quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Virgem de encantos mil

 


Vejo-a simples, bela e singela

em seu manto cor de anil.

Com o anjo conversou

e fez-se assim, tão servil!

Mereceu o amor de José,

marido bom, fiel e gentil.

Viveram, na fidelidade,

uma vida casta, sutil.

Então, pela Virgem ditosa,

a promessa do Anjo se cumpriu:

nasceu Jesus, o filho do Deus vivo,

que as portas do céu nos abriu.

Ao olhar o filho amado,

deu graças a Deus e sorriu.

Passou por dores e provações,

mas, com fé, a todas resistiu.

Confiou, em todos os momentos,

no Deus a quem sempre serviu.

E pôde dispensar tantas graças

a Virgem de encantos mil.

Nosso povo a ama e venera,

Maria, que como Mãe nos assumiu.

É Nossa Senhora Aparecida,

Rainha e padroeira do Brasil.

 

                                                        Luisa Garbazza

                                          03 de outubro de 2021

sábado, 1 de outubro de 2022

Outubro – mês missionário

 


Queridos leitores, estamos iniciando o mês missionário. Somos convidados a intensificar nossas orações pelas missões e a reservar um pouco do nosso tempo para irmos ao encontro do outro, do irmão necessitado de ajuda, seja corporal ou espiritual.

Seguindo os passos de Cristo, além de rezar pelas missões e contribuir para ajudar os que seguem nesse caminho, precisamos nos espelhar em tantos exemplos de missionários e missionárias que conhecemos e, como cristãos, entender qual é a nossa missão aqui na terra.

Em se tratando do mês missionário, trago à memória minha santa mãe, dona Maria Garbazza, uma grande missionaria, que dedicou todo seu tempo livre, mesmo tendo que varar a noite em seus afazeres, para servir aos que pediam sua ajuda. Essa foi sua missão, desde criança até a velhice, enquanto lhe foi possível se locomover. E cultivava a oração. No meu tempo de criança, casa cheia, sempre havia tempo para cultivar a espiritualidade em família. A reza do terço era intensificada no mês de maio – Maria –, mês de agosto – vocações – e mês de outubro – missões.

Vida em missão

Para nós, de paróquia sacramentina, o maior exemplo de missionário que temos é justamente o do fundador, Pe. Júlio Maria De Lombaerde, que nos deixou um legado de doação de vida – de corpo e alma – e hoje aguarda o momento de glória em nossos altares.

Em setembro, seguindo a ânsia devocional do Pe. Antônio Otaviano, SDN, fui mais uma vez a Manhumirim. Ao avistar aquelas montanhas, a alma já se prepara para viver momentos de intensa espiritualidade. Em cada canto daquela cidade, ainda palpita o coração daquele homem de Deus, tão abençoado, que veio de muito longe para trabalhar nesse bocado da messe do Senhor.

É muito bom caminhar pelos lugares por onde ele passou, entrar nos espaços que ele construiu, saber um pouco mais de sua história, tão envolvente, tão abençoada, tão santa. É muito bom falar desse homem, que, já na mais tenra idade, sabia o que queria ser: sacerdote da Igreja de Cristo. Para isso não poupou esforços. Para isso enfrentou o tempo, as dificuldades, as mudanças, a travessia do Atlântico, as adversidades e se embrenhou nas terras inóspitas da Amazônia.

Primeiro em Macapá, depois em Minas Gerais, deu passos certeiros na fé e no compromisso com seu viver missionário. Cativou homens, mulheres e crianças; curou doentes, ensinou, evangelizou, cuidou das pessoas. Em seu ideal vocacional, criou congregações e arrebanhou homens e mulheres que se comprometeram a viver a missão e espalhar o amor a Jesus Eucarístico e a Virgem Maria, mesmo às custas de muito sacrifício.

A envolvente história do Padre Júlio Maria, que o Pe. Heleno, SDN, nos apresenta de maneira tão profunda, está gravada nas paredes e nos objetos do memorial. Mas, à medida que vamos caminhando, a história transcende. É como se fizéssemos parte dela. No coração, aplaudimos sua força de vontade, sua fé, seus feitos; acompanhamos seus passos e nos impressionamos ao ver suas conquistas; admiramos seu jeito de viver. Cresce em nós o amor por aquele homem barbudo, mas de semblante sereno e grande coração. Tanto que nos emocionamos de verdade quando acompanhamos as fotos e os relatos de sua morte, trágica, cruel, inesperada.

A morte do Pe. Júlio Maria, no entanto, não ceifou sua missão. Ela continuou nas famílias congregacionais que ele fundou, ultrapassou as barreiras do tempo e perdura no nosso tempo. Somos “julimarianos”. Esforçamo-nos para sermos merecedores desse título e rezemos para ver o Pe. Júlio Maria ser logo declarado “beato” pela santa Igreja, pois acreditamos em sua santidade.

Servo de Deus Pe. Júlio Maria, intercedei por nós.

luisagarbazza@hotmail.com

Publicação do Jornal Paróquia N. Sra. do Bom Despacho

Outubro de 2022

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Obras da criação


 


Já num tempo bem distante,

no início da criação,

o Senhor, Deus do Universo,

deu vazão ao coração

e viu que tudo era bom

nas obras de sua mão.

 

Tudo feito em perfeição,

na mais singela harmonia,

ares, terra, céu e mar

convivendo em sintonia,

e, pra completar a obra,

o homem com a família.

 

À disposição do homem

tudo ali foi colocado,

e o convite então foi feito,

viver despreocupado,

mas tocar na macieira

era o único pecado.

 

Que tudo ali era bom

o homem viu realmente,

porém aquela alegria

mudou assim, de repente,

quando quis acreditar

na maldade da serpente.

 

Para o mundo foi jogado,

obrigado a trabalhar.

Buscava abrigo, alimento

pra família sustentar.

Sem paz vivia o tormento

sem ninguém pra lhe ajudar.

 

E a maldade da serpente

trouxe dor, desilusão.

O homem e semelhante

buscava dominação.

Começou, em toda a terra,

guerrilhas, destruição.

 

A vastidão desse mundo,

que Deus lhe deu de presente,

tornou-se tão dividida,

nas mãos de poucos somente,

e a reserva que é comum,

a disputa veemente.

 

Com a Era Industrial,

muito aqui foi destruído,

para assim realizar

novo mundo, evoluído.

Com a potência das máquinas

tornou-se o ar poluído.

 

Com cruel devastação,

sofre muito a natureza;

corta aqui, arranca ali,

age o homem com certeza,

e o meio, já devastado,

perde muito da beleza.

 

Vem o homem assolando,

mesmo na ilegalidade.

Destrói matas e florestas

faz da calma tempestade

pelo pouco que ainda resta

do ambiente “de verdade”.

 

Na busca por minerais,

matéria tão valiosa,

o homem revolve o solo,

de maneira imperiosa,

sem medir as consequências

da prática desastrosa.

 

Essa prática danosa,

de cuidado desprovida,

danifica o ambiente,

é risco pra qualquer vida,

porque deixa a terra infértil,

torna a água poluída.

 

Quando o ar se torna seco,

e seco se torna o chão,

veem-se tantas queimadas,

por crime ou por distração,

deixam rastros bem profundos

e entristece o coração.

 

Quando o fogo atinge a mata,

e tudo é devastado,

os animais indefesos

ficam todos acuados,

sem esperança ou auxílio

perecem extenuados.

 

Outros animais são mortos

vilmente, sem piedade,

tiram pele, roubam couro,

e outra preciosidade,

para assim alimentar

do homem a vaidade.

 

Alguns animais são vítimas

de homem sem coração,

que os recolhem, negociam,

praticando uma infração,

tristemente provocando

essa praga da extinção.

 

A humanidade cultiva,

na vida em sociedade,

tal ambição e poder,

que suscita ansiedade,

hoje tudo é descartável

e o novo, prioridade.

 

Nessa corrida maluca,

sempre por renovação,

o lixo granjeia espaço,

quase sem destinação,

e, quando mal descartado,

causa contaminação.

 

Olhando por toda parte,

aparece a hipocrisia

do homem destruidor,

que atua com teimosia,

e o mundo perde o vigor:

vem drama, vai poesia.

 

Vendo tal devastação,

algum homem hoje chora,

pois já quase nada é bom

contempla tudo e apavora,

“Pureza da criação!”

de agonia pede, implora.

 

Pensemos, pois, na tarefa

de real necessidade,

cuidar da mãe natureza,

com prazer, com hombridade,

para se ter a certeza

de feliz posteridade.

 

É urgente concebermos

valor da preservação

de tudo que nos foi dado

pelo Pai da criação.

A saúde do planeta:

é essa nossa missão.

 

Quero água cristalina,

que jorra pura, de graça,

para toda criatura

que o justo cuidado abraça,

e mata a sede do mundo

se não sofrer ameaça.

 

Para preservar a vida,

o verde tem importância,

traz mais saúde e alegria,

quanto maior a abundância.

Sejamos, pois, consciente:

o verde em primeira instância.

 

Da natureza sadia

temos total dependência.

Assim, pra preservação,

é preciso consciência,

pois quem conhece ama e cuida,

não age com negligência.

 

A harmonia com o meio

é nossa forte esperança,

vida simples, sem ganância,

na pureza da criança,

que ama, e sonha, e confia,

vive em plena temperança.

 

Nossa maior recompensa,

com total integração,

perceber que o ambiente

merece contemplação:

ver que tudo ainda é bom

nas obras da criação.

Luisa Garbazza

2022