domingo, 8 de junho de 2014

Homem e mulher nos planos de Deus



Deus, o criador de todas as coisas, concedeu à sua criação mais perfeita – o homem e a mulher – a graça de usufruir de toda a riqueza presente na natureza e dominar as outras criaturas. Entretanto, não foram criados para viverem de “qualquer jeito”. Pelo contrário, precisavam ser obedientes. O homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus e são, por isso, chamados à vida divina, isto é, viver conforme os planos do Criador.
Deus criou o homem e a mulher, para juntos formarem uma família e nela viverem o amor comunhão. Em família, marido e esposa devem viver a vocação que receberam e cumprir os juramentos de amor e fidelidade prestados na presença do Onipotente. Em família, também, devem receber, de coração aberto, os filhos que o Criador lhes conceder e educá-los na fé. Os valores recebidos em família vão nortear os filhos na vida adulta. Devem, portanto, serem transmitidos com carinho, responsabilidade e muito empenho.
Desde o início, a família deve dar seus passos procurando a presença de Deus na igreja, templo sagrado, lugar propício para abastecer-se espiritualmente. Só assim, homem e mulher terão forças para seguir retamente o caminho da fé. E assim também com os filhos: ensiná-los a rezar; acompanhá-los à igreja, fazê-los reconhecer a Deus como nosso Pai; encaminhá-los para que possam receber os sacramentos de iniciação cristã.
Segundo os planos do Todo-Poderoso, homem e mulher são também chamados a ser uns para os outros. Alargar os horizontes da vida em família e partir para a vida em comunidade. Sair um pouco do comodismo e participar de atividades em comum. Viver em comunhão com Deus e com os irmãos. Ele não deu às suas amadas criaturas um Espírito de timidez, mas de fortaleza, para vencer o medo e lutar contra as desigualdades que separam os semelhantes e destroem a paz nas nações.
Durante a história da humanidade, em que o homem, muitas vezes, afastou-se dos planos de igualdade, fraternidade e liberdade, Deus foi chamando homens e mulheres para ajudá-lo nesse plano de salvação. São os profetas, as mulheres de fé, Maria e o próprio Jesus, o Salvador.
Hoje, somos todos chamados a lutar por uma sociedade mais justa e fraterna. Deus nos chama a participar desse projeto de amor. É Ele quem nos dá, através do Espírito Santo, o dom da fortaleza, para que possamos participar dos planos de restauração da humanidade. Ele nos chama, homens e mulheres, à nossa vocação original: vocação à vida plena, fraterna, divina.
Luisa Garbazza

Publicação do Informativo Igreja Viva
Paróquia Nossa Senhora do Rosário
Junho de 2014

quinta-feira, 5 de junho de 2014

As faces do belo



É surpreendente observar as maravilhas que nos cercam.

Belezas de toda a espécie adornam e encantam: cores, formas, movimentos, tudo para agradar, seduzir, arrebatar.

As convenções atuam nos olhos, nas escolhas, nos gostos. O bonito passa a ser o aceito pela sociedade. Então valorizamos mais a estética que os sentimentos.

É bonito ser magra, ou magro, seguir os ditames da moda, acompanhar as tendências de tudo e para tudo. Uma roupa que se usa sem passar pelos testes da modernidade é motivo para discriminações ou olhares enviesados.

É lindo o amor “imortal enquanto dura”, esse que se encaixa em todas as convenções. Que seja jovem, belo, bem de vida, tolerante.

É belo o novo, o atual, o ágil. Perdeu essas qualidades, são descartáveis. Inclusive as pessoas. Beleza e elegância passaram a ser fundamentais. São ótimas enquanto podem produzir, atuar, gastar, enfeitar os salões e passarelas. Tudo pela aparência. Depois disso, muita gente torna-se invisível.

Mas quando a aurora da vida vai ficando para trás, mudam-se os valores e encontram-se belezas distintas e divinas.

E essa formosura sutil e verdadeira se espalha.

Outro olhar agora contempla a roseira. O olhar que antes se detinha nos botões entreabertos e de cores vivas, agora consegue pousar nas flores envelhecidas, frágeis, desbotadas pelo sol. Aquela rosa mais pálida, com as pétalas penduradas, ainda conserva a vida, a graça e o orgulho de enfeitar meu jardim. Receberá muito cuidado e as honrarias de gratidão.

Com as pessoas, então, o prisma é ainda mais apurado.

Quando se tem uma mãe amada, já velha e cansada, a dirigir-nos um sorriso, ali se encerra toda a beleza do mundo. Ao ver aqueles olhos, que por pouco estão cerrados, a vida toma outra dimensão. Ali está todo o encanto da vida. Um corpo gasto pelas penúrias da vida, doação total aos filhos, sentindo o desgaste de tantas provações, tanto peso carregado, tanto esforço. Por isso, a despeito de qualquer marca, é tão formoso.

Belas são aquelas mãos que tanto acariciaram, acalentaram, serviram. Hoje quase não se mexem. Movimentos limitados e morosos.

Belos são os cabelos prateados que adornam a cabeça e escondem tantos pensamentos que hoje se misturam e confundem-se entre as lembranças vividas e as imaginadas.

Bela e suave é a voz que sai, tênue e rouca, de seus lábios para dizer – minha filha.

Profundamente belo é o amor que emana em todo o meu ser, transborda e enche-me de gratidão sincera e eterna.

Para sempre e sempre – minha mãe.


Luisa Garbazza
5 de junho de 2014

domingo, 1 de junho de 2014

Efêmera liberdade

         Primeiro de junho. Aniversário da cidade. Bom Despacho completa 102 anos. Logo pela manhã, bom-despachenses de todos os cantos – geograficamente falando – dirigem-se ao centro da cidade para participar das atividades comemorativas. Na Rua Dr. Miguel Gontijo, o desfile cívico, que encanta os olhos com suas cores, movimentos e sons: polícia militar, tiro de guerra, grupo de escoteiros, escolas, secretarias diversas – cultura, saúde, esportes – e tantas outras atrações. Desfilo pela Paróquia, com a Pastoral Familiar.
Quando terminei de desfilar, olhei para o alto da rua, ainda cheia de pessoas e cores, mas, já cansada pelas horas de espera sob o sol quente, desisto de permanecer no local e desço de volta para casa.
Ao abandonar a rua principal, já distante dos sons típicos de desfile cívico-militar, percebo a diferença nos ares. Entro na Rua Palmital – onde fica minha residência. A rua é ampla e comprida. Do alto, vejo bem toda a sua extensão. Não é uma rua muito movimentada; está, no entanto, mais erma ainda. Nenhum movimento, ninguém nas ruas, ausência total de sons.
Em um instante de loucura, dirijo-me ao centro da pista, marcado com traços amarelos. Uma sensação de liberdade se apodera de minha mente. O vento ajuda com suas lufadas, leves – de boas-vindas –, depois fortes – incentivando minha “loucura”. Como se me ajudasse na brincadeira, dava-me asas, levantando-me os cabelos e propiciando momentos de leveza, de amplitude, de êxtase.
Continuei minha caminhada, pisando levemente o asfalto com as pontas dos pés, como se fosse levantar voo a qualquer momento. A rua continuava completamente vazia. O silêncio, quebrado apenas pelo ruído das folhas sendo levadas pelo vento, ou pelo latido de algum cão, invadia tudo, reinava absoluto, dando a mim a sensação de que estava sozinha no mundo. Olhava ao longe e ninguém havia para quebrar aquele encantamento. Os passos agora, tal qual os de uma dançarina, eram delicados, vagarosos e cadenciados. O coração, que sabe responder prontamente a cada emoção, estava em festa: inquieto, enchia o peito e sorria como criança. O rosto, feliz, também se iluminou. E por alguns instantes, era somente eu, numa valsa embalada pela doce brisa.
Desci toda a rua nesse ritmo agradável e único. Às vezes, por precaução, olhava para trás para certificar-me de que o trânsito estava mesmo ausente, ou se alguém me olhava com ares de censura. Tarefa necessária, mas inútil. Nada, nem ninguém, veio atrapalhar meu devaneio nesta manhã fria de domingo.
Mais próximo de casa, afastei-me do meio da rua e aproximei-me da calçada. Atitude sensata, pois havia um entroncamento, apesar de a outra rua também se encontrar deserta. Antes de entrar, dei uma última olhada para o alto da rua. Ainda conservava sua liberdade. Poderia servir de palco para outras façanhas de algum coração pleno de vida.
Luisa Garbazza
Manhã de domingo - 1º de junho de 2014

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Divino amanhecer





O frio da manhã impregna o ar
invade os espaços
entorpece o corpo.
Desânimo – quietude – letargia
Lento é o despertar.
O dia – o que vejo de minha janela – está sombrio.
A alma, não.
Esta se ilumina, pois em tudo vê a presença de Deus:
nas nuvens que são espalhadas suavemente pelo vento,
no azul do céu que se descortina,
nos raios – poucos – do sol;
Na brisa suave que embala as folhas das árvores,
no ar frio que entra pela janela e enrijece-me a face;
No rosa vivo da roseira – contraste perfeito 
        com o verde do jardim
     e o azul do céu.
É a vida que se renova.
É presença divina.
É a alma aberta para um novo dia.

                       

 

Luisa Garbazza

Amanhecer do dia 30 de maio de 2014

sábado, 24 de maio de 2014

Presença filial



Filho em casa é graça divina.

É o amor que se renova,

É som, ternura, abraço, beijo.

A presença revigora a alegria,

Restaura a paz do espírito,

Harmoniza as emoções.

Filho renova os ares da casa

Preenche os espaços vazios

 Revigora o coração.

É o sorriso no cumprimento,

A música que toca a alma,

O som que espanta a solidão.

Filho é a essência da vida,

Alento nas horas sofridas

Carregadas de nostalgia.

Quando chega traz harmonia

Devolve a saudade sentida

Às gavetas do coração.



* Quisera ver essas gavetas sempre fechadas. 
Que os filhos não fossem embora.

Mas sei que é utopia. 
Casa dos pais agora é só um ninho 
que o pássaro, já adulto, 
pousa de quando em quando.
Luisa Garbazza
Manhã de sábado, 24 de maio de 2014
* Ao meu filho, Rafael, hoje mais presente em minha vida.