domingo, 2 de maio de 2021

Proteção materna

 


Todo ano, quando maio enfeita o calendário, as homenagens são voltadas para as mães. Quando se tem uma mãe aqui na terra, a festa, regada com muito amor, ganha brilho e cor. Mas para quem, assim como eu, perdeu esse privilégio a alegria é permeada da ausência sentida. Sobram as lembranças. O coração sente a dor da saudade, mas também a ternura deixada pela convivência materna.

Em minhas lembranças, volto no tempo de infância e vejo minha mãe: linda, alegre, brincalhona, trabalhadora, mulher de fé, que teve de se dividir em dez para atender a todos os filhos. E subdividir-se em tantas, pois também auxiliou muitas mães a trazerem seus filhos à luz.  E ajudou a cuidar dos filhos de muita gente. Vivendo na simplicidade, desprovida de vaidade, assim nos educou, ensinando-nos os valores que ficam. As lembranças levam-me ao sítio onde morávamos. Espaço de natureza intocada. Então, no “Dia das Mães”, saíamos pelos campos colhendo as flores mais lindas para ofertar à nossa mãe, a querida dona Maria. Quanto amor e ternura havia naquele gesto! Amor infinito, guardado no peito, que invocam algumas lágrimas enquanto escrevo essas linhas.

Voltando à realidade, penso no ser humano e em sua necessidade de proteção, em especial a proteção materna. E não é apenas na infância. Engana-se quem se acha tão independente que não precisa do carinho de mãe. Elas são sempre necessárias. Como é bom ter alguém com quem dividir os problemas, que nos dê atenção, nos olhe nos olhos e faz-nos perceber que somos amados, como só uma mãe sabe amar. Neste mundo louco, em meio ao egoísmo e à correria, as mães são aquelas que estão semp[LG1] re ali, dispostas a nos ouvir e com uma palavra amiga a nos oferecer. Durante a vida toda. Já faz sete anos que minha mãe foi morar no céu e ainda é tão presente e necessária em minha vida.

 Proteção da Mãe das mães

Falando em necessidade, vejo as dificuldades pelas quais estamos passando, neste tempo de pandemia. Estamos todos um pouco carentes de afeto, de carinho, da presença uns dos outros. Inclusive das mães, muitas vezes. Mães que estão mais velhas, ou adoentadas, e têm que se privar da presença dos filhos, para não ficarem expostas a uma possível contaminação pela Covid 19. Muitos filhos estão carentes dessa presença confortadora, que dá ânimo e força na caminhada. Quantas mães vão passar o “Dia das Mães” sozinhas, sem abraço, sem carinho, sem afeto, sem “vida”. É aí que se faz tão necessária a proteção da Mãe das mães.

Maria, mãe do filho de Deus, é mãe por excelência, por isso abraçou a maternidade dos filhos e filhas de Deus. Maria sofreu tanto! Ela soube ouvir o que o Senhor Deus lhe disse, aceitou sua missão, apesar das dificuldades imensas, dividiu com Jesus as dores da cruz e aceitou, no momento da dor mais profunda, quando via seu filho morrendo, ser mãe da humanidade. Ela é nossa Mãe. Todos temos licença para sentar em seu colo e pedir um pouco do seu amor, que é infinito e abrangente, sem reservas ou discriminação.

Neste mês de maio, mês em que celebramos as mães, é a essa mãe amável, admirável, venerável, louvável, poderosa, fiel que me recorro. É a ela, saúde dos enfermos, refúgio dos pecadores, consoladora dos aflitos, que peço por todas as mães. Olhai com bondade, Mãe do céu, para as mães aqui na terra. Sede a alegria das mães que convivem com os filhos, o alento e a companhia para as que têm filhos distantes, o consolo e a mão que enxuga as lágrimas daquelas que perderam os filhos. Seja mãe presente na vida dos que estão privados da presença física da mãe, seja pela distância, seja pela morte.

Maria, mãezinha do céu, Rainha dos Anjos, Rainha da Paz, neste mês das mães – e sempre - dai-nos vossa proteção. Dai-nos vossos braços que acolhem, vosso colo que nos aconchega e faz-nos entender seu amor. Amém.

Luisa Garbazza

luisagarbazza@hotmail.com


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quinta-feira, 8 de abril de 2021

Sol nascente

 


A natureza – obra divina – é perfeita e sempre se antecipa com seus sinais. Quando o negrume do céu começa a se recolher e nos deixa visualizar a cor do céu, é sinal de que outro dia vem chegando. O céu se deixa pintar da cor de laranja com rajas azuis. Esse manto colorido aos poucos vai se abrindo para deixar passar o astro rei, que desponta no horizonte. Aos primeiros raios, começa a festa de brilho e cor. Há mais alegria e poesia, pois todos sabemos: a luz que chega é benéfica. Ela vem aquecer a terra e clarear nossa jornada. O homem, os animais, as plantas, todo ser vivente sabe que a sobrevivência está garantida. A vitamina D pode ser facilmente absorvida, as plantas crescem de maneira mais saudável, os ambientes ficam mais arejados, sentimos mais disposição para o trabalho... Enfim, é o momento do sol nascente; é a vida que se renova.

Assim também em nossa caminhada como igreja. Passamos pelo negrume da Quaresma – tempo de meditação, de reflexão, de sacrifício. Tempo de acompanhar Jesus em seus quarenta dias no deserto: seu recolhimento, seu sofrimento, suas dores, suas lágrimas. Tempo de caminhar com Jesus a sua Via-crúcis: sua paixão, morte e ressurreição. Tempo de penitência, de tomada de consciência de que precisamos mergulhar em nós mesmos para descobrir o que está escondido pelas sombras da noite e perceber o que está atrapalhando a entrada da luz em nossa vida. Tempo de espera, de fé e da certeza de que Deus não abandonou seu filho e jamais nos abandonará. Certeza de que, assim como o sol, Jesus vai ressurgir e nos presentear com a luz da esperança, da fé, da vida nova que vem dele e só ele pode nos dar.

Justamente esse período de euforia, aquecidos pelo fogo novo e pela luz da ressurreição de Jesus, é que estamos vivenciando agora. Precisamos nos deixar aquecer por essa luz. Deixar que ela adentre em nossa pele, impregne nossos sentidos, penetre em nossas entranhas e faça de nós criaturas novas, seres transformados, como o vaso que toma forma nas mãos talentosas do oleiro. Mergulhados em água cristalina e pura, de corpo e alma limpa, podemos confiar na vida que se coloca diante de nós.

Essa vida nova em Cristo é primordial para nossa saúde, tanto física quanto espiritual, pois, se a alma está em paz, tudo fica mais claro e, consequentemente, mais saudável. Não significa que a vida vai ficar mais fácil, e as dificuldades deixarão de existir. Significa que, se estamos em sintonia com Deus, caminhando de mãos dadas com seu filho Jesus – luz da vida –, somos capazes de perceber os obstáculos e temos forças para transpô-los. Na luz, a jornada, com certeza, torna-se mais leve.

Neste ano, estamos todos vivendo um período obscuro, cheio de obstáculos e incertezas provocadas pela pandemia que marca o início desta terceira década do século XXI. Estamos todos sujeitos a ser contaminados por esse vírus que não sabemos onde está, de onde vem e que chega sem avisar. Momento mais que oportuno para nos colocarmos inteiramente sob a luz divina, que resplandece com o Cristo ressuscitado, e de confiarmos inteiramente que seremos guiados por ela. Assim como Jesus se sacrificou e se entregou até à morte para fazer a vontade do Pai e para nos salvar, façamos nossa parte de sacrifícios para o bem da humanidade. Uma atitude sensata nossa, alguns dias de reclusão, medidas de higiene e distanciamento social, tudo isso pode ajudar a preservar nossa vida e a de muitos irmãos e irmãs nossos, filhos e filhas de Deus.

Então, com a confiança no Cristo vivo, com a consciência de que a vida é para todos e de que somos responsáveis por ela, poderemos caminhar para a fraternidade. Precisamos ter esperança de que haverá sempre um sol nascente a nossa disposição. Basta que permitamos sua entrada para encher de brilho nosso dia, nosso corpo, nossa alma. Abramos nossa porta. Deixemos a luz do céu entrar.

                                                                                                                  Luisa Garbazza

Publicação do Jornal Paróquia N. Sra. do Bom Despacho

Abril 2021

luisagarbazza@hotmail.com

terça-feira, 23 de março de 2021

Sem limites do amor

 

Zuma preparava a casa para receber o filho. Nem mesmo as notícias estarrecedoras que abarrotavam os noticiários, aterrorizando a população, foram suficientes para demovê-la da ideia.

Com o rosto coberto por uma máscara, o rapaz chegou, em uma tarde fria de inverno, quando os últimos raios do sol saltavam do horizonte, avermelhando o céu. A mãe abriu um leve sorriso, olhou-o com ternura, aproximou-se e o abraçou sem pressa.

 

Novo dia. A máscara foi esquecida. Sobraram amor e cuidado, cama limpa e comida boa, carinho e atenção. Passou o tempo, passaram as dores, passou a doença.

Veio a despedida...

 

Era uma manhã de sol, quando Benedito recebeu o telefonema. Em poucas horas, estava de volta à casa da mãe: vazia, triste, silenciosa. Avisado pelos vizinhos, correu ao hospital.

Sem permissão para entrar, ficou aguardando notícias. A espera, porém, foi breve. Em minutos, viu o corpo passar em um caixão lacrado. Acompanhou-o, taciturno, sem a chance de contemplar o rosto da mãe uma última vez.

Luisa Garbazza

Conto selecionado para a antologia da Unifebe

Publicação em E-book:

https://www.unifebe.edu.br/site/wp-content/uploads/contos-da-quarentena-ebook.pdf



segunda-feira, 15 de março de 2021

Carta aberta ao cidadão brasileiro

                                

            Prezados compatriotas

Quem nos diria que, logo no início da terceira década do segundo milênio, em plena era tecnológica, estaríamos passando por uma situação semelhante a esta? Fosse filme, com certeza seria classificado como “Ficção científica”. Quando essa “guerra” começou, como seres humanos imperfeitos que somos, ficamos todos procurando um bode expiatório, alguém em que pudesse ser colocada a culpa. Com o passar do tempo, no entanto, descobriu-se de que nada adiantaria encontrar suspeitos, ou culpados. O vírus era real e viera para ficar. Isso era um fato. Culpados ou não, estávamos todos no mesmo barco, carentes dos mesmos cuidados. E todos – TODOS – foram alertados do perigo iminente e de tudo que era esperado de cada um para garantir a própria sobrevivência e o bem-estar do país.  Um ano se passou e, olhando para traz, percebe-se que pouco progredimos.

Após as primeiras constatações, começou a corrida para entender o vírus, por um antídoto, um coquetel milagroso, a descoberta de uma vacina eficaz. Paralelo a isso, fomos aprendendo normas indispensáveis para evitar a disseminação desse vírus. Medidas extremas de higiene pessoal, desinfecção do espaço físico, distanciamento e isolamento social foram exigidas em todos os ambientes. O uso de álcool em gel passou a ser passaporte para a entrada em todos os ambientes, desde à padaria da esquina, igrejas, repartições públicas até a residência de todos os cidadãos de bem.

Muitos “cidadãos de bem”, entretanto, parecem não se importar com o que está acontecendo. O governo faz a sua parte morosamente. A vacina foi descoberta. Já está sendo ministrada, mas parece-me que está sendo fabricada e transportada passo a passo. Sabemos que é preciso cautela e fraternidade. Ao contrário, estamos percebendo jogo de culpados, cada um querendo colocar a culpa no outro, e falta de compromisso com as próprias responsabilidades.

O Brasil, assim como o restante do planeta, pede socorro. A equipe médica pede socorro. As pessoas indefesas pedem socorro. E a pandemia se alastra de forma alarmante. A cada dia aumenta o número daqueles que pagam o preço da negligência de outrem: uma, cem, mil, duas mil mortes em um só dia. É surreal. Inimaginável. Estarrecedor.

O que falta para percebermos a real situação em que vivemos? O que falta para os brasileiros, ou a humanidade como um todo, entenderem que a vida está em nossas mãos? Não só a nossa, mas a de todos com os quais convivemos. Precisamos nos responsabilizar pela vida de nossos pais, de nossos filhos, das pessoas vulneráveis, dos médicos, dos nossos vizinhos. Precisamos valorizar nossa própria vida, dom de Deus. Eu preciso me responsabilizar pelo outro. Você também precisa. Ninguém vencerá essa guerra sozinho, mas sozinho eu posso evitar que muitos pereçam.

O que estamos esperando para agir? Esperando que nosso país entre na “onda preta” e que haja muito pouco a ser feito? Não permitamos que outros sejam contaminados e percam a vida por um ato mal pensado, por um descuido nosso ou por achar que a vida é curta e precisamos aproveitar todas as oportunidades de diversão. Cuidado! Nesse caminho, a vida pode ser menor do que você espera.

Juntos podemos nos confortar e amenizar a pandemia, evitando assim que tantos concidadãos percam a esperança e a vida.

 Atenciosamente,

Luisa Garbazza  

 

Bom Despacho, 15 de março de 2021


domingo, 7 de março de 2021

Face de mulher

 



Na face da mulher,

o sorriso de alegria,

a carga de cada dia,

que transporta com maestria,

porque pode, porque sabe, porque quer.

 

Na face da mulher,

amor puro e verdadeiro

de quem se doa por inteiro,

seja por quem se encantou primeiro,

pelos pais, pelos filhos ou por quem vier.

 

Na face da mulher,

as marcas da beleza real,

da força, da garra, do essencial,

da magia de quem é especial

e transborda doçura e amor onde estiver.

 

Na face da mulher,

revolta ou paciência

por ser alvo da violência

de quem perdeu a decência,

tratando-a como uma coisa qualquer.

 

Na face da mulher,

do medo a cara estampada,

por ser desprezada, amordaçada,

maltratada, ameaçada,

anulada, sem uma chance sequer.

 

Na face da mulher,

vontade de se sentir querida,

festejar, abraçar a vida,

ter sua decisão acolhida,

seja bem-me-quer, seja malmequer.

 

Luisa Garbazza

8 de março de 2021

Dia Internacional da Mulher


sexta-feira, 5 de março de 2021

Gestos de amor

 



Meus queridos leitores, irmãos e irmãs em Cristo, estamos vivendo o tempo da Quaresma; um tempo propício para o recolhimento, para uma busca de nós mesmos, para uma maior aproximação com Deus, nosso Pai. A igreja se despe das flores e cores e se veste de roxo para simbolizar a sobriedade do tempo litúrgico. E nós também precisamos entrar nessa sintonia. Em comunhão com a Igreja, somos convidados a aproveitar esse momento para intensificar a realização de três práticas essenciais para nossa vida espiritual: jejum, caridade e oração. O jejum e a oração são ações individuais que nos ajudam a pensar a vida e a nos conectar com o Salvador; a caridade sempre envolve o outro, que pode ser um amigo, um desconhecido ou alguém da própria família. Durante a Celebração Eucarística, também somos convidados a praticar a caridade: é o momento de ofertar a Deus um pouco do que recebemos, para a manutenção da sua Igreja.

Outro dia, Missa das dezenove horas, na Igreja Matriz, saí, no momento do ofertório, para ajudar a coletar as ofertas. É uma função gratificante em que, por muitas vezes, recebemos de volta um olhar significativo, como se dissesse: “Vê!? Eu estou ajudando”. Na impossibilidade do sorriso, por causa da máscara, um leve aceno de cabeça traduz meu agradecimento. E sigo meu caminho. Próximo à última porta lateral, do lado de fora, por falta de lugares, alguns jovens. Quando me aproximei, vieram todos e, um a um, depositaram suas ofertas. Fiz o aceno, gesto limitado pelas condições e pelo momento. O que eu queria mesmo, porém, era demonstrar minha gratidão e falar-lhes a importância daquele gesto. É muito bom perceber a consciência jovem de trazer a oferta, de contribuir para o cuidado com as coisas de Deus. Depois desse dia, passei a observar: são muitos os jovens que não se contentam em aparecer diante do Senhor de mãos vazias.

 

Oferta do coração

Esse acontecimento fez-me lembrar de uma homilia do Padre Matheus Garbazza, SDN, direto da Paróquia Santa Cruz, em Alta Floresta – MT, que ouvi em outubro de 2020. Dizia ele que o ofertório é um momento de espiritualidade fortíssima, que, às vezes, deixamos passar, distraídos pelo canto e pelo silêncio do sacerdote.  No entanto precisamos participar e ofertar a Deus três coisas. A primeira, em comunhão com o celebrante, o ofertório do pão e do vinho, que se tornarão o Corpo e o Sangue de Jesus. A segunda, a oferta material, que cada um faz segundo as suas possibilidades. De modo especial, o dízimo, quando é o dia, ou a oferta espontânea que fazemos. É a hora de fazer a colheita, ofertar os frutos a Deus. E precisa ser acompanhada de espiritualidade, pois, assim como o pão e o vinho serão transformados no Corpo e Sangue de Jesus, nossa oferta será transformada em bem para a evangelização da comunidade. Precisa ser oferecida com essa intenção. A terceira, ainda mais importante que a segunda, é oferecermos a nossa vida. Enquanto o padre levanta a patena e o cálice, nós colocamos ali nossa vida, os frutos que colhemos durante a semana. Vamos dizer a Jesus o que pudemos fazer de bom, mas também nossos problemas, nossos limites, nossos defeitos. Nessa intenção, quando vemos, o ofertório fica pequeno, pois há muito a oferecer. E tudo isso para que nossa vida, entregue no altar de Deus, também seja transformada na vida de nosso Senhor. E encerrou a homilia pedindo para prestarmos atenção na oração final, que nos disse: “Possamos, ó Deus onipotente, saciar-nos do Pão celeste e inebriarmos do Vinho sagrado, para que sejamos transformados naquele que agora recebemos. Por Cristo Nosso Senhor”. Assim, ouvindo o Padre Matheus, intensifiquei minha espiritualidade e minha intenção de ofertar a Deus essas três coisas.

Nessa Quaresma, e sempre, possamos meditar sobre essas palavras e colocá-las em prática. Tenhamos o coração voltado para o outro, para suas necessidades, seus anseios, sua falta de oportunidade e, sempre que possível, estender nossa mão para acolher, para ajudar, para confortar. Também possamos sempre ter algo de material para ofertar ao Pai no momento do ofertório. E seja nossa vida pautada pelo amor, para chegarmos perante Deus e oferecer a Ele nossa vida, tudo que vivemos, sentimos e sofremos durante a semana.

luisagarbazza@hotmail.com

Luisa Garbazza

Jornal Paróquia

Março de 2021


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Vida Consagrada

 


Ainda sofrendo as consequências da pandemia, que insiste em assombrar a humanidade, vêm-se à mente as dificuldades enfrentadas pelo ser humano. Não apenas com a pandemia, mas também em outros âmbitos da vida. Viver, no sentido amplo da palavra, é difícil. A alegria de viver está em saber dividir, conviver, cuidar. Cuidar do corpo, da mente, do espírito. Cuidar de si mesmo, do outro, da casa comum, que precisa tanto ser preservada para as gerações futuras. E isso é muito difícil! Ciente da necessidade da ajuda mútua e do amor fraterno, e da carência espiritual de tantos filhos e filhas de Deus, alguns irmãos nossos se doam, vão ao encontro do outro. Abrem mão da própria vida para nos ajudar em nossas necessidades. São os irmãos que se entregam através da vida consagrada a Deus: padres, missionários, freiras, filhas da caridade... E essa também não é uma tarefa fácil.

Por entender a importância dessa missão, o Papa São João Paulo II criou, em 2 de fevereiro de 1997, um dia dedicado a esses nossos irmãos e irmãs. Em 2021, portanto, no dia 2 de fevereiro, celebramos os 25 anos do “Dia da vida consagrada”. Nós, cristãos católicos, não podemos deixar passar despercebida essa data. Precisamos, sim, nos conscientizar de sua extrema importância para a caminhada do povo de Deus. Precisamos valorizar aqueles que têm coragem de responder sim ao chamado de Deus e ajudá-los na difícil tarefa de conduzir seu rebanho, pois a messe é grande e poucos são os operários.

 Sacerdote – tirado do meio dos homens 

  

A Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho, conduzida pelos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, que, atraídos pelos ideais do fundador, o Padre Júlio Maria, abraçaram essa missão, é boa sementeira de vocações. Vários foram os jovens que daqui saíram para se entregar a Deus de forma mais efetiva, tanto na diocese quanto nas congregações religiosas. E isso muito nos alegra.

Na Congregação Sacramentina, temos os bom-despachenses veteranos: Padre Robson, SDN – in memoriam –, Padre Jayme, SDN, e Padre Antônio Otaviano, SDN. Em 2019, a paróquia se movimentou, em uma festa de fraternidade e alegria, para a ordenação de mais um sacerdote, saído do meio do nosso povo, o Padre Matheus Garbazza, SDN, que foi coroinha e acólito, por muitos anos, na nossa Igreja Matriz. Hoje está em Alta Floresta – MT.

Em 2021, quando celebramos o “25º Dia da Vida Consagrada”, alegramo-nos com mais dois jovens da nossa paróquia que, assumindo a vocação perante Deus e os homens, escolheram a vida sacramentina: o Felipe Cunha, que já está no meio da caminhada – noviciado em Matozinhos; o Guilherme Souza, nosso coroinha e acólito, menino inteligente, prestativo, simples, carinhoso, no início da caminhada. Guilherme vai para a Casa de Formação Padre Júlio Maria, em Maracanaú – CE. Rezemos por todos eles, para o fortalecimento da vocação.

Quando presenciamos a partida de um jovem para o seminário, sentimos renovada a esperança de uma humanidade mais fraterna; a esperança de que outros irmãos nossos terão a presença de um sacerdote para lhes orientar na vida espiritual, para conduzir a comunidade na direção de Jesus, que caminha sempre à nossa frente. Tenhamos esperança. ESPERANÇA, da qual nos recorda o Papa Francisco na “Fratelli Tutti”: “Convido à esperança que nos fala de uma realidade cuja raiz está no mais fundo do ser humano, independentemente das circunstâncias concretas e dos condicionamentos históricos em que vive. Fala-nos de uma sede, de uma aspiração, de um anseio de plenitude, de vida bem sucedida, de querer agarrar o que é grande, o que enche o coração e eleva o espírito para coisas grandes, como a verdade, a bondade e a beleza, a justiça e o amor”.

                                                                                                                                                                                                                                                             luisagarbazza@hotmail.com

Luisa Garbazza

Janeiro 2021