sábado, 27 de julho de 2024

Perseverança na fé

 


            Julho é mês de férias, de alegria, de festas folclóricas – extensão do mês de junho. Julho é também mês de férias escolares, júbilo para a criançada, que enche ruas e praças com seu divertido alarido. Alguns pais aproveitam para, também de férias, programar passeios e viagens. A catequese também “fica de férias”. Mas é necessário ter a consciência de que não se tira férias da fé.

Em julho, como em todos os meses, somos convidados a cultivar nossa fé, fortalecê-la por meio de orações e práticas religiosas e concretizá-la em nosso modo de viver e nas obras que praticamos no dia a dia. A participação nos sacramentos e a convivência fraterna são importantes para o fortalecimento de nossa fé: aquela nos aproxima de Deus; esta é a confirmação de que absorvemos a mensagem do Evangelho de Cristo.

            Para perseverar na fé, é importante a vida de oração, seja individual, seja na igreja, na comunidade ou em grupos de reflexão. Para enriquecer nossos momentos de oração, nós, bom-despachenses, fomos agraciados com o “Caminho da fé”, na Rua Cruz do Monte. Além da riqueza histórico-religiosa do Memorial, o “Caminho da fé” oferece-nos a Capela do Senhor Bom Jesus e os caminhos penitenciais da Via-Sacra e da Via Lucis.

A Via-Sacra nos permite percorrer, com Jesus, os caminhos de dor e sofrimento de sua paixão e morte. Igualmente nos solidarizamos com o sofrimento angustiante de Maria, sua Mãe. A percepção e a contemplação de cada cena fazem-nos mais humanos e nos impulsionam a nos sentirmos corresponsáveis pelas mazelas dos sofredores do nosso tempo.

            A Via Lucis nos proporciona a alegria na certeza da ressurreição de Cristo. Acompanhar os passos e os sentimentos de Maria e dos apóstolos, que experimentam, cada vez com mais profundidade, a presença de Jesus ressuscitado entre eles reaviva em nós a certeza de que temos um Deus vivo entre nós.

Aproveitemos, querido leitor, esse espaço sagrado, recém-inaugurado em nossa cidade, para dar vazão às nossas manifestações de fé em qualquer tempo. Tenhamos a certeza de que Jesus nunca tira férias. Ele está sempre a postos, disposto a ouvir nossa oração.

Luisa Garbazza

Jornal Paróquia N. Sra. do Bom Despacho

Julho 2024

terça-feira, 9 de julho de 2024

Bodas de cedro

 


Eu lhe ofereci a minha vida e o meu amor.

Na graça de Deus, nos unimos, e me entreguei a você de corpo e alma.

Como a nobreza do cedro, em sua fortaleza,

passou o tempo, e o amor resistiu.

Hoje, 36 anos depois, eu lhe ofereço novamente o meu amor.

Um amor forte como a madeira, mas frágil como a flor;

amor de primavera, mas com momentos de rigor do inverno;

amor de olho no olho, de carinho e atenção, mas também nos momentos de indiferença e solidão;

amor de alma, de certeza, de esperança, mas com instantes de insegurança e de medo;

um amor de risos, cantos e alegria, mas de tristeza, de lágrimas, de melancolia.

Eu lhe ofereço o meu amor.

Talvez não o amor que você mereça, mas o amor que eu tenho para lhe dar, de todo o meu coração.

E, até quando Deus permitir, eu me entregarei a você, de corpo e alma.

Tomara esse amor possa ainda  continuar a “crescer como o cedro do Líbano”.

Luisa Garbazza

9 de julho de 2024

Ao meu esposo Flávio, celebrando 36 anos de matrimônio.


domingo, 16 de junho de 2024

Tenho sede

  


O poço é fundo:

profunda, a escuridão.

O tormento é medonho!

Em forma de sede,

desarma, aperta, sufoca,

limita a vida.

 

O poço é fundo.

A água se perde na escuridão.

Profunda é a sede

que gela, pesa, paralisa,

tolhe os sentidos.

 

O poço é fundo.

Não há corda.

A água, um brilho fosco,

regrado, tímido, fraco,

desfaz-se em fragilidade.

 

O poço é fundo.

O balde, inútil,

jaz no chão.

O fio de esperança,

já escasso,

seca, como água ao sol.

 

O poço é fundo:

a sede, severa.

No escuro do coração,

o estalo: a luz se fez.

A água jorra pura, cristalina.

Renova a vida.

 

O poço é fundo:

profunda, a abertura.

No tempo da graça,

o destino da água.

Certeira, vence a escuridão,

sacia a sede da alma.

 

O poço é fundo:

profundo, o amor.

Vem de Deus,

ecoa, penetra,

oferece a água da vida,

sem balde, sem corda, sem poço.


                                                                        Luisa Garbazza

                                                                16-06-2024

                                Retiro Espiritual: "Junto ao poço de Jacó".








terça-feira, 11 de junho de 2024

Celebrar o amor

 


Celebrar o amor

Mesmo que as marcas do tempo –

permanentes ou transitórias,

reais ou construídas,

suaves ou profundas –

façam parte da história.

 

Celebrar o amor

Mesmo de olhar caído,

distante, perdido,

cabelos embranquecidos,

passos lentos, inseguros,

sinais no rosto e nas mãos.

 

Celebrar o amor

E, mesmo com as marcas do tempo,

conservar a alegria no sorriso,

o abraço que acolhe,

o riso solto que anima,

o carinho que aquece o coração.

 

Celebrar o amor

Preservar os momentos,

o encontro de olhares,

a mágica  do sentimento

que nos engrandece, nos fortalece,

e dá razão ao viver.

 

Celebrar o amor

Relembrar o passado,

olhar para o futuro, com esperança,

ouvir o coração, que grita, vibra,

impulsiona novos passos,

a dois, na mesma cadência.


Luisa Garbazza

                          Para celebrar o 12 de junho de 2024

sexta-feira, 31 de maio de 2024

Dai-nos a bênção

 




Dai-nos a bênção,

Mãe, nesta hora.

Do Bom Despacho,

Nossa Senhora.

 

De longes terras,

aqui chegastes;

Mãe piedosa,

nos adotastes.

Como patrona,

aqui ficastes;

a esse povo

bem amparastes.

 

Sempre a postos,

de manto e véu,

a nos ouvir,

Virgem fiel.

Trazeis à mão

pena e papel,

a despachar

preces ao céu.

 

De Isabel

compadecestes;

lá em Caná

vos envolvestes.

Por todos nós

Intercedeis;

graças do céu

nos concedeis.

 

Quase dois séculos

de proteção,

com a paróquia

no coração.

A uma só voz,

nossa oração:

a vós, Maria,

só gratidão.

                                                                                Canção popular

                                                                    Letra – Luisa Garbazza

Pelos 190 anos da Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho

                                                                                   Maio de 2022

domingo, 5 de maio de 2024

Presente de Maria

 


Nesse sábado, 4 de maio, participei do “Retiro Espiritual” dos Missionários Leigos Sacramentinos”. Fomos conduzidos pelo Pe. Renato Dutra Borges, SDN, a uma reflexão profunda, à luz da frase do Pe. Júlio Maria De Lombaerde: “O homem é um amor que procura Deus para satisfazer as inclinações da alma; Deus é o amor que procura o homem para nele satisfazer sua necessidade de dar-se”.

Falando desse amor duplo, Deus-homem, falamos também do amor de Jesus e Maria, a senhora do sábado.

Nos momentos de reflexão pessoal, deixei-me ficar em um cantinho do pátio, sob as sombras das árvores e de um grande pé de hibisco, todo florido. Pensando em Deus, sob a luz do Santo Espírito, Jesus e Maria estavam comigo.

Assim passamos a manhã, em silêncio e oração.

No último momento de deserto, ao encaminhar-me para o meu cantinho, percebi que havia uma flor de hibisco bem em cima da minha cadeira. No mesmo instante, meu coração se alegrou. Em alta voz, exclamei: “Ah! Nossa Senhora deixou uma flor para mim!”

Nisso acreditei imensamente. No fundo de minha alma, tenho convicção de que foi Maria quem deixou aquela flor ali para mim. E recebi com muito carinho, carinho de filha. Encerrei meu retiro com a certeza de que recebera a visita de Maria, minha Mãe do céu.

No coração e na mente, vêm as imagens de minha mãe aqui na terra, também Maria, e suas experiências nos retiros das “Oficinas de Oração e Vida”. Ela sempre voltava com histórias da presença de Jesus e contava-as, cheia de amor e fé.

Obrigada, meu Deus.

                                     Luisa Garbazza

                                                        5 de maio de 2024

quarta-feira, 17 de abril de 2024

Aprendizado

 

Somos todos irmãos. Somos a Igreja de Jesus Cristo, o filho de Deus. Como irmãos em Cristo, estamos vivendo, mais uma vez, com a alma em estado de graça, neste tempo de Páscoa. Celebrar a ressurreição de Cristo é, para nós católicos, a certeza da vida eterna, a certeza de que vale a pena ser cristão. Nossa caminhada, ano após ano, revivendo as dificuldades e as alegrias do Cristianismo, é puro aprendizado. Cada celebração nos apresenta algo novo, mesmo que já tenhamos vivido várias vezes. É justamente esse aprendizado que vai nos preparar para nos aproximarmos, cada vez mais, das verdades e do estado de graça que nos levará um dia ao céu.

Um terreno fértil para esse aprendizado é a catequese. Esse tempo de estudo e práticas religiosas é muito importante para a formação das crianças e adolescentes. Não só a formação cristã, mas também de valores que ajudam a moldar o caráter de nossos catequizandos.

No mês de março, mais precisamente no dia 13, presenciei um desses momentos de aprendizado. Eu estava na coordenação da Liturgia, nesse dia, na Igreja Matriz. Preparando para a celebração, vi chegar a catequista Margareth e, aos poucos, seus catequizandos. Era uma turma de terceiro período, que receberão a Primeira Eucaristia ainda neste ano. Iam participar da Celebração Eucarística, e, no final, receber os livros de catequese, que seriam abençoados pelo sacerdote. Encantou-me, naquela turma, o quão atentos estavam à celebração. No momento da homilia, os olhos estavam todos fitos no Pe. Antônio Otaviano, SDN, como se absorvessem cada uma de suas palavras. Com certeza, aquele foi um momento de  muito aprendizado, para eles e também para mim, pois percebi, no olhar de cada um, o encantamento pela Palavra de Deus; no comportamento de cada um, a certeza de que estão sendo muito bem preparados para o momento do encontro com Jesus na Eucaristia.

Então, valendo-nos desse exemplo, que certamente se repetiu com as outras turmas de catequese, aproveitemos este momento em que fortalecemos nossa fé por intermédio da ressurreição de Jesus, para pedir a Ele que nos dê a graça de estarmos sempre em sintonia com seus ensinamentos, seja nas celebrações ou nas horas de estudos; seja nos exemplos que presenciamos ou na vivência de cada aprendizado.

Luisa Garbazza

Abril 2024