sábado, 24 de setembro de 2016

Primavera em cores


Céu azul – sem igual – teto do mundo,
cobre o espaço até onde a vista alcança.
Moldura ímpar, qual pano de fundo
da primavera que traz esperança.

Mais afastada, tão discretamente,
a torre da bela Matriz desponta.
Lembra nossa fé, forte e claramente,
que de tempos esquecidos remonta.

À frente, com graça e delicadeza,
salta aos olhos, preciosa brancura,
que nos deixam assim, embevecidos:

titular de incomparável beleza,  
do ipê, flores de tamanha alvura,
que a Deus nos tornamos agradecidos.

Luisa Garbazza
24 de setembro de 2016
Manhã de primavera na Praça da Matriz

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Perseverança

A humanidade caminhou, por um longo tempo, observando a lei dos mais fortes e poderosos. O povo era escravizado, maltratado, oprimido. Deus, descontente com o rumo que tomava a sua criação, resolve enviar seu próprio filho para salvar a humanidade. Jesus veio ao mundo com uma missão específica: ensinar a lei do amor. E deu, Ele mesmo, o exemplo: amou a todos, inclusive aqueles que o crucificaram. “Perdoai-lhes, ó Pai! Eles não sabem o que fazem.” Depois da morte de Jesus, foi fundado o Cristianismo: uma religião pautada nos ensinamentos do Mestre do amor. São mais de dois mil anos de caminhada, seguindo os passos de quem se entregou pela humanidade. Suas pegadas ainda figuram na poeira do caminho, nos princípios da Igreja, na caminhada do povo.
Depois de Cristo, a sociedade continua muito injusta; e o povo, oprimido. Por isso, ser Cristão não é uma tarefa simples: é um exercício de estudo e paciência, de propagação do amor acima de tudo, de aprendizado para a vida toda: “Aquele que perseverar até o fim será salvo”. Muitos foram os que dedicaram para fazer florescer os ensinamentos de Jesus no meio do povo. Deram o exemplo com a própria vida e partiram em defesa dos mais necessitados. São Francisco de Assis é um dos melhores exemplos de vida cristã em toda a sua essência. Ele viveu na simplicidade, em harmonia com a natureza, ajudando os mais fracos, os doentes, os pobres. Não quis luxo nem glória, viveu na pobreza absoluta e até hoje encanta os que conhecem sua história.
Mas não são apenas os santos dos altares que nos dão testemunho de vida cristã e perseverança: aqui, no meio de nós, muitos são os que se doaram em prol de uma Igreja mais santa, comprometida com Cristo, e de uma sociedade mais justa e solidária. Muitos que, por muito tempo, não mediram esforços para que o amor cristão prevalecesse entre nós, tanto nas atividades da Igreja quanto no acolhimento aos mais necessitados da sociedade. São pessoas do bem, que hoje já não têm a mesma disposição para ajudar efetivamente, mas continuam presentes, participando e intercedendo a Deus pelos que necessitam da sua misericórdia.
Na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Despacho, podemos encontrar esses cristãos que fizeram a sua parte e hoje intercedem por nós. Estão sempre na igreja, dando exemplo de fé e perseverança.
No terceiro ou quarto banco, sempre próximos ao corredor central, doutor João e dona Sylvia. Doutor João, exemplo de homem trabalhador, honesto, comprometido com Jesus; dona Sylvia, exemplo de educadora e de cristã: desde mocinha participa das atividades litúrgicas. Os dois são, além disso, exemplo de casal cristão, comprometido com o amor e com o “sim” dito à frente do altar.
Nos bancos laterais, Antonieta, Ordália e Maria José, mulheres de força, de presença, de trabalho. Atuando na educação e na assistência aos mais necessitados, trabalharam, enquanto tiveram forças, para levar adiante aquilo em que acreditam: o Evangelho de Jesus.
Mais no meio da igreja, senhor Geraldo Freitas, exemplo de solidariedade e ajuda aos pobres e oprimidos. Homem atuante na sociedade e, hoje, sempre presente na igreja, mostrando a todos que será fiel até o fim.
Nos bancos mais de trás, dona Auxiliadora e dona Clarinda, sempre juntinhas. Mulheres educadoras, que deram exemplo de força, de inteligência, mas ao mesmo tempo de simplicidade e fraternidade, sempre se colocando na presença de Deus. Hoje, já debilitadas fisicamente, uma se apoiando na outra em uma bonita fraternidade, continuam encantando a todos. Emociono-me ao vê-las na igreja, principalmente no segundo domingo, quando fazem questão, a despeito de qualquer dificuldade, de entrar na fila e ir até o altar fazer a oferta do dízimo. Isso tudo, exibindo um sorriso que serve de exemplo para todos nós.
Esses e tantos outros, às vezes desconhecidos, que tanto fizeram, merecem nosso carinho e nossa admiração. Merecem nossa gratidão por sua parcela na construção de um mundo mais cristão. Merecem nosso respeito, pois são exemplos de fé, de amor, de caridade e de perseverança: “Lembras que abres caminho e outros te seguirão.”

Luisa Garbazza

Publicação do jornal "Paróquia N. S. do Bom Despacho
Setembro de 2016

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Evangelho do amor

     Compadecido com o sofrimento do seu povo, Deus enviou seu filho ao mundo para a redenção da humanidade. Jesus deu exemplo de obediência, sabedoria, força e misericórdia. Durante sua vida pública – curta, porém muito fértil –, Jesus pregou o evangelho do amor, em que prevalece o amor a Deus e ao próximo, a obediência e a humildade, a misericórdia e a fé incondicional. E, no final de sua vida terrena, pediu aos discípulos que imitassem seus passos e ensinassem seu evangelho a todas as criaturas.
     A primeira que absorveu os ensinamentos de Jesus e os adotou para si foi a Virgem Maria. Ela, que foi a escolhida para ser a mãe do Salvador, cumpriu seu papel com fidelidade, apesar das dores e sofrimentos que essa missão lhe custou. Depois da morte de seu filho, Maria juntou-se aos apóstolos para ajudá-los a espalhar a boa nova do Ressuscitado. A mãe de Jesus, que, aos pés da cruz, tornou-se “Mãe da Humanidade”, ajudou a difundir o evangelho de seu filho pregando a máxima do “Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado”. Pela obediência a Deus e pela vida de santidade, Maria foi coroada “Rainha do Céu e da Terra”. Por isso, está sempre atenta, ouvindo nossas preces, intercedendo por nós. Com uma riqueza de títulos, invocados em todos os cantos do mundo, Maria é o nosso perpétuo socorro, nos momentos de aflição, e nossa glória nos momentos de ação de graças.
     Nesse sentido, a história da humanidade depois de Cristo, é permeada pela presença de homens e mulheres de bem que doaram a vida em favor dos mais necessitados, pobres e oprimidos. Viveram fielmente os ensinamentos de Jesus, alcançaram graça diante de Deus e dos homens e foram declarados santos. Hoje, vivem em nossos altares e intercedem por nós. São os nossos santos de devoção. 
     Nos tempos atuais, temos o privilégio de vivenciar o processo de beatificação e canonização de vários santos. São filhos e filhas de Deus que se entregaram à prática do bem e à vida de simplicidade ensinada pelo Mestre Jesus. São os que conseguiram viver com mansidão e humildade de coração. Para merecer essa glória, além da vida de santidade, a Igreja aguarda a comprovação de um milagre recebido por tal intercessão. Isso mostra que realmente a pessoa está em estado de graças diante de Deus.
     Neste mês de setembro, temos a alegria de ver declarada santa a missionária Madre Teresa de Calcutá. Ela, que nasceu em 1910 em Skopje, território albanês, atualmente capital da Macedônia, e morreu em 1997 em Calcutá, na Índia, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1979 por sua atuação missionária. Em sua peregrinação por esse mundo, fez de sua vida uma completa doação e ia a toda parte para servir Cristo nos mais pobres e oprimidos, nos doentes e esquecidos, nos feridos e abandonados. 
     A missionária Madre Teresa nos deixou, além de seu exemplo de vida santa, muitas palavras que nos levam a meditar sobre o sentido da vida. Todas nos ajudam a perceber que estamos neste mundo para fazer o bem com alegria e confiança no Todo-poderoso. Como exemplo: “A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração.” 
     Madre Teresa de Calcutá será canonizada no dia 4 de setembro de 2016. O Papa Francisco aprovou o milagre – cura inexplicável de um homem em Santos (SP), em meados de 2008 – atribuído à intercessão da madre, beatificada por São João Paulo II em 2003. Será mais uma santa em nossos altares. 
     Aproveitemos o exemplo de Maria – e dos santos e santas de Deus – para direcionar nossos passos. Seja qual for nossa caminhada, o que importa é viver como irmãos, com simplicidade, humildade, misericórdia, buscando as coisas do alto e espalhando paz, amor e fé por onde andarmos.

Luisa Garbazza
Publicação do Informativo Igreja Viva
Paróquia N. S. do Rosário - setembro de 2016

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Igreja em saída

Cristo veio ao mundo com uma missão específica: trazer a sua boa nova e pedir que ela seja anunciada a toda criatura. A boa nova por Ele apregoada tem como principal objetivo conscientizar as pessoas do direito à vida plena que todo ser humano possui: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância".
Mas o homem, ser imperfeito e com ideias egoístas, às vezes se esquece dessas palavras do Mestre Jesus. Então a humanidade vai sendo dividida de diversas maneiras, deixando milhões à margem da sociedade. A Igreja Católica, imbuída do dever de propagar a boa nova de Cristo, está sempre lutando contra atitudes que menosprezam o povo de Deus, qualquer que seja a razão. O Papa Francisco, que responde atualmente pela Igreja, está sempre pedindo que estejamos mais atentos ao irmão necessitado e sofredor, àquele discriminado, que, às vezes, fica sem condições até mesmo de frequentar a igreja. O papa pede uma “Igreja em saída”, que vai ao encontro do irmão e vê nele o rosto de Cristo.
Uma das formas que muitas paróquias adotam para atender a esse apelo do papa é o acolhimento das comunidades mais distantes com a celebração da Santa Missa nas casas. Aqui, na Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho, são várias as comunidades que têm esse privilégio. Por várias vezes, tive a oportunidade de acompanhar essas celebrações. São momentos de fraternidade e evangelização. A última de que participamos, o Flávio e eu, foi no Bairro de Fátima, na casa da dona Marta, na recém-criada Comunidade dos Pastorinhos, em referência a São Francisco e Santa Jacinta.
Chegamos à rua um pouco antes do horário e avistamos o celebrante, padre Mundinho, que também chegava naquele momento. Um ajuntamento de pessoas indicava o local da celebração. Fomos nos aproximando, fazendo parte da turma e cumprimentando as pessoas: umas do nosso convívio, outras que conhecemos de vista, a maioria desconhecida. Mas ali, reunidos em nome de Cristo, isso não faz a menor diferença, somos todos irmãos, filhos de Deus, reunidos pelo mesmo propósito: celebrar o sacrifício de Jesus. Estamos em família, portanto.
O ambiente para a celebração fora organizado na varanda da casa, bem ao lado da calçada. Já havia um bom número de pessoas, que se acomodaram nas cadeiras. Outras mais foram chegando e se ajeitando em pé, aqui e ali, onde dava para se acomodar. Algumas ficaram do lado de fora, paralelas ao muro que, por não ser tão alto, permitia a visão. Outras ainda ficaram em frente ao portão, de onde dava para ver o altar. Uma menina anotava os nomes para as intenções da Santa Missa. A equipe de canto, incluindo um sanfoneiro, estava a postos. O padre no altar indicava: tudo pronto para a celebração.
É aí que podemos perceber um verdadeiro milagre: aquela pequena varanda, que foi acolhendo cada um que chegava, agigantou-se e transformou-se em um belo templo. A pequena mesa, ornada com tanto carinho, é agora um lindo altar, pronto para receber o “Corpo de Cristo”. O espaço reduzido, forçando a proximidade das pessoas, fez-nos perceber o quanto somos iguais perante Deus. Com simplicidade, participamos dos ritos iniciais e da mesa da palavra, ouvimos a fala do Padre Mundinho, fizemos nossas preces e nos recolhemos, ainda mais, para a oração eucarística. Não foi difícil sentir que, naquele espaço ora sagrado, Jesus se fez presente e, com certeza, alegrou-se com a presença de tantas pessoas professando a fé no Deus vivo e verdadeiro. No final, um sorteio para ver qual família acolherá a comunidade em agosto, para a próxima celebração.
Muitas são as impressões que ficam: a generosidade de quem abre as portas de sua casa para acolher a comunidade; a beleza do encontro; a gratuidade dos olhares que acolhem e dos sorrisos que aprovam a presença; a mão estendida para cumprimentar quem chega; o companheirismo de quem sede o lugar para os mais velhos se acomodarem; a proximidade com o sacerdote, tão necessária ao pode carente de Deus; a confirmação da fé, nossa e dos irmãos; a certeza de que estamos no caminho certo.
Deus seja louvado através dessa “Igreja em saída” que se torna cada vez mais real em nossa paróquia.

Luisa Garbazza
Agosto de 2015
Publicação do jornal "Paróquia N. S. do Bom Despacho" 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

“Tu és sacerdote para sempre”

A Igreja Católica reserva uma data especial para homenagear os sacerdotes: dia quatro de agosto é o Dia do Padre, homem escolhido por Deus para continuar a obra de Jesus: anunciar o evangelho a toda criatura. e o primeiro domingo de agosto, reservado às vocações sacerdotais.
Em seu tempo de missão, aqui na terra, Jesus quis contar com a ajuda de “homens de boa vontade” para ajudá-lo na difícil missão de humanizar o coração endurecido dos homens e fazer com que vivessem com um pouco mais de amor e misericórdia. Quando começou seu ministério, Jesus foi chamando aqueles que encontrava pelo caminho, conforme nos relata São Mateus: “Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. E disse-lhes: Vinde após mim e vos farei pescadores de homens.” (Mt 4,18;19) E muitos foram os que ouviram esse chamado de Jesus e começaram a segui-lo.
Jesus, então, sentiu necessidade de escolher alguns daqueles homens para segui-lo mais de perto. Assim poderia instruí-los sobre sua verdadeira missão. Mas como escolher alguns entre tantos que o seguiam? Jesus rezou e pediu ajuda ao Pai para orientá-lo nessa escolha. Vejamos o que diz São Lucas: “Naqueles dias, Jesus retirou-se a uma montanha para rezar, e passou aí toda a noite orando a Deus. Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles que chamou de apóstolos: Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro; André, seu irmão; Tiago, João, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Simão, chamado Zelador; Judas, irmão de Tiago; e Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor.” (Lc 6,12-16)
Esses doze acompanharam o Mestre e ouviram suas palavras. Depois de ressuscitado, Jesus os enviou em missão pedindo que continuassem fazendo tudo o que aprenderam com ele: “Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós. Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.” (Jo 20,21-23)
         Os escolhidos de Jesus foram os primeiros sacerdotes da história. Entretanto, a Pedro Jesus deu uma missão maior: ele foi seu principal representante entre nós, portanto, o primeiro papa: “Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros.” (Jo 21,15) E ainda: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt 16,18)
         Hoje, muitos são os que ainda acreditam nas palavras de Jesus – “Vinde após mim e vos farei pescadores de homens” – e aceitam o convite para segui-lo mais de perto: são os nossos sacerdotes, homens que renunciam à própria vida para viver a vida de muitos e plantar sementes de amor, paz e misericórdia no meio de nós. São homens cheios da graça de Deus; homens consagrados para levar o nome de Jesus a todos os viventes, elevar seu nome nas alturas e proclamar: “Verdadeiramente este é o filho de Deus”.
Neste Dia do Padre, queremos homenagear nossos sacerdotes e deixar nosso carinho e nossa gratidão a cada um deles: Muito obrigada, queridos sacerdotes, pela presença efetiva no meio de nós, pois sabemos que nem sempre é fácil. Obrigada por amenizar nossas carências, nossa sede de Deus, pois, como representantes de Cristo, são o que temos de mais palpável, de mais próximo do divino.
Deus seja louvado em cada sacerdote que abraça a cruz de Jesus e a ela é fiel até o fim. Que seja abençoado pelo Pai, rico em misericórdia, todos os dias de sua vida.

Luisa Garbazza
Agosto de 2016

Publicação do Informativo Igreja Viva 
 Paróquia N. S. do Rosário

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Rua e poesia

 Julho é mês de magia:
férias e alegria.
De repente...
O dia nasceu diferente.
Temos um bom motivo para sorrir:
a rua deixou-se cobrir.
As cores todas se uniram
e o vasto céu invadiram.
O azul tornou-se matizado,
envolvente , enfeitado.
O ambiente saiu do normal,
qual as ruas de Águeda em Portugal.
A rua ganhou mais vida, mais emoção.
É olhar para o alto e voltar a ser criança,
entrar na dança das cores e deixar à larga o coração.
A caminhada torna-se mais leve;
O tempo, muito breve.
O andar torna-se bem vagaroso;
o dia a dia, mais gostoso.
Os olhos acompanham das bandeirinhas o bailado,
a tristeza é posta de lado.
As horas têm sabor de mel:
música e poesia nos ares da Dr. Miguel.
Luisa Garbazza
15 de julho de 2016

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Ato de gratidão

Neste mundo, vasto e diversificado, somos convidados – através das palavras do Mestre Jesus – a nos amar uns aos outros, pois somos todos filhos de Deus, irmãos, portanto. Na caminhada de uma vida inteira, temos muitas oportunidades, e maneiras distintas, de demonstrar nosso amor ao irmão e ao Criador. Uma delas é a gratidão. Nossa gratidão ao Todo-Poderoso pode ser confirmada em forma de louvores, de ação de graças e, de forma muito especial, devolvendo a Deus o que é de Deus através do dízimo. O dízimo é a maior e mais concreta forma de gratidão a quem nos deu tudo que temos e construímos.
Entender o real significado do dízimo faz parte do crescimento espiritual de todo cristão. Na Bíblia temos várias passagens sobre essa forma de amor ao Pai. Já no livro de Gênesis, bem no início da história do povo de Deus, encontramos Abraão que, em sua sabedoria, devolvia seu dízimo e bendizia a Deus: “E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou seus inimigos em suas mãos. E Abrão lhe deu o dízimo de tudo.” (Gn 14,20).
No livro do Eclesiástico, percebemos que, mais que devolver o dízimo, pois ele pertence a Deus, devemos fazê-lo com o coração aberto, cheio de alegria, certos de que estamos fazendo algo agradável a Deus e que certamente nosso ato será digno de reconhecimento: “Dá glória a Deus de bom coração e nada suprimas das primícias (do produto) de tuas mãos. Faze todas as tuas oferendas com um rosto alegre, consagra os dízimos com alegria. Dá ao Altíssimo conforme te foi dado por ele, dá de bom coração de acordo com o que tuas mãos ganharam, pois o Senhor retribui a dádiva, e recompensar-te-á tudo sete vezes mais”. (Eclo 35,11-13)
O valor arrecadado com o dízimo é empregado para custear todas as despesas da paróquia, que não são poucas, inclusive para as despesas com os sacerdotes – dever do cristão, como nos ensina São Paulo: “Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que servem ao altar, participam do altar? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho.” (1 Cor 9,13-14)
Quando entendemos que o Dízimo é um gesto de amor a Deus, pois estamos contribuindo para que seu nome seja engrandecido e o Evangelho de Cristo seja levado a um crescente número de pessoas, passamos a devolvê-lo com o coração aberto e a alma feliz e agradecida: “Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria.” (2 Cor 9,7)
Em nossa paróquia, o segundo domingo de cada mês é o “Dia do Dízimo”. Estamos fazendo na Igreja Matriz, como acontece em várias comunidades, a experiência da caminhada para a entrega do nosso dízimo. É um ato carregado de significado. Temos a oportunidade de nos levantar e nos dirigir até o altar para entregar nossa oferta. Vamos nos aproximar e dizer a Deus: Eis aqui, Senhor, minha contribuição. Esse é um pouco de tudo que me deste que venho devolver. Eu quero me comprometer com a expansão do Evangelho. Eis, senhor, minha gratidão por tudo que recebo de Vós todos os dias de minha existência. Recebe, Senhor, meu dízimo, que trago com toda a alegria. Amém.
Está sendo gratificante perceber as pessoas se aproximar, olhar-nos nos olhos e dirigir-nos um sorriso, como se dissessem: “Eu sou dizimista e faço questão de sair do meu lugar e vir até o altar para oferecê-lo a Deus.” Devolver o sorriso também é um ato de gratidão a Deus por todos aqueles que confiam em suas palavras. Se você ainda não fez essa experiência, aproveite o próximo segundo domingo e verá como a alma fica mais leve quando estamos em sintonia com Deus.
Luisa Garbazza
Publicação do jornal "Paróquia N. S. do Bom Despacho
julho de 2016