quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Homenagem ao Pe. Márcio

 


Um novo tempo

Queridos leitores, um novo ano abriu as portas para nós. Estamos ainda, como o antigo deus Jano, com um olhar para o que se foi e outro no vislumbre do que está apenas começando. Um olhar se enche de gratidão; o outro se abastece de fé. Vivemos um tempo de renovação, de encher o coração de esperança e acreditar que coisas boas hão de vir.

Para nós, da Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho, esse olhar para o futuro está ofuscado pelas mudanças na Congregação dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. O olhar do passado contempla o padre Márcio; o outro, permanece na expectativa. Padre Márcio está se despedindo. Prepara-se para assumir outra paróquia. Dia quinze de janeiro, justamente quando faz cinco anos de sua chegada por estas terras, ele nos dará seu adeus e irá assumir outra paróquia nas longes terras do Mato Grosso.

Lembro-me bem de quando ele por aqui chegou. Cheia de expectativa, ouvi de alguém essas palavras: “Ninguém é perfeito. Nem os padres. Todos temos defeitos e qualidades. Aproveite o que ele tem de bom”. Então, quem soube aproveitar o que o padre Márcio tem de bom conviveu com alguém muito responsável. Um padre dedicado, comprometido, trabalhador. Alguém que se importa com o bem-estar das pessoas. Alguém que abraçou para si o dever de cuidar: das coisas, das pessoas, da casa comum.

A “cultura do cuidado”

Nesse dom de cuidar, principalmente dos mais idosos, sabemos o tempo que o padre Márcio dispensou no cuidado para com nossos sacerdotes “velhinhos”: padre Robson, padre Pedro e padre Jayme. Acompanhou-os, deu atenção e fez o que pôde para lhes proporcionar um pouco mais de conforto e dignidade nos últimos dias de vida. E quantos idosos receberam sua atenção! Uma visita, uma bênção, provisão de recursos para os acamados, o sacramento da confissão, uma celebração de ação de graças...

Não somente os idosos. Sem olhar as divisas paroquiais, assistiu todos os que requisitaram seu auxílio. O Flávio e eu tivemos esse privilégio. No início da pandemia, assustados, como tantas pessoas, ficamos um bom tempo enclausurados. Brincando que assumira o lugar do Matheus, as visitas do padre Márcio, sempre solícito para uma conversa ou alguma necessidade, foram um refrigério nos tempos difíceis.

Não posso me esquecer do cuidado e do empenho com que ele ajudou a preparar as ordenações do padre Douglas e do padre Matheus. Sou-lhe extremamente grata por sua abertura na ordenação do meu filho. Sua presença efetiva, o cuidado em preparar a Igreja Matriz providenciando os reparos necessários, troca do som e limpeza, o apoio que nos deu, sempre alegre e com solicitude, o acolhimento ao Matheus sempre que ele nos visita.

Também percebemos em nosso pároco o zelo para com os templos sagrados. Quantas construções e reformas tiveram andamento nestes cinco anos! E sua participação era ativa: não apenas mandar, mas também fazer.

Assim como eu, tenho certeza de que muitas famílias têm um testemunho dessa presença missionária, pela qual somos muito gratos. Então vem a despedida. Sabemos que ela é necessária. Padre Márcio vai levar “o que ele tem de bom” para ajudar outras pessoas. Tomara que ele seja bem recebido e possa dar vazão ao carisma sacramentino por onde passar.

Quanto a nós, da Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho, resta-nos aguardar, encher o coração de esperança e receber o novo pároco com muita alegria.

E a você, querido leitor, o meu abraço e o desejo de um feliz ano novo, com a presença e a graça de Deus na vida de todos nós.

 luisagarbazza@hotmail.com

Publicação do Jornal PARÓQUIA N. Sra. do Bom Despacho

Janeiro de 2023

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

A arte de cuidar

 


Tempo do Advento. À espera do Senhor que vem. Como é bom viver esse tempo, preparando o coração para a chegada do Natal! A sensibilidade é aflorada, cresce o carinho pelas pessoas, a proximidade torna-se necessária, fomenta a cultura do cuidado: é um tempo de graça.

Ao viver esse tempo do cuidado, minh’alma se lembra dos que já se foram, especialmente minha mãe, que passou seus dias cuidando do outro: do pai e dos irmãos, depois do marido e dos filhos, e, por toda sua vida, de tantos quantos a procuravam necessitados de ajuda, seja ela de que natureza fosse. Esqueceu-se de si para se ocupar dos irmãos e irmãs. Hoje fico me lembrando do carinho com que ela tratava o semelhante, conhecido ou desconhecido. Carinho que se estendia aos animais e plantas. Em cada casa onde morava, desde a adolescência, era imprescindível um canteiro de flores, o que tratava logo de providenciar. Depois, em casa de espaço reduzido, cultivava suas flores em pequenos vasos. E quando já não possuía mais energia para cuidar dos outros, ocupava-se essencialmente de suas plantas.

Essas lembranças me levam a um lugar comum: mães gostam de flores, de plantas, de jardins. Nessa era das orquídeas e das suculentas, então, os vasos, qualquer que seja o tamanho, passou a ser um presente muito valorizado, competitivo até. Tanto que, na época da eleição, criaram uma “promessa” de campanha nas redes sociais: “Se eu for eleito, a casa de toda mãe será cheia de plantas”.

Mães que cuidam

Fico a analisar esse amor todo pelas plantas, principalmente por parte das mães cujos filhos já estão criados, e, por experiência própria, vou tirando minhas conclusões. O coração de uma mãe é puro amor. Amor que se desfaz em cuidados, desde a gestação. O filho é o tesouro maior; cuidar do filho, a maior dádiva. Por muitos anos, a mãe se dedica àquele ser tão frágil, extensão do seu, de maneira intensiva. Quando os filhos crescem e se ausentam, a mãe se sente muito só, mas aquele amor-cuidado, instinto materno, não diminui. Ela então o transfere para as plantas: rega, cuida, cava a terra, tira as folhas amarelecidas, coloca adubo, passa para um vaso maior... E não se cansa de admirá-las, notar o broto novo, o primeiro botão, a beleza das flores. A magia de cuidar de uma plantinha se assemelha ao dom de cuidar do filho pela fragilidade, pelo zelo, pela expectativa, pelo encantamento. Cada centímetro a mais, cada passo, cada palavra, cada dentinho, tudo vai preenchendo o coração materno, que se desmancha em amor.

Esse encanto que faz parte do dia a dia das mães, muitas vezes regado a lágrimas, vem nos lembrar a graça do Natal. Nesse tempo, o forte, para grande parte da sociedade, é presentear, dar e receber presentes. Para tal, temos uma opinião comum: “Mãe gosta de ganhar planta”. Sim, gosta mesmo, salvo raríssimas exceções. É preciso, no entanto, uma pequena reflexão. A mãe gosta de planta para dispensar a ela seu cuidado, sua esperança, principalmente nos momentos de solidão. O que às vezes passa despercebido é que a mãe também carece de cuidado, de carinho, de atenção.

Então você, querido leitor, que está pensando em presentear sua mãe com um vaso de flor – ou outro presente qualquer –, lembre-se de que, assim como a planta, a mãe precisa de cuidado. Reserve um pouquinho do seu tempo para sua mãe. Aproxime-se, sem pressa. Procure saber se ela está bem, se sente vontade de comer uma coisa diferente, se está precisando de alguma coisa. Coloque o seu coração em sintonia com o de sua mãe. Ame-a!

luisagarbazza@hotmail.com

Publicação do Jornal Paróquia N. Sra. do Bom Despacho

Dezembro de 2022