sexta-feira, 27 de maio de 2016

Cristo está no meio de nós!



Cristo está no meio de nós!
Foi Ele mesmo quem disse: “Eis que estarei convosco todos os dias até os fins dos tempos.”
Hoje, porém, Dia de Corpus Christi, Ele esteve mais presente ainda:
Presente em cada pessoa que, bem cedo, deixou o lar, quentinho e confortável, para enfrentar o frio e a ventania na Praça da Matriz e preparar os caminhos do Senhor. Incansáveis, não faltou aos irmãos esforço, criatividade, doação, partilha, acolhida, alegria... O fruto do trabalho não poderia ser diferente: belíssimos tapetes, dignos de quem irá caminhar por eles: Jesus Eucarístico.
Presente naqueles que prepararam lindamente o ambiente litúrgico e participaram da celebração, rezando e prestando louvores a Jesus, nosso Salvador.
Presente na caminhada do povo de Deus, juntamente com os sacerdotes que conduziam o Corpo de Cristo pelas ruas, pedindo que nos abençoe e abençoe igualmente nossa paróquia, nossa cidade, o mundo inteiro.
Presente em cada oração, nos louvores, nas bênçãos, nas mãos estendidas, no sacerdote que eleva o Corpo de Cristo, nos olhares que o contemplam e no pedido da alma: Fica conosco, Senhor!
Presente no sol, que, no final de mais um círculo, empresta seus últimos raios para iluminar a chegada da procissão. Em uma cena digna de uma aquarela, o brilho do sol refletido no ostensório transforma Jesus Eucarístico em um Corpo de Luz: presente para os olhos e carinho para a alma.
Obrigada, Senhor, por esses momentos de fé e de certeza de que realmente está no meio de nós. Essa confiança faz valer a correria, os obstáculos, as dificuldades, o cansaço.
Fazei, Senhor, que conservemos em nosso coração o amor incondicional à Sagrada Eucaristia e a pertença à sua Igreja, santa e pecadora, mas fiel aos vossos ensinamentos.
Amém.
Luisa Garbazza
26 de maio e 2016


sábado, 14 de maio de 2016

Doce Maria


Como é doce, ó Maria,
ver sua face tão amada,
sua fronte coroada,
sua essência venerada,
santidade acreditada,
vê-la coberta de luz.


Doce é saber, ó Maria,
que também eu sou amada,
no céu por vós esperada,
então serei abraçada,
de braço dado levada
ao vosso filho: Jesus.

Luisa Garbazza
14 de maio de 2016

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Com minha Mãe estarei

Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento
 - Capela Visão Sacramentina - Manhumirim -
Foto - Matheus Garbazza
Mês de maio sempre chega com uma aura diferente: é o mês dedicado a Maria. Entre os títulos de Maria, celebrados neste mês, estão Nossa Senhora de Fátima – dia 13 –, Nossa Senhora da visitação e Nossa Senhora Medianeira de todas as Graças – ambas no dia 31. Mas para nós da Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho, que temos a honra da presença dos Missionários Sacramentinos, duas datas são celebradas com maior ardor: Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento – dia 13 – e a padroeira, Nossa Senhora do Bom Despacho, dia 31. Para todos nós, cristãos católicos, no entanto, não importa o título de Maria; importa, sim, o olhar de fé que dirigimos à doce mãe de Jesus, que também é nossa mãe.
Maria é, para mim, o exemplo mais sublime de brandura e suavidade e, ao mesmo tempo, de força e fé. Olho para Maria e vejo tanta doçura quanto minha mente é capaz de conceber. Sei que sou frágil e pequena para percebê-la em sua totalidade. Então sinto mais ternura ainda, por esta que deu à luz o filho de Deus e, pela imensidão do seu amor, abraçou o mundo.
Maria é assim: “formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como o exército em ordem de batalha”. Ela nos defende de todo o perigo; olha-nos com olhar maternal e está sempre pronta a ouvir nossos rogos, aceitar nossos pedidos e levá-los a Jesus. Ela é, com certeza, nossa maior conexão com o Salvador.
Nossa Mãe do céu, digna de tantos títulos e tantos predicativos, é também chamada de “Porta do Céu”. Creio sinceramente nisso. Às vezes, quando paro para rezar, surpreendo-me a imaginar que estou chegando ao céu. Visualizo apenas uma porta aberta e um grande corredor: um lugar tranquilo, limpo e muito claro. Assim que alcanço a porta, Maria aparece: linda e suave; roupas leves, claras e compridas; um véu comprido adornando suas faces angelicais. Sinto-a aproximar, convidar-me a entrar. Então ela me toma pela mão e me conduz, sem pressa, para o momento mais sublime de minha existência: ver Jesus face a face. Meus pensamentos, entretanto, não conseguem ir além do corredor branco que inunda minha mente... Sei que isso são apenas devaneios sentidos nos momentos de contemplação, mas é nisso que acredito: verei Jesus de braço dado com Maria.
Assim acreditando, durante nossa caminhada terrena, lembremo-nos sempre de que temos uma intercessora no céu. Nos momentos de dificuldade e desânimo, recordemos daquela menina que um dia trouxe Jesus ao mundo. Ela que também passou por ocasiões de extremo sofrimento e, por amor a Deus, tudo superou, para que se cumprisse a palavra divina. Por isso, nos momentos em que a força humana falhar, invoquemos a bem-aventurada e cantemos, com fé e confiança: “Com minha Mãe estarei na santa glória um dia; junto à Virgem Maria, no Céu triunfarei”.

Enquanto caminharmos nesta terra, procuremos seguir o exemplo de Maria, que fez da vida uma oblação: passou tantas provações, “guardou todas essas coisas em seu coração” e fez tudo o que prometeu um dia: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a sua palavra”.  Com esses pensamentos, aproveitemos o mês de maio para louvar Nossa Senhora, colocá-la em nossos altares, coroá-la e venerá-la como Rainha do céu e da terra.
Luisa Garbazza

Publicação do Jornal Paróquia N. S. do Bom Despacho
Maio de 2016

domingo, 8 de maio de 2016

Oração a Maria, a Mãe das mães


Oh! Doce Maria, rainha do céu e da terra, a vós me dirijo em suplica e oração:
Vós que sois a Mãe de Deus e dos homens, dirigi um olhar favorável a todos nós, vossos filhos e filhas, em especial, neste mês de maio, a todas as mães.
Vós que ouvistes a voz do anjo, acreditastes e vos entregastes, de corpo e alma, à sublime missão da maternidade, concedei a todas as mulheres a graça de aceitar com amor os filhos que Deus lhes conceder. Que nenhum se perca por mãos humanas, pela maldade ou falta de fé.
Vós, Maria, que educastes Jesus na fé, concedei às mães a graça da confiança total em Deus. Que sejam capazes de conduzir os filhos pelos mesmos caminhos que trilhastes, para que, também eles, possam crescer “em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens”. (Lc 2, 52)
Que nós, mães, sejamos capazes, ó Maria, de imitar vossos passos e atitudes para cumprir com louvor essa missão tão sublime. Assim como vós, saibamos enfrentar todos os obstáculos sem desanimar e, diante dos desafios, colocar a fé em primeiro lugar e “guardar todas estas palavras, meditando-as no coração. (Lc 2,19)
Ensinai-nos, Mãe do Céu, a viver sempre em harmonia convosco, pedindo a vossa intercessão para nós mesmas, para nossos filhos e para todos os vossos filhos no mundo inteiro. Abri o nosso coração para que entendamos, como vós entendestes, a força da oração, da necessidade de estarmos sempre em sintonia com o nosso “Pai do Céu”. É a Ele que devemos entregar, cada dia, nossas alegrias, tristezas, dúvidas, incertezas e, principalmente, todo o bem que fizermos. É a Ele também que devemos pedir que aumente a nossa fé e nos dê forças para viver, no amor, mais um dia,  e outro, e outro...
Maria, minha boa mãe, peço por todas as mães. Dai a cada uma a graça de experimentar a vossa doçura, o vosso amor sublime, o vosso olhar terno, a vossa disponibilidade, o vosso amor sem medidas e sem limites. Assim poderão transmitir aos filhos a alegria de serem filhos de Deus, de terem uma mãe aqui na terra e de possuírem uma mãe de candura no céu.
Maria, medianeira de todas as graças, orientai todas as mães, para que saibam acolher os seus filhos no ventre, conduzir-lhes os passos, ajudá-los a amadurecer na fé e orientá-los nos caminhos da vida.
Neste Dia das Mães, ó Maria, sede a alegria das mães que comemoram, que são abraçadas, beijadas e sentem a plenitude da maternidade traduzida em sorrisos e em lágrimas de felicidades.
Mas, acima de tudo, sede o consolo das mães que se entristecem pela ausência dos filhos que se encontram distantes ou que já se foram desta vida. Sede o socorro para esses corações sofridos, banhados pelas lágrimas da saudade, da tristeza, da solidão. Sede o alento e a paz para essas mães solitárias.
Recebei, Maria, minha oração e, pela graça de Deus, transformai-a em bênçãos e graças para todas as mães. Que possamos ser, cada vez mais, colaboradoras do Criador nessa missão de formar novos cristãos e fazer das famílias lugar de morada do Espírito Santo.
Amém.
Luisa Garbazza

Publicação do Informativo Igreja Viva
Paróquia N. S. do Rosário
Maio de 2016

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Limites



Ao nos vermos assim limitados, sem a plenitude da liberdade,
sentimo-nos tão restritos, percebemos o valor dos passos.
Quando o ir e vir é tão difícil, tolhendo-nos a tranquilidade,
precisamos nos aquietar, procurar novos compassos.

A mente nos pede: ande!
O corpo direciona: movimente!
A disposição dita: trabalhe!
Mas o pé manda: sossegue!

O corpo sossega, mas a alma flutua.
Os pés se aquietam, mas o coração pulsa.
O corpo aceita, espera, não tumultua.
Os pés quedam-se e o pensamento impulsa:

Na impossibilidade, buscar da fé a amplitude.
Na resignação, encontrar a paz da alma.
Na inquietação, buscar do espírito a quietude.
Na aceitação, encontrar a fé que acalma.
Luisa Garbazza
15 de abril de 2016

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Faça-se a luz

A Igreja Católica é uma instituição milenar. Quase dois mil anos se passaram desde que o próprio Cristo a instituiu. Conduzida por mãos humanas, durante todo esse tempo, ela cresceu, errou algumas vezes e acertou outras tantas, foi combatida, mas segue firme no propósito da evangelização e na pregação do direito à vida plena para todos.
Com esse intuito, a Igreja foi criando, além da Celebração da Eucaristia instituída por Jesus – ponto máximo da nossa fé –, sacramentais, hinos, tríduos, novenas, ofícios e outras manifestações que nos elevam a Deus. Algumas ficaram quase esquecidas, como o “Ofício das Trevas”, que o padre Cristiano teve o carinho de revivificar na Semana Santa de 2016. Foi uma fantástica experiência de oração da qual tive o prazer de participar.
Quinta-feira Santa. Aproximei-me da igreja às 23h28. As luzes apagadas e o silêncio convidavam ao recolhimento e a um encontro mais profundo com o Criador. Entrei vagarosamente, percebendo a presença de dezenas de fiéis que ali se encontravam. As velas, no altar e em um grande candelabro triangular, quebravam o rigor das trevas. A procissão de entrada marcou o início da celebração. O sacerdote e a equipe de celebração foi se adiantando pelo corredor da igreja, sem luz, sem alarde, sem hinos: apenas trevas e o som dos passos que se aproximavam do altar.
Padre Cristiano começou a celebração entoando um belíssimo hino, com voz clara e em um tom mais baixo e suave, mas que inundou a igreja, penetrou no coração e nos sentidos e preencheu a alma de todos os que a escutavam. Seguiu-se a cerimônia com cânticos, salmos, preces e leituras que nos transportavam no tempo e nos faziam meditar a caminhada de fé do povo de Deus. A cada hino, apagava-se uma vela. As palavras proferidas e a melodia dos hinos nos tocavam repetidamente o coração e a alma e faziam-nos meditar sobre a nossa própria caminhada.
Com o desenrolar da cerimônia, e as velas quase todas apagadas, a igreja foi ficando cada vez mais escura, lembrando-nos a solidão de Jesus nos momentos que antecederam sua paixão e morte: aquela noite escura, a traição, a prisão, o abandono, a injustiça, a condenação, a dor, a crucificação. Momentos difíceis, banhados a sangue, que marcaram os últimos momentos de vida terrena do Mestre Galileu.

O final, quando não havia mais velas acesas e a penumbra inundou o templo sagrado, deixou-nos com a alma leve e em paz. Mais ainda, veio nos lembrar de nossa responsabilidade com a expansão do Evangelho. Se Cristo viveu tudo isso por nós, temos a obrigação de fazer a nossa parte para que isso tudo não tenha sido em vão. Precisamos mostrar o rosto de Jesus ao mundo através de nossas atitudes, de nosso comprometimento, de nossa vida. Assim não haverá mais trevas: apenas a luz do ressuscitado pairando sobre cada um de nós.
Luisa Garbazza

Para o Informativo Igreja Viva
Abril de 2016

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Povo que reza

Em toda a história do povo de Deus, encontramos passagens que relatam os momentos de encontro com o Criador através da oração. Muitas vezes, os líderes e profetas subiam até o alto dos montes para se sentirem mais próximos do Senhor e escutar sua voz, conforme fez Moisés e Abraão.
Também Jesus nutria o costume de subir ao alto da montanha para rezar e dirigir ao povo seus ensinamentos. Outras vezes, retirava-se para um lugar isolado e direcionava ao Pai suas súplicas. Com Jesus aprendemos a força da oração. Foi Ele mesmo quem nos disse que “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”. (Mateus 18:20). Ou, “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho”. (João 14:13). E ainda, “Pedi, e vos será concedido; buscai, e encontrareis; batei, e a porta será aberta para vós”. (Mateus 7:7).
Hoje temos os templos, erguidos em honra a Deus e aos santos, que nos acolhem para os momentos de oração. Em nossa paróquia, além dos momentos celebrativos, a igreja permanece aberta, durante todo o dia, para receber os cristãos, de todos os cantos da cidade, que sobem as escadas, como se subissem o monte para ficar mais perto de Deus, e aqui vêm fazer suas orações. Jesus está ali, no sacrário, dia e noite, “esperando que cheguem as almas ansiosas, ferventes, para o visitar”.
A procura é tanta que, durante todo o dia, todos os dias da semana, a igreja nunca fica completamente vazia. É interessante observar o vai e vem que marca a presença da Igreja viva, formada pelos filhos e filhas de Deus. De vez em quando, aproveito a oportunidade para observar, de forma mais sistemática, a presença das pessoas na Igreja Matriz.
Há os que passam apressadamente: quase que atravessam apenas de uma porta a outra, com uma paradinha de alguns segundos para cumprimentar Jesus. E os que se sentam no último banco e olham de longe, cientes de que dali também serão ouvidos.
Há aqueles que se aproximam do altar, levantam os braços, abaixam a cabeça e deixam que fale o coração. Alguns caminham até a frente, sobem os degraus para alcançar o presbitério, aproximam-se do sacrário e ali, diante do Santíssimo Sacramento, ajoelham-se em oração.
Houve um rapaz, jovem ainda, que entrou, andou vagarosamente até o altar, subiu os degraus e, em atitude de entrega, prostrou-se literalmente diante do sacrário, com a testa encostada no chão e os braços estendidos. Permaneceu assim, silencioso e inerte, por alguns minutos. Depois levantou-se e seguiu seu caminho.
Entrou em seguida uma menina – quinze anos talvez – e ajoelhou-se em um dos bancos, mais à frente. Em instantes, a oração ficou mais visível. A impressão que se tinha é de que ela estava em outra dimensão, tamanha sua concentração: rezava movimentando os lábios, batia as mãos no peito, depois as juntava em preces, elevava as mãos postas, balançava a cabeça positivamente, depois se aquietava. Repetiu esses gestos algumas vezes e, parecendo convicta da eficácia de sua oração, retirou-se sem pressa.
Havia várias pessoas rezando, quando entrou um senhor. Seguindo em silêncio, ajoelhou-se no primeiro banco, elevou os braços – e com certeza a mente e o coração – e começou a rezar em alta voz. As pessoas dirigiram-lhe o olhar, sem fazer alarde. Ele continuou, sem se intimidar – ou até mesmo sem perceber. Com sua voz clara e fervorosa, rezou todo o terço mariano. Terminada sua oração, inclinou-se piedosamente e levantou-se, retirando-se do lugar sagrado.
Naquele instante, também me retirei. Não sem antes fazer minhas orações e pedir a misericórdia de Deus para esse povo que sofre, que reza, implora, bate no peito, suplica, verbaliza suas orações e sai dali com a alma aliviada. Cada um leva consigo a certeza de que não está sozinho e pode contar sempre com a presença de um Deus que é Pai, rico em misericórdia e perdão.
Aos poucos vamos aprendendo que o sofrimento é sempre um bem para a alma e a oração é a maior arma que temos para atravessar as intempéries da vida sem perder a fé e a confiança em Deus.  
 Luisa Garbazza

Publicação do Jornal Paróquia N. S. do Bom Despacho
Abril de 2016