domingo, 14 de maio de 2023

Ser mãe

 


Ser mãe é graça divina,

é encanto, sentimento, poesia.

É receber do Criador

a dádiva do milagre da vida:

a personificação do amor.

 

Mãe é um ser transparente,

é raio de sol, luz, simpatia,

Fala com os gestos, com o olhar,

sorri, mesmo sem estar contente,

pois escolheu se doar e muito amar.

 

Ser mãe é segurar as mãozinhas

do filho pequenino com leveza.

É fazer do colo um ninho,

encher o filho de beijos, de carinho,

reconhecer de Deus a grandeza.

 

No doce olhar de uma mãe,

sempre sereno, sempre altruísta,

o registro de tanta vida...

Cada passo, cada conquista

ao lado do querido filho vivida.

 

Vai-se o tempo, a mãe resiste

às marcas duras desta vida.

O filho ausente, o cansaço, que ora persiste,

o cabelo branco, as marcas na pele,

a saudade, a lágrima retida.

 

Mas, acima de tudo, ser mãe é calma, melodia,

oblação de primazia, de desvelo;

é colo que acolhe e acalma,

mesmo nos momentos de desespero,

pois a prece preenche a alma.

 

A você, mãe, ser digno de soberania,

ostensório de amor e ternura,

que agrega encanto à dura rotina,

divido essa verdade tão pura:

ser mãe é graça divina.

 

Parabéns a você, mãe!

Luisa Garbazza – 12-05-2023

Mensagem oferecida às mães na missa das 9 horas na Igreja Matriz. 

 


sexta-feira, 5 de maio de 2023

O som do silêncio

 


Tão agitado anda o mundo, que, às vezes, não conseguimos ouvir e absorver o que realmente importa. São tantas as vozes que chegam até nós, tantos ruídos, tantas fontes a nos oferecer algo para escutar! A mente humana, que não para, vê-se nesse burburinho constante e, muitas vezes, se perde, numa sensação de vazio.

Esse sentimento pode muito bem ser fruto dessa era digital, que nos escraviza. Estamos expostos a barulhos aleatórios, a nossos próprios barulhos e àqueles que trazemos para perto de nós, alguns até dentro do ouvido, através dos celulares. Difícil é tomar consciência de que essa prática não é saudável e buscar alternativas para diminuí-la. Difícil é não nos deixarmos dominar completamente pelas telinhas e tirar um tempo para ouvir a voz dos que estão perto de nós e a nossa própria voz. Difícil é perceber o quão necessitados estamos de momentos de silêncio, de quietude, de reflexão, tão necessários à saúde do corpo, da mente, do espírito.

 Voz interior

Um tempo de maior conexão com o sagrado, portanto de silêncio interior, nós, católicos, vivemos durante a Semana Santa. Relembrando-a, trago à mente a celebração da Sexta-feira Santa: momento litúrgico, com a belíssima cerimônia do “Beijo na Cruz”. Quantas pessoas haviam na igreja naquele dia! O espaço sagrado se fez pequeno para abrigar tantos fiéis. Todos estávamos ali, sedentos de Deus, chorando a morte de Jesus e adorando a Cruz sagrada.

Ouvimos, atenciosos, as leituras bíblicas e a homilia proferida pelo padre Renato. Ao terminar sua fala, padre Renato pediu a todos que fizéssemos um instante de silêncio para deixar que aquelas palavras chegassem ao nosso coração. Houve então um grande silêncio. Pesado até. Nada se ouvia! Nem mesmo o falfalhar do folheto impresso. No instante seguinte, a barreira do silêncio foi quebrada pelo choro de uma criança pequena, que se espalhou por toda a igreja...

Mais um pouco, e o padre continuou a celebração. Minha mente, no entanto, continuou ouvindo aquele choro e pensando em nossas próprias misérias. São tantas as dificuldades que precisamos vencer. O choro daquela criança veio traduzir o choro de muitos de nós. São todos irmãos e irmãs nossos, sedentos de Deus, buscando o conforto para suas dores. No coração de cada um, a certeza de que Deus vem aliviar a nossa angústia e enxugar as nossas lágrimas. Ali, vivendo a Semana Santa, revivendo o sofrimento de Jesus, que se entregou por nós, entregamos a Ele o nosso próprio sofrimento.

Fazer silêncio, ouvir a voz de Deus, ouvir nossa voz interior, tudo isso tem um valor imprescindível para nosso crescimento espiritual. Essa prática pode trazer à tona alguns sentimentos esquecidos, guardados nas gavetas do inconsciente, mas tão necessários para compreendermos melhor nossa missão de filhos e filhas de Deus. Tomara tomemos consciência da necessidade de espalhar o valor do silêncio, dos momentos de quietude para vivermos de forma mais equilibrada, sabendo respeitar nossos próprios limites e o limite do outro. Tantos erros sociais talvez pudessem ser evitados se as pessoas parassem um pouco para pensar, ponderar, olhar para si mesmo, ouvir sua voz interior, que soa diferente em momentos de agitação e em momentos de reflexão.

Na Sexta-feira Santa, o som do silêncio ecoou em meus ouvidos. O choro da criança despertaram meus sentimentos mais profundos. As lágrimas vieram regar o coração recolhido em preces, que saíam da alma na certeza de encontrar destino certo: o coração de Jesus.

Luisa Garbazza

Jornal “Paróquia N. Sra. do Bom Despacho”

luisagarbazza@hotmail.com

 


quarta-feira, 12 de abril de 2023

Vida Nova

 

Chegamos ao fim da Semana Santa. Mais uma vez, revivemos todas essas cenas da paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Na caminhada do povo cristão, Deus sempre se fez presente. E continua no meio de nós, agora, através de seu filho Jesus. É a Ele que rendemos graças. É por Ele que passamos por todos esses momentos, caminhando com Ele os quarenta dias da Quaresma e acompanhando, mesmo com sacrifício, todas as celebrações e caminhadas da Semana Santa. É uma semana cansativa para o corpo, mas dignificante para a alma. Percorrer todos esses caminhos faz-nos perceber, pelo menos um pouco, o sofrimento enfrentado por Jesus até o calvário. Mas não podemos mensurar o tormento que atravessou, nem a dor vivida por Ele, ao ser pregado na cruz, e seu padecimento até a morte.

Esses são momentos de intensa espiritualidade em que, nós cristãos, demonstramos nossa fé. Como é bom passar por tudo isso. Como é bom sentir a presença de tantos fiéis e acompanhar a participação de cada um. Na sua individualidade, cada um manifesta sua fé de maneira distinta. São gestos e atitudes de demonstração de amor a Deus e, de alguma forma, pertença à Igreja. São irmãos e irmãs nossos, buscando o sagrado, com sede de Deus. Dá gosto de ver. Como diria dona Maria, minha santa mãe: É maravilhoso!

Gestos de fé

Em meio a tanta gente, somos anônimos, mas, um olhar mais apurado, um coração mais sensível, é capaz de perceber um pouco da expressão de cada um. Gosto de observar as pessoas durante as celebrações e as procissões.

Há riqueza nos momentos de oração, principalmente espontânea, em que as pessoas se identificam com alguma fala, alguma prece, e depois vem agradecer.  Agradecimentos, no exercício de Via-Sacra. São muitos fiéis em oração, oferecendo a Deus seu cansaço, doando sua voz para as meditações em cada estação. Sou grata ainda quando alguém, mesmo não tendo leitura fluente, tem a oportunidade de ajudar nas leituras. Sinto um carinho tão grande por quem me procura para agradecer e dizer que tinha muita vontade de ler, mas nunca tivera a oportunidade. Aquela reflexão, mesmo entrecortada, deve ter chegado mais nitidamente aos ouvidos de Deus do que as de quem lê com facilidade.

Nas procissões, somos tomados pela melodia piedosa dos cantos que traduzem o momento: a dor de Maria, os passos de Jesus, o encontro entre Mãe e Filho, a dolorosa “Procissão do Enterro”. Na aglomeração, presenciamos as mais variadas manifestações de fé: o canto, a oração, a luz das velas, os pés descalços, o silêncio. A cadência dos passos traduz o desejo único: a demonstração da fé.

Percebo ainda a concretude de nossa fé, na contemplação das imagens, na escuta dos sermões, nas procissões e após as procissões. Depois de longa caminhada, ainda resta forças para enfrentar uma longa fila, aproximar-se da imagem e ali, com o olhar fixo, deixar suas últimas considerações a Deus através de Jesus e Maria. O que é coroado pela oferta, deixada aos pés do santo, em forma de agradecimento.

A alegria vivida no Sábado Santo e no Domingo da Ressurreição vem laurear, com êxito, mais uma festa. O cansaço é certeiro, mas o júbilo da alma compensa qualquer dor, qualquer desânimo. É tempo de ação de graças. E tempo de encher os olhos para desejar vida nova ao irmão e à irmã com os quais cruzamos. Tempo de agradecer a Deus por todos os momentos vividos, por todos os irmãos que pudemos acolher e ajudar a matar a sede de Deus. De sorrir por dentro, cheio de contentamento, e dizer: Obrigada, senhor, por todos esses momentos que nos prepararam para bem viver a Páscoa, na Liturgia e na vida.

Luisagarbazza@hotmail.com

Do Jornal Paróquia N. Sra. do Bom Despacho

Abril de 2023