nosso irmão, de desarmar o coração para se relacionar com os mais necessitados, de abrir a alma para acolher o estrangeiro, o marginalizado, o necessitado. E ele mesmo nos dá o exemplo, todos os dias, inclusive no seu aniversário, dia em que o Papa recebeu no Vaticano um grupo de dez refugiados que chegaram à Itália e ouviu suas histórias. Essa atitude, com certeza, fez a diferença na vida daqueles nossos irmãos e irmãs em Cristo Jesus. E uma grande lição para nós, povo de Deus: um ato de amor e uma mão estendida têm um valor que nem conseguimos mensurar.

 Os pequenos ensinam

Saber que nossa missão é espalhar amor e cuidar para a expansão do Reino de Deus, faz com que, a partir de exemplos que presenciamos, tomemos consciência de que precisamos agir. Uma forma bastante eficaz de melhorar o mundo à nossa volta é cuidar dos pequenos: educar e evangelizar nossas crianças, falar com elas sobre Jesus, ensiná-las a amar e a respeitar nossa Mãe do Céu, Maria Santíssima, seu esposo São José e com eles aprender as lições de humildade, de obediência a Deus, de vivência da fé. É enaltecedor quando, em nossa caminhada cristã, cruzamos os passos com famílias que educam seus filhos na fé, que os levam à igreja, ensinam a respeitar o Sagrado. E mais enaltecedor ainda quando encontramos crianças que assimilam esses valores e dão, elas mesmas, o exemplo digno de ser seguido. Isso é o que presencio, atualmente, observando a pequena Maria Luiza, filha de meus irmãos de fé William e Daisy. A pequena Maria Luiza, com seus quatro aninhos, consegue ir além dos ensinamentos dos pais. Ela é atenciosa e aprende tudo muito rápido. Participa da Santa Missa e dos momentos celebrativos com uma seriedade que encanta e ensina. Ao participamos juntos dos encontros da “Novena do Natal”, pude acompanhá-la mais de perto. Chega, cumprimenta e se ajeita em seu lugar; observa cada gesto, imita os que lhe convém; ouve cada palavra, reza, canta e, de acordo com o depoimento dos pais, tira suas próprias conclusões e as põe em prática. Na maturidade de sua pouca idade, a pequena cristã Maria Luiza já tem muito a ensinar com seu exemplo de vida.

Nesse recomeço do tempo, peço a Deus, para todos nós, maturidade na fé, consciência de que precisamos estar em sintonia com Ele. Que o Criador nos ajude a cuidar de nossos pequenos com mais seriedade, com mais alegria e esperança. Que possamos dar bons exemplos, dedicar a eles um pouco mais do nosso tempo. E, nesse tempo doado, falar de Deus, apresentar a família de Nazaré e nela se espelhar. Que nos esforcemos a começar o novo tempo de um jeito realmente novo. À luz da fé, esse “jeito novo” precisa estar conectado com o Criador, de mãos dadas com Jesus, Maria e José.  

Feliz jeito novo! Benção e paz em 2022.

Luisa Garbazza
luisagarbazza@hotmail.com


quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Proclamação de Natal

 

Desceu do céu uma luz:

veio ao mundo anunciar

a chegada de Jesus,

que aqui veio nos salvar.

 

Venham juntos celebrar,

cantem hinos de louvor!

É tempo de se alegrar:

nasceu-nos o Salvador.

 

Nascimento tão feliz

trouxe ao mundo paz e amor.

Minh’alma a Deus bendiz

por Jesus nosso Senhor.

 

Glória a Deus lá nas alturas!

– Vamos todos proclamar. –

Que todas as criaturas

possam Jesus adorar.

 

Essa alegria sem igual,

que nos enche o coração,

 é a festa do Natal

que nos une como irmãos.


Luisa Garbazza

15-12-2121




segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Jesus, Maria e José

 


Como é intensa, nesta época do ano, o sentimento de ação de graças dos que temem o Senhor. Estamos vivenciando o tempo do Advento e esperando o Natal de nosso Senhor Jesus Cristo. Chegar ao fim de mais um ano, com o coração cheio de fé, louvando e agradecendo, é dádiva divina. O coração do cristão, mesmo em tempestades, está sempre em sintonia com o Criador, diante de quem se coloca em preces e em cantos de louvor e agradecimento.

Em 2021, ainda em tempos de pandemia, passamos por muitas provações. Mas, em se tratando de fé, contamos com um grande aliado nesta busca pela paz interior: São José. Vivenciar o “Ano de São José”, reunirmo-nos em oração todo dia 19, refletir sobre a vida desse santo tão especial, tudo isso proporcionou-nos um grande crescimento como cristãos católicos. Aprendemos com são José, a pensar antes de agir: ao saber da gravidez de Maria, ele silenciou-se e ficou só com seus pensamentos, suas dúvidas, sua dor. Aprendemos a confiar em Deus: ao ouvir – em sonho – as palavras do anjo, São José soube recebê-las com serenidade de espírito e acreditou. Receber Maria como esposa foi a maior demonstração de fé que ele pôde dar a Deus. Conhecendo a história, sabemos quanto foi difícil para ele a trajetória de pai adotivo de Jesus. Foram muitas idas e vindas, sofrimentos, renúncias, tudo suportado com paciência, tudo vivido com amor, com humildade e obediência ao Pai do Céu. Por seu exemplo de resiliência e confiança em Deus, mereceu um grande prêmio no fim de seus dias: dar o último suspiro segurando as mãos de Jesus e de Maria.

Como São José foi tão feliz na hora da morte, aprendamos a rezar como nossos avós rezavam: “Jesus, Maria e José, eu vos dou meu coração e minha alma. Jesus, Maria e José, assisti-me na última agonia. Jesus, Maria e José, descanse minha alma entre vós em paz. Amém.” Aprendi essa oração com minha mãe. Hoje, principalmente após viver este Ano de São José e conhecer melhor a profundidade da vivência de fé daquele homem, rezo-a sempre, pois o que mais almejo é ter minha alma descansando ao lado de Jesus, de Maria e do santo José, o carpinteiro, o trabalhador, o pai de família, o fiel esposo da doce e santa Maria.

O Ano de São José termina dia 8 de dezembro, mas, preparando-nos para o Natal, não podemos nos esquecer dos exemplos desse santo que tanto tem para nos ensinar. Assim como ele aceitou ser o pai de Jesus, cabe a nós aceitá-lo também como pai adotivo. Tenhamos a liberdade de pedir a São José que acompanhe nossos passos, que nos aconselhe nos momentos de dúvidas, de incertezas, nos momentos de falta de clareza na fé, que nos ensine as lições de humildade, de pertença a Deus e que interceda por nós.

Nessa alegria de receber São José como pai adotivo, peçamos a Deus a graça de imitá-lo e de buscar os dons que ele possuía. Aproximando-nos do Natal, lembremos suas virtudes. Homem justo, humilde, puro de coração, obediente, praticante da justiça, caridoso, fiel e, por tudo isso, homem de intimidade com Deus. Procuremos, também nós, praticar essas virtudes. Sejamos homens e mulheres de fé verdadeira e ativa, fé que nos leva a olhar para o irmão com olhar de amor e ver as necessidades de cada um, fé que nos leva a procurar os mais humildes e oferecer-lhes o que pudermos, mesmo que seja um momento de nossa vida para conversar com eles, mostrar-lhes que são os preferidos do Pai.

Então, querido irmão, querida irmã em Cristo, neste Natal, peçamos a Deus a graça de sermos capazes de seguir os passos de São José para que possamos nos aproximar de Jesus, na manjedoura, com o coração mais puro e a alma em paz. Para isso, rezemos a oração a São José, ensinada a nós pelo Papa Francisco:

Salve, guardião do Redentor e esposo da Virgem Maria! A vós, Deus confiou o seu Filho; em vós, Maria depositou a sua confiança; convosco, Cristo tornou-Se homem.

Ó Bem-aventurado José, mostrai-vos pai também para nós e guiai-nos no caminho da vida. Alcançai-nos graça, misericórdia e coragem, e defendei-nos de todo o mal. Amém.

luisagarbazza@hotmail.com

E assim, com essas palavras de esperança,

quero desejar a você, querido leitor, querida leitora,

um feliz e santo Natal.

domingo, 31 de outubro de 2021

Abastecer-se de Deus

 

Estamos vivendo um tempo de renovação, de redescoberta da vida, inclusive da vida religiosa. Por causa da pandemia, ficamos sem saber o que fazer ou o que poderíamos fazer sem colocar em risco nossa vida e a de outrem. A igreja tornou-se um lugar muito visado. Apesar do distanciamento, muitos fiéis, mesmo sem ser do grupo de risco, optaram por abandonar a “Casa de Deus”. Alguns passaram a acompanhar os ritos religiosos de casa, através das redes sociais. Outros, nem isso. Agora precisamos nos readaptar à vida religiosa participativa. Encontrarmo-nos com a comunidade de fé. Buscarmos o alimento espiritual necessário para bem vivermos nossa vida de cristãos. Afinal, é a partir daí que começamos a trilhar nosso caminho rumo à santidade.

Não basta, no entanto, frequentarmos a igreja. É preciso traçar caminhos, segundo os ensinamentos do grande Mestre, e por eles caminhar firme, sem desviar, sem buscar outros propósitos que não o da confiança ilimitada em Deus. Já sabemos que não é uma estrada fácil de ser transitada. Nela encontraremos pedras, que tentarão atrapalhar nossos passos; labirintos, que dificultarão nossa direção; sombras e escuridão, que nos atrapalharão a visibilidade. Também nos serão ofertados inúmeros prazeres, situações atrativas, que colocarão nossa fé em risco. Por isso é tão importante a vida de oração. É através da oração constante – e da participação na Missa e nos Sacramentos – que estaremos abastecidos de Deus e teremos forças para suportar os reveses da vida sem nos distanciarmos de Jesus: Caminho, Verdade e Vida.

 Exemplos de santidade

Para nos servir de guia, nesta trajetória da vida, temos o exemplo dos inúmeros santos e santas de Deus, homens e mulheres que se dedicaram a Deus e ao próximo, sofreram dores físicas e morais, foram levados ao martírio por causa de sua fé, mas não se deixaram esmorecer. No mês de novembro, mês em que se celebra o “Dia de todos os santos”, celebra-se particularmente muitos dos que alcançaram graças diante de Deus. Como exemplo, no dia 12, temos São Josafá Kuncewicz, que defendia com muita coragem a autoridade do papa como o verdadeiro representante de Cristo e o sucessor de Pedro na terra. Por isso foi espancado, torturado e morto. No dia 22, Santa Cecília, virgem e mártir, que cantava a Deus: Senhor, guardai sem manchas o meu corpo e minha alma, para que não seja confundida.  Dia 30, santo André, primeiro discípulo de Jesus, martirizado por continuar a obra do Mestre. E tantos outros.

A santidade acompanha o povo de Deus em toda sua existência. Todos nós somos chamados a ter uma vida santa. Na era moderna, muitos são os que se anularam por uma causa maior, como Madre Tereza de Calcutá e Irmã Dulce, duas santas mulheres que se dedicaram ao cuidado dos pobres, dos doentes, dos desvalidos. Nós, como paróquia sacramentina, acompanhamos a trajetória, rumo à santidade, do fundador Padre Júlio Maria De Lombaerde. Quem conhece a história desse homem de Deus, fica encantado pela fé grandiosa e pela disponibilidade em fazer o bem, servir os mais necessitados. Padre Júlio Maria abandonou tudo o que tinha e o que seria capaz de conquistar para se tornar padre missionário. Atravessou mares, desbravou florestas e matas, foi aonde o Senhor o chamou. Esqueceu-se de si e cuidou dos pobres, das crianças, dos jovens, dos velhos, das mulheres tão oprimidas. E, imitando o Mestre, fundou uma congregação em que ensinava o amor incondicional a Jesus Eucarístico e a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

Pensando em santidade, sejamos firmes em nossa caminhada. É preciso seguir o exemplo do Padre Júlio Maria, aceitando a estrada do amor e sacrifício. E perseverar. Assim, um passo de cada vez, dia após dia, vamos nos aproximar do ideal proposto por Jesus e acreditar que possamos, um dia, glorificar a Deus ao entregarmos nossa vida.

luisagarbazza@hotmail.com

Luisa Garbazza

Novembro de 2021

Para minha mãe - in memoriam -, a mais santa que já conheci.


terça-feira, 5 de outubro de 2021

Nos caminhos da infância

 



Dos caminhos percorridos nesta vida, as trilhas mais bem vividas são as do tempo de criança. Cada passo dado, cada aprendizado, cada pegada deixada são traços de alegria, real ou magia, guardados na mente. Tempo de brincadeira, de tudo a vez primeira, de emoção verdadeira, que vai bordando a vida qual linha nas mãos da rendeira. As meadas se entrelaçam e, de ponto em ponto, formam corpo, mente, personalidade. É a infância, época de pureza, de ingenuidade, confiança plena, sentimentos que traduzem a essência da vida e moldam o caráter.

Em caminhos quase paralelos, a vida: um eterno aprendizado. A vivência da infância acompanha-nos por toda nossa existência. Quanto mais vivemos, mais buscamos o tempo áureo dos bordados, da época em que tudo se transformava em brincadeira, mesmo em tempos de vida difícil, quando poucos eram os recursos.

Há! A minha infância!... Eu a carrego comigo, guardadinha em meu coração. Cada meada de linha, cada ponto, cada novo bordado trazem as cores da minha meninice, permeada de escassez material, mas recheada de simplicidade e alegria. Vez ou outra, abro as gavetas do tempo e envolvo-me naqueles pensamentos. O último foi justamente a história de uma meada de linha...

 História de vida

Vejo-me na escola, na terceira série do Ensino Primário – hoje Ensino Fundamental. A professora, muito dedicada, criava formas diferentes e divertidas para atrair a atenção da meninada. A que mais me encantava era o momento de “Contação de História”, sempre de um jeito novo e em lugares diferentes. Certa vez, ela pediu que, no dia seguinte, cada aluno levasse um tapete para a aula. Saí da escola suspensa. Na precariedade da minha infância, mal sabia o que era um tapete. Em casa não havia um sequer. Consequência: cheguei à escola de mãos vazias. No momento mágico da história, a professora nos levou a um espaço reservado no pátio da escola e pediu que todos colocassem o tapete no chão e se sentassem. Ela fez o mesmo. Todos acomodados e eu em pé. Ela olhou a turma e pediu a uma aluna, que levara um tapete bem grande, que me deixasse sentar junto com ela. Permissão dada, aproximei-me timidamente. Não era um tapete comum, era um tapete grande, bonito, todo brilhante, tecido com fios dourados. Parecia o tapete mágico das histórias. Então me assentei, bem na beiradinha. Em minha mente ingênua de menina da roça, a imagem logo se formou: “São fios de ouro”! A voz da professora prendeu a atenção de todos. Menos a minha. Enquanto ela contava a história – na qual não conseguia me concentrar, vislumbrada com o tapete – comecei a puxar um dos “fios de ouro”, bem devagarinho, para que ninguém percebesse. Cada fala, um puxãozinho. Na mente fértil, cheia de imaginação, fui inventando maneiras de ostentar aquele cobiçado fio dourado. A história já estava quase chegando ao fim – e eu também quase realizando meu sonho de arrancar aquele fio – quando a menina percebeu e reportou tudo à professora. Repreendida, levantei-me depressa, vermelha de vergonha, e fiquei em pé até o fim da aula. O fio de ouro, ora inacessível, permaneceu apenas na minha imaginação.

Depois de tantos anos revivendo essa e outras lembranças, torna-se fácil constatar a presença das marcas deixadas por tudo que vivemos na infância, tanto as marcas que nos fazem sorrir quanto as que nos deixam entristecidos. Por isso, mesmo sabendo serem inevitáveis algumas marcas profundas, não tão felizes, precisamos nos atentar ao cuidado com as crianças. É preciso escolher as cores com cuidado, cortar as meadas na medida certa, fazer as aparas. Oferecer momentos de harmonia, encontro e magia, responsáveis por preencher de alegria os bordados da existência. Amar é cuidar.

Luisa Garbazza

Minha singela homenagem a você, criança!

Criança de corpo ou de alma, que brinca, vive, celebra.

Feliz Dia das Crianças! Deus abençoe.

E a todos os professores:

Feliz Dia dos professores!


sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Outubro - mês da maternidade

 


Outubro é mês de pura graça,

da alegria que chega, abraça,

de momentos carregados de saudade:

outubro é o mês da maternidade.

 

Nasceu o filho, o primeiro a chegar,

chegou de mansinho, veio me ensinar,

com seu rostinho tão lindo, seu candor,

a maior lição, a mais bela: o amor.

 

Amor dividido, alegria ao coração,

o segundo filho encheu-me de emoção.

É a capacidade de amar tomando forma,

sentimento puro que tudo transforma.

 

Senti da vida a cor, a leveza,

no rosto dos filhos, doçura, leveza.

Coração em paz, o amor proclama

nos versos de afeto que a alma declama.

 

Outubro é mês de agradecimento,

lembrar de cada filho o nascimento.

Dar graças à vida, celebrar o amor;

dar graças a Deus, nosso Pai Criador.


Luisa Garbazza

Em ação de graças a Deus pelos filhos lindos com os quais me presenteou – ambos nascidos em outubro.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Somos um em Cristo


Queridos leitores, que Deus é bom o tempo todo todos nós já sabemos. É uma frase fácil de decorar, de repetir, de postar nas redes sociais. O que não é tão fácil é acreditar e confiar em seus dizeres quando estamos em situação de tristeza, de conflitos e desamor. Para nos animar na caminhada, no entanto, Deus nos mostra a bondade no coração das pessoas, aponta-nos os caminhos, oferece-nos possibilidades. Foi assim que se mostrou a nós na Semana da Família, vivenciada no mês de agosto.

Era segunda-feira, dia 9 de agosto. Estávamos reunidos, na Igreja Matriz, para o primeiro encontro da Semana da Família: “Famílias, na escola de São José, lugar do amor e do despertar vocacional” – tema sugerido pela diocese de Luz. Enquanto fazíamos os combinados, percebi a presença de dois garotos um pouco mais afastados. Estavam sozinhos. Aproximei-me e convidei-os para rezar conosco. Prontamente, responderam sim. Chamei-os para a frente; pedi ajuda com as velas. Era a reza do terço pelas famílias. Foi um momento gratificante. O brilho no olhar de cada um revelava a alegria de estar sendo útil e da satisfação em participar daquele momento de oração.

Após o terço, em um breve momento de conversa, pois a Missa estava prestes a começar, soube seus nomes – Ranihery e Pyettro – e que participavam dos encontros de formação para coroinhas na Paróquia São Vicente de Paulo. Convidei-os para voltarem nos outros dias. “Amanhã, acho que não vou poder, mas quarta-feira eu venho.” – disse Ranihery. Na terça-feira, no entanto, lá estavam eles, mais animados ainda, participando ativamente. E nos outros dias também. Pude inclusive conhecer os pais, que participaram de um dos encontros. Então? O que dizer dessa experiência?  Deus estava presente no meio de nós através daqueles pequenos, que se apresentaram de jeito simples e humilde, mas demonstraram a certeza de que deveriam dizer sim ao chamado divino.

 A Palavra na vida

Presenciar esses momentos, vivê-los, emocionar-me com eles, tudo isso fez-me relacioná-los ao “Mês da Bíblia” – celebrado em setembro. Em 2021, somos convidados a refletir através da Carta de São Paulo, dirigida aos Gálatas; e hoje, a nós. Paulo nos convida a assumir o Evangelho em nossa vida. É responsabilidade nossa, como cristãos, absorver a mensagem do Mestre Jesus e levá-la adiante. Jesus nos fala de amor e nos convida a sentir amor, a viver o amor, a ser amor. Ser amor é ver no outro a imagem de Cristo, sentir necessidade de cuidar do outro, seja quem for, venha de onde vier. É sentir amor pelos empobrecidos, pelos que levam uma vida desfavorecida. É sentir necessidade de ajudá-los a lutar por seus direitos, para que possam alcançar a dignidade como ser humano. É apresentar-lhes Jesus, aquele que deve ser o centro das nossas atenções.

É bem verdade que afirmar Jesus como Senhor, nestes tempos difíceis em que vivemos, não é uma tarefa fácil. Mas na época de São Paulo também não era. Eram considerados subversivos por apregoar o nome de alguém que viveu à margem da sociedade e ensinou um jeito novo de viver, que não condizia com os padrões vividos. Principalmente por abalar a autoridade dos poderosos.

Hoje ainda encontramos muitos desafios e obstáculos na missão de viver e anunciar o Evangelho. Mas é necessário enfrentá-los. Como nos ensina São Paulo, “Não existe outro Evangelho além do de Jesus”. Ele é o caminho. E nele precisamos seguir juntos, lado a lado, de mãos dadas. É em Jesus que precisamos nos espelhar para conseguir olhar o outro como irmão, convidá-lo para o nosso meio e entender que já não há diferença entre nós, “Pois todos vós sois um só em Cristo Jesus.” (Gl 3,28d).

Entremos nesta caminhada de fé com a certeza de que nunca estaremos sozinhos. Na caminhada da vida, seguindo o Mestre, há muito o que ser feito uns pelos outros. Abracemos essa corrente da solidariedade. Só como irmãos poderemos constatar, dia a dia, que Deus é realmente bom. O tempo todo.

luisagarbazza@hotmail.com

Luisa Garbazza
Jornal Paróquia N. Sra. do Bom Despacho

Setembro de 2021.