sábado, 12 de maio de 2018

Dia de Lembranças



Mãe, palavra única e bela;
som que embala a vida, afaga a alma, sonhos revela,
torna-se a representação física do amor.
Mãe, doce e suave essência da vida,
aquela que é sempre exaltada e querida
pelos que gerou e criou com primor.

Mãe, minha mãe!
Mais uma vez estamos às voltas com o “Dia das Mães”.
O meu virou “Dia de Lembranças”.
Lembranças da senhora, minha mãe, que me acompanhou por tantos e tantos anos.
Deu-me a vida, ensinou-me a andar, a falar.
Apresentou-me ao Papai e à Mamãe do céu e ensinou-me a rezar.
Foi minha mãe, minha professora, minha catequista, minha amiga, minha companheira...
Por tantas vezes, nas horas de dores físicas, foi minha médica e minha enfermeira.
Ensinou-me a amar Maria, a confiar em Jesus e a me abandonar em Deus.
Foi exemplo de força, de luta, de resignação, de perseverança, de fé e, acima de tudo, de esperança.
Hoje já não está mais aqui.
Olho para trás e vejo-a em tudo que vivi.
Sinto sua doce presença em cada curva do meu caminho.
Ah! As lembranças!... Elas que alimentam meus dias.
Lembrança da pura e bela existência de minha mãe...
Tantos filhos, tantos problemas, mas tanto amor.
Lá está você, minha mãe, cuidando de cada um de nós...
Carregando lenha e vasilha de água na cabeça; lavando roupas, muitas roupas; cozinhado para tanta gente; costurando, noites a dentro: remendando, cerzindo, emendando, refazendo;
Lá está você pelejando com a vida, fazendo o melhor que podia para cada filho. Tarefa nem sempre fácil. Aliás, tarefa assaz difícil. E você a fazia com força e delicadeza, com autoridade e doçura... e outros paradoxos, pois viver com tanta suavidade, só mesmo com muita poesia. Preenchia as faltas – tantas – que a vida nos impunha. Fazia-nos ver a vida com olhos de esperança. Mantinha a dignidade e a confiança no Pai.
Lá está você, minha mãe, cuidando de mim: penteando meus cabelos, vestindo-me, acompanhando meus passos pela vida, em cada momento, cada dia, cada etapa vivida.
Como não viver de lembranças?
Você é presença mais que viva; faz parte de mim, dos meus dias, dos meus pensamentos, das minhas orações.
Sinto-a tão perto!... Vislumbro-a em todos os lugares, percebo sua presença, seu sorriso tão lindo, sua intercessão.
Obrigada por ter sido a “minha” mãe. Por fazer-me ver a vida desta maneira tão especial. Por ensinar-me a buscar as coisas simples, a sorrir mesmo nas horas difíceis. Obrigada por deixar-me como herança a fé em Deus, seu maior legado.
Parabéns, minha mãe. Abraço apertado para a senhora.
Minha alegria é saber que a senhora vai receber o abraço mais especial de todos: daquela que a acompanhou pela vida afora, todos os dias de sua existência e hoje é sua companheira no céu: sua mãe e madrinha, Nossa Senhora.
Com amor de filha: doce, enorme, especial, infinito...                                                                                                             Luisa Garbazza
12 de maio de 2018
Véspera do Dia das Mães.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Elucubrações


O breve compasso da existência,
que me enlaça, cerceia meus passos,
prende-me, esquece minha essência,
cerca-me, limita-me os espaços.

As rígidas vendas que me cegam,
fecham-me, neutralizam-me os gestos,
qual grades que me  prendem, me cercam,
chegam, medeiam-me os pensamentos.

Minha voz reprimida, aflita,
no peito estagnada, velada,
a fala reservada, não dita,
que nem nasce: morre sufocada.

O sopro do vento que me assola,
aturde-me, amarra-me os braços.
O cipó que me enleva, me enrola,
cinge-me, paralisa-me os passos.

Mas por dentro, na essência contida,
qual bálsamo que cura, que acalma,
o sorriso, a paz incontida,
verdades: retratos de minh’alma.
Luisa Garbazza
30 de abril de 2018

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Adeus ao Padre Robson




O repicar dos sinos anuncia,
um vazio que chega sem medida
e ao som de triste melodia:
do Padre Robson a despedida.


O bom combate combateu,
fiel aos propósitos de Cristo.
Toda a Bom Despacho se entristeceu,
pois foi um sacerdote bem quisto.


Em sua grande simpatia,
com palavras de vida e salvação,
a todos com carinho acolhia
e os guardava no coração.


De alma pura, vivia com alegria,
com gostos por invenções.
Para tudo tinha uma analogia
e muitas inspirações.


Padre Robson, sacerdote amigo,
que entre nós ficará eternizado,
encontrará no céu um abrigo,
pois viveu a fé de bom grado.


Nessa sua última viagem:
Vá com Deus, bom velhinho!
Receba, como singela homenagem,
dos bom-despachenses o carinho.
  Luisa Garbazza

26 de abril de 2018

Dia do falecimento do Missionário Sacramentino Padre Robson Teixeira Campos

sábado, 14 de abril de 2018

Cenas da guerra



Eu vi os ataques terríveis
de uma guerra incontida,
de consequências temíveis
para uma gente esquecida.

Eu vi a agressão dos poderosos
que pelo poder se enfurecem.
Tornam-se tão pretensiosos
que da lei da vida se esquecem.

Eu vi muitos seres caídos,
jogados na rua enlameada,
sobre os escombros doídos
de uma guerra pesada.

Eu vi milhares serem atingidos:
homens, mulheres e tanta criança
que, ao serem mortalmente abatidos,
viram o fim de qualquer esperança.

Eu vi crianças chorando,
abandonadas, tão sozinhas,
sem compreender o comando
daquelas ações tão mesquinhas.

Eu vi tantos corações aflitos
com medo, privados do seu afã;
no limite da vida, cercados de conflitos,
já sem alegria, sem crença no amanhã.
Luisa Garbazza
14 de abril de 2018 – Guerra da Síria

Foto
https://www.google.com.br/search?q=guerra+na+siria+2018&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwj70um5hrvaAhXHqZAKHZddDi4Q_AUIDCgD&biw=1024&bih=714#imgrc=tuKgUJJ-tqMzbM:



sexta-feira, 6 de abril de 2018

Vida em gotas


Ainda bem que a vida vem em gotas:

gotas de ansiedade,
             de tristeza,
               de preocupação;

gotas de alegria,
            de felicidade,
              de paz;

gotas de dor,
             de saudades,
                de incertezas;
 
gotas de fé,
              de crença,
                 de pertença a Deus;

gotas de fracasso,
              de derrota,
                 de desilusão;

gotas de procura,
              de luta,
                de vitórias;

gotas de confiança,
            de perseverança,
              de volta por cima;

gotas de amizade e amor,
            de risos e lágrimas,
               de fins e recomeços.

Ainda bem!
Viesse em forma de chuva,
morreríamos todos sufocados,
afundados em nossos próprios sentimentos.

Luisa Garbazza
6 de abril de 2018

quinta-feira, 15 de março de 2018

Vida nova em Cristo


Estamos vivendo, mais uma vez, o período da Quaresma. Para nós, cristãos católicos, esse é um tempo de reflexão, silêncio e oração. Tempo de entrarmos em sintonia com Deus e lembrarmos nossa condição de míseros mortais. Momento de lembrarmos o sofrimento de Jesus e o propósito que o levou a suportar suas dores e sua cruz: a salvação da humanidade.
Revivendo os momentos da paixão e morte de Cristo, não nos esqueçamos da agonia de tantos irmãos e irmãs nossos que sofrem, vítimas de toda espécie de violência: o preconceito, a discriminação, a luta de classes, a dificuldade de conviver com o diferente, o descaso com as mulheres, crianças e idosos e, de forma mais sangrenta e cruel, os milhares que sofrem os horrores da guerra alheia.
Com o coração apertado, ao perceber tanta violência, juntamos as dores do mundo ao calvário de Jesus. E assim, vamos nos aproximando da Semana Santa. Reviver os passos de Jesus e tudo o que sofreu por nós é muito doloroso. São marcas da injustiça, da maldade humana, da violência, do egoísmo e da ganância pelo poder.
O que há de bom em tudo isso? A alegria de saber que tudo culmina com a glória de Jesus na Páscoa da Ressurreição: tempo de alegria por saber que Cristo vive, que continua perto de seu povo sempre e sempre, conforme Ele mesmo prometeu naquele dia.
Sabendo que a Páscoa é, para nós cristãos, o anúncio de uma nova vida, e que Deus é misericordioso, é isso que queremos pedir a Ele, através do mestre Jesus: vida nova e muita luz na face da terra. Para isso, pedimos:
Vinde, senhor! Renascei no coração de cada ser humano, filhos vossos. Tornai-nos mais sensíveis ao sofrimento e às necessidades de cada irmão. Ajudai-nos a olhar com bondade para a criança indefesa, para as pessoas com dificuldade na caminhada, para o que está triste e deprimido, para os velhinhos que já não conseguem mais pensar e agir por si próprios. Tocai o coração dos que estão no poder e dai-lhes discernimento para perceber os horrores dessa guerra absurda que destrói sem piedade e dizima milhares de inocentes. Fazei, Senhor, com que enxerguemos uns aos outros realmente como imagem e semelhança vossa, afinal somos todos irmãos. Com todos esses propósitos, lembrando suas palavras quando apareceu aos discípulos, pedimos de todo coração: Dai-nos, Senhor, a vossa paz. E que possamos desejar e transmitir essa paz a todos os povos. Amém.
Luisa Garbazza

***

A você, querido leitor, querida leitora, com a alegria de Jesus ressuscitado, quero desejar uma feliz vida nova.
Feliz Páscoa!

Informativo Igreja Viva
Paróquia Nossa Senhora do Rosário
Março de 2018

domingo, 11 de março de 2018

A graça da vida


A vida é uma caixinha de surpresas: vai se descortinando aos pouquinhos, revelando sua face oculta, ora bela e sorridente, ora de cara fechada. Aos poucos vai traçando nossos passos, bordando nossos sonhos, alinhavando nosso futuro. E, a despeito de qualquer engano ou desengano, queremo-la bem vivida. Queremos achar graça em nossa existência, encontrar a essência da vida. Para viver com graça e buscar a completude, necessitamos de Deus e das pessoas. É em Deus, através do outro, que conseguimos encontrar o sentido da vida. Cada pessoa que passa por nossa vida tem seu papel predestinado. Precisamos acolher o irmão e descobrir algo bom em todos os que cruzam nossos caminhos.
Nos encontros desta vida, há as pessoas que apenas passam por nós. Às vezes estão tão próximas, mas é como se nem as notássemos. Não trazem nada, não pedem nada, ficam alheias à nossa presença. Nada que façamos vai proporcionar o verdadeiro encontro. Ficam ali, por meses, anos até, e nada acontece. Depois, da mesma forma que chegaram, vão-se embora. Assim como não permitiu que notássemos sua presença, também a ausência passa despercebida.
Há as pessoas que se aproximam com tamanho barulho, que enchem o ambiente. Falam muito, riem alto, fazem palhaçada. O que querem mesmo é chamar a atenção. Em pouco tempo, ficam “amigas” de todo mundo. Todas as pessoas as conhecem. São muito populares, querem mandar e desmandar. Mas é tudo mecânico demais. Há um barulho excessivo. Isso impede a aproximação. Não há como ficar pertinho, aprofundar os sentimentos, criar laços.  
E há as pessoas que chegam como se fossem anjos, com sua presença discreta e agradável. Falam baixo, sem exageros, ouvem muito, sorriem com os olhos. Mesmo a uma pequena distância, chegam tão perto que nos envolvem completamente. Sabem se fazer presente sem se impor: mexem com nossos sentimentos, cativam nosso bem querer, tornam-se indispensáveis.
Uma dessas pessoas anjo que conheci atualmente chama-se André. Melhor dizendo: Padre André, Missionário Sacramentino de Nossa Senhora. Encontrei-o, brevemente, em Manhuaçu, em setembro de 2017. Agora o recebemos em nossa paróquia. Chegou de mansinho, quase deslizando, tão leve são seus passos. Demonstrou uma humildade tão grande! Não falou alto, não se impôs, não fez barulho. Quando falou, durante a celebração de acolhida, foi com propriedade, de forma suave e forte ao mesmo tempo. Tocou-me o coração. No momento da consagração, deu-me a impressão de que estava muito pertinho de Jesus, repetindo suas palavras, tão necessárias para nossa fé.  Em sua fala, no final da celebração, pude perceber sua vontade enorme de anunciar Jesus, de expandir o Reino de Deus, de se aproximar do irmão, seja ele quem for.
Depois da Missa, conversando com outras pessoas, compreendi que haviam percebido a mesma coisa. Um falava, o outro comentava, alguém fazia gestos de impaciência por não encontrar as termos certos, mas não conseguimos traduzir em palavras o que estávamos sentindo. Soubemos apenas que o Padre André era diferente.  
Nos outros momentos de convivência, fui percebendo que não havia me enganado. Em todos os lugares onde o encontrei, suas atitudes eram as mesmas: de proximidade, carinho com as pessoas, de humildade. A leveza em suas palavras nos faz entender tudo com mais sentimento. E o gesto de ir ao encontro do outro faz com que o vejamos como verdadeiro discípulo de Jesus e do Padre Júlio Maria.
Dizem que a primeira impressão é a que fica. Essas foram minhas primeiras impressões sobre o Padre André: alguém que traz consigo a marca do “amar ao próximo como a si mesmo”, alguém comprometido com a missão, alguém de quem me aproximo com a impressão de que já o conheço há muito tempo. Tomara eu não esteja enganada e nossa paróquia tenha sido mesmo agraciada com essa pessoa de Deus, abençoada por Maria, cumprindo sua missão sob a intercessão do Servo de Deus Padre Júlio Maria. Hoje e sempre, seja muito bem-vindo, Padre André.
Luisa Garbazza
Jornal Paróquia Nossa Sra. do Bom Despacho.
Março de 2018