sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Outubro - mês da maternidade

 


Outubro é mês de pura graça,

da alegria que chega, abraça,

de momentos carregados de saudade:

outubro é o mês da maternidade.

 

Nasceu o filho, o primeiro a chegar,

chegou de mansinho, veio me ensinar,

com seu rostinho tão lindo, seu candor,

a maior lição, a mais bela: o amor.

 

Amor dividido, alegria ao coração,

o segundo filho encheu-me de emoção.

É a capacidade de amar tomando forma,

sentimento puro que tudo transforma.

 

Senti da vida a cor, a leveza,

no rosto dos filhos, doçura, leveza.

Coração em paz, o amor proclama

nos versos de afeto que a alma declama.

 

Outubro é mês de agradecimento,

lembrar de cada filho o nascimento.

Dar graças à vida, celebrar o amor;

dar graças a Deus, nosso Pai Criador.


Luisa Garbazza

Em ação de graças a Deus pelos filhos lindos com os quais me presenteou – ambos nascidos em outubro.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Somos um em Cristo


Queridos leitores, que Deus é bom o tempo todo todos nós já sabemos. É uma frase fácil de decorar, de repetir, de postar nas redes sociais. O que não é tão fácil é acreditar e confiar em seus dizeres quando estamos em situação de tristeza, de conflitos e desamor. Para nos animar na caminhada, no entanto, Deus nos mostra a bondade no coração das pessoas, aponta-nos os caminhos, oferece-nos possibilidades. Foi assim que se mostrou a nós na Semana da Família, vivenciada no mês de agosto.

Era segunda-feira, dia 9 de agosto. Estávamos reunidos, na Igreja Matriz, para o primeiro encontro da Semana da Família: “Famílias, na escola de São José, lugar do amor e do despertar vocacional” – tema sugerido pela diocese de Luz. Enquanto fazíamos os combinados, percebi a presença de dois garotos um pouco mais afastados. Estavam sozinhos. Aproximei-me e convidei-os para rezar conosco. Prontamente, responderam sim. Chamei-os para a frente; pedi ajuda com as velas. Era a reza do terço pelas famílias. Foi um momento gratificante. O brilho no olhar de cada um revelava a alegria de estar sendo útil e da satisfação em participar daquele momento de oração.

Após o terço, em um breve momento de conversa, pois a Missa estava prestes a começar, soube seus nomes – Ranihery e Pyettro – e que participavam dos encontros de formação para coroinhas na Paróquia São Vicente de Paulo. Convidei-os para voltarem nos outros dias. “Amanhã, acho que não vou poder, mas quarta-feira eu venho.” – disse Ranihery. Na terça-feira, no entanto, lá estavam eles, mais animados ainda, participando ativamente. E nos outros dias também. Pude inclusive conhecer os pais, que participaram de um dos encontros. Então? O que dizer dessa experiência?  Deus estava presente no meio de nós através daqueles pequenos, que se apresentaram de jeito simples e humilde, mas demonstraram a certeza de que deveriam dizer sim ao chamado divino.

 A Palavra na vida

Presenciar esses momentos, vivê-los, emocionar-me com eles, tudo isso fez-me relacioná-los ao “Mês da Bíblia” – celebrado em setembro. Em 2021, somos convidados a refletir através da Carta de São Paulo, dirigida aos Gálatas; e hoje, a nós. Paulo nos convida a assumir o Evangelho em nossa vida. É responsabilidade nossa, como cristãos, absorver a mensagem do Mestre Jesus e levá-la adiante. Jesus nos fala de amor e nos convida a sentir amor, a viver o amor, a ser amor. Ser amor é ver no outro a imagem de Cristo, sentir necessidade de cuidar do outro, seja quem for, venha de onde vier. É sentir amor pelos empobrecidos, pelos que levam uma vida desfavorecida. É sentir necessidade de ajudá-los a lutar por seus direitos, para que possam alcançar a dignidade como ser humano. É apresentar-lhes Jesus, aquele que deve ser o centro das nossas atenções.

É bem verdade que afirmar Jesus como Senhor, nestes tempos difíceis em que vivemos, não é uma tarefa fácil. Mas na época de São Paulo também não era. Eram considerados subversivos por apregoar o nome de alguém que viveu à margem da sociedade e ensinou um jeito novo de viver, que não condizia com os padrões vividos. Principalmente por abalar a autoridade dos poderosos.

Hoje ainda encontramos muitos desafios e obstáculos na missão de viver e anunciar o Evangelho. Mas é necessário enfrentá-los. Como nos ensina São Paulo, “Não existe outro Evangelho além do de Jesus”. Ele é o caminho. E nele precisamos seguir juntos, lado a lado, de mãos dadas. É em Jesus que precisamos nos espelhar para conseguir olhar o outro como irmão, convidá-lo para o nosso meio e entender que já não há diferença entre nós, “Pois todos vós sois um só em Cristo Jesus.” (Gl 3,28d).

Entremos nesta caminhada de fé com a certeza de que nunca estaremos sozinhos. Na caminhada da vida, seguindo o Mestre, há muito o que ser feito uns pelos outros. Abracemos essa corrente da solidariedade. Só como irmãos poderemos constatar, dia a dia, que Deus é realmente bom. O tempo todo.

luisagarbazza@hotmail.com

Luisa Garbazza
Jornal Paróquia N. Sra. do Bom Despacho

Setembro de 2021.

sábado, 4 de setembro de 2021

Setembro

 

Mês de alegria, de flores, de nova estação...

De renascimento.

Renasce a vida, renasce a esperança.

Renasce a fé e a gratidão.

Coração se abre em prece,

alegra-se e agradece...

Gratidão, ó Deus, pelo dom da minha vida.

Pelos dias vividos,

pelos sonhos construídos,

pelos planos feitos e pelos desfeitos.

Graças pelas realizações, pelas alegrias,

mas também pelas doses de tristeza,

companhia em alguns dias.

Graças pela fé que me move,

que me sustenta, me comove,

pois me orienta para vós.

Graças pelas boas pegadas

em meu passado deixadas:

caminho aberto para quem vier.

Graças pelas companhias de cada dia,

cada palavra, cada mão estendida,

quando, sozinha, não soube seguir.

Graças por mais esse presente,

pois minha alma agradece e sente

que ainda há muito a viver.

Feliz vida.

Luisa Garbazza

4 de setembro de 1960

Dia de aniversário



segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Ocaso da vida

 



Ocaso da vida

Sou flor efêmera, que, ao cair do dia,

recolhe as pétalas em triste agonia.

 

A queda da pétala me causa dor:

é vida que se esvai, perde seu vigor.

Do espírito pujante, forte clamor:

quer mais vida, quer paz, quer pleno esplendor.

 

Mas a flor se desfaz, em leve cadência,

qual meu suspiro no ocaso da existência.

 

Conservo comigo real alegria:

espalhei sorrisos, vivi o amor,

sou mais puro exemplo de resiliência.

 

                                               Luisa Garbazza


      Definição de poema JOTABÉ

A Rima Jotabé, ou apenas poemas Jotabé, são poemas compostos,

em sua forma básica, por 11 versos hendecassílabos (11 sílabas poéticas).

Os onze versos são divididos em 4 estrofes com o seguinte esquema de rimas:

A  A

B  B  B  B

C  C

A  B  C

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Viver em família

 

Queridos leitores, já estamos em agosto, mês carregado de superstições e lendas. Agosto é considerado como o mês azarado, de maus agouros, de maior incidência de cachorro louco. Há os que se recusam a se casar em agosto com medo de ser infeliz no casamento. Pobre agosto! Pobre de quem assim o denomina! Preocupa-se com a hipótese de encontrar infelicidade e perde a chance de viver em harmonia com o tempo, seja ele qual for, pois o tempo também é obra divina.

Para nós, católicos, agosto é um mês rico em celebrações e espiritualidade. Em seu 15º dia, celebramos a Assunção de Nossa Senhora. Maria, a pura, a bem-aventurada, possuidora de um coração sem manchas, é elevada ao céu. São muitos os santos da Igreja celebrados neste mês, inclusive Santo Agostinho, doutor da Igreja, que tanto nos ensinou sobre Deus. Agosto é também o Mês Vocacional por excelência. Em se tratando de vocações, celebramos em agosto as vocações sacerdotais e religiosas, vocação para o matrimônio, as vocações leigas e, enaltecendo a necessidade de evangelização, a vocação para catequista.

Ainda falando de vocação, celebramos, no segundo domingo de agosto, o “Dia dos Pais”. Aproveitando essa data, a CNBB nos propõe a celebração da “Semana da Família e da vida”: tempo de oração, de comemoração, de fortalecimento dos vínculos familiares em casa, na igreja, na comunidade. Em comunhão com a Diocese de Luz, em 2021 vamos vivenciar essa semana a partir do tema: “Famílias, na escola de São José, lugar do amor e do despertar vocacional.” Oportunidade para refletirmos sobre São José, neste ano a ele dedicado, e aprender com ele a figura do bom pai, do autêntico filho de Deus – homem fiel e obediente –e do esposo dedicado que foi.

 Avante, família!

Ao celebrar a “Semana da família” e elevar a Deus nossa oração, temos muito a pedir! Vivemos tempos difíceis para nós cristãos, que queremos – e precisamos – educar nossos filhos para Deus. O mundo anda tão “coisificado”! Tão necessitado de Deus, que, às vezes, anda tão esquecido, ou até combatido. Os valores a nós oferecidos pelo Mestre Jesus – bondade, amor fraterno, perdão, educação, fé ... –, tão necessários para uma boa convivência, precisam ser ensinados e fortalecidos na família. É aí que tudo começa. É daí que sairão os cidadãos do amanhã. Um amanhã que está aí, diante de nós.

Meu caro leitor, olhemos para nós mesmos, para nossa vida em família. Nosso lar deve ser ambiente de amor, morada de Deus; lugar de boa convivência, de diálogo, de ajuda mútua. Nós, pais e mães, somos responsáveis por fazer florescer na família o bem e a paz. Precisa ser nosso o exemplo da boa convivência para nossos filhos. E o exemplo deles, consequentemente, vai refletir no meio em que vivem. Como diz o Papa Francisco: “O mundo não precisa de palavras vazias, mas de testemunhas convictas, artesãos da paz abertos ao diálogo sem exclusões nem manipulações”.

Portanto, querido irmão, querida irmã em Cristo, neste mês de agosto, e sempre, tomemos consciência de nossa missão na família e na vida em comunidade. Elevemos nossa voz e peçamos a Deus que nos ajude nessa tarefa de “amorizar” o mundo:

Dai-nos, Senhor, a graça de receber, de bom grado, as sementes lançadas por vós. A graça de preparar nossas famílias para que sejam terra fértil para abraçar as sementes, crescer na fé e na alegria e frutificar em boas obras. Concedei-nos, Senhor, a graça de aprender de São José as lições de humildade, de retidão, de fé e de confiança em vós. Ajudai-nos a formar famílias a exemplo da família de Nazaré: lugar de amor, de respeito, de escuta da Palavra, de passos largos nos caminhos traçados por vós, mesmo que sejam de dor e sofrimento. E, neste mundo tão autossuficiente, dai-nos, Senhor, a graça da comunhão, da partilha, da solidariedade, do amor. Vinde, Senhor, moldar o nosso coração e sede para nós e nossas famílias o único e verdadeiro farol a nos guiar os passos. Amém.

luisagarbazza@hotmail.com

Luisa Garbazza

Agosto de 2021


domingo, 25 de julho de 2021

Mais que avós (Republicação)

 


            O dia 26 de julho, dia de Santa Ana e São Joaquim, avós de Jesus, conforme consta na literatura, é dedicado aos avós, de maneira generalizada. Mas, nessa sociedade contemporânea que valoriza ao extremo o culto ao corpo, e ninguém quer envelhecer, é comum vermos avós de quarenta anos, ou até menos, que nem gostam dessa denominação. Por isso costumo pensar nesses santos representando os “velhinhos”.

As imagens que temos de Santa Ana e São Joaquim nos mostram um idoso casal, numa época em que os anciãos eram respeitados pela experiência de vida, pela sabedoria acumulada e transmitida de geração em geração. Os dois já estavam com idade avançada e ainda não tinham filhos, o que era motivo de vergonha entre os judeus. Mas a esperança e a fé em Deus foram mais fortes. Eles não desistiram e, apesar da idade, santa Ana ficou grávida de Maria. Benditos sejam!

Hoje a relação da sociedade com os idosos é bem diferente. Muitos não são cuidados como necessitam, nem amados, nem sequer ouvidos. Com uma valorização abaixo do merecimento, porém dignos de admiração, eles ficam ali, quietos, às vezes até “invisíveis”, com uma aura de nostalgia que a uns enleva e a outros incomoda. Por tudo que viveram e construíram, mesmo que em mínima escala, são merecedores de respeito e veneração. E precisam ser valorizados pelos que nos prestaram. Está tudo ali, assinalado no semblante, na fala cansada, na lentidão, no modo de andar e de agir.

O rosto estampa as marcas de toda uma vida. Em cada ruga, a vida se incumbiu de registrar as dificuldades vividas, os desafios vencidos ou contornados, os conflitos superados. No olhar, por vezes tão distante, pesado – fechando-se durante alguma conversa –, percebe-se a sabedoria adquirida dia a dia durante todos os anos da existência. Bem no fundo dos olhos, é visível a riqueza de pensamentos, de aprendizados e de vivência, disponíveis a qualquer um que se dispuser a ouvi-los. Mesmo que a voz não ajude muito, eles gostam de transmitir seus feitos. Ah!... As histórias dos velhos! Não há quem não aprenda com elas.

Os cabelos, grisalhos ou brancos, são sinais de muita peleja. Em cada fio de cabelo branco está gravada uma lembrança. Todas estão ali acumuladas. Aquelas que se traduziram em plena felicidade e ainda provocam risos e saudades imensas; as que machucaram profundamente e que de vez em quando voltam em forma de lágrimas silenciosas; e as que nem merecem ser lembradas, por serem insignificantes ou por terem sido superadas.

E as mãos? Qualquer olhar consegue perceber a debilidade em que se encontram. Hoje tão pouco requisitadas vão perdendo os movimentos. A pele fina, envelhecida, manchada; alguns dedos encurvados... São traços deixados pelo trabalho – às vezes duro, sob o sol escaldante –, pelas ações solidárias, pela luta na terra. Mas essas mãos, apesar de enfraquecidas, ainda querem ser úteis e estão sempre prontas para abençoar e se unir em oração. É a maneira mais concreta de permanecer em sintonia com Deus.

Aqueles pés fatigados, que andam pouco ou nem isso conseguem, carregam o peso da caminhada, da construção da própria vida, da luta pela sobrevivência, da formação da família, do apoio aos filhos e tantas outras trilhas paralelas que a vida foi lhes reservando.

Por tudo isso, eles precisam ser tratados com amor e ternura. Mais que leis estampadas em um estatuto, muitas vezes sem serem cumpridas, precisamos de práticas de amorização e respeito por essas pessoas que já fizeram tanto por nós e que já escreveram sua página na história da humanidade. Gostaria de que não fosse utopia o desejo de ver nossos idosos ocuparem um lugar privilegiado na sociedade, nas famílias e no coração das pessoas. Assim seria mais fácil conservar alguns valores que fazem tanta diferença na construção de um mundo mais justo, humano e cristão.

Luisa Garbazza 

Publicada originalmente em junho de 2012 

no Jornal Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho

Republicada por ocasião do Primeiro dia internacional dos avós e da pessoa  idosa (25-07-2021), instituído pelo Papa Francisco.

 

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Sentimentos (Bodas de Crizo)

 

Na cadência da vida,

em que meus olhos se viram nos seus,

floresceram luz sonho e alegria

no brilho advindo dos olhos meus.

 

A vida tornou-se esperança:

na chegada, riso e euforia,

aconchego e segurança;

no encontro, sinestesia.

 

Da vida a roda suave

na qual feliz nos embalamos,

do destino tem a chave:

de dois, em quatro nos tornamos.

 

Nos caminhos que trilhamos,

de risos e lágrimas inevitáveis,

os planos e tudo com que sonhamos:

sentimentos duradouros e inefáveis.

 

Trinta e três anos de convivência

–  fragilidade e fortaleza –,

de tudo em nós ficou a essência:

o amor, a maior certeza.

Luisa Garbazza

9 de julho de 2021