sexta-feira, 10 de maio de 2013

Mães especiais




As mães são pessoas especiais. Gerar uma vida, embalar o pequenino ser nos braços e conduzi-lo pelas veredas da vida é bênção divina. Mas tem mãe que é mais especial. Pela seriedade e maneira tão peculiar de conduzir a família, se multiplica em várias. É criança, mulher, mãe, anjo, santa.
Mãe-criança, pela maneira simples de viver cada momento com alegria e criatividade. Tem o dom de viver o lado criança para acompanhar o filho pequeno e ajudá-lo em seu desenvolvimento físico e afetivo. Foi Jesus mesmo quem disse: “Quem não tiver um coração de criança não entrará no reino do céu”.
Mãe-mulher, que se torna forte, vai além do seu tempo e abraça sua missão. Enfrenta a vida, transpõe obstáculos, enfrenta preconceitos. Luta por um ideal, segue a vontade do Pai. Mulher fértil, sempre florescendo onde Deus a coloca. Mulher guerreira, destemida, prática, continuamente em sintonia com a realidade, com as necessidades do dia a dia.
Mãe, completamente mãe. Dedica sua vida, inteiramente, em prol de seus filhos – muitos ou poucos, legítimos ou do coração, pequeninos ou crescidos. Esquece um pouco – ou muito – de si mesma e, por um bom tempo, torna-se simplesmente mãe. E como sabe realizar essa missão com esmero e entrega total! Com sabedoria, consegue conciliar tantas tarefas com o tempo – quase sempre insuficiente – para conduzir a prole, por mais numerosa que seja. Às vezes, o trabalho é árduo, mas não deixa o desânimo impedi-la de seguir os planos de Deus. Labuta 24 horas por dia. Muitos afazeres, problemas de várias naturezas, mas consegue contorná-los com jeito e delicadeza. Orienta um filho, ajuda o outro, acalenta o seguinte; ensina, educa, surpreende. E, depois de um dia cansativo, ainda encontra forças para brincar, contar histórias, conduzir os filhos a um mundo de imaginação e encanto. Mãe maravilhosa, esperançosa, dedicada, exclusivamente mãe.
Mãe, anjo. Pela serenidade com que sempre enfrenta cada momento, cada desafio, cada barreira. Anjo, pela facilidade em abandonar-se nas mãos de Deus fazendo tudo por amor a Ele; pela confiança que diz aos filhos nos momentos de impaciência: “De hora em hora, Deus dá a melhora”. Anjo, pelo sorriso que oferece; pela presença constante e ativa em cada momento da vida dos filhos; pela total abnegação.
Mãe, santa. Santa, sim. Todos os momentos de sua vida são vividos de acordo com a frase de Maria: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Suporta doenças, maus tratos, angústia, solidão... sempre com fé, confiança e entrega total. Faz sua a frase: “Suportou com amor a cruz que lhe puseram aos ombros”. Tudo isso sem perder a fé em Deus; sem esquecer a esperança, o amor sem limite, o sorriso, a doçura. O próprio semblante evidencia a pureza e a suavidade de uma santa.
É impossível encontrar palavras que expressem fielmente a grandiosidade de um coração assim: puro, forte, terno, suave e fiel.
Por tudo isso, merece, a cada instante, o amor mais puro e verdadeiro e a gratidão mais profunda.
Parabéns a você, MÃE!
Luisa Garbazza
Crônica dedicada a todas as mães.
Principalmente a uma – mais que especial: a minha mãe – Maria da Conceição Garbazza, que completou 80 anos no dia 21 de fevereiro de 2013. Uma mãe que viveu – e ainda vive – com alma de criança, de mulher, de mãe, de anjo e de santa.
A ela, meu respeito, meu amor incondicional e minha eterna gratidão.

Publicação original no
 jornal "Paróquia" 
da Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho. 

Maternidade – missão sublime


A mulher – uma das mais perfeitas criações divina – tem saído, cada vez mais, do restrito universo doméstico e ocupado lugares diversos e importantes na esfera social. Apesar disso, a sua missão mais sublime ainda é a maternidade.
                Ser mãe é aceitar com amor a dádiva grandiosa de gerar outro ser. São nove meses – ou um pouco menos – de uma espera mágica que vai mudando a rotina da vida pouco a pouco: aguardar o desenvolvimento do filho que vai ocorrendo lentamente; sentir seus movimentos e auscutar o ritmo acelerado do seu coraçãozinho; aceitar com paciência as mudanças do corpo, que vai se moldando de acordo com as necessidades; esperar com ternura o momento que o filho escolher para nascer.
                Ser mãe é chorar de alegria ao ver o rosto do recém-nascido e constatar que, a partir daquele momento, sua vida nunca mais será a mesma. Segurar nos braços e amamentar aquela pessoinha, sangue do seu sangue, é algo que ficará registrado para sempre nos livros de sua memória. Sela, neste momento, um vínculo de profundo amor, uma ternura intensa e um aperto doído no coração: MEU FILHO!
                Mãe é aquela que sabe se doar sem medidas, numa entrega total, em prol da criação do filho. É maravilhoso acompanhar cada fase. Cada dia uma surpresa. Hoje se percebe um movimento novo, depois um som diferente, amanhã as primeiras sílabas, uma palavra pronunciada, os primeiros passos e a sensação inebriante ao ver o filho, com os bracinhos estendidos, correr em sua direção e brindá-la com um abraço extremamente especial que só um filho é capaz de dar.
                É plenamente mãe aquela que vê o filho crescer orientando-lhe para enfrentar as mudanças e os desafios da vida. São por demais as ocasiões em que a mãe segura o coração para não se deixar levar pela ansiedade: as enfermidades, as quedas, a entrada para a escola, o momento em que o filho começa a sair de casa, as dificuldades encontradas até conseguir amadurecer e encontrar seu caminho. Cada espinho que o filho encontra é cravado igualmente no coração da mãe. Cada alegria sentida explode também no coração materno, que quase não se comporta dentro do peito.  Sentimentos muitas vezes acompanhados pelas lágrimas, de alegria ou de tristeza, que marcam a sublimidade dessa missão que a mulher recebeu do criador.
                É próprio da mãe permanecer a vida toda em sintonia com o filho. Ver o filho – ou os filhos – ir embora deixando para trás a saudade, um coração partido e um desejo imenso de que seja muito feliz. Permanecer também em sintonia com Deus em constante oração pela felicidade daquele a quem deu a vida. É ter a doçura infinita para, mesmo depois de bem velhinha, já sem forças, conseguir se recordar com carinho de cada filho, mesmo que algum a tenha abandonado ou já tenha ido para junto de Deus, e alimentar as lembranças dos momentos passados na companhia deles e que guarda vivamente na memória.
                Ser mãe é, acima de tudo, aceitar o projeto do Pai para sua vida e ajudá-lo nesse árduo oficio de levar a toda e qualquer pessoa esse amor puro e humano que a maternidade lhe ensinou. E, por tudo isso, merece, mais que ninguém, ser amada, sem limites, pelos filhos, pela humanidade e por Deus.
 Luisa Garbazza
25 de abril de 2013

quinta-feira, 25 de abril de 2013

São Marcos, um cristão autêntico


 No Século I da era cristã, quando vários apóstolos entregaram a vida por amor a Jesus, temos o exemplo do evangelista São Marcos. Era judeu, da tribo de Levi, filho de Maria de Jerusalém. Foi convertido à fé cristã depois da morte de Jesus e, segundo os historiadores, teria sido batizado pelo próprio são Pedro. Privilégio na época, ele fez parte das primeiras famílias cristãs. Conta-se que em sua casa Cristo celebrou a última ceia, quando instituiu a eucaristia. Foi nela, também, que os apóstolos receberam a visita do Espírito Santo, após a ressurreição e fizeram daquele lugar um ponto de encontro e reunião com os cristãos primitivos.
São Marcos foi um dos setenta apóstolos enviados depois dos doze discípulos. Era sobrinho de São Barnabé e foi um companheiro muito próximo também dos Apóstolos Pedro e Paulo.
Esse carismático evangelista de Cristo acompanhou Barnabé e Paulo à Antioquia, em viagem missionária, onde atuou como auxiliar de Paulo, mas logo voltou a Jerusalém. Depois, com Barnabé, embarcou para à ilha de Chipre, na sua primeira viagem apostólica, onde fundou Comunidades, e depois foi para Roma, visitar Paulo, prisioneiro naquela cidade.
Em Roma trabalhou muito tempo como intérprete de São Pedro, que afetuosamente o chamava de filho, registrando tudo que ele se lembrava sobre Jesus.
Nesse período, no ano de 56, com base nas pregações de Pedro, começou a escrever seu Evangelho, sendo o primeiro a fazer registros sobre a vida, paixão e morte de Jesus. Seu relato começa pela missão de João Batista, cuja "voz clama no deserto". . Mais do que em qualquer outro Evangelho, São Marcos revela Jesus como “o filho do homem”. Deste modo, a pessoa de Jesus torna-se misteriosa porque encerra em si, ao mesmo tempo, um homem verdadeiro e um Deus verdadeiro. Na primeira parte, Jesus mostra-se mais preocupado com o acolhimento do povo, atende às suas necessidades e ensina; na segunda parte volta-se especialmente para os Apóstolos que escolheu, revelando-lhes progressivamente o plano da salvação e introduzindo-os na intimidade do Pai. O objetivo de São Marcos ao escrever esse Evangelho foi mostrar que Jesus é o Filho de Deus e Nosso Salvador. Para isso se demora mais nos milagres do que nas palavras do Salvador, escrevendo poucas parábolas por extenso.
Marcos fez ainda várias viagens: ajudou a fundar igrejas no Egito; construiu escola cristã em Alexandria, onde visitou a casa de Ananias, curou uma de suas mãos aleijada e batizou várias pessoas; pregou o Evangelho nas regiões do interior da África.
Segundo a tradição, ele foi martirizado no dia da Páscoa, enquanto celebrava o santo sacrifício da missa. Os pagãos aprisionaram-no, espancaram-no, arrastaram-no pelas ruas e jogaram-no na prisão. A São Marcos foi concedida uma visão do próprio Senhor Jesus Cristo que o fortaleceu antes de suas torturas. São Marcos entregou seu espírito a Deus, dizendo: «Em tuas mãos, ó Senhor, eu entrego meu espírito». Suas relíquias foram trasladadas pelos mercadores italianos para Veneza, cidade que é sua guardiã e que tomou são Marcos como padroeiro desde o ano 828.
A Igreja celebra a memória desse santo em 25 de abril.
Nos dias de hoje, muitas ideologias e doutrinas errôneas afastam muitos cristãos do projeto de Deus. Assim sendo, a Igreja e o mundo precisam de cristãos como Marcos Evangelista: em profunda comunhão com Deus e com os irmãos; missionário que anuncia e testemunha a boa nova de Jesus; articulador de novas comunidades; dedicado ao Reino.
São Marcos, rogai por nós.
Luisa Garbazza – 20 de março de 2012
Publicado no Informativo Igreja Viva - Paróquia N. S. do Rosário - em abril de 2012

terça-feira, 9 de abril de 2013

E agora, jovem?

         Com as famosas, e sempre atuais, “águas de março”, fechamos mais um mês. E com ele fechamos também a Campanha da Fraternidade 2013, que colocou na voz do jovem uma célebre frase bíblica: “Eis-me aqui, envia-me!” Durante todo esse tempo, muito se falou a respeito da juventude, dos seus anseios, do seu papel na sociedade e na Igreja. Muitos jovens participaram dessa campanha, embalados pela proximidade da Jornada Mundial da Juventude. Os adultos também se empenharam realizando encontros, reuniões em família, vias-sacras e outros. Tudo isso em busca de uma harmoniosa participação do jovem e do resgate aos valores fundamentais para uma apropriada vivência cristã.
          E agora?
         Agora é o momento de partir para a realidade. Esse período, vivido durante a quaresma, serviu para uma tomada de consciência a respeito dessa necessidade urgente de motivar a juventude para uma vida mais consistente, principalmente no âmbito espiritual.
        Agora é com você, jovem. Jesus fez o chamado. Você está pronto para ser enviado? Está disposto a colocar-se a serviço do outro pelo reino de Deus? Já se preparou para viver segundo os valores cristãos?
       Muito pode ser feito! Não precisa muita coisa. Se cada um fizer a sua parte, no seu cantinho, na sua família, no seu trabalho, na sua escola, na sua comunidade, a abrangência será imensa. É aí, no dia a dia, que as mudanças precisam acontecer. Lembrando as palavras de nosso querido beato João Paulo II: “Precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo, mas que não sejam mundanos”.
          Nessa procura por uma participação mais ativa na Igreja e na sociedade, seria bom que o jovem conhecesse a verdadeira alegria. Não uma alegria mundana, momentânea e artificial que sempre termina em vazio existencial e sensação de tédio e mau humor, mas uma alegria verdadeira, espontânea, que brota da alma e contagia os que estão por perto. Um contentamento que encontramos em nós mesmos e não em coisas, acontecimentos, agitações: “O mundo não me satisfaz, o que eu quero é a paz, o que eu quero é viver”.
           Precisamos muito da alegria própria dos jovens, mas só quando o jovem – e os adultos também – descobrirem que a felicidade é um dom de Deus e está em cada instante da vida é que estarão preparados para florescer e propagar os frutos de amor e fraternidade por onde forem. Como bem nos diz o Papa Francisco:A nossa não é uma alegria que nasce do fato de possuirmos muitas coisas, mas de termos encontrado uma Pessoa: Jesus, que está em meio a nós”.
        Assim, queridos jovens, neste momento em que estão sendo enviados por Deus, não tenham medo de ouvir seu apelo e responder ao seu chamado. Tenham fé e coragem para assumir a verdadeira identidade cristã e espalhar alegria e entusiasmo pelos lugares por onde passarem. Coloquem os dons que receberam a serviço do próximo. Ousem seguir Jesus e seus ensinamentos. Preencham os momentos vagos da vida de vocês com atitudes que os edificam como pessoas, como filhos de Deus e não se entreguem à superficialidade deixando lugar para o vácuo que quase sempre é preenchido pelo tédio e o desamor.
            E agora? Qual será sua resposta?
        Jesus chama cada um. O mundo precisa de vocês. Hoje. Agora. Todos os dias. Em todos os lugares. Não se deixem intimidar. Caminhem confiantes lembrando as palavras do Padre Zezinho, que hoje se tornam palavras de todos nós: “Eu grito ao meu mundo descrente que eu quero ser gente, que eu creio na cruz. Eu creio na força do jovem que segue o caminho de Cristo Jesus”.
Luisa Garbazza

Publicado no "Informativo Igreja Viva"
Paróquia Nossa Senhora do Rosário
Abril de 2013

domingo, 7 de abril de 2013

A marca da humildade


Nós, católicos, estamos vivendo a euforia ocasionada pelas mudanças na Igreja. A escolha de um novo Papa é sempre motivo de muita apreensão e, ao mesmo tempo, de muita esperança. A nação católica, representada por milhares de fiéis presentes na Praça de São Pedro, demonstrou uma simpatia espontânea pelo Papa recém-eleito desde o primeiro momento – seu sorriso, seus gestos de humildade, suas palavras simples e o nome escolhido: Francisco. Esse é um nome repetido muitas vezes, na história da Igreja, nominando santos importantes que a enriqueceram ao longo dos séculos. Curiosamente, encontrei oito santos com essa denominação.
O mais conhecido – que motivou o cardeal argentino, Jorge Mario Bergoglio, na escolha do nome – é tido como uma “luz que brilhou no mundo”: São Francisco de Assis, que nasceu em 1182, em Assis, na Itália, tido como a maior figura do cristianismo. Jovem orgulhoso e vaidoso, acostumado com riquezas e glórias militares, teve sua vida transformada após sentir a presença de Jesus chamando-o para reconstruir sua Igreja. Após a conversão, abandonou a fortuna e escolheu como opção a miséria absoluta, a paz, os pobres, os doentes e a Igreja. Colocou Cristo em primeiro lugar e sentia-se como mais uma obra de Deus, tratando toda criação divina como irmão: irmão sol, irmã lua, irmão lobo... Esse jovem, apaixonado por Jesus, teve – e ainda tem – muitos seguidores, e deixou-nos um legado de belíssimas canções e orações tão puras que nos fazem sentir em perfeita comunhão com Deus.
Logo após, veio São Francisco de Paula, nascido em 1416, região da Calábria – Itália, que recebeu esse nome por causa da devoção dos pais pelo seu antecessor. Como o mestre de Assis, São Francisco de Paula viveu um desprezo absoluto pelos valores transitórios da vida e pautou sua existência no socorro ao próximo, em sua especial vocação missionária e na capacidade extraordinária de resgatar os mais puros e preciosos valores contidos no evangelho. Viveu, humildemente, como eremita e dedicou-se por inteiro à oração, penitência e caridade.
Seguindo a história da Igreja, em 1506, no Castelo de Xavier, na Espanha, nasce São Francisco Xavier. Muito rico e estudioso, foi doutor e professor. Era um jovem altivo e ambicioso. Em sua busca por pompas e glórias conheceu Inácio de Loyola, também santo, que sempre lhe dizia: "Francisco, que adianta o homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?" Com esse pensamento, foi cedendo ao amor de Jesus, converteu-se, fundou a Companhia de Jesus e percorreu grandes distâncias dedicando-se à evangelização dos povos. Nos lugares por onde passou, empenhado no caminho da santidade, dedicava todo tempo livre visitando prisões, tratando dos doentes e dos leprosos. É invocado como Patrono Universal das Missões.
Na primeira metade do século XVI, ainda temos dois santos. O primeiro, São Francisco de Borja, nasceu em 1510, em Gandia, na Espanha. Depois de viver na corte do Imperador Carlos V, ter se casado e tido oito filhos, ficou viúvo e renunciou-se aos títulos de nobreza. Entrou para a Companhia de Jesus, fez voto de pobreza, caridade e obediência e foi viver como pregador itinerante, dedicando-se à oração, à eucaristia e à Virgem Maria. O outro, São Francisco Solano era espanhol e nasceu em 1549. Teve sua formação em colégio Jesuíta e prestou muitos serviços à Ordem Franciscana. Depois foi enviado à América Latina para realizar seu sonho missionário e ali se consumiu no trabalho de evangelização. Antes de morrer repetiu as palavras: “Deus seja bendito.”
São Francisco de Sales e São Francisco Régis marcaram a segunda metade do século XVI. Em 1567, no Reino de Saboia, nasceu São Francisco de Sales. Desde cedo, seu desejo era de viver a castidade e buscar a vontade de Deus. Como sacerdote, buscou a santidade para si e para os outros. Semeou a unidade e a sã doutrina cristã animando os fracos e alimentando os fortes. Destacou-se pela vida de caridade, gentileza, alegria, humildade, e verdadeira entrega à vontade de Deus. São Francisco Régis veio ao mundo em 1597 em uma aldeia francesa. Como padre da Companhia de Jesus, priorizou a assistência aos doentes, a evangelização e os confessionários. Com espírito de caridade dedicou-se principalmente às crianças abandonadas e aos jovens.
Por último, já no século XIX e canonizado pelo Papa Bento XVI em 2009, temos São Francisco Coll Guitart, que nasceu na comunidade de Catalunha, Espanha, em 1812. Foi o fundador das Irmãs Dominicanas da Anunciação, com a finalidade de divulgar e reavivar a Palavra de Deus nos povoados de Catalunha. Tinha paixão pela evangelização de maneira itinerante para ajudar as pessoas a um encontro mais profundo com Deus. Sua entrega a Deus era tão grande que tocava o coração das pessoas, pois transmitia aos outros o que ele próprio vivia.
Todos esses homens, que se anularam para engrandecer o nome de Jesus e cuidar dos pobres e excluídos, tiveram em comum a marca da humildade. A Igreja os apresenta como exemplos a serem seguidos. São santos porque conseguiram sentir a dor do outro e compadecer-se dele. Abraçaram os ideais de Jesus e os colocaram em prática, doando a própria vida.
Agora, em pleno século XXI, acolhemos o Papa Francisco. Seus primeiros dias foram vividos de maneira simples, com a mesma humildade e o aparente desejo de santidade de tantos Franciscos ao longo dos séculos. Apresentou-se como servo de Deus, sem ostentação nem privilégios. Seu discurso nos mostra, a exemplo de seus antecessores, as suas principais preferências: os pobres, a caridade, e a urgência pela evangelização e pela paz. O mundo todo acredita que viveremos tempos de mudanças. É como se a palavra de Deus estivesse sendo dita mais uma vez: “Francisco, vai restaurar minha igreja, que está em ruínas”. E nossa voz ecoa agradecendo e pedindo as bênçãos e a proteção de Deus para esse homem em quem depositamos todas as nossas esperanças.
Luisa Garbazza
Publicado no jornal "Paróquia" - Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho
Abril de 2013

quinta-feira, 28 de março de 2013

Beleza na simplicidade


Nessas linhas retas que Deus traça em nossa vida, desviando-nos das curvas que insistimos em percorrer, deparamos com momentos inigualáveis que nos colocam frente a frente com as maravilhas de sua criação maior: o ser humano.
 Quinta-feira Santa, tudo combinado com meu esposo para participarmos da celebração na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Despacho. Já no final da tarde, recebi um telefonema da Adriana, agente da Pastoral da Comunicação da paróquia. Pediu-me, se possível, para eu participar da cerimônia do Lava-pés, que seria celebrada pelo Padre Rogério, Sdn, na Comunidade Nossa Senhora de Fátima, e fotografasse, para divulgação na internet. Pensei mil coisas ao mesmo tempo, mas não tive coragem de negar. Coloquei-me à disposição. Foi bem corrido, pois essa Igreja fica bem mais longe e nosso tempo estava restrito. Mas conseguimos chegar um pouco antes para interagir com o padre e os coordenadores da comunidade.
Ainda não tivera a oportunidade de participar da Santa Missa naquela Igreja. Foi uma experiência enaltecedora. Tudo ali primava pela simplicidade, sem deixar de ser impecável na essência. Em tudo, dava para sentir a presença divina: a acolhida fraterna que tivemos; a organização; a preparação do ambiente; a participação da assembleia; o carisma do sacerdote. Voltou-me à memória as palavras que ouvi certa vez do Padre Geraldo Mayrink: “Quanto mais simples a celebração, mais Deus aparece.” A certeza é  de que o Pai do céu estava ali conosco.
Durante a celebração, observando tudo e fotografando, um pequeno quadro se destacou perante meus olhos: no primeiro banco, três crianças – um menino e duas meninas – aparentando ter entre quatro e sete anos, participavam da Missa. Não estavam apenas ali na “Casa de Deus”. Rezavam, cantavam, acompanhavam cada movimento do padre de uma maneira tão concentrada que me comoveu. Durante toda a celebração, estavam atentos. Nos momentos de adoração, os joelhinhos dobrados eram sinal indicativo de uma sementinha de fé em pleno processo de germinação. Os olhinhos brilhavam sem se desgrudar do altar. Nada de conversas, nada de andanças pela Igreja, nada de implicância entre eles. A impressão que eu sentia é que eles sabiam exatamente o que estavam fazendo ali. Surpresa maior no momento da comunhão quando um daqueles anjos – uma menina linda de longos cabelos cacheados – começou a cantar acompanhando muito bem a letra e a melodia. Momento de pura ternura. Coração cresceu no peito e agradeceu a Deus pela oportunidade de senti-Lo naquelas pequenas obras de Suas mãos.
 Saí daquele local com uma sensação de pura paz e, no íntimo, um coração enorme, cheio de amor. Nos olhinhos atentos daquelas crianças e na pureza dos olhares fixos nas coisas sagradas, a esperança de um mundo melhor, mais fraterno, mais humano. A perspectiva de um amanhã sem tanto ódio e violência. A confiança de que teremos cada vez mais crianças criadas com amor, educadas na fé – premissas de uma juventude sadia, amada e com muito amor no coração. A fé nas palavras de Jesus: “Eis que estarei convosco todos os dias”. No reflexo daqueles pequeninos, a idealização de um sonho de paz e justiça.
Luisa Garbazza
Quinta-feira Santa - 28 de março de 2013.

sábado, 16 de março de 2013

A felicidade nossa de cada dia


Curioso e intrigante é ver como convivemos com o tempo. Muitos o têm como amigo e outro tanto, quase como inimigo. Alguns são escravos, outros o tratam com indiferença. Há ainda os que querem o tempo sempre a seu favor. Assim, no dia a dia em que vai se dissipando nossa existência, transparece, pelo menos em algum momento da vida, certa insatisfação a respeito do tempo.
Em cada fase da vida o tempo tem um valor peculiar. É a infância com seu encanto próprio, horas que passam lentamente, sem indagações, como magia. É a fase da adolescência e da juventude, quando o tempo nunca é suficiente para fazer tudo que almeja. São os adultos aproveitando cada ocasião para colocar as coisas em seus devidos lugares. E a velhice, época em que se tem a impressão de que o tempo parou. Contudo, na adolescência e juventude a sucessão das horas é mais questionada. Trava-se uma luta severa contra esse inimigo invisível que teima em contrariar as vontades, enganar as previsões, trair os decretos. Tudo nessa fase é urgente. O amanhã é agora. Depois, é tarde demais.
Um detalhe que me chama à atenção é o modo como os jovens lidam com o tempo. Principalmente com os dias da semana. Ninguém gosta da segunda-feira. Os dias da semana se arrastam numa lentidão enorme deixando todos ansiosos. A sexta-feira é comemorada com palmas, fogos e folguedos. O final de semana passa rápido demais, domingo à tarde já é o fim do mundo. E a segunda retorna - mal amada, triste, pesadona. Parece até que tem culpa de algum infortúnio que possa acontecer, ou não acontecer, na vida de alguém. E quando o final de semana passa e não acontece nada de extraordinário? Ou acontece algo negativo desmoronando algum sonho? Aí, a espera pelo próximo fica ainda mais penosa. A segunda será mais desprezada e cada hora é contada com aflição à espera de uma nova oportunidade.
Nesse sentido, faz-se necessário uma reflexão sobre tempo e vida. A vida é o nosso dom mais precioso e o tempo deve ser nosso aliado na arte de bem vivê-la. Saber viver bem é valorizar cada dia como único. Valorizar cada hora do dia sem querer que ele se esvazie rapidamente para um novo amanhecer. Agir conscientemente, apreciando cada tarefa, tenha a dimensão que tiver. Desde um sorriso dado, até o ofício mais complexo, cada ato faz parte do momento de agora e deve ser realizado com alegria e esmero.
Outro ponto que merece destaque é a rotina. Essa nossa companheira deve ser amada também, por que não? Nossos dias passam rápido, cada um com uma movimentação diferente. Não temos novidades, festas, encontros, baladas, trabalhos, companhias todos os dias. Nem temos resistência para tanto. Necessitamos de períodos de descanso para relaxar o corpo e a mente, para pensarmos sobre nossos atos, para programar o futuro.
A rotina é indispensável para nossa existência e precisamos aprender a gostar dela. E principalmente gostar do que fazemos. Se hoje é segunda ou terça-feira e estamos sobrecarregados de tarefas, façamos uma a uma, com a cabeça erguida e a certeza de que aquele momento é único em nossa vida. Seja o trabalho mais ínfimo, mas que seja realizado com amor para nos proporcionar o prazer do dever cumprido e nos deixar com a consciência tranquila. Percebemos isso até na Igreja, quando organiza o calendário litúrgico. Vivenciamos as grandes festas, como Natal, Quaresma, Páscoa e Corpus Christie, mas a rotina aparece nos Domingos do Tempo Comum.
Na passagem exclusiva da vida, quem não gosta da rotina é porque ainda não aprendeu a gostar de si mesmo. A rotina incomoda os que têm dificuldade de conviver consigo mesmo e precisa ter sempre alguém ou algo novo para preencher o vazio deixado pela falta de amor próprio. Enquanto buscarmos nossa realização pessoal em outras pessoas e em outras coisas, de preferência novas a cada dia, a rotina vai ser um fardo por demais pesado e dará trabalho para carregar. Nisso, também, a Igreja nos ajuda. Temos, no domingo, a oportunidade de participarmos da Santa Missa, momento oportuno para recebermos as graças necessárias para bem vivermos a semana vindoura. Assim sendo, quando percebermos que a alegria vem da graça de Deus e está dentro de nós, enfrentaremos com mais tranquilidade as vicissitudes da vida, cada dia terá seu encanto e seremos muito mais felizes.  
Luisa Garbazza
Fevereiro de  2013.

Versão publicada no Jornal Paróquia
Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho em março de 2013.