sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Tempo ao tempo

 


Ah! O tempo! Esse nosso irmão – como nos ensina São Francisco de Assis –, às vezes incompreensível, gosta de nos surpreender. Muitas vezes sentimos que o tempo passa depressa demais; outras, ficamos impacientes com sua demora. Ansiamos tanto por algum acontecimento que ficamos inquietos, contando dias, horas, minutos até. Mas, como sabemos que tudo acontece no tempo de Deus, temos maturidade para compreender e esperar a hora certa. E ainda para saber que essa hora talvez nem chegue. Um imprevisto ou outro pode zerar nosso tempo de espera.

Nessa corrida contra o tempo, ou a favor dele, chegamos ao mês de novembro, último do calendário litúrgico. Então vivemos o tempo de Ação de Graças: demonstrar nossa gratidão a Deus por todos os benefícios que Ele nos concedeu ao longo deste ano, por mais que tenha sido um ano tão difícil! Inclusive os benefícios que não pudemos compreender, pois sabemos que “Deus é bom o tempo todo”. Vivemos o tempo de tomada de consciência: O que me propus realizar durante este ano e o que, de fato, consegui colocar em prática? O que deu certo? Tive a oportunidade de ajudar alguém? Qual aprendizado fui capaz de absorver de tudo o que vivi? Isso sem nos esquecer de agradecer ao Pai cada conquista, cada alegria, cada flor que alegrou nosso caminho, como também os espinhos ou as pedras, que foram motivos de tropeço, de queda ou de mudança de rumo.

Tempo de esperança

O mais importante, no entanto, é fazer deste o tempo de esperança. Final de novembro, começaremos o “Advento”, tempo de preparar o coração para a chegada do Menino Jesus. Por isso urge renovarmos nossa esperança. Quando deixamos enfraquecer a esperança, a vida perde o brilho. Precisamos acreditar que tudo pode ser melhor se estivermos em sintonia com Deus. É isso que nos move como cristãos na caminhada para o céu. Precisamos acreditar e esperar, mesmo que seja algo simples, como aguardar ansiosamente o crescimento de uma plantinha nova.

Ao falar de esperança, lembro-me de minhas alunas de alfabetização. São todas senhoras, já com os filhos criados. Os reveses da vida impediram-nas de aprender no tempo devido. Mas, apesar de tudo, não desistiram. Conservaram a chama da esperança acesa no coração. Então, no tempo de agora, quando souberam do meu projeto, viram ali uma oportunidade de realizar o grande sonho de aprender a ler e escrever. Algumas sonham mais além: querem aprender a ler para se prepararem para receber os sacramentos da Eucaristia e Crisma. Sei que, no tempo certo, a graça vai acontecer.

Quanta ternura sinto por essas mulheres! Que alegria ao vê-las aprendendo a traçar as letras, bem traçadas – mania de professora exigente –, juntá-las em sílabas e formar as primeiras palavras. Sou grata a cada uma delas por embarcar comigo nesse sonho. E elevo a Deus meu cântico de ação de graças por me permitir realizar essas coisas enquanto ainda tenho tempo.

Assim, durante o mês de novembro, saibamos nos preparar, de alma e coração, para nos colocar diante de Deus no “Dia de Ação de Graças”. Possamos entregar a Ele tudo que trouxemos, tudo que vivemos ou deixamos de viver; colocar em suas mãos o nosso destino, o de nossa família, o de nossa nação. Aí será, então, o tempo de pedir paz e esperança para os tempos que hão de vir. 

Luisa Garbazza

Jornal "Paróquia" N. Sra. do Bom Despacho - novembro 2022

luisagarbazza@hotmail.com

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Virgem de encantos mil

 


Vejo-a simples, bela e singela

em seu manto cor de anil.

Com o anjo conversou

e fez-se assim, tão servil!

Mereceu o amor de José,

marido bom, fiel e gentil.

Viveram, na fidelidade,

uma vida casta, sutil.

Então, pela Virgem ditosa,

a promessa do Anjo se cumpriu:

nasceu Jesus, o filho do Deus vivo,

que as portas do céu nos abriu.

Ao olhar o filho amado,

deu graças a Deus e sorriu.

Passou por dores e provações,

mas, com fé, a todas resistiu.

Confiou, em todos os momentos,

no Deus a quem sempre serviu.

E pôde dispensar tantas graças

a Virgem de encantos mil.

Nosso povo a ama e venera,

Maria, que como Mãe nos assumiu.

É Nossa Senhora Aparecida,

Rainha e padroeira do Brasil.

 

                                                        Luisa Garbazza

                                          03 de outubro de 2021

sábado, 1 de outubro de 2022

Outubro – mês missionário

 


Queridos leitores, estamos iniciando o mês missionário. Somos convidados a intensificar nossas orações pelas missões e a reservar um pouco do nosso tempo para irmos ao encontro do outro, do irmão necessitado de ajuda, seja corporal ou espiritual.

Seguindo os passos de Cristo, além de rezar pelas missões e contribuir para ajudar os que seguem nesse caminho, precisamos nos espelhar em tantos exemplos de missionários e missionárias que conhecemos e, como cristãos, entender qual é a nossa missão aqui na terra.

Em se tratando do mês missionário, trago à memória minha santa mãe, dona Maria Garbazza, uma grande missionaria, que dedicou todo seu tempo livre, mesmo tendo que varar a noite em seus afazeres, para servir aos que pediam sua ajuda. Essa foi sua missão, desde criança até a velhice, enquanto lhe foi possível se locomover. E cultivava a oração. No meu tempo de criança, casa cheia, sempre havia tempo para cultivar a espiritualidade em família. A reza do terço era intensificada no mês de maio – Maria –, mês de agosto – vocações – e mês de outubro – missões.

Vida em missão

Para nós, de paróquia sacramentina, o maior exemplo de missionário que temos é justamente o do fundador, Pe. Júlio Maria De Lombaerde, que nos deixou um legado de doação de vida – de corpo e alma – e hoje aguarda o momento de glória em nossos altares.

Em setembro, seguindo a ânsia devocional do Pe. Antônio Otaviano, SDN, fui mais uma vez a Manhumirim. Ao avistar aquelas montanhas, a alma já se prepara para viver momentos de intensa espiritualidade. Em cada canto daquela cidade, ainda palpita o coração daquele homem de Deus, tão abençoado, que veio de muito longe para trabalhar nesse bocado da messe do Senhor.

É muito bom caminhar pelos lugares por onde ele passou, entrar nos espaços que ele construiu, saber um pouco mais de sua história, tão envolvente, tão abençoada, tão santa. É muito bom falar desse homem, que, já na mais tenra idade, sabia o que queria ser: sacerdote da Igreja de Cristo. Para isso não poupou esforços. Para isso enfrentou o tempo, as dificuldades, as mudanças, a travessia do Atlântico, as adversidades e se embrenhou nas terras inóspitas da Amazônia.

Primeiro em Macapá, depois em Minas Gerais, deu passos certeiros na fé e no compromisso com seu viver missionário. Cativou homens, mulheres e crianças; curou doentes, ensinou, evangelizou, cuidou das pessoas. Em seu ideal vocacional, criou congregações e arrebanhou homens e mulheres que se comprometeram a viver a missão e espalhar o amor a Jesus Eucarístico e a Virgem Maria, mesmo às custas de muito sacrifício.

A envolvente história do Padre Júlio Maria, que o Pe. Heleno, SDN, nos apresenta de maneira tão profunda, está gravada nas paredes e nos objetos do memorial. Mas, à medida que vamos caminhando, a história transcende. É como se fizéssemos parte dela. No coração, aplaudimos sua força de vontade, sua fé, seus feitos; acompanhamos seus passos e nos impressionamos ao ver suas conquistas; admiramos seu jeito de viver. Cresce em nós o amor por aquele homem barbudo, mas de semblante sereno e grande coração. Tanto que nos emocionamos de verdade quando acompanhamos as fotos e os relatos de sua morte, trágica, cruel, inesperada.

A morte do Pe. Júlio Maria, no entanto, não ceifou sua missão. Ela continuou nas famílias congregacionais que ele fundou, ultrapassou as barreiras do tempo e perdura no nosso tempo. Somos “julimarianos”. Esforçamo-nos para sermos merecedores desse título e rezemos para ver o Pe. Júlio Maria ser logo declarado “beato” pela santa Igreja, pois acreditamos em sua santidade.

Servo de Deus Pe. Júlio Maria, intercedei por nós.

luisagarbazza@hotmail.com

Publicação do Jornal Paróquia N. Sra. do Bom Despacho

Outubro de 2022