segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Deus aí está!




O ano vai chegando ao fim.
A Igreja vive o Advento, tempo que vem nos lembrar da chegada de Jesus.
Jesus, o filho de Deus, quer nascer no coração de cada homem de boa vontade.
E, em todos os lugares, há alguém que espera ansiosamente pelo Natal.
Cada um à sua maneira, todos vivem essa época de alvoroço e euforia.
Há os que acreditam piamente no Deus menino;
há os que duvidam dessa verdade e ficam alheios.
Há os que se alegram com a chegada de Deus entre nós;
         há os que, carregados de nostalgia, apenas suportam os dias festivos.
Há os que se contentam com os bens materiais, aos montes, em forma de presentes;
há os fiéis que se encontram e têm acesso ao conforto das igrejas;
         e há os que se confortam com a falta de quase tudo.
São justamente esses, que tocam o coração da gente: os que nada têm de material;  os que vivem no limite da pobreza, em um mundo tão diferente do nosso!
Estão sempre à espera de alguém que lhes ensine alguma coisa. Têm sede de saber, de amizade, sede de Deus.
É fácil compreender a humanidade contida em cada um, a ânsia com que buscam o alimento espiritual.
É só contemplar esses olhos atentos que dirigem ao padre um olhar de intensa profundidade! Observam-no e acompanham o gesto das mãos que acendem a vela. Abrem olhos, ouvidos e, bem de perto, quase em êxtase, sorvem as palavras proferidas.
É só perceber, com emoção, as mãos levantadas em preces e os olhares que buscam no alto algo que denuncie a presença concreta de Deus.
É só olhar e sentir que não estão sozinhos. Emana daquele lugar algo maior, impossível de se entender em sua completude.
É Deus presente em cada detalhe, em cada presença: no olhar, nas mãos, no coração, nos gestos, na obediência, na fé de cada um.
Ali, na simplicidade daqueles altares e no aconchego precário daquelas “igrejas”, o filho de Deus vai renascer, da forma mais sublime que se possa imaginar, por causa da pureza dos corações que se encantam com o sagrado.
Quisera ver e sentir esse olhar penetrante e esse ardor em todas as igrejas, em cada cristão.
Tomara cada um de nós possa sentir, de maneira mais profunda, a presença de Deus em nossa vida. Nestes dias, especialmente. Assim poderemos viver o Natal com intensidade tamanha que o amor prevaleça, que as mãos se encontrem e que o mundo cante uma só canção: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade.”
                                                  

                                          Luisa Garbazza
                                     15 de dezembro de 2014
      Fotos postadas no Facebook pelo Padre Renato Dutra - Angola - África
             



    


domingo, 14 de dezembro de 2014

Maria – a mãe de Jesus



O calendário estampa dezembro: o último mês do ano. Dois mil e catorze está vivendo seus últimos dias. Começa a movimentação típica de final de ano. A Igreja católica, mais uma vez, se veste com as cores do Advento. O povo cristão se reúne, reza, prepara-se espiritualmente para a chegada do esperado Messias. Jesus, adorado e glorificado, vem presentear a humanidade com uma primavera de graças que nos conduz à salvação eterna. Entretanto, neste momento, dirijo meus olhos sobretudo para uma mulher: Maria, a filha, a esposa, a mãe do filho de Deus.
Ao contemplar Maria, vislumbro uma menina inocente, que se prepara para desposar José, o carpinteiro. Certamente, com a cabeça cheia de sonhos, nem imaginava o que Deus tinha reservado para ela. Posso divisar a expressão de sua face ao ouvir as palavras do anjo conferindo-lhe um papel de tamanha importância na história do povo de Deus. Mas não consigo mensurar a dimensão da fé, da coragem e da segurança de Maria ao responder, cheia de convicção, aquele sim tão sincero e colocar-se como serva: “Faça-se em mim segundo a vossa vontade”. Com certeza, nem ela mesma sabia o que a esperava daquele momento em diante. Mesmo assim, entregou-se toda, corpo, alma e espírito, àquela missão que lhe fora confiada. Teria outra vida agora. Os sonhos também seriam outros.
Ao aceitar ser mãe do filho de Deus, Maria apresenta-se como uma mulher forte e decidida. Vejo agora a mulher, cheia de coragem, que enfrenta a distância para ajudar sua prima Isabel. Que desposa José e com ele vive uma série de desafios: os percalços de uma gestação; a longa viagem para o recenseamento; as dores do parto; a procura por um lugar onde pudesse se agasalhar e dar à luz seu filho amado; a falta de opção; o frio da noite; o refúgio em uma simples manjedoura. Vejo também a superação e a alegria da mãe ao tomar nos braços aquela criancinha divina que a fez tão cheia de graça.
É fácil imaginar Maria como mãe. A ternura imensa, além dos limites, sentida pelo filho pequeno. O jeito todo especial de tomá-lo nos braços e amamentá-lo. O privilégio de sentir nos seus os olhos de Jesus numa cumplicidade profunda e divinal. Fecho os olhos e percebo o semblante de Maria enquanto embala o filho e o coloca para dormir. E junto a ela, como pai zeloso e comprometido, seu esposo José. O companheiro nos momentos de alegria e ternura; o homem forte e corajoso nos momentos de angústias, de fugas, de idas e voltas.
Depois que se estabeleceu em Nazaré, a Sagrada Família iniciou uma vida mais tranquila. Vêm à mente a imagem de Maria amparando Jesus em seus primeiros passos. Imagino a paciência e a graça presentes em cada tentativa. O olhar carinhoso dizendo sem palavras: “Vem, meu filho! Você consegue!” A alegria sentida ao vê-lo caminhar sozinho. Ao mesmo tempo, lá está Maria ensinando o menino a falar. Quão suaves devem ter sido suas palavras! Quanta harmonia naquela brincadeira de sons e expressões! Imensa deve ter sido a alegria ao ouvi-lo pronunciar: “Mamãe!” Assim por toda a infância, que, com certeza, foi algo intenso e sublime: a convivência em família, os aprendizados, a oração, a firmeza protetora do pai adotivo e a serenidade de Maria a conduzi-lo em todos os momentos.
Por isso, neste Natal, peçamos a Maria que nos dê a graça de olhar Jesus como ela o fez. Saibamos contemplá-lo como verdadeiro Filho de Deus. Ao admirá-lo no presépio, tenhamos no olhar a ternura, a serenidade e a fé que sempre acompanhou sua mãe. Tomemos para nós o exemplo da Sagrada Família de Nazaré: a união, o carinho e a confiança total nos desígnios de Deus. Acima de tudo, deixemos Jesus fazer parte de nossa vida. Tenhamos paciência e perseverança para aprender com Ele tudo o que precisamos para viver em harmonia. Assim o Natal será mais feliz e a vida mais abençoada.
Luisa Garbazza
Publicação do jornal Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho.
Dezembro de 2014.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Aniversário de ordenação sacerdotal



Padre Jayme e Padre Robson


Queridos sacerdotes, querido povo de Deus
Dirigir, em nome da comunidade, algumas palavras a esses dois bom-despachenses é tão fácil! E, ao mesmo tempo, é tão difícil!
É fácil trazer à memória o jovem Padre Robson, que tanto carinho dedicava aos fiéis, especialmente às crianças, a quem tanto ajudou, tanto na transmissão da fé, quanto de conhecimento. É muito fácil lembrar sua trajetória sacerdotal, seu longo ministério aqui em Bom Despacho. Saber de sua alegria, seu riso certo, seu bom humor.
É fácil falar do Padre Jayme, que acompanhou todos os momentos de minha vida, desde minha primeira Eucaristia, como também participou da vida de muita gente, principalmente da minha geração. É fácil lembrar todos os seus feitos em prol da juventude, da comunidade paroquial, da sociedade. Saber de sua seriedade nos momentos devidos e de sua espontaneidade nas horas mais descontraídas.
Entretanto é tão difícil falar para esses dois ícones, não só da Igreja, mas da sociedade bom-despachense. Dois homens de fé, de grande sabedoria e de tantas virtudes.  Duas figuras ímpares, que já viveram tantas experiências no sacerdócio, já cruzaram tantas barreiras, venceram tantos obstáculos, e insistiram, confirmando a fé e seu sim a Deus ano após ano.
Então, limitamo-nos a demonstrar a eles a grande admiração que sentimos por celebrarem conosco essa data tão especial. E a Deus, nossa gratidão por nos ter dado o privilégio de conviver com eles por tanto tempo.
Padre Robson, parabéns por esses 62 anos de serviço à comunidade católica.
Padre Jayme, parabéns pelos 56 anos de entrega e dedicação ao Reino de Deus.
Que Maria, Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, do Bom Despacho, da Conceição, do Rosário... continue guiando-lhe os passos.
Desejamos-lhes muitas felicidades, paz e serenidade para continuarem a missão. Sejam felizes e saibam que nos são muito caros.
Abraços de toda a comunidade.
Luisa Garbazza
Mensagem lida na missa em ação de graças pelo aniversário de ordenação sacerdotal dos padres Jayme e Robson.
8 de dezembro de 2014, 19h.