sábado, 3 de agosto de 2024

Família e vocação

 


Somos a Igreja Católica, uma Igreja viva, sempre em movimento. Quem participa ativamente da vida da Igreja não fica ocioso, tem sempre algo a celebrar. Fechamos o mês de julho, celebrando o Dia dos Avós com o tema “Na velhice, não me abandones”, inspirado no Salmo 71. Na ocasião, refletimos sobre nossa obrigação de cuidar dos avós e das pessoas idosas, de acolhê-los e de acudi-los em suas necessidades. E logo iniciamos o mês de agosto, mês vocacional, em que há tanto para celebrar!

Não há como falar em mês vocacional sem falar em família, pois é justamente do seio familiar que provêm todas as vocações. Família é ninho, é aconchego, lugar sagrado, abençoado por Deus. É onde são depositados os frutos do amor, da convivência, do desejo do casal em participar da obra da criação. É onde aprendemos a rezar, a acolher os ensinamentos paternos, valores que guardamos pela vida toda. Pelas mãos da mãe, do pai, ou ainda de outro familiar, é que aprendemos o caminho até a igreja, recebemos os sacramentos e assimilamos as verdades religiosas, tão necessárias para nosso amadurecimento na fé. Só então somos chamados à missão vocacional, cada um segundo os dons e carismas recebidos do Santo Espírito.

A Igreja nos convida, neste mês de agosto, com o tema “Igreja: uma sinfonia vocacional”, a celebrar as vocações e a rezar por todas elas: “Pedi, pois, ao Senhor da Messe”.

Rezemos, então, pelos que voltam seu olhar para o bem de todos e, em uma missão difícil e sublime, se doam inteiramente por meio da vocação ao sacerdócio e à vida consagrada.

Rezemos pelos que optam por sair de sua família e formar outra família, ninho de amor, fortalecidos pelo sacramento do Matrimônio.

Rezemos pelos que abraçam uma vocação leiga e contribuem com a formação do povo de Deus por meio da missão na Igreja, como agente de pastoral e participação nos movimentos e serviços.

Celebremos então, com alegria, este mês vocacional e peçamos ao Senhor da Messe: “Enviai, Senhor, operários à vossa messe, pois a messe é grande e poucos os operários”!

Luisa Garbazza

Agosto 2024


sábado, 27 de julho de 2024

Perseverança na fé

 


            Julho é mês de férias, de alegria, de festas folclóricas – extensão do mês de junho. Julho é também mês de férias escolares, júbilo para a criançada, que enche ruas e praças com seu divertido alarido. Alguns pais aproveitam para, também de férias, programar passeios e viagens. A catequese também “fica de férias”. Mas é necessário ter a consciência de que não se tira férias da fé.

Em julho, como em todos os meses, somos convidados a cultivar nossa fé, fortalecê-la por meio de orações e práticas religiosas e concretizá-la em nosso modo de viver e nas obras que praticamos no dia a dia. A participação nos sacramentos e a convivência fraterna são importantes para o fortalecimento de nossa fé: aquela nos aproxima de Deus; esta é a confirmação de que absorvemos a mensagem do Evangelho de Cristo.

            Para perseverar na fé, é importante a vida de oração, seja individual, seja na igreja, na comunidade ou em grupos de reflexão. Para enriquecer nossos momentos de oração, nós, bom-despachenses, fomos agraciados com o “Caminho da fé”, na Rua Cruz do Monte. Além da riqueza histórico-religiosa do Memorial, o “Caminho da fé” oferece-nos a Capela do Senhor Bom Jesus e os caminhos penitenciais da Via-Sacra e da Via Lucis.

A Via-Sacra nos permite percorrer, com Jesus, os caminhos de dor e sofrimento de sua paixão e morte. Igualmente nos solidarizamos com o sofrimento angustiante de Maria, sua Mãe. A percepção e a contemplação de cada cena fazem-nos mais humanos e nos impulsionam a nos sentirmos corresponsáveis pelas mazelas dos sofredores do nosso tempo.

            A Via Lucis nos proporciona a alegria na certeza da ressurreição de Cristo. Acompanhar os passos e os sentimentos de Maria e dos apóstolos, que experimentam, cada vez com mais profundidade, a presença de Jesus ressuscitado entre eles reaviva em nós a certeza de que temos um Deus vivo entre nós.

Aproveitemos, querido leitor, esse espaço sagrado, recém-inaugurado em nossa cidade, para dar vazão às nossas manifestações de fé em qualquer tempo. Tenhamos a certeza de que Jesus nunca tira férias. Ele está sempre a postos, disposto a ouvir nossa oração.

Luisa Garbazza

Jornal Paróquia N. Sra. do Bom Despacho

Julho 2024

terça-feira, 9 de julho de 2024

Bodas de cedro

 


Eu lhe ofereci a minha vida e o meu amor.

Na graça de Deus, nos unimos, e me entreguei a você de corpo e alma.

Como a nobreza do cedro, em sua fortaleza,

passou o tempo, e o amor resistiu.

Hoje, 36 anos depois, eu lhe ofereço novamente o meu amor.

Um amor forte como a madeira, mas frágil como a flor;

amor de primavera, mas com momentos de rigor do inverno;

amor de olho no olho, de carinho e atenção, mas também nos momentos de indiferença e solidão;

amor de alma, de certeza, de esperança, mas com instantes de insegurança e de medo;

um amor de risos, cantos e alegria, mas de tristeza, de lágrimas, de melancolia.

Eu lhe ofereço o meu amor.

Talvez não o amor que você mereça, mas o amor que eu tenho para lhe dar, de todo o meu coração.

E, até quando Deus permitir, eu me entregarei a você, de corpo e alma.

Tomara esse amor possa ainda  continuar a “crescer como o cedro do Líbano”.

Luisa Garbazza

9 de julho de 2024

Ao meu esposo Flávio, celebrando 36 anos de matrimônio.


domingo, 16 de junho de 2024

Tenho sede

  


O poço é fundo:

profunda, a escuridão.

O tormento é medonho!

Em forma de sede,

desarma, aperta, sufoca,

limita a vida.

 

O poço é fundo.

A água se perde na escuridão.

Profunda é a sede

que gela, pesa, paralisa,

tolhe os sentidos.

 

O poço é fundo.

Não há corda.

A água, um brilho fosco,

regrado, tímido, fraco,

desfaz-se em fragilidade.

 

O poço é fundo.

O balde, inútil,

jaz no chão.

O fio de esperança,

já escasso,

seca, como água ao sol.

 

O poço é fundo:

a sede, severa.

No escuro do coração,

o estalo: a luz se fez.

A água jorra pura, cristalina.

Renova a vida.

 

O poço é fundo:

profunda, a abertura.

No tempo da graça,

o destino da água.

Certeira, vence a escuridão,

sacia a sede da alma.

 

O poço é fundo:

profundo, o amor.

Vem de Deus,

ecoa, penetra,

oferece a água da vida,

sem balde, sem corda, sem poço.


                                                                        Luisa Garbazza

                                                                16-06-2024

                                Retiro Espiritual: "Junto ao poço de Jacó".








terça-feira, 11 de junho de 2024

Celebrar o amor

 


Celebrar o amor

Mesmo que as marcas do tempo –

permanentes ou transitórias,

reais ou construídas,

suaves ou profundas –

façam parte da história.

 

Celebrar o amor

Mesmo de olhar caído,

distante, perdido,

cabelos embranquecidos,

passos lentos, inseguros,

sinais no rosto e nas mãos.

 

Celebrar o amor

E, mesmo com as marcas do tempo,

conservar a alegria no sorriso,

o abraço que acolhe,

o riso solto que anima,

o carinho que aquece o coração.

 

Celebrar o amor

Preservar os momentos,

o encontro de olhares,

a mágica  do sentimento

que nos engrandece, nos fortalece,

e dá razão ao viver.

 

Celebrar o amor

Relembrar o passado,

olhar para o futuro, com esperança,

ouvir o coração, que grita, vibra,

impulsiona novos passos,

a dois, na mesma cadência.


Luisa Garbazza

                          Para celebrar o 12 de junho de 2024

sexta-feira, 31 de maio de 2024

Dai-nos a bênção

 




Dai-nos a bênção,

Mãe, nesta hora.

Do Bom Despacho,

Nossa Senhora.

 

De longes terras,

aqui chegastes;

Mãe piedosa,

nos adotastes.

Como patrona,

aqui ficastes;

a esse povo

bem amparastes.

 

Sempre a postos,

de manto e véu,

a nos ouvir,

Virgem fiel.

Trazeis à mão

pena e papel,

a despachar

preces ao céu.

 

De Isabel

compadecestes;

lá em Caná

vos envolvestes.

Por todos nós

Intercedeis;

graças do céu

nos concedeis.

 

Quase dois séculos

de proteção,

com a paróquia

no coração.

A uma só voz,

nossa oração:

a vós, Maria,

só gratidão.

                                                                                Canção popular

                                                                    Letra – Luisa Garbazza

Pelos 190 anos da Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho

                                                                                   Maio de 2022

domingo, 5 de maio de 2024

Presente de Maria

 


Nesse sábado, 4 de maio, participei do “Retiro Espiritual” dos Missionários Leigos Sacramentinos”. Fomos conduzidos pelo Pe. Renato Dutra Borges, SDN, a uma reflexão profunda, à luz da frase do Pe. Júlio Maria De Lombaerde: “O homem é um amor que procura Deus para satisfazer as inclinações da alma; Deus é o amor que procura o homem para nele satisfazer sua necessidade de dar-se”.

Falando desse amor duplo, Deus-homem, falamos também do amor de Jesus e Maria, a senhora do sábado.

Nos momentos de reflexão pessoal, deixei-me ficar em um cantinho do pátio, sob as sombras das árvores e de um grande pé de hibisco, todo florido. Pensando em Deus, sob a luz do Santo Espírito, Jesus e Maria estavam comigo.

Assim passamos a manhã, em silêncio e oração.

No último momento de deserto, ao encaminhar-me para o meu cantinho, percebi que havia uma flor de hibisco bem em cima da minha cadeira. No mesmo instante, meu coração se alegrou. Em alta voz, exclamei: “Ah! Nossa Senhora deixou uma flor para mim!”

Nisso acreditei imensamente. No fundo de minha alma, tenho convicção de que foi Maria quem deixou aquela flor ali para mim. E recebi com muito carinho, carinho de filha. Encerrei meu retiro com a certeza de que recebera a visita de Maria, minha Mãe do céu.

No coração e na mente, vêm as imagens de minha mãe aqui na terra, também Maria, e suas experiências nos retiros das “Oficinas de Oração e Vida”. Ela sempre voltava com histórias da presença de Jesus e contava-as, cheia de amor e fé.

Obrigada, meu Deus.

                                     Luisa Garbazza

                                                        5 de maio de 2024