quarta-feira, 12 de junho de 2013

Namoro edificante

           E Deus disse: "Não é bom que o homem esteja sozinho. Vou fazer para ele uma auxiliar que lhe seja semelhante". (Gênesis 2:18). Assim começa a história do povo de Deus. Homem e mulher criados à semelhança do Todo-Poderoso para se amarem e multiplicarem-se povoando a terra. 
     Ao longo  de todos esses   anos, muitos  foram os modelos de relacionamento homem/mulher, – Alguns tão desumanos! – mas à medida que conhecemos melhor a palavra de Deus, através da Sagrada Escritura, percebemos nitidamente o plano de Deus para nós. Ele criou homem e mulher para formarem uma família e educarem os filhos no amor e na fé. E para isso, é necessário que eles se conheçam e se preparem para uma convivência harmoniosa. É no período do namoro que começa a preparação para uma saudável vida a dois. 
          Em pleno século XXI, com o mundo cada vez mais egoísta, violento e erotizado, parece obsoleto falar de namoro e, mais ainda, falar de namoro cristão, namoro santo. Porém, para quem é católico, acredita nas palavras de Jesus, vive o amor e a fidelidade em família, é isso que vai ensinar para as novas gerações. Ainda mais neste ano em que estamos saindo de uma Campanha da Fraternidade voltada para os jovens e preparando-nos para vivenciar a Jornada Mundial da Juventude, no Brasil, seria hipocrisia não educarmos o jovem para viver o Evangelho também no namoro. 
          A mocidade é uma fase da vida muito abençoada por Deus. Entre tantos sonhos que povoam a vida desses moços e moças, tantas aspirações para um futuro idealizado e a urgência em correr contra o tempo, está o anseio por um amor puro e verdadeiro. Nessa busca, é comum encher-se de ilusões e sentir dificuldade para encontrar alguém que preencha os anseios da alma. Não bastasse os arrojos próprios dessa fase, ainda se depara com a cultura do “vale tudo”. A mídia apresenta para o jovem um mundo em que tudo é permitido e isso entra em choque com os valores recebidos da família. Muitos se sentem em uma encruzilhada, sem saber o que deve ser considerado apropriado e o que deve ser evitado. Um conselho que ajuda nessas horas de indecisão vem de São Paulo, na primeira carta aos Coríntios: "Tudo é permitido, mas nem tudo convém. Tudo é permitido, mas nem tudo edifica.” 
        Para seguir nessa estrada em busca de um relacionamento que o edifica, o jovem precisa procurar, em primeiro lugar, um encontro muito profundo com Deus; depois, encontrar-se consigo mesmo procurando se conhecer melhor. Só então estará preparado para uma adequada convivência. Terá maturidade para cultivar o romantismo, a gentileza, a cordialidade, o carinho, enfim, o amor. É na Bíblia também que encontramos palavras que simbolizam esse viver a dois: “Completai a minha alegria, permanecendo unidos. Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos.” (Filipenses 2:2) 
          Pensando  dessa  forma, o  jovem  terá mais  firmeza para viver esse período de uma forma mais proveitosa, buscando a felicidade nas pequenas coisas – na família, nos amigos, na Igreja, no grupo de jovens, nas flores e em tudo que o Criador nos concedeu. Sentirá alegria também ao se interessar por alguém e viver um namoro tranquilo buscando o conhecimento da pessoa escolhida através de atitudes simples como conversar, sair, brincar, rezar juntos, participar da comunidade. Assim, se não der certo – o que é normal, pois o ser humano é muito complexo e a juventude é uma fase de descobertas – cada um estará inteiro para recomeçar a caminhada e, no tempo de cada um, buscar outra pessoa e começar outra vez até encontrar alguém com quem partilhar o “mesmo amor, a mesma alma, os mesmos pensamentos”. 
Luisa Garbazza

Publicado no "Informativo Igreja Viva"
Paróquia Nossa Senhora do Rosário
Junho de 2013


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Junho de outrora

Todo ano, junho mostra a que veio apresentando-se, para muitos, como “o mês dos santos juninos”, “mês das quadrilhas”, “mês das fogueiras”, “mês das festas juninas”...  Para outros, junho tem ar de saudade e torna-se carregado de recordações. Volta-se à tona uma nostalgia boa dos tempos de outrora em que tudo era vivido com mais cautela, mais significado e respeito a Deus.
Apesar do frio quase insuportável que fazia, esse mês era um dos mais esperados do ano, principalmente pelas crianças. As datas em que se comemoravam os santos – Santo Antônio, São João e São Pedro – eram aguardadas com entusiasmo renovado. Cada uma delas era celebrada com bastante alegria, normalmente, em casas diferentes pela vizinhança. Minha mãe sempre era convocada para ajudar nos preparativos e “puxar” a reza do terço. Dona Maria sempre estava disponível para colaborar, seja qual fosse a tarefa. Doação total. Não media esforços pelo bem do próximo e pela glória de Deus. Em sua própria casa, ela gostava de festejar São Pedro.
O dia vinte e nove de junho (São Pedro) sempre amanhecia em festa. A participação nos dias treze (Santo Antônio) e vinte e quatro (São João) servia para aumentar a expectativa para esse dia. Logo pela manhã, a meninada, como formiguinhas, esmerava-se na tarefa de limpar bem o terreiro – enorme – que serviria de salão, para receber os convidados. Os mais velhos – ou mais fortes – saíam pelos campos recolhendo paus para serem usados na montagem da fogueira. Tudo, naquele dia, era feito em função do acontecimento da noite.
Uma das tarefas que Dona Maria fazia com primor especial era a confecção da bandeira para ser içada após a oração. Não tinha pressa. Comprava papéis coloridos, dias antes, preparava um quadrado de madeira fina, cobria com um tecido branco e colava ali a estampa do santo. Depois ia confeccionar os enfeites. Recortava cuidadosamente as tiras de papel colorido e, com toda sua criatividade, adornava a bandeira formando delicadas flores e mosaicos multicores. Então, cortava outras tiras, dobrava-as bem dobradinhas para dar um efeito diferente quando desmanchasse as dobras. Pendurava-as na base da bandeira deixando-as soltas e livres. Verdadeiro trabalho de artista. Ficava tão linda que muitas famílias traziam suas bandeiras para ela ornamentar, o que ela fazia com alegria, gosto e presteza.
Quando escurecia e a noite se adiantava, começava a chegar os vizinhos. Acendia-se a fogueira para iluminar a noite escura e aquecer o lugar. Os vizinhos iam se chegando, procuravam um lugarzinho para se acomodar e aguardavam o momento da “reza”. Nesse momento, também, era a Dona Maria que se colocava a serviço. O terço era rezado de uma maneira bem cuidadosa, piedosamente. Ela tinha o dom de motivar as pessoas para aquele momento sagrado mostrando o valor do recolhimento e do respeito pelas coisas de Deus. Não se via ninguém movimentando, não se ouvia barulho, conversas nem gracejos. Todos se concentravam em louvar a Virgem Maria e pedir a intercessão de São Pedro.
Terminando a oração, vinha um momento muito aguardado: hora de levantar a bandeira, que já se encontrava fixada na ponta de um bambu bem alto, cuidadosamente escolhido para aquele lugar de honras. Ao som do “Bendito, louvado seja” a bandeira subia majestosa. As tiras coloridas, impelidas pelo vento, começavam seu bailado multicor, contribuindo para a culminância daquela homenagem. Seguia-se, então, um “Viva São Pedro” e uma salva de palmas, intensificando aquele gesto de louvor.
Depois de cumprido o compromisso com Deus, acontecia uma agradável confraternização. Alguma coisa para comer e beber, as conversas em volta da fogueira, as brincadeiras de roda, os casos – muitas vezes assustadores – contados pelos mais velhos.
Momentos depois, a noite já alta, a lenha crepitando timidamente na fogueira quase apagada, as pessoas iam se despedindo e todos se recolhiam. A bandeira ficava ali, impondo sua presença a todos que passavam. No coração permanecia uma lembrança agradável e a esperança de que o próximo ano chegasse bem depressa e tudo fosse vivido novamente, com os mesmos detalhes, com o mesmo entusiasmo e com a mesma fé.
                             Luisa Garbazza    

Publicado no Jornal "Paróquia" 
Paróquia N. S. do Bom Despacho
 em junho de 2013

           

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Mães especiais




As mães são pessoas especiais. Gerar uma vida, embalar o pequenino ser nos braços e conduzi-lo pelas veredas da vida é bênção divina. Mas tem mãe que é mais especial. Pela seriedade e maneira tão peculiar de conduzir a família, se multiplica em várias. É criança, mulher, mãe, anjo, santa.
Mãe-criança, pela maneira simples de viver cada momento com alegria e criatividade. Tem o dom de viver o lado criança para acompanhar o filho pequeno e ajudá-lo em seu desenvolvimento físico e afetivo. Foi Jesus mesmo quem disse: “Quem não tiver um coração de criança não entrará no reino do céu”.
Mãe-mulher, que se torna forte, vai além do seu tempo e abraça sua missão. Enfrenta a vida, transpõe obstáculos, enfrenta preconceitos. Luta por um ideal, segue a vontade do Pai. Mulher fértil, sempre florescendo onde Deus a coloca. Mulher guerreira, destemida, prática, continuamente em sintonia com a realidade, com as necessidades do dia a dia.
Mãe, completamente mãe. Dedica sua vida, inteiramente, em prol de seus filhos – muitos ou poucos, legítimos ou do coração, pequeninos ou crescidos. Esquece um pouco – ou muito – de si mesma e, por um bom tempo, torna-se simplesmente mãe. E como sabe realizar essa missão com esmero e entrega total! Com sabedoria, consegue conciliar tantas tarefas com o tempo – quase sempre insuficiente – para conduzir a prole, por mais numerosa que seja. Às vezes, o trabalho é árduo, mas não deixa o desânimo impedi-la de seguir os planos de Deus. Labuta 24 horas por dia. Muitos afazeres, problemas de várias naturezas, mas consegue contorná-los com jeito e delicadeza. Orienta um filho, ajuda o outro, acalenta o seguinte; ensina, educa, surpreende. E, depois de um dia cansativo, ainda encontra forças para brincar, contar histórias, conduzir os filhos a um mundo de imaginação e encanto. Mãe maravilhosa, esperançosa, dedicada, exclusivamente mãe.
Mãe, anjo. Pela serenidade com que sempre enfrenta cada momento, cada desafio, cada barreira. Anjo, pela facilidade em abandonar-se nas mãos de Deus fazendo tudo por amor a Ele; pela confiança que diz aos filhos nos momentos de impaciência: “De hora em hora, Deus dá a melhora”. Anjo, pelo sorriso que oferece; pela presença constante e ativa em cada momento da vida dos filhos; pela total abnegação.
Mãe, santa. Santa, sim. Todos os momentos de sua vida são vividos de acordo com a frase de Maria: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Suporta doenças, maus tratos, angústia, solidão... sempre com fé, confiança e entrega total. Faz sua a frase: “Suportou com amor a cruz que lhe puseram aos ombros”. Tudo isso sem perder a fé em Deus; sem esquecer a esperança, o amor sem limite, o sorriso, a doçura. O próprio semblante evidencia a pureza e a suavidade de uma santa.
É impossível encontrar palavras que expressem fielmente a grandiosidade de um coração assim: puro, forte, terno, suave e fiel.
Por tudo isso, merece, a cada instante, o amor mais puro e verdadeiro e a gratidão mais profunda.
Parabéns a você, MÃE!
Luisa Garbazza
Crônica dedicada a todas as mães.
Principalmente a uma – mais que especial: a minha mãe – Maria da Conceição Garbazza, que completou 80 anos no dia 21 de fevereiro de 2013. Uma mãe que viveu – e ainda vive – com alma de criança, de mulher, de mãe, de anjo e de santa.
A ela, meu respeito, meu amor incondicional e minha eterna gratidão.

Publicação original no
 jornal "Paróquia" 
da Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho. 

Maternidade – missão sublime


A mulher – uma das mais perfeitas criações divina – tem saído, cada vez mais, do restrito universo doméstico e ocupado lugares diversos e importantes na esfera social. Apesar disso, a sua missão mais sublime ainda é a maternidade.
                Ser mãe é aceitar com amor a dádiva grandiosa de gerar outro ser. São nove meses – ou um pouco menos – de uma espera mágica que vai mudando a rotina da vida pouco a pouco: aguardar o desenvolvimento do filho que vai ocorrendo lentamente; sentir seus movimentos e auscutar o ritmo acelerado do seu coraçãozinho; aceitar com paciência as mudanças do corpo, que vai se moldando de acordo com as necessidades; esperar com ternura o momento que o filho escolher para nascer.
                Ser mãe é chorar de alegria ao ver o rosto do recém-nascido e constatar que, a partir daquele momento, sua vida nunca mais será a mesma. Segurar nos braços e amamentar aquela pessoinha, sangue do seu sangue, é algo que ficará registrado para sempre nos livros de sua memória. Sela, neste momento, um vínculo de profundo amor, uma ternura intensa e um aperto doído no coração: MEU FILHO!
                Mãe é aquela que sabe se doar sem medidas, numa entrega total, em prol da criação do filho. É maravilhoso acompanhar cada fase. Cada dia uma surpresa. Hoje se percebe um movimento novo, depois um som diferente, amanhã as primeiras sílabas, uma palavra pronunciada, os primeiros passos e a sensação inebriante ao ver o filho, com os bracinhos estendidos, correr em sua direção e brindá-la com um abraço extremamente especial que só um filho é capaz de dar.
                É plenamente mãe aquela que vê o filho crescer orientando-lhe para enfrentar as mudanças e os desafios da vida. São por demais as ocasiões em que a mãe segura o coração para não se deixar levar pela ansiedade: as enfermidades, as quedas, a entrada para a escola, o momento em que o filho começa a sair de casa, as dificuldades encontradas até conseguir amadurecer e encontrar seu caminho. Cada espinho que o filho encontra é cravado igualmente no coração da mãe. Cada alegria sentida explode também no coração materno, que quase não se comporta dentro do peito.  Sentimentos muitas vezes acompanhados pelas lágrimas, de alegria ou de tristeza, que marcam a sublimidade dessa missão que a mulher recebeu do criador.
                É próprio da mãe permanecer a vida toda em sintonia com o filho. Ver o filho – ou os filhos – ir embora deixando para trás a saudade, um coração partido e um desejo imenso de que seja muito feliz. Permanecer também em sintonia com Deus em constante oração pela felicidade daquele a quem deu a vida. É ter a doçura infinita para, mesmo depois de bem velhinha, já sem forças, conseguir se recordar com carinho de cada filho, mesmo que algum a tenha abandonado ou já tenha ido para junto de Deus, e alimentar as lembranças dos momentos passados na companhia deles e que guarda vivamente na memória.
                Ser mãe é, acima de tudo, aceitar o projeto do Pai para sua vida e ajudá-lo nesse árduo oficio de levar a toda e qualquer pessoa esse amor puro e humano que a maternidade lhe ensinou. E, por tudo isso, merece, mais que ninguém, ser amada, sem limites, pelos filhos, pela humanidade e por Deus.
 Luisa Garbazza
25 de abril de 2013

quinta-feira, 25 de abril de 2013

São Marcos, um cristão autêntico


 No Século I da era cristã, quando vários apóstolos entregaram a vida por amor a Jesus, temos o exemplo do evangelista São Marcos. Era judeu, da tribo de Levi, filho de Maria de Jerusalém. Foi convertido à fé cristã depois da morte de Jesus e, segundo os historiadores, teria sido batizado pelo próprio são Pedro. Privilégio na época, ele fez parte das primeiras famílias cristãs. Conta-se que em sua casa Cristo celebrou a última ceia, quando instituiu a eucaristia. Foi nela, também, que os apóstolos receberam a visita do Espírito Santo, após a ressurreição e fizeram daquele lugar um ponto de encontro e reunião com os cristãos primitivos.
São Marcos foi um dos setenta apóstolos enviados depois dos doze discípulos. Era sobrinho de São Barnabé e foi um companheiro muito próximo também dos Apóstolos Pedro e Paulo.
Esse carismático evangelista de Cristo acompanhou Barnabé e Paulo à Antioquia, em viagem missionária, onde atuou como auxiliar de Paulo, mas logo voltou a Jerusalém. Depois, com Barnabé, embarcou para à ilha de Chipre, na sua primeira viagem apostólica, onde fundou Comunidades, e depois foi para Roma, visitar Paulo, prisioneiro naquela cidade.
Em Roma trabalhou muito tempo como intérprete de São Pedro, que afetuosamente o chamava de filho, registrando tudo que ele se lembrava sobre Jesus.
Nesse período, no ano de 56, com base nas pregações de Pedro, começou a escrever seu Evangelho, sendo o primeiro a fazer registros sobre a vida, paixão e morte de Jesus. Seu relato começa pela missão de João Batista, cuja "voz clama no deserto". . Mais do que em qualquer outro Evangelho, São Marcos revela Jesus como “o filho do homem”. Deste modo, a pessoa de Jesus torna-se misteriosa porque encerra em si, ao mesmo tempo, um homem verdadeiro e um Deus verdadeiro. Na primeira parte, Jesus mostra-se mais preocupado com o acolhimento do povo, atende às suas necessidades e ensina; na segunda parte volta-se especialmente para os Apóstolos que escolheu, revelando-lhes progressivamente o plano da salvação e introduzindo-os na intimidade do Pai. O objetivo de São Marcos ao escrever esse Evangelho foi mostrar que Jesus é o Filho de Deus e Nosso Salvador. Para isso se demora mais nos milagres do que nas palavras do Salvador, escrevendo poucas parábolas por extenso.
Marcos fez ainda várias viagens: ajudou a fundar igrejas no Egito; construiu escola cristã em Alexandria, onde visitou a casa de Ananias, curou uma de suas mãos aleijada e batizou várias pessoas; pregou o Evangelho nas regiões do interior da África.
Segundo a tradição, ele foi martirizado no dia da Páscoa, enquanto celebrava o santo sacrifício da missa. Os pagãos aprisionaram-no, espancaram-no, arrastaram-no pelas ruas e jogaram-no na prisão. A São Marcos foi concedida uma visão do próprio Senhor Jesus Cristo que o fortaleceu antes de suas torturas. São Marcos entregou seu espírito a Deus, dizendo: «Em tuas mãos, ó Senhor, eu entrego meu espírito». Suas relíquias foram trasladadas pelos mercadores italianos para Veneza, cidade que é sua guardiã e que tomou são Marcos como padroeiro desde o ano 828.
A Igreja celebra a memória desse santo em 25 de abril.
Nos dias de hoje, muitas ideologias e doutrinas errôneas afastam muitos cristãos do projeto de Deus. Assim sendo, a Igreja e o mundo precisam de cristãos como Marcos Evangelista: em profunda comunhão com Deus e com os irmãos; missionário que anuncia e testemunha a boa nova de Jesus; articulador de novas comunidades; dedicado ao Reino.
São Marcos, rogai por nós.
Luisa Garbazza – 20 de março de 2012
Publicado no Informativo Igreja Viva - Paróquia N. S. do Rosário - em abril de 2012

terça-feira, 9 de abril de 2013

E agora, jovem?

         Com as famosas, e sempre atuais, “águas de março”, fechamos mais um mês. E com ele fechamos também a Campanha da Fraternidade 2013, que colocou na voz do jovem uma célebre frase bíblica: “Eis-me aqui, envia-me!” Durante todo esse tempo, muito se falou a respeito da juventude, dos seus anseios, do seu papel na sociedade e na Igreja. Muitos jovens participaram dessa campanha, embalados pela proximidade da Jornada Mundial da Juventude. Os adultos também se empenharam realizando encontros, reuniões em família, vias-sacras e outros. Tudo isso em busca de uma harmoniosa participação do jovem e do resgate aos valores fundamentais para uma apropriada vivência cristã.
          E agora?
         Agora é o momento de partir para a realidade. Esse período, vivido durante a quaresma, serviu para uma tomada de consciência a respeito dessa necessidade urgente de motivar a juventude para uma vida mais consistente, principalmente no âmbito espiritual.
        Agora é com você, jovem. Jesus fez o chamado. Você está pronto para ser enviado? Está disposto a colocar-se a serviço do outro pelo reino de Deus? Já se preparou para viver segundo os valores cristãos?
       Muito pode ser feito! Não precisa muita coisa. Se cada um fizer a sua parte, no seu cantinho, na sua família, no seu trabalho, na sua escola, na sua comunidade, a abrangência será imensa. É aí, no dia a dia, que as mudanças precisam acontecer. Lembrando as palavras de nosso querido beato João Paulo II: “Precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo, mas que não sejam mundanos”.
          Nessa procura por uma participação mais ativa na Igreja e na sociedade, seria bom que o jovem conhecesse a verdadeira alegria. Não uma alegria mundana, momentânea e artificial que sempre termina em vazio existencial e sensação de tédio e mau humor, mas uma alegria verdadeira, espontânea, que brota da alma e contagia os que estão por perto. Um contentamento que encontramos em nós mesmos e não em coisas, acontecimentos, agitações: “O mundo não me satisfaz, o que eu quero é a paz, o que eu quero é viver”.
           Precisamos muito da alegria própria dos jovens, mas só quando o jovem – e os adultos também – descobrirem que a felicidade é um dom de Deus e está em cada instante da vida é que estarão preparados para florescer e propagar os frutos de amor e fraternidade por onde forem. Como bem nos diz o Papa Francisco:A nossa não é uma alegria que nasce do fato de possuirmos muitas coisas, mas de termos encontrado uma Pessoa: Jesus, que está em meio a nós”.
        Assim, queridos jovens, neste momento em que estão sendo enviados por Deus, não tenham medo de ouvir seu apelo e responder ao seu chamado. Tenham fé e coragem para assumir a verdadeira identidade cristã e espalhar alegria e entusiasmo pelos lugares por onde passarem. Coloquem os dons que receberam a serviço do próximo. Ousem seguir Jesus e seus ensinamentos. Preencham os momentos vagos da vida de vocês com atitudes que os edificam como pessoas, como filhos de Deus e não se entreguem à superficialidade deixando lugar para o vácuo que quase sempre é preenchido pelo tédio e o desamor.
            E agora? Qual será sua resposta?
        Jesus chama cada um. O mundo precisa de vocês. Hoje. Agora. Todos os dias. Em todos os lugares. Não se deixem intimidar. Caminhem confiantes lembrando as palavras do Padre Zezinho, que hoje se tornam palavras de todos nós: “Eu grito ao meu mundo descrente que eu quero ser gente, que eu creio na cruz. Eu creio na força do jovem que segue o caminho de Cristo Jesus”.
Luisa Garbazza

Publicado no "Informativo Igreja Viva"
Paróquia Nossa Senhora do Rosário
Abril de 2013

domingo, 7 de abril de 2013

A marca da humildade


Nós, católicos, estamos vivendo a euforia ocasionada pelas mudanças na Igreja. A escolha de um novo Papa é sempre motivo de muita apreensão e, ao mesmo tempo, de muita esperança. A nação católica, representada por milhares de fiéis presentes na Praça de São Pedro, demonstrou uma simpatia espontânea pelo Papa recém-eleito desde o primeiro momento – seu sorriso, seus gestos de humildade, suas palavras simples e o nome escolhido: Francisco. Esse é um nome repetido muitas vezes, na história da Igreja, nominando santos importantes que a enriqueceram ao longo dos séculos. Curiosamente, encontrei oito santos com essa denominação.
O mais conhecido – que motivou o cardeal argentino, Jorge Mario Bergoglio, na escolha do nome – é tido como uma “luz que brilhou no mundo”: São Francisco de Assis, que nasceu em 1182, em Assis, na Itália, tido como a maior figura do cristianismo. Jovem orgulhoso e vaidoso, acostumado com riquezas e glórias militares, teve sua vida transformada após sentir a presença de Jesus chamando-o para reconstruir sua Igreja. Após a conversão, abandonou a fortuna e escolheu como opção a miséria absoluta, a paz, os pobres, os doentes e a Igreja. Colocou Cristo em primeiro lugar e sentia-se como mais uma obra de Deus, tratando toda criação divina como irmão: irmão sol, irmã lua, irmão lobo... Esse jovem, apaixonado por Jesus, teve – e ainda tem – muitos seguidores, e deixou-nos um legado de belíssimas canções e orações tão puras que nos fazem sentir em perfeita comunhão com Deus.
Logo após, veio São Francisco de Paula, nascido em 1416, região da Calábria – Itália, que recebeu esse nome por causa da devoção dos pais pelo seu antecessor. Como o mestre de Assis, São Francisco de Paula viveu um desprezo absoluto pelos valores transitórios da vida e pautou sua existência no socorro ao próximo, em sua especial vocação missionária e na capacidade extraordinária de resgatar os mais puros e preciosos valores contidos no evangelho. Viveu, humildemente, como eremita e dedicou-se por inteiro à oração, penitência e caridade.
Seguindo a história da Igreja, em 1506, no Castelo de Xavier, na Espanha, nasce São Francisco Xavier. Muito rico e estudioso, foi doutor e professor. Era um jovem altivo e ambicioso. Em sua busca por pompas e glórias conheceu Inácio de Loyola, também santo, que sempre lhe dizia: "Francisco, que adianta o homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?" Com esse pensamento, foi cedendo ao amor de Jesus, converteu-se, fundou a Companhia de Jesus e percorreu grandes distâncias dedicando-se à evangelização dos povos. Nos lugares por onde passou, empenhado no caminho da santidade, dedicava todo tempo livre visitando prisões, tratando dos doentes e dos leprosos. É invocado como Patrono Universal das Missões.
Na primeira metade do século XVI, ainda temos dois santos. O primeiro, São Francisco de Borja, nasceu em 1510, em Gandia, na Espanha. Depois de viver na corte do Imperador Carlos V, ter se casado e tido oito filhos, ficou viúvo e renunciou-se aos títulos de nobreza. Entrou para a Companhia de Jesus, fez voto de pobreza, caridade e obediência e foi viver como pregador itinerante, dedicando-se à oração, à eucaristia e à Virgem Maria. O outro, São Francisco Solano era espanhol e nasceu em 1549. Teve sua formação em colégio Jesuíta e prestou muitos serviços à Ordem Franciscana. Depois foi enviado à América Latina para realizar seu sonho missionário e ali se consumiu no trabalho de evangelização. Antes de morrer repetiu as palavras: “Deus seja bendito.”
São Francisco de Sales e São Francisco Régis marcaram a segunda metade do século XVI. Em 1567, no Reino de Saboia, nasceu São Francisco de Sales. Desde cedo, seu desejo era de viver a castidade e buscar a vontade de Deus. Como sacerdote, buscou a santidade para si e para os outros. Semeou a unidade e a sã doutrina cristã animando os fracos e alimentando os fortes. Destacou-se pela vida de caridade, gentileza, alegria, humildade, e verdadeira entrega à vontade de Deus. São Francisco Régis veio ao mundo em 1597 em uma aldeia francesa. Como padre da Companhia de Jesus, priorizou a assistência aos doentes, a evangelização e os confessionários. Com espírito de caridade dedicou-se principalmente às crianças abandonadas e aos jovens.
Por último, já no século XIX e canonizado pelo Papa Bento XVI em 2009, temos São Francisco Coll Guitart, que nasceu na comunidade de Catalunha, Espanha, em 1812. Foi o fundador das Irmãs Dominicanas da Anunciação, com a finalidade de divulgar e reavivar a Palavra de Deus nos povoados de Catalunha. Tinha paixão pela evangelização de maneira itinerante para ajudar as pessoas a um encontro mais profundo com Deus. Sua entrega a Deus era tão grande que tocava o coração das pessoas, pois transmitia aos outros o que ele próprio vivia.
Todos esses homens, que se anularam para engrandecer o nome de Jesus e cuidar dos pobres e excluídos, tiveram em comum a marca da humildade. A Igreja os apresenta como exemplos a serem seguidos. São santos porque conseguiram sentir a dor do outro e compadecer-se dele. Abraçaram os ideais de Jesus e os colocaram em prática, doando a própria vida.
Agora, em pleno século XXI, acolhemos o Papa Francisco. Seus primeiros dias foram vividos de maneira simples, com a mesma humildade e o aparente desejo de santidade de tantos Franciscos ao longo dos séculos. Apresentou-se como servo de Deus, sem ostentação nem privilégios. Seu discurso nos mostra, a exemplo de seus antecessores, as suas principais preferências: os pobres, a caridade, e a urgência pela evangelização e pela paz. O mundo todo acredita que viveremos tempos de mudanças. É como se a palavra de Deus estivesse sendo dita mais uma vez: “Francisco, vai restaurar minha igreja, que está em ruínas”. E nossa voz ecoa agradecendo e pedindo as bênçãos e a proteção de Deus para esse homem em quem depositamos todas as nossas esperanças.
Luisa Garbazza
Publicado no jornal "Paróquia" - Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho
Abril de 2013