sexta-feira, 9 de julho de 2021

Sentimentos (Bodas de Crizo)

 

Na cadência da vida,

em que meus olhos se viram nos seus,

floresceram luz sonho e alegria

no brilho advindo dos olhos meus.

 

A vida tornou-se esperança:

na chegada, riso e euforia,

aconchego e segurança;

no encontro, sinestesia.

 

Da vida a roda suave

na qual feliz nos embalamos,

do destino tem a chave:

de dois, em quatro nos tornamos.

 

Nos caminhos que trilhamos,

de risos e lágrimas inevitáveis,

os planos e tudo com que sonhamos:

sentimentos duradouros e inefáveis.

 

Trinta e três anos de convivência

–  fragilidade e fortaleza –,

de tudo em nós ficou a essência:

o amor, a maior certeza.

Luisa Garbazza

9 de julho de 2021

 


sábado, 3 de julho de 2021

Cristãos leigos e leigas

 


Prezados amigos, irmãos em Cristo, em sintonia com todos os cristãos, acompanhamos, no início do mês de junho, a 39ª Assembleia Geral Ordinária (AGO) do organismo do Povo de Deus na Igreja no Brasil. Cerca de 209 cristãos leigos e leigas de todo o Brasil, organizados pelo Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), participaram, de modo remoto, desse importante evento, que teve como tema: “Cristãos leigos e leigas em missão: respondendo aos novos desafios”.

O objetivo do encontro é incentivar a todos nós, cristãos leigos e leigas, a abraçar nossa missão na Igreja. Precisamos ter consciência de que também somos responsáveis – através do nosso sim, da doação do nosso trabalho, da nossa disponibilidade – por concretizar o apelo do Papa Francisco e ser presença no meio em que vivemos, ser Igreja “em saída”. Somos todos irmãos e irmãs em Cristo e, por isso, precisamos nos unir na luta de cada dia e viver a unidade na mesma fé e no mesmo Deus. É preciso caminhar, ter esperança em dias mais amenos, sem tanta desigualdade, lutando pela vida: nossa, de cada irmão e do planeta, nossa casa comum.

Pensando como paróquia, há muito a ser feito. Há espaço para todos, cada um com seus dons e carismas. Há espaço nas pastorais, grupos, serviços e movimentos, que existem única e exclusivamente para servir: a Deus e ao irmão. Para isso é preciso estar disponível, de corpo e alma, e cultivar uma vida de oração, alimento indispensável para a saúde espiritual.

 

Leigos a serviço

Na Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho, temos muitos leigos que reservam um pouco do seu tempo como doação para as coisas de Deus. Durante o ano todo, há muito trabalho a ser feito, mas, em algumas datas, o trabalho é mais intenso, como a Semana Santa, por exemplo. Tanto que algumas pessoas pensam que somos remunerados, conforme já fui abordada a respeito. Não sabem que a maior recompensa no trabalho gratuito é a graça de Deus.

Nesta crônica, no entanto, gostaria de abordar o trabalho da “Equipe do Cenáculo”, terminologia ensinada pelo Padre Antônio Otaviano. São as pessoas que cuidam do espaço celebrativo. Quem chega à igreja para as celebrações, não imagina o quão minucioso e cansativo é o trabalho feito nos bastidores. São muitas horas de doação, na alegria e na gratuidade, para ornar o espaço de acordo com o tema litúrgico. Além de embelezar a igreja, esses “arranjos” servem também para estimular nossa reflexão.

Muitas pessoas, em sua maioria mulheres, já passaram por essa equipe. Na lembrança, vêm-me as saudosas Elisa Mesquita e a Bárbara Silva. Entre nós, sem atuação, por causa da Covid, dona Aurora, dona Lúcia, Telma e outras. A dona Maria José, hoje já quase “aposentada”, dedicou a vida inteira a essa ocupação. Faz parte efetiva da história da paróquia.

Atualmente, à frente da “Equipe do Cenáculo”, temos a Adélia e a Maria Marta. Duas incansáveis na arte de ornar o espaço celebrativo. Quase todos os dias, lá estão elas, com suas habilidosas mãos, limpando, passando as toalhas dos altares, organizando flores, montando altares temáticos, oferecendo-nos belos motivos para nossos momentos de reflexão. São muitas horas de dedicação, de trabalho voluntário oferecido a Deus em prol de seus filhos e filhas. E tudo feito com esmero, com alegria e muito amor.

Tomara que o esforço dos leigos e leigas que se sentiram chamados a ocupar seus lugares nessa grande família, filhos de Deus, sirva de exemplo e motivação para outras pessoas experimentarem a satisfação de se pôr a serviço do outro, como o próprio Cristo nos ensinou: “Eu vim para servir e não para ser servido”. Assim podemos, todos nós, ir além e “sair para as veredas e encruzilhadas, como discípulos missionários”.

Luisa Garbazza

Julho de 2021

Publicação do jornal "Paróquia N. Sra. do Bom Despacho".



quinta-feira, 1 de julho de 2021

Harmonia

 Eu era um ser só.

Nas curvas do caminho, meus olhos encontraram outros olhos, e ali me vi inteira.

As mãos se entrelaçaram, e nos tornamos um.

Éramos dois seres, que, aos poucos, se sentiram sós, de alguma maneira.

E, nas voltas da vida, nós nos dividimos: uma, duas vezes.

Quatro seres unidos em um só amor, vivendo em um só compasso.

Era boa a convivência, grande o aprendizado, forte a essência.

Na cadência da vida, perseguidos pelo tempo, distanciamos os passos.

Os passos dos filhos marcando o próprio compasso.

À mercê do tempo, vivemos à espera do encontro.

...

E eis que chega o tempo certo da volta, do reencontro, da harmonia dos passos.

Filhos em casa! A família se abre à arte da convivência.

A casa cheia, o som das vozes que preenchem o espaço...

O calor do Bom dia!!! Há de ser de muita alegria!

A ternura do abraço, o amor demonstrado no beijo...

O tempo na cozinha – socorro à mãe de “asa” quebrada.

A prosa animada em torno à mesa: os planos feitos, os desfeitos, os sonhos...

O ajuntamento aconchegante no sofá para ver algo na televisão.

As intermináveis brincadeiras com a cachorrinha Kila – mascote da família.

Falas altas, o som das risadas, as lembranças dos tempos de então...

Cabeça da mãe, que encontra abrigo no ombro do filho.

A cabeça do filho no colo da mãe, enchendo a alma de emoção...

As noites longas, em que ninguém quer se recolher primeiro para não perder a conversa...

Tempo de prece ao Criador.

...

À mercê do tempo, chega o momento da despedida:

O abraço, que se faz laço e não quer ser desfeito...

As últimas falas – quase inúteis – para reafirmar o valor da presença.

O beijo...

O pedido de bênçãos...

O desejo de dias amenos, felizes...

O coração se preparando para as inevitáveis ausências.

A alma em Deus, que rege da vida a cadência. 

                                               Luisa Garbazza

1º de julho de 2021

segunda-feira, 31 de maio de 2021

A força da fé

 


Um legado essencial para nossa vida espiritual, que acompanha o homem em toda a história da salvação, é a FÉ. Essa palavrinha, tão reduzida, se agiganta para além da nossa capacidade de percepção. Como entender a crença dos que vivem sem nenhuma assistência e ainda louvam a Deus, confiam em sua misericórdia, esperam dias melhores? Como interpretar a fé daqueles que não sabem de onde virá o sustento para o dia seguinte? Como compreender a confiança que alimentou a vida de mulheres como minha mãe: família numerosa e recursos ínfimos? Na extrema pobreza, faltava tudo, menos a esperança e, acima de tudo, a confiança na bondade do Pai. Minha mãe, em cada dificuldade, que foram tantas, repetia a frase: “De hora em hora, Deus dá a melhora.” E assim confiava, embora essa melhora, na maioria das vezes, fosse apenas melhora da esperança e crescimento da fé. As dificuldades se sucediam, mas Deus vinha à frente de qualquer problema. Ela nunca se deixou abater, nunca blasfemou, nunca perdeu a fé. E conservou içada a bandeira que marcou seu viver: a coragem de lutar.

Essa certeza de que nunca estamos desamparados dá razão de ser à existência de todo homem temente a Deus. A fé proporciona alegria para os momentos de euforia; combustível para as horas de dificuldade e incerteza; alento para os instantes de tristeza e dor. Dia após dia.

É a fé também que me leva a voltar o pensamento para Deus e me dedicar a escrever esta crônica, mesmo com a limitação dos movimentos por causa de uma queda que resultou em um ombro quebrado e o braço direito imobilizado. Apenas com a mão esquerda, as palavras demoram a se formar frente aos meus olhos. Mas a certeza da presença de Deus me motiva a continuar digitando, letra por letra, até tornar-se palpável o pensamento que o Espírito vai suscitando. Não é um trabalho fácil. Às vezes a ansiedade, por causa da demora, provoca certo desconforto. A fé, no entanto, é persistente: uma paradinha para um copo d’água, uma oração e o recomeço. As palavras, uma a uma, vão fazendo sentido, e o texto começa a ganhar forma. E vem a gratidão a Deus pela graça recebida.

 Perseverança

Nessa história de confiança em Deus, não basta acreditar apenas em alguns momentos. É preciso perseverar na fé. É ela que nos dá suporte para ultrapassar obstáculos – ou conviver com eles – sem nos esquecermos de que Deus nos acompanha sempre, mesmo nas horas mais difíceis. Algumas vezes, vemos algumas pessoas desanimando no meio do caminho, quando as barreiras da vida se mostram mais altas do que o esperado. Sucumbem ao medo, à desesperança, à descrença. E, não raro, perdem o rumo e não conseguem mais encontrar o caminho de volta. Esquecem a fé. Mas se duvido, é porque não tenho constância naquilo em que acredito. Se creio, levo essa crença para todo o sempre.

Para nos mantermos nos caminhos retos, muito nos valem os exemplos. E são muitos. Gosto de observar o povo de Deus e as pistas que vão deixando para os irmãos de caminhada. Ultimamente, observo uma senhorinha. Com os cabelos brancos e passos morosos, por causa da idade, conserva o semblante sereno, uma doce simpatia e olha para mim sempre com alegria nos olhos. Todos os dias, lá está ela, no primeiro banco da igreja. Chega cedo para rezar o terço antes da missa. Mora longe, anda a pé, mas nada a impede de participar da celebração. Nem mesmo a pandemia, que afastou tanta gente da casa de Deus, diminuiu seu entusiasmo. Atenta a tudo, já a vi se emocionando durante a celebração. Fico às vezes imaginando o que está guardado em seu coração. Quantas histórias vividas! Com certeza, já passou por muitos momentos de provação, todavia conserva a serenidade, a devoção a Jesus e Maria e a perseverança.

Essa senhorinha que, pelo amor ao sagrado, me faz lembrar de minha santa mãe, é a dona Teresa. Pelo seu exemplo de pertença a Deus, por suas atitudes e por sua presença constante na igreja, posso dizer, sem medo de errar, que dona Teresa é uma mulher de fé.

Luisa Garbazza

Jornal "Paróquia N. Sra. do Bom Despacho
          Junho 2021

sábado, 8 de maio de 2021

Dia das Mães 2021



De filho para mãe

 

Mãe – tão pura criatura –

que foi por Deus escolhida

pra gerar um novo ser;

tu és formosa figura,

cuja missão é cumprida

na magia do viver.

 

Um abraço, mãe querida,

É todo teu este dia,

com tudo que te condiz.

As tristezas desta vida

tornam-se em alegria

ao ver teu filho feliz.

 

Agradeço-te, mãezinha,

o sentimento contido

que guardas no coração.

Por seres nobre rainha

tens pelo filho querido

profundo amor e perdão

 

Por todo bem que fizeste,

pelo amor que te enobrece,

é teu o maior troféu.

E o carinho que me deste

eu te devolvo em prece

ao Pai e à Mãe do Céu.

 

Mesmo com filho distante,

sem abraço, sem presença,

por causa da pandemia,

alegra-te o semblante

por terás por recompensa

o amor da Virgem Maria.



Parabéns, mamãe.
Parabéns a todas as mães.
Coração de mãe é ninho que abriga um ou muitos filhos e ali os tem pela vida toda. Pode passar o tempo, os filhos podem ir para longe, mas as mães guardam no coração a essência daquela vida que saiu da sua e na sua vida permanece. Para sempre.
Abençoadas sejam, queridas mães.

Luisa Garbazza
Maio de 2021

Homenagem à minha Mãe do Céu, à minha mãe da terra - que hoje também está no céu - e a todas as mães.



domingo, 2 de maio de 2021

Proteção materna

 


Todo ano, quando maio enfeita o calendário, as homenagens são voltadas para as mães. Quando se tem uma mãe aqui na terra, a festa, regada com muito amor, ganha brilho e cor. Mas para quem, assim como eu, perdeu esse privilégio a alegria é permeada da ausência sentida. Sobram as lembranças. O coração sente a dor da saudade, mas também a ternura deixada pela convivência materna.

Em minhas lembranças, volto no tempo de infância e vejo minha mãe: linda, alegre, brincalhona, trabalhadora, mulher de fé, que teve de se dividir em dez para atender a todos os filhos. E subdividir-se em tantas, pois também auxiliou muitas mães a trazerem seus filhos à luz.  E ajudou a cuidar dos filhos de muita gente. Vivendo na simplicidade, desprovida de vaidade, assim nos educou, ensinando-nos os valores que ficam. As lembranças levam-me ao sítio onde morávamos. Espaço de natureza intocada. Então, no “Dia das Mães”, saíamos pelos campos colhendo as flores mais lindas para ofertar à nossa mãe, a querida dona Maria. Quanto amor e ternura havia naquele gesto! Amor infinito, guardado no peito, que invocam algumas lágrimas enquanto escrevo essas linhas.

Voltando à realidade, penso no ser humano e em sua necessidade de proteção, em especial a proteção materna. E não é apenas na infância. Engana-se quem se acha tão independente que não precisa do carinho de mãe. Elas são sempre necessárias. Como é bom ter alguém com quem dividir os problemas, que nos dê atenção, nos olhe nos olhos e faz-nos perceber que somos amados, como só uma mãe sabe amar. Neste mundo louco, em meio ao egoísmo e à correria, as mães são aquelas que estão semp[LG1] re ali, dispostas a nos ouvir e com uma palavra amiga a nos oferecer. Durante a vida toda. Já faz sete anos que minha mãe foi morar no céu e ainda é tão presente e necessária em minha vida.

 Proteção da Mãe das mães

Falando em necessidade, vejo as dificuldades pelas quais estamos passando, neste tempo de pandemia. Estamos todos um pouco carentes de afeto, de carinho, da presença uns dos outros. Inclusive das mães, muitas vezes. Mães que estão mais velhas, ou adoentadas, e têm que se privar da presença dos filhos, para não ficarem expostas a uma possível contaminação pela Covid 19. Muitos filhos estão carentes dessa presença confortadora, que dá ânimo e força na caminhada. Quantas mães vão passar o “Dia das Mães” sozinhas, sem abraço, sem carinho, sem afeto, sem “vida”. É aí que se faz tão necessária a proteção da Mãe das mães.

Maria, mãe do filho de Deus, é mãe por excelência, por isso abraçou a maternidade dos filhos e filhas de Deus. Maria sofreu tanto! Ela soube ouvir o que o Senhor Deus lhe disse, aceitou sua missão, apesar das dificuldades imensas, dividiu com Jesus as dores da cruz e aceitou, no momento da dor mais profunda, quando via seu filho morrendo, ser mãe da humanidade. Ela é nossa Mãe. Todos temos licença para sentar em seu colo e pedir um pouco do seu amor, que é infinito e abrangente, sem reservas ou discriminação.

Neste mês de maio, mês em que celebramos as mães, é a essa mãe amável, admirável, venerável, louvável, poderosa, fiel que me recorro. É a ela, saúde dos enfermos, refúgio dos pecadores, consoladora dos aflitos, que peço por todas as mães. Olhai com bondade, Mãe do céu, para as mães aqui na terra. Sede a alegria das mães que convivem com os filhos, o alento e a companhia para as que têm filhos distantes, o consolo e a mão que enxuga as lágrimas daquelas que perderam os filhos. Seja mãe presente na vida dos que estão privados da presença física da mãe, seja pela distância, seja pela morte.

Maria, mãezinha do céu, Rainha dos Anjos, Rainha da Paz, neste mês das mães – e sempre - dai-nos vossa proteção. Dai-nos vossos braços que acolhem, vosso colo que nos aconchega e faz-nos entender seu amor. Amém.

Luisa Garbazza

luisagarbazza@hotmail.com


 [LG1]

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Sol nascente

 


A natureza – obra divina – é perfeita e sempre se antecipa com seus sinais. Quando o negrume do céu começa a se recolher e nos deixa visualizar a cor do céu, é sinal de que outro dia vem chegando. O céu se deixa pintar da cor de laranja com rajas azuis. Esse manto colorido aos poucos vai se abrindo para deixar passar o astro rei, que desponta no horizonte. Aos primeiros raios, começa a festa de brilho e cor. Há mais alegria e poesia, pois todos sabemos: a luz que chega é benéfica. Ela vem aquecer a terra e clarear nossa jornada. O homem, os animais, as plantas, todo ser vivente sabe que a sobrevivência está garantida. A vitamina D pode ser facilmente absorvida, as plantas crescem de maneira mais saudável, os ambientes ficam mais arejados, sentimos mais disposição para o trabalho... Enfim, é o momento do sol nascente; é a vida que se renova.

Assim também em nossa caminhada como igreja. Passamos pelo negrume da Quaresma – tempo de meditação, de reflexão, de sacrifício. Tempo de acompanhar Jesus em seus quarenta dias no deserto: seu recolhimento, seu sofrimento, suas dores, suas lágrimas. Tempo de caminhar com Jesus a sua Via-crúcis: sua paixão, morte e ressurreição. Tempo de penitência, de tomada de consciência de que precisamos mergulhar em nós mesmos para descobrir o que está escondido pelas sombras da noite e perceber o que está atrapalhando a entrada da luz em nossa vida. Tempo de espera, de fé e da certeza de que Deus não abandonou seu filho e jamais nos abandonará. Certeza de que, assim como o sol, Jesus vai ressurgir e nos presentear com a luz da esperança, da fé, da vida nova que vem dele e só ele pode nos dar.

Justamente esse período de euforia, aquecidos pelo fogo novo e pela luz da ressurreição de Jesus, é que estamos vivenciando agora. Precisamos nos deixar aquecer por essa luz. Deixar que ela adentre em nossa pele, impregne nossos sentidos, penetre em nossas entranhas e faça de nós criaturas novas, seres transformados, como o vaso que toma forma nas mãos talentosas do oleiro. Mergulhados em água cristalina e pura, de corpo e alma limpa, podemos confiar na vida que se coloca diante de nós.

Essa vida nova em Cristo é primordial para nossa saúde, tanto física quanto espiritual, pois, se a alma está em paz, tudo fica mais claro e, consequentemente, mais saudável. Não significa que a vida vai ficar mais fácil, e as dificuldades deixarão de existir. Significa que, se estamos em sintonia com Deus, caminhando de mãos dadas com seu filho Jesus – luz da vida –, somos capazes de perceber os obstáculos e temos forças para transpô-los. Na luz, a jornada, com certeza, torna-se mais leve.

Neste ano, estamos todos vivendo um período obscuro, cheio de obstáculos e incertezas provocadas pela pandemia que marca o início desta terceira década do século XXI. Estamos todos sujeitos a ser contaminados por esse vírus que não sabemos onde está, de onde vem e que chega sem avisar. Momento mais que oportuno para nos colocarmos inteiramente sob a luz divina, que resplandece com o Cristo ressuscitado, e de confiarmos inteiramente que seremos guiados por ela. Assim como Jesus se sacrificou e se entregou até à morte para fazer a vontade do Pai e para nos salvar, façamos nossa parte de sacrifícios para o bem da humanidade. Uma atitude sensata nossa, alguns dias de reclusão, medidas de higiene e distanciamento social, tudo isso pode ajudar a preservar nossa vida e a de muitos irmãos e irmãs nossos, filhos e filhas de Deus.

Então, com a confiança no Cristo vivo, com a consciência de que a vida é para todos e de que somos responsáveis por ela, poderemos caminhar para a fraternidade. Precisamos ter esperança de que haverá sempre um sol nascente a nossa disposição. Basta que permitamos sua entrada para encher de brilho nosso dia, nosso corpo, nossa alma. Abramos nossa porta. Deixemos a luz do céu entrar.

                                                                                                                  Luisa Garbazza

Publicação do Jornal Paróquia N. Sra. do Bom Despacho

Abril 2021

luisagarbazza@hotmail.com