segunda-feira, 15 de março de 2021

Carta aberta ao cidadão brasileiro

                                

            Prezados compatriotas

Quem nos diria que, logo no início da terceira década do segundo milênio, em plena era tecnológica, estaríamos passando por uma situação semelhante a esta? Fosse filme, com certeza seria classificado como “Ficção científica”. Quando essa “guerra” começou, como seres humanos imperfeitos que somos, ficamos todos procurando um bode expiatório, alguém em que pudesse ser colocada a culpa. Com o passar do tempo, no entanto, descobriu-se de que nada adiantaria encontrar suspeitos, ou culpados. O vírus era real e viera para ficar. Isso era um fato. Culpados ou não, estávamos todos no mesmo barco, carentes dos mesmos cuidados. E todos – TODOS – foram alertados do perigo iminente e de tudo que era esperado de cada um para garantir a própria sobrevivência e o bem-estar do país.  Um ano se passou e, olhando para traz, percebe-se que pouco progredimos.

Após as primeiras constatações, começou a corrida para entender o vírus, por um antídoto, um coquetel milagroso, a descoberta de uma vacina eficaz. Paralelo a isso, fomos aprendendo normas indispensáveis para evitar a disseminação desse vírus. Medidas extremas de higiene pessoal, desinfecção do espaço físico, distanciamento e isolamento social foram exigidas em todos os ambientes. O uso de álcool em gel passou a ser passaporte para a entrada em todos os ambientes, desde à padaria da esquina, igrejas, repartições públicas até a residência de todos os cidadãos de bem.

Muitos “cidadãos de bem”, entretanto, parecem não se importar com o que está acontecendo. O governo faz a sua parte morosamente. A vacina foi descoberta. Já está sendo ministrada, mas parece-me que está sendo fabricada e transportada passo a passo. Sabemos que é preciso cautela e fraternidade. Ao contrário, estamos percebendo jogo de culpados, cada um querendo colocar a culpa no outro, e falta de compromisso com as próprias responsabilidades.

O Brasil, assim como o restante do planeta, pede socorro. A equipe médica pede socorro. As pessoas indefesas pedem socorro. E a pandemia se alastra de forma alarmante. A cada dia aumenta o número daqueles que pagam o preço da negligência de outrem: uma, cem, mil, duas mil mortes em um só dia. É surreal. Inimaginável. Estarrecedor.

O que falta para percebermos a real situação em que vivemos? O que falta para os brasileiros, ou a humanidade como um todo, entenderem que a vida está em nossas mãos? Não só a nossa, mas a de todos com os quais convivemos. Precisamos nos responsabilizar pela vida de nossos pais, de nossos filhos, das pessoas vulneráveis, dos médicos, dos nossos vizinhos. Precisamos valorizar nossa própria vida, dom de Deus. Eu preciso me responsabilizar pelo outro. Você também precisa. Ninguém vencerá essa guerra sozinho, mas sozinho eu posso evitar que muitos pereçam.

O que estamos esperando para agir? Esperando que nosso país entre na “onda preta” e que haja muito pouco a ser feito? Não permitamos que outros sejam contaminados e percam a vida por um ato mal pensado, por um descuido nosso ou por achar que a vida é curta e precisamos aproveitar todas as oportunidades de diversão. Cuidado! Nesse caminho, a vida pode ser menor do que você espera.

Juntos podemos nos confortar e amenizar a pandemia, evitando assim que tantos concidadãos percam a esperança e a vida.

 Atenciosamente,

Luisa Garbazza  

 

Bom Despacho, 15 de março de 2021


domingo, 7 de março de 2021

Face de mulher

 



Na face da mulher,

o sorriso de alegria,

a carga de cada dia,

que transporta com maestria,

porque pode, porque sabe, porque quer.

 

Na face da mulher,

amor puro e verdadeiro

de quem se doa por inteiro,

seja por quem se encantou primeiro,

pelos pais, pelos filhos ou por quem vier.

 

Na face da mulher,

as marcas da beleza real,

da força, da garra, do essencial,

da magia de quem é especial

e transborda doçura e amor onde estiver.

 

Na face da mulher,

revolta ou paciência

por ser alvo da violência

de quem perdeu a decência,

tratando-a como uma coisa qualquer.

 

Na face da mulher,

do medo a cara estampada,

por ser desprezada, amordaçada,

maltratada, ameaçada,

anulada, sem uma chance sequer.

 

Na face da mulher,

vontade de se sentir querida,

festejar, abraçar a vida,

ter sua decisão acolhida,

seja bem-me-quer, seja malmequer.

 

Luisa Garbazza

8 de março de 2021

Dia Internacional da Mulher


sexta-feira, 5 de março de 2021

Gestos de amor

 



Meus queridos leitores, irmãos e irmãs em Cristo, estamos vivendo o tempo da Quaresma; um tempo propício para o recolhimento, para uma busca de nós mesmos, para uma maior aproximação com Deus, nosso Pai. A igreja se despe das flores e cores e se veste de roxo para simbolizar a sobriedade do tempo litúrgico. E nós também precisamos entrar nessa sintonia. Em comunhão com a Igreja, somos convidados a aproveitar esse momento para intensificar a realização de três práticas essenciais para nossa vida espiritual: jejum, caridade e oração. O jejum e a oração são ações individuais que nos ajudam a pensar a vida e a nos conectar com o Salvador; a caridade sempre envolve o outro, que pode ser um amigo, um desconhecido ou alguém da própria família. Durante a Celebração Eucarística, também somos convidados a praticar a caridade: é o momento de ofertar a Deus um pouco do que recebemos, para a manutenção da sua Igreja.

Outro dia, Missa das dezenove horas, na Igreja Matriz, saí, no momento do ofertório, para ajudar a coletar as ofertas. É uma função gratificante em que, por muitas vezes, recebemos de volta um olhar significativo, como se dissesse: “Vê!? Eu estou ajudando”. Na impossibilidade do sorriso, por causa da máscara, um leve aceno de cabeça traduz meu agradecimento. E sigo meu caminho. Próximo à última porta lateral, do lado de fora, por falta de lugares, alguns jovens. Quando me aproximei, vieram todos e, um a um, depositaram suas ofertas. Fiz o aceno, gesto limitado pelas condições e pelo momento. O que eu queria mesmo, porém, era demonstrar minha gratidão e falar-lhes a importância daquele gesto. É muito bom perceber a consciência jovem de trazer a oferta, de contribuir para o cuidado com as coisas de Deus. Depois desse dia, passei a observar: são muitos os jovens que não se contentam em aparecer diante do Senhor de mãos vazias.

 

Oferta do coração

Esse acontecimento fez-me lembrar de uma homilia do Padre Matheus Garbazza, SDN, direto da Paróquia Santa Cruz, em Alta Floresta – MT, que ouvi em outubro de 2020. Dizia ele que o ofertório é um momento de espiritualidade fortíssima, que, às vezes, deixamos passar, distraídos pelo canto e pelo silêncio do sacerdote.  No entanto precisamos participar e ofertar a Deus três coisas. A primeira, em comunhão com o celebrante, o ofertório do pão e do vinho, que se tornarão o Corpo e o Sangue de Jesus. A segunda, a oferta material, que cada um faz segundo as suas possibilidades. De modo especial, o dízimo, quando é o dia, ou a oferta espontânea que fazemos. É a hora de fazer a colheita, ofertar os frutos a Deus. E precisa ser acompanhada de espiritualidade, pois, assim como o pão e o vinho serão transformados no Corpo e Sangue de Jesus, nossa oferta será transformada em bem para a evangelização da comunidade. Precisa ser oferecida com essa intenção. A terceira, ainda mais importante que a segunda, é oferecermos a nossa vida. Enquanto o padre levanta a patena e o cálice, nós colocamos ali nossa vida, os frutos que colhemos durante a semana. Vamos dizer a Jesus o que pudemos fazer de bom, mas também nossos problemas, nossos limites, nossos defeitos. Nessa intenção, quando vemos, o ofertório fica pequeno, pois há muito a oferecer. E tudo isso para que nossa vida, entregue no altar de Deus, também seja transformada na vida de nosso Senhor. E encerrou a homilia pedindo para prestarmos atenção na oração final, que nos disse: “Possamos, ó Deus onipotente, saciar-nos do Pão celeste e inebriarmos do Vinho sagrado, para que sejamos transformados naquele que agora recebemos. Por Cristo Nosso Senhor”. Assim, ouvindo o Padre Matheus, intensifiquei minha espiritualidade e minha intenção de ofertar a Deus essas três coisas.

Nessa Quaresma, e sempre, possamos meditar sobre essas palavras e colocá-las em prática. Tenhamos o coração voltado para o outro, para suas necessidades, seus anseios, sua falta de oportunidade e, sempre que possível, estender nossa mão para acolher, para ajudar, para confortar. Também possamos sempre ter algo de material para ofertar ao Pai no momento do ofertório. E seja nossa vida pautada pelo amor, para chegarmos perante Deus e oferecer a Ele nossa vida, tudo que vivemos, sentimos e sofremos durante a semana.

luisagarbazza@hotmail.com

Luisa Garbazza

Jornal Paróquia

Março de 2021


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Vida Consagrada

 


Ainda sofrendo as consequências da pandemia, que insiste em assombrar a humanidade, vêm-se à mente as dificuldades enfrentadas pelo ser humano. Não apenas com a pandemia, mas também em outros âmbitos da vida. Viver, no sentido amplo da palavra, é difícil. A alegria de viver está em saber dividir, conviver, cuidar. Cuidar do corpo, da mente, do espírito. Cuidar de si mesmo, do outro, da casa comum, que precisa tanto ser preservada para as gerações futuras. E isso é muito difícil! Ciente da necessidade da ajuda mútua e do amor fraterno, e da carência espiritual de tantos filhos e filhas de Deus, alguns irmãos nossos se doam, vão ao encontro do outro. Abrem mão da própria vida para nos ajudar em nossas necessidades. São os irmãos que se entregam através da vida consagrada a Deus: padres, missionários, freiras, filhas da caridade... E essa também não é uma tarefa fácil.

Por entender a importância dessa missão, o Papa São João Paulo II criou, em 2 de fevereiro de 1997, um dia dedicado a esses nossos irmãos e irmãs. Em 2021, portanto, no dia 2 de fevereiro, celebramos os 25 anos do “Dia da vida consagrada”. Nós, cristãos católicos, não podemos deixar passar despercebida essa data. Precisamos, sim, nos conscientizar de sua extrema importância para a caminhada do povo de Deus. Precisamos valorizar aqueles que têm coragem de responder sim ao chamado de Deus e ajudá-los na difícil tarefa de conduzir seu rebanho, pois a messe é grande e poucos são os operários.

 Sacerdote – tirado do meio dos homens 

  

A Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho, conduzida pelos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, que, atraídos pelos ideais do fundador, o Padre Júlio Maria, abraçaram essa missão, é boa sementeira de vocações. Vários foram os jovens que daqui saíram para se entregar a Deus de forma mais efetiva, tanto na diocese quanto nas congregações religiosas. E isso muito nos alegra.

Na Congregação Sacramentina, temos os bom-despachenses veteranos: Padre Robson, SDN – in memoriam –, Padre Jayme, SDN, e Padre Antônio Otaviano, SDN. Em 2019, a paróquia se movimentou, em uma festa de fraternidade e alegria, para a ordenação de mais um sacerdote, saído do meio do nosso povo, o Padre Matheus Garbazza, SDN, que foi coroinha e acólito, por muitos anos, na nossa Igreja Matriz. Hoje está em Alta Floresta – MT.

Em 2021, quando celebramos o “25º Dia da Vida Consagrada”, alegramo-nos com mais dois jovens da nossa paróquia que, assumindo a vocação perante Deus e os homens, escolheram a vida sacramentina: o Felipe Cunha, que já está no meio da caminhada – noviciado em Matozinhos; o Guilherme Souza, nosso coroinha e acólito, menino inteligente, prestativo, simples, carinhoso, no início da caminhada. Guilherme vai para a Casa de Formação Padre Júlio Maria, em Maracanaú – CE. Rezemos por todos eles, para o fortalecimento da vocação.

Quando presenciamos a partida de um jovem para o seminário, sentimos renovada a esperança de uma humanidade mais fraterna; a esperança de que outros irmãos nossos terão a presença de um sacerdote para lhes orientar na vida espiritual, para conduzir a comunidade na direção de Jesus, que caminha sempre à nossa frente. Tenhamos esperança. ESPERANÇA, da qual nos recorda o Papa Francisco na “Fratelli Tutti”: “Convido à esperança que nos fala de uma realidade cuja raiz está no mais fundo do ser humano, independentemente das circunstâncias concretas e dos condicionamentos históricos em que vive. Fala-nos de uma sede, de uma aspiração, de um anseio de plenitude, de vida bem sucedida, de querer agarrar o que é grande, o que enche o coração e eleva o espírito para coisas grandes, como a verdade, a bondade e a beleza, a justiça e o amor”.

                                                                                                                                                                                                                                                             luisagarbazza@hotmail.com

Luisa Garbazza

Janeiro 2021

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Túnel sem luz


Em grande peça imposta pela vida,

vi minha alma tornar-se amedrontada.

Por medos e horrores fui surpreendida,

fiquei só, em mim mesma aprisionada.

 

Trancada nos recônditos esquecidos,

fui tragada pelo túnel sem luz,

de medos e sonhos adormecidos:

tudo anoitece e nada reluz.

 

Nas gavetas tortas da mente oculta,

sem nada enxergar, sem saber de mim,

busquei saída, uma ideia inculta,

algo palpável que me acalme enfim.

 

Segui incerta, sem lugar seguro,

desviei-me dos riscos de viver.

Sonhei saída, um lugar mais puro,

pois ainda resta um sopro do ser.

 

Se a vida é fugaz, importa seguir

sem estimar ou saber de antemão,

se com meus medos irei prosseguir

ou se cheguei à última estação.


                           Luisa Garbazza

                                29-01-2021

                 Em tempo de pandemia


domingo, 3 de janeiro de 2021

2021 – um novo tempo!



          2021 – um novo tempo!

Queridos leitores, depois de um ano tão conturbado, cheio de medos e incertezas, dor e impotência diante de tantas mortes, estamos iniciando um novo ciclo na história da humanidade: o ano de 2021. Estamos entrando neste ano novo com o coração cheio de esperança: esperança em dias melhores, em imunizações, em vida, esperança em Deus. Almejamos um ano mais colorido, com encontros e abraços. Dizem que a vida tem a cor que se pinta. Então, mesmo se literalmente ela não estiver tão matizada, convido o leitor para, retomando o Natal do Menino Jesus, colorirmos a vida com as cores do advento.

Sabemos que há várias opções de cores para se montar a “coroa do advento”. Em nossa paróquia, ela é formada por uma vela verde, uma vermelha, uma rosa e a outra branca. Cada uma delas traz, além da cor, ou por causa da cor, uma mensagem para nossa reflexão. E não é apenas para o tempo do Natal. Podemos, sim, nos orientarmos por elas o ano todo. Ainda mais agora, em 2021, que estamos todos ansiosos e com muitas expectativas. Tempo em que estamos dando passos em busca da cura, em busca da paz.

 

 A cor da vida

Façamos força para colorir a vida em 2021. Não só a nossa, mas de tantos quantos formos capazes. Acendamos a vela verde. Ela representa a esperança trazida pelos profetas que anunciam a vinda do Messias. É a espera pelo Salvador, a esperança renovada com a vinda do Príncipe da Paz. Essa é nossa melhor arma: a esperança. Acreditar que, mesmo em meio a tantos reveses, Jesus, que chegou no Natal, estará sempre conosco, jamais nos abandonará. É com Ele – e de braços dados com os irmãos – que enfrentaremos cada obstáculo que encontrarmos no caminho.

Com o coração cheio de esperança, vamos acender a vela vermelha. É o vermelho do sangue dos mártires, em especial João Batista, que anunciou a chegada do Messias. Mas, acima de tudo, representa o amor de Deus pela humanidade. É agarrado a esse amor que pinta de vermelho nossa vida que precisamos dar passos mais retos neste ano. O vermelho, a cor do coração, também representa força. É isso que devemos pedir a Deus: força para suportar as dificuldades sem desanimar ou sem parar na beira do caminho.

Continuando nossa aquarela, acendamos a vela rosa, que nos lembra de nossa atitude de vigilância, à espera do Senhor que virá. Ela representa também a alegria da chegada do Senhor, que se aproxima cada vez mais. Espalhemos o rosa nos caminhos por onde passarmos, espalhemos a alegria de sermos filhos e filhas de um Deus que é amor. Mesmo nas encruzilhadas da vida, nos momentos de dor e desânimo, alegremo-nos, pois Ele está sempre perto, segurando-nos pelas mãos. Alegremo-nos, pois, no Senhor.

Por fim, acendamos a vela branca, que representa a pureza e a luz que vem da Virgem Maria, na chegada de seu filho O Messias. Representa também a paz e a justiça pregada pelos profetas. Todos nós somos amados por Deus, somos preciosos aos olhos do Criador, portanto somos todos iguais e merecemos ser tratados com amor. O mesmo amor com que Ele envolve cada um de nós. Por isso sejamos nós os profetas de hoje: espalhemos o branco da paz e lutemos para que haja mais justiça entre nós.

Façamos, pois, da vida, uma aquarela, espalhando essas e outras cores ao nosso redor. Cada cor represente nossa crença em dias melhores, nossa confiança em Deus, nosso compromisso com a formação de um mundo mais humano, nossa fé, nossa esperança. Um feliz e colorido 2021 para você, querido leitor.

luisagarbazza@hotmail.com

Luisa Garbazza

Jornal Paróquia - janeiro de 2021

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Pela semana do escritor

                         

Em plenitude


A vida passa e me leva, sorridente, indefesa,

qual pluma suave bailando ao vento.

Ensina-me, com encanto, a viver o momento

- traduzido em verso, poesia e beleza -,

o hoje, o agora,

que a vida lá fora

vem me oferecer.

 

Não importa o trabalho, a hora, o dia,

a faina, o cansaço, a inquietação;

importa a brisa que chega, a face acaricia,

transforma a vida, traz alento ao coração,

embala-me o sonho,

que, doce ou medonho,

faz-me a vida entender.

 

Se hoje é domingo, e a alma está em paz,

saio pela vida a brincar, a cantar, a procurar

uma pessoa, um amigo, algo que me apraz,

um lugar exclusivo, alguém para amar.

E transformo o sonho

em algo risonho

a me preencher.

 

E se um dia a tristeza, porventura, vem me visitar,

sinto, penso, choro, lamento o descaminho,

refaço sentimentos,  pensamentos alinho,

e aqui no meu ninho, não a permito ficar:

busco água clara

que sacia e ampara

a ânsia de viver.

 

Assim guardo no peito - recôndito da alma,

retiro da existência, escola de virtude -

a inspiração, a cor, o som, a plenitude,

a verdade que infunde,  impera, acalma,

vê da vida a essência:

quanto mais tenho ciência,

mais preciso aprender.

 

Luisa Garbazza