quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Aniversário


Padre Antônio Otaviano,
uma figura exemplar,
seus setenta e nove anos,
hoje está a completar.

O que podemos dizer:
Celebre com alegria,
pois é bonito viver
sob as bênçãos de Maria.

Receba, querido amigo,
de todos uma oração
e leve, junto consigo,
nosso amor no coração. 

                                     Luisa Garbazza
                                               17/01/2018

Ao Padre Antônio Otaviano, nosso amigo, nosso exemplo de entusiasmo pelas coisas de Deus, pela Liturgia, pelas pessoas e pela vida.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Pela vida e pela paz


Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Despacho
6 de janeiro de 2018
Tal visão assaz agressiva
entristece a alma cristã.
 – É evolução regressiva! –
Reclama a alma cidadã.

Qual mão desnorteada
pratica tal violência?
Uma alma desenfreada
afastada de sua essência.

Que ato tão desprezível!
Que atitude insana!
Algo assim inconcebível,
uma cena um tanto profana!

Qual mensagem haveria
por trás de tal atitude?
Ato de pura selvageria
ou carência de virtude?

Alguém, por trás dessas mãos,
provocou destemperança.
Agrediu os povos cristãos,
que vivem de fé e esperança.

Porém busquemos entender
o que aprendemos de Cristo.
Que os cristãos iriam sofrer
há muito estava previsto.

E num gesto de nobreza,
em que todo ódio se desfaz,
não troquemos asperezas:
lutemos, sim, pela paz.
Luisa Garbazza


5/1/2018

Foto da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Despacho
em 6/1/2018.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Um olhar em 2018


Nos pequenos gestos do dia a dia, vamos construindo nossa história. Assim também com a nossa fé, construída aos poucos pela vida inteira. São pequenos gestos, detalhes que às vezes passam despercebidos, que vão contribuindo para a formação da comunidade cristã, peregrina neste mundo, desejosa de um novo céu e uma nova terra.   
São sinais assim que pude observar na noite do dia oito de dezembro de 2017, na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Despacho. Era dia da Imaculada Conceição. A igreja cheia louvava, mais uma vez, a Virgem Mãe de Deus. Terminada a celebração, o Padre Antônio convidou a assembleia para frente, no entorno da imagem de Nossa Senhora. Ali seria feita a oração em louvor à santa e a benção final. Depois formou-se uma fila de fiéis para uma conversa a sós com a Mãe do Céu. Cada um a seu tempo e do seu jeito, todos foram se aproximando... Os gestos, as orações, os olhares das pessoas confirmavam a fé que as movia. A fé em Maria, Mãe de Deus, e em sua Imaculada Conceição. A fé em sua capacidade de interceder por nós ao Pai. A fé na certeza de que ela realmente nos ajuda a atravessar os vales de lágrimas que, inevitavelmente, fazem parte de nossa caminhada.
Quando me aproximei da imagem, contudo, o que me falou ao coração foi o olhar da própria Maria. Por alguns instantes, senti-me presa, como se ela estivesse olhando dentro de minha alma, apesar de estar com os olhos voltados para o alto. Nesse dia, nessa hora, havia algo de diferente naquele olhar, embora eu, em minha pequenez, não tenha conseguido decifrá-lo. Sei apenas que havia vida naquele olhar piedoso e suplicante dirigido aos céus.
Fico imaginando o olhar de Maria, neste início de ano. Com certeza, olha para este mundo, tão diferente do projeto de Deus, e se entristece. E suplica ao Pai celeste que tenha piedade de seu povo. Pede misericórdia para os pobres que têm de se contentar com um trabalho mal remunerado e uma vida restrita, sem direito a lazer, saúde e educação de qualidade. Misericórdia das crianças entregues às ações sem limites de uma globalização sem regras nem censura. Dos jovens que crescem nesse mundo digital, bombardeados pelas redes sociais e pelas drogas que atingem todas as esferas da sociedade. Misericórdia das famílias que enfrentam tantos problemas para edificar uma família cristã, sofrendo as consequências de um estado laico e incrédulo. Misericórdia do nosso Brasil, tão massacrado pela corrupção que leva à revolta e à violência cada vez mais crescente. Do mundo, que, ao invés de procurar o caminho para a paz, mostra-se cada vez mais egoísta e ganancioso, em uma guerra permanente pelo poder e pela riqueza.
Em 2018, vamos unir nosso olhar ao de Maria e suplicar ao Deus da vida que tenha compaixão de nós. Ajude-nos a não desanimar. A acreditar que a fé e a oração podem transformar o mundo. Peçamos que este seja realmente um novo ano. Que as pessoas se olhem com mais amor. Que possamos entender melhor as palavras de São Paulo na primeira carta aos Coríntios – "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine." – e assim fazer a nossa parte para ver o mundo mais humanizado e temente a Deus. Amém.
Luisa Garbazza

Publicação do Jornal "Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho".
Janeiro de 2018



sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Gotas


Olhe a chuva lá fora!
Olhe a água que cai em gotas!
Gotas grandes, pequenas, 
constantes, espaçadas .

Olhe a gota na planta, 
na grade, no portão.
Gotas que molham a terra 
umedecem o ar, a alma, o coração.
Gotas de chuva que trazem saudade, 
nostalgia, emoção.

Olhe a chuva!
Chuva que deixa suas marcas, 
fecunda o chão.
Renova a esperança de fartura na plantação.

Olhe a chuva!
Olhe a chuva e não esqueça a gratidão.
É Deus chovendo na terra
em gotas de oblação.
Que chova também em seu coração.
Luisa Garbazza
Manhã chuvosa - 5 de janeiro de 2018

domingo, 24 de dezembro de 2017

Magia do Natal


Quando o Natal vem chegando,
traz uma aurora de luz.
É o mundo se preparando,
para receber Jesus.

Jesus, o Rei do Universo,
a todos vem visitar.
Na bondade vem imerso,
para nos contagiar

Que o Natal traga magia,
paz, amor e emoções.
Que haja sempre alegria,
reinando nos corações.
                                                 Luisa Garbazza
Dezembro de 2017
  
A todos nós, o desejo de vida nova!
Que o tempo novo venha recheado de bênçãos e esperança.

A luz que vem de Jesus inunde nossa vida e traga muita paz, fraternidade e muito amor.

Feliz Natal!!! 

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Urgências de fim de ano

Muito já ouvimos falar em “sinais dos tempos”. Percebemos isso no dia a dia. Cada tempo tem os seus sinais. Estamos vivendo agora o tempo das urgências: todos têm pressa; a paciência fica em segundo ou terceiro plano; ninguém pode esperar. Mas ultrapassar o tempo, isso não podemos. Senti essa urgência exagerada neste ano: novembro ainda nem figurava no calendário quando as lojas começaram a exibir os primeiros enfeites de Natal.
Quando saí pelas ruas no finalzinho de outubro e vi luzes piscando em uma loja, achei que havia alguma coisa errada. Mais alguns passos. Outra loja com enfeites de Natal. E não era para vender, e sim para enfeitar a loja mesmo. Em algumas casas, os famosos pisca-piscas já funcionavam. Fiquei perplexa. Ainda faltavam dois meses para a data e já estavam se preparando. Ainda nem estávamos no Advento e já se preparavam. Aprontavam vitrines coloridas, chamativas, principalmente sob os olhares das crianças, que já começam a exigir esse ou aquele presente. As lojas cheias, barulhentas, iluminadas, já se diziam preparadas. Não para essa grande festa, com certeza. Preparados, sim, para a materialização dessa festa.  Uma pena! Quisera se preparassem para o verdadeiro Natal, aquele que começa com o Advento, passa por um período de análise de vida e conversão e chega ao presépio, para adorar o Menino que acaba de nascer.
Longe do burburinho das ruas comerciais do centro da cidade, o pensamento vai além das urgências. Fico imaginando as diferenças sociais neste mundo tão desigual... Enquanto para uns a urgência é o leite e o pão, para outros é o que vai servir de diferente nas festas natalinas; se para uns é urgente uma roupinha para o filho vestir, outros gastam fortunas em roupas que serão usadas apenas uma vez; uns irão às ruas apenas olhar as vitrines, deixar os filhos se encantarem com o colorido da cidade, enquanto outros saem das lojas com mais compras que os braços conseguem carregar. Nesse sentido, podemos enumerar ainda algumas diferenças e inúmeras urgências supérfluas que preenchem o universo dos endinheirados.
O pensamento vai mais longe... A alma torna-se criança: “Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o Reino do Céu.” já nos dizia Jesus. Se o mundo fosse governado por uma criança, tudo seria mais humano, mais simples, mais igual. A pureza de coração dos pequenos é visível na facilidade com que se aproximam uns dos outros, na simplicidade com que se misturam, combinam as brincadeiras, trocam os brinquedos, dividem seus lanches.
Assim, como em um universo infantil, imagino o Natal e a vida: todos teriam “brinquedos”, pois quem tivesse dois ou mais dividiria com quem não possuísse nenhum; ninguém ficaria triste, ou sozinho, pois a comunidade estaria reunida; ninguém passaria a noite com fome, pois a mesa farta seria partilhada; e, o mais importante, todos se reuniriam em torno do presépio, pois é ali que se encontra a razão divina e sublime desta festa universal. Sei que é utopia, mas bem que poderia se tornar realidade, conforme diz o poeta: “Se a gente é capaz de espalhar alegria, se a gente é capaz de toda essa magia, eu tenho certeza que a gente podia fazer com que fosse Natal todo dia”.

Nesse tempo de Advento, tempo de oração, vigilância e possíveis mudanças de vida, rezo a Deus por seu povo – santo e pecador – nesta estrada da vida rumo ao Natal e ao céu: Ajudai-nos, ó Deus, a rever nossas urgências. A vida é tão transitória! Ajudai-nos a distinguir o que realmente é urgente do que são apenas caprichos para preencher uma vida vazia demais. Ajudai-nos a perceber o verdadeiro sentido do Natal. Só assim poderemos perceber que a maior urgência de nossa vida é o caminho do céu e a única maneira de encontrá-lo é de mãos dadas.
Luisa Garbazza
Publicação do Jornal Paróquia N. Sra. do Bom Despacho
Novembro de 2017

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A santidade de cada dia

O ano de 2017 vai chegando ao fim. Já estamos no mês de novembro. Em breve, estaremos celebrando o Natal. Olho para trás e vejo quanta coisa vivenciamos durante o ano. Coisas boas, mas também fatos desagradáveis, cruéis, que nos levam a momentos de deserto na alma. Mas, neste início de mês, aproveitando a celebração do Dia de Todos os Santos, pela Igreja Católica, quero lembrar as coisas que nos enalteceram e fortificaram nossa fé. Ver a devoção do nosso povo pelos santos e santas é uma delas.
Em meados do mês de maio, tivemos a oportunidade de perceber as manifestações de fé dos nossos irmãos, por ocasião da visita da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida em nossa paróquia. A imagem foi levada às igrejas, instituições e também ao Hospital da Santa Casa. Por onde passou, sensibilizou as pessoas e deixou rastros de santidade. Era perceptível, no olhar de cada um, a crença em Maria, a mãe do Filho de Deus.
Em outubro, por ocasião da festa do tricentenário da aparição da pequena imagem, nas águas do Rio Paraíba do Sul, as manifestações de louvor a Nossa Senhora Aparecida ganharam mais força. Aqui em nossa paróquia, na Comunidade Nossa Senhora Aparecida, esses trezentos anos foram celebrados com novena, barraquinhas, mas, acima de tudo, com gestos de amor, de união, de solidariedade. Durante a novena, o povo participava, rezava, cantava e, no final, se emocionava ao se aproximar de Nossa Senhora, ofertar-lhe uma flor e, aos seus pés, depositar o alimento para aliviar a aflição do irmão necessitado. 
No dia da festa, com a igreja absurdamente cheia, Padre Márcio conduziu a celebração, de forma piedosa e acolhedora, e a procissão com a imagem pelas ruas da comunidade. A emoção tomou conta dos fiéis. Após a procissão, todos se aproximaram da imagem para sentir a presença da Mãe do Céu. Alguns em silêncio, outros rezando. Uns se aproximaram de joelhos no chão, suportando a aspereza do piso. Muitos, com a sensibilidade à flor da pele, não se acanharam em deixar verter lágrimas pelas faces contemplativas, afinal, representada pela pequena imagem, ali estava aquela que adotamos como mãe: Maria, a cheia de graça, a Nossa Senhora brasileira, nossa intercessora, rainha e padroeira do Brasil.
Presenciei cada momento dessa festa do coração. Observei os olhares, os toques, as pessoas que se aproximavam da imagem e a fitavam em silêncio, como se abrissem o coração de filho e esperassem o carinho da mãe. Através desses gestos, senti aflorar em mim, de forma mais intensa, o amor e a crença nessa Mãe, tão próxima, tão protetora. Por outro lado, lembro-me das palavras do nosso querido Padre Jayme, um exímio conhecedor da história dos santos e santas. Sempre que fala sobre algum santo, Padre Jayme nos ensina que, mais que a devoção, precisamos conhecer a história do santo e procurar viver segundo seu exemplo. Ninguém é santo por acaso. Há uma caminhada de fé, de solidariedade, de desapego das coisas mundanas, de solidariedade, e também de sofrimento, por trás da história de cada santo que mereceu a glória dos altares. De Maria, sabemos sua suavidade, sua ternura, mas também sua entrega total nas mãos de Deus e a força com que ela suportou cada sofrimento, cada espada que transpassou sua alma.
Neste mês de novembro, estaremos recebendo a visita da imagem peregrina de São Rafael, padroeiro da Diocese de Luz. Saibamos aproveitar esses dias para conhecer a história desse santo e de que maneira poderemos, também nós, buscar a nossa própria conversão, pois a santidade acontece é um pouco a cada dia, nas demonstrações de fé, de compaixão, de amor a Deus e ao próximo.

Luisa Garbazza
Publicação do Jornal Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho
Novembro de 2017