segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Vida Consagrada

 


Ainda sofrendo as consequências da pandemia, que insiste em assombrar a humanidade, vêm-se à mente as dificuldades enfrentadas pelo ser humano. Não apenas com a pandemia, mas também em outros âmbitos da vida. Viver, no sentido amplo da palavra, é difícil. A alegria de viver está em saber dividir, conviver, cuidar. Cuidar do corpo, da mente, do espírito. Cuidar de si mesmo, do outro, da casa comum, que precisa tanto ser preservada para as gerações futuras. E isso é muito difícil! Ciente da necessidade da ajuda mútua e do amor fraterno, e da carência espiritual de tantos filhos e filhas de Deus, alguns irmãos nossos se doam, vão ao encontro do outro. Abrem mão da própria vida para nos ajudar em nossas necessidades. São os irmãos que se entregam através da vida consagrada a Deus: padres, missionários, freiras, filhas da caridade... E essa também não é uma tarefa fácil.

Por entender a importância dessa missão, o Papa São João Paulo II criou, em 2 de fevereiro de 1997, um dia dedicado a esses nossos irmãos e irmãs. Em 2021, portanto, no dia 2 de fevereiro, celebramos os 25 anos do “Dia da vida consagrada”. Nós, cristãos católicos, não podemos deixar passar despercebida essa data. Precisamos, sim, nos conscientizar de sua extrema importância para a caminhada do povo de Deus. Precisamos valorizar aqueles que têm coragem de responder sim ao chamado de Deus e ajudá-los na difícil tarefa de conduzir seu rebanho, pois a messe é grande e poucos são os operários.

 Sacerdote – tirado do meio dos homens 

  

A Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho, conduzida pelos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, que, atraídos pelos ideais do fundador, o Padre Júlio Maria, abraçaram essa missão, é boa sementeira de vocações. Vários foram os jovens que daqui saíram para se entregar a Deus de forma mais efetiva, tanto na diocese quanto nas congregações religiosas. E isso muito nos alegra.

Na Congregação Sacramentina, temos os bom-despachenses veteranos: Padre Robson, SDN – in memoriam –, Padre Jayme, SDN, e Padre Antônio Otaviano, SDN. Em 2019, a paróquia se movimentou, em uma festa de fraternidade e alegria, para a ordenação de mais um sacerdote, saído do meio do nosso povo, o Padre Matheus Garbazza, SDN, que foi coroinha e acólito, por muitos anos, na nossa Igreja Matriz. Hoje está em Alta Floresta – MT.

Em 2021, quando celebramos o “25º Dia da Vida Consagrada”, alegramo-nos com mais dois jovens da nossa paróquia que, assumindo a vocação perante Deus e os homens, escolheram a vida sacramentina: o Felipe Cunha, que já está no meio da caminhada – noviciado em Matozinhos; o Guilherme Souza, nosso coroinha e acólito, menino inteligente, prestativo, simples, carinhoso, no início da caminhada. Guilherme vai para a Casa de Formação Padre Júlio Maria, em Maracanaú – CE. Rezemos por todos eles, para o fortalecimento da vocação.

Quando presenciamos a partida de um jovem para o seminário, sentimos renovada a esperança de uma humanidade mais fraterna; a esperança de que outros irmãos nossos terão a presença de um sacerdote para lhes orientar na vida espiritual, para conduzir a comunidade na direção de Jesus, que caminha sempre à nossa frente. Tenhamos esperança. ESPERANÇA, da qual nos recorda o Papa Francisco na “Fratelli Tutti”: “Convido à esperança que nos fala de uma realidade cuja raiz está no mais fundo do ser humano, independentemente das circunstâncias concretas e dos condicionamentos históricos em que vive. Fala-nos de uma sede, de uma aspiração, de um anseio de plenitude, de vida bem sucedida, de querer agarrar o que é grande, o que enche o coração e eleva o espírito para coisas grandes, como a verdade, a bondade e a beleza, a justiça e o amor”.

                                                                                                                                                                                                                                                             luisagarbazza@hotmail.com

Luisa Garbazza

Janeiro 2021

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Túnel sem luz


Em grande peça imposta pela vida,

vi minha alma tornar-se amedrontada.

Por medos e horrores fui surpreendida,

fiquei só, em mim mesma aprisionada.

 

Trancada nos recônditos esquecidos,

fui tragada pelo túnel sem luz,

de medos e sonhos adormecidos:

tudo anoitece e nada reluz.

 

Nas gavetas tortas da mente oculta,

sem nada enxergar, sem saber de mim,

busquei saída, uma ideia inculta,

algo palpável que me acalme enfim.

 

Segui incerta, sem lugar seguro,

desviei-me dos riscos de viver.

Sonhei saída, um lugar mais puro,

pois ainda resta um sopro do ser.

 

Se a vida é fugaz, importa seguir

sem estimar ou saber de antemão,

se com meus medos irei prosseguir

ou se cheguei à última estação.


                           Luisa Garbazza

                                29-01-2021

                 Em tempo de pandemia


domingo, 3 de janeiro de 2021

2021 – um novo tempo!



          2021 – um novo tempo!

Queridos leitores, depois de um ano tão conturbado, cheio de medos e incertezas, dor e impotência diante de tantas mortes, estamos iniciando um novo ciclo na história da humanidade: o ano de 2021. Estamos entrando neste ano novo com o coração cheio de esperança: esperança em dias melhores, em imunizações, em vida, esperança em Deus. Almejamos um ano mais colorido, com encontros e abraços. Dizem que a vida tem a cor que se pinta. Então, mesmo se literalmente ela não estiver tão matizada, convido o leitor para, retomando o Natal do Menino Jesus, colorirmos a vida com as cores do advento.

Sabemos que há várias opções de cores para se montar a “coroa do advento”. Em nossa paróquia, ela é formada por uma vela verde, uma vermelha, uma rosa e a outra branca. Cada uma delas traz, além da cor, ou por causa da cor, uma mensagem para nossa reflexão. E não é apenas para o tempo do Natal. Podemos, sim, nos orientarmos por elas o ano todo. Ainda mais agora, em 2021, que estamos todos ansiosos e com muitas expectativas. Tempo em que estamos dando passos em busca da cura, em busca da paz.

 

 A cor da vida

Façamos força para colorir a vida em 2021. Não só a nossa, mas de tantos quantos formos capazes. Acendamos a vela verde. Ela representa a esperança trazida pelos profetas que anunciam a vinda do Messias. É a espera pelo Salvador, a esperança renovada com a vinda do Príncipe da Paz. Essa é nossa melhor arma: a esperança. Acreditar que, mesmo em meio a tantos reveses, Jesus, que chegou no Natal, estará sempre conosco, jamais nos abandonará. É com Ele – e de braços dados com os irmãos – que enfrentaremos cada obstáculo que encontrarmos no caminho.

Com o coração cheio de esperança, vamos acender a vela vermelha. É o vermelho do sangue dos mártires, em especial João Batista, que anunciou a chegada do Messias. Mas, acima de tudo, representa o amor de Deus pela humanidade. É agarrado a esse amor que pinta de vermelho nossa vida que precisamos dar passos mais retos neste ano. O vermelho, a cor do coração, também representa força. É isso que devemos pedir a Deus: força para suportar as dificuldades sem desanimar ou sem parar na beira do caminho.

Continuando nossa aquarela, acendamos a vela rosa, que nos lembra de nossa atitude de vigilância, à espera do Senhor que virá. Ela representa também a alegria da chegada do Senhor, que se aproxima cada vez mais. Espalhemos o rosa nos caminhos por onde passarmos, espalhemos a alegria de sermos filhos e filhas de um Deus que é amor. Mesmo nas encruzilhadas da vida, nos momentos de dor e desânimo, alegremo-nos, pois Ele está sempre perto, segurando-nos pelas mãos. Alegremo-nos, pois, no Senhor.

Por fim, acendamos a vela branca, que representa a pureza e a luz que vem da Virgem Maria, na chegada de seu filho O Messias. Representa também a paz e a justiça pregada pelos profetas. Todos nós somos amados por Deus, somos preciosos aos olhos do Criador, portanto somos todos iguais e merecemos ser tratados com amor. O mesmo amor com que Ele envolve cada um de nós. Por isso sejamos nós os profetas de hoje: espalhemos o branco da paz e lutemos para que haja mais justiça entre nós.

Façamos, pois, da vida, uma aquarela, espalhando essas e outras cores ao nosso redor. Cada cor represente nossa crença em dias melhores, nossa confiança em Deus, nosso compromisso com a formação de um mundo mais humano, nossa fé, nossa esperança. Um feliz e colorido 2021 para você, querido leitor.

luisagarbazza@hotmail.com

Luisa Garbazza

Jornal Paróquia - janeiro de 2021

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Pela semana do escritor

                         

Em plenitude


A vida passa e me leva, sorridente, indefesa,

qual pluma suave bailando ao vento.

Ensina-me, com encanto, a viver o momento

- traduzido em verso, poesia e beleza -,

o hoje, o agora,

que a vida lá fora

vem me oferecer.

 

Não importa o trabalho, a hora, o dia,

a faina, o cansaço, a inquietação;

importa a brisa que chega, a face acaricia,

transforma a vida, traz alento ao coração,

embala-me o sonho,

que, doce ou medonho,

faz-me a vida entender.

 

Se hoje é domingo, e a alma está em paz,

saio pela vida a brincar, a cantar, a procurar

uma pessoa, um amigo, algo que me apraz,

um lugar exclusivo, alguém para amar.

E transformo o sonho

em algo risonho

a me preencher.

 

E se um dia a tristeza, porventura, vem me visitar,

sinto, penso, choro, lamento o descaminho,

refaço sentimentos,  pensamentos alinho,

e aqui no meu ninho, não a permito ficar:

busco água clara

que sacia e ampara

a ânsia de viver.

 

Assim guardo no peito - recôndito da alma,

retiro da existência, escola de virtude -

a inspiração, a cor, o som, a plenitude,

a verdade que infunde,  impera, acalma,

vê da vida a essência:

quanto mais tenho ciência,

mais preciso aprender.

 

Luisa Garbazza


sábado, 28 de novembro de 2020

Tempo de renovação

 


O tempo – curioso, inexplicável, misterioso – divide-se em fases que nos permite a realização de metas, de tomadas de consciência e de recomeços. A cada final de ano, somos chamados a rever nossa caminhada para planejar a fase seguinte. Para isso, precisamos de uma dose de coragem e outra de sonhos: sonhos, para não perder a esperança de um tempo novo; coragem, para enfrentar obstáculos, derrubar barreiras e ajudar na construção de um mundo mais fraterno.

Em se tratando de rever a caminhada, este final de ano, especialmente, está sendo muito difícil. Olhamos para trás e vislumbramos 2020 com tantas dificuldades enfrentadas por todos, por causa da Covid 19. Ninguém ficou imune aos perigos e dissabores provocados por esse vírus que invadiu o planeta. Tantos mortos! Tantos doentes! Tantos sonhos desfeitos ou adiados! Tanta desilusão, desespero, solidão! E o pior, perceber que essa realidade continua. Estamos chegando ao final do ano ainda sem perspectivas. Por isso precisamos de uma dose extra de coragem. E sonhos. Muitos sonhos para não perder a esperança na vida que continua, apesar do futuro tão incerto.

Na Igreja, estamos sempre em oração, confiando nosso futuro a Deus Pai. No final de novembro, realizamos a novena em honra a Nossa Senhora das Graças. Durante nove dias, juntamente às orações próprias da novena, rezamos, às 18 horas, na Igreja Matriz, o “Terço da Esperança”. Nesses momentos de oração, invocamos Maria, mãe da esperança, que nos ensina a esperar em Deus, a despeito de qualquer dor, qualquer sofrimento. No seu silêncio, “Maria viveu a espera permeada de fé e nos ensinou que o amor, por mais rejeitado que possa ser, jamais sucumbe, e que a verdadeira revolução, que mudará este mundo, é a Revolução do amor”. Aprendamos de Maria essa fé firme e inabalável naquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida: Jesus Cristo, o Rei dos reis, o Senhor dos senhores.

 

Dose de esperança

 Sentimos viva essa esperança, quando constatamos a igreja cheia de fiéis para a reza do terço, oferecendo o sacrifício a Deus pelo bem da humanidade; quando ouvimos a prece piedosa de tantos irmãos e irmãs; quando percebemos a união dos representantes das forças vivas da paróquia para fortalecer os momentos de oração.

Sentimos ainda a esperança quando presenciamos a família reunida na igreja. Para mim, foi de imensa ternura a presença de uma mãe, com suas duas filhas, participando da novena, de terço na mão, enviando “rosas” a Maria. Uma delas, bebê ainda, não tem ciência do que acontece à sua volta, mas está sendo formada pelo exemplo da mãe; a outra, uma pequena menina, demonstra, através da vivacidade do olhar, que já entende o que está acontecendo. E vai absorvendo as palavras, os gestos, os cantos, com atenção e respeito.

Ao vivenciarmos esses pequenos flagrantes da vida, sentimos aumentar em nós a certeza de que Deus está conosco e nunca nos abandonará. Então vemos florescer, com novo vigor, a esperança. Assim abriremos nosso coração para a chegada do Menino Deus, que, neste ano, terá um significado diferente, pois esperamos também um renascimento para a humanidade. Chegaremos, pois, ao final do ano com o desejo imenso de que 2021 traga um novo sol, um novo brilho, uma vida nova para todos nós, filhos e filhas de Deus.

Luisa Garbazza

luisagarbazza@hotmail.com

Publicação do Jornal Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho


sábado, 14 de novembro de 2020

Conto - Prêmio Vip de Literatura 2019.

 

O dia em que não saí de casa

Madrugada. Abri os olhos assustada ao ouvir o celular do Roberto. Sonolenta, senti seus lábios tocando os meus: “Bom dia, meu amor! Feliz Aniversário de Casamento!”. Despertada abruptamente de um agitado sonho, demorei a perceber a realidade. Roberto embarcaria às sete da manhã: reuniões inadiáveis em São Paulo por dois dias. Como era nosso aniversário de casamento, eu embarcaria à tarde, já que não poderia me ausentar da empresa pela manhã. O dia ainda estava escuro quando ele se despediu e saiu, trancando portas e portões. Voltei a dormir facilmente.

Ao acordar, a luz fraca do sol, que se convidara a entrar por entre as cortinas, anunciava o dia que havia chegado. Despertei-me completamente ao sentir a água morna deslizando por meu corpo, preparando-me para o novo dia. Escolhi roupas e sapatos confortáveis, para suportar a longa jornada. Na valise, apenas o básico e um vestido novo para a noite especial. Fui à cozinha e preparei um café bem forte. Rosquinhas de nata e uma banana completaram meu desjejum. Voltei ao quarto e, em poucos minutos, pus-me pronta para sair.

Alerta por causa do horário, percebo que minha bolsa não estava no lugar. Nem minhas chaves. Procuro pela casa. Não as encontro. Nunca tive muita disciplina com meus pertences: perco, estrago, esqueço nos lugares mais improváveis. Olhei em cada canto da sala, passei para a cozinha, voltei ao quarto.  Nada. O coração disparou. Andei mais uma vez por toda a casa. Não estavam em nenhum lugar. Desespero. O tempo estava se esgotando.

Sentei-me na pontinha do sofá e, com a cabeça entre as mãos, comecei a visualizar a trajetória da véspera. Subitamente lembrei-me de que havia deixado a bolsa no escritório. Roberto havia me convidado para um drinque antes de voltarmos para casa. Feliz com a expectativa de uma noite mais animada – o que quase nunca acontecia – saí rápida e displicentemente. Deixei tudo para trás. Na volta, passamos por outro caminho e, numa atitude impensada, considerei desnecessário retornar apenas para buscar minha bolsa. Afinal, estaria de volta pela manhã.

Comecei, sem sucesso, outra maratona à procura do celular. O endereço era certo: dentro da bolsa. Desesperei-me. O notebook também ficara para trás. Não havia linha telefônica em casa. Parada, ao lado da janela, deixei-me ficar por alguns minutos. Mente vazia. Nenhuma solução aparente. Um riso nervoso brotou de meus lábios: trancada, dentro de minha própria casa, incomunicável. Situação ridícula.  Precisava agir, tomar uma atitude com urgência. Saltei a janela, olhei a minha volta. Continuei sem perspectivas. Os muros altos impediam qualquer comunicação com o resto do mundo.

Aproximei-me do portão, bati várias vezes e chamei: “Há alguém aí?... Socorro!... Preciso de um chaveiro!... Oi!...” Nenhum sinal. A alameda ficava em um bairro de pouquíssimo movimento; as residências, circundadas por elevados paredões. Ninguém ouviria. Minha causa estava perdida. Sentindo-me inútil, consegui pular a janela de volta. Não vinha nada à mente que pudesse ser feito.

De volta ao quarto, meus olhos se cruzaram com o mostrador do relógio de cabeceira. O tempo me surpreende. Já são dez horas! Mas... espere! Faltam duas horas para o avião decolar. Meia hora até o aeroporto. Pelo menos para a viagem ainda tenho chances. Saí depressa pela casa, tropeçando aqui e ali, pulei desastradamente a janela, quase arrancando a unha do pé, e voltei ao portão: “Oi! Preciso de ajuda. Alguém está me ouvindo? Por favor!”

Falava, gritava, batia no portão e não obtinha respostas. Nem o barulho do motor de algum carro vinha quebrar o silêncio. Estava completamente só. Ilhada em minha residência. Voltei ao portão mais duas vezes. Desisti após alguns minutos. Já não dava mais tempo de embarcar. Meu dia estava perdido.

Entrei outra vez em casa e preparei-me para viver o dia mais original de minha vida: estava sozinha no mundo. Sem mais o que fazer, aproveitei para relaxar, desligar-me da correria a que estava habituada. No final da tarde, driblando a solidão, abri o álbum do nosso casamento, revi as fotos, relembrei a felicidade, quase ingênua, que sentíamos naquela época, embevecidos de amor. Valorizamos essa data ao máximo, comemorando-a sempre juntos. É como se revivêssemos os anos dourados de nossa relação. Este ano seria mais especial, no entanto o destino nos pregou uma grande peça. Fechei o álbum e coloquei-o estrategicamente em cima da mesa da sala, convencida de que aquela seria a única comemoração de minhas “Bodas de Cristal”.

Luisa Garbazza

             Conto publicado na antologia "Prêmio Vip de Literatura 2019".

                                                                               

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Linhas da vida

 


Em cada página da infância, fiz-me história.

No encanto dos livros, tornei-me fantasia.

As linhas percorridas fizeram memória,

preencheram-me a vida de sonho e poesia...

 

Sonhei a vida, fui rainha, fui princesa,

vivi em castelos, na floresta ou na aldeia.

De Hogwarts ou do Condado, vem a certeza

de sentir a magia envolver-me em sua teia.

 

Seja escafandro, seja frágil, seja cálida,

tal qual borboleta liberta da crisálida,

importa voar, dar asas ao coração.

 

Nas linhas escritas, pegadas da existência,

nos espaços em branco ou nas reticências,

a vida se faz livro em real ilusão.

 

Luisa Garbazza

15-10-2020

 

Poesia escrita para o Dia do Livro (29/10) e o Dia da Poesia (31/10).

Homenagem aos meus filhos Matheus e Rafael, nascidos em outubro.