domingo, 14 de maio de 2017

Toda Mãe


Toda mãe, obra divina    
é o maior bem desta vida
é feita de puro amor.
É luz que a vida ilumina
a pessoa mais querida
que nos deu o Criador.

Toda mãe, feita carinho
nos braços embala o filho
extensão do corpo seu.
Vendo do filho o passinho,
olhar se enche de brilho:
presente que Deus lhe deu.

Toda mãe, feita cuidado,
quer guiar do filho os passos
nesse mundo inconstante.
Quer caminhar lado a lado
sintonizando compassos
da vida a cada instante.

Toda mãe, sim, envelhece
mas do filho não se esquece
quando longe se encontrar.
Sua alma não enfraquece,
ergue a Deus Pai uma prece
pra seu filho abençoar.

Toda mãe falece um dia  
vai embora desta vida
receber o seu troféu:
Em sua nova moradia
será com amor acolhida
no  colo da Mãe do Céu.

                               Luisa Garbazza
                                                14 de maio de 2017


Mensagem lida para as mães no final da Missa das 9h, 
na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Despacho.
Parabéns a todas as mães.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Mãe e mães

Nós, católicos, crente que somos da certeza de que Maria Santíssima é a Mãe de Deus, aceitamos o convite de Jesus, quando disse “Eis aí tua mãe”, e a amamos como tal. Tamanha é nossa devoção pela mãe de Deus, que seu nome se espalhou e se multiplicou em tantos títulos, que fica difícil sabê-los todos.
Nós, católicos de Bom Despacho, estamos vivendo a graça de receber a visita da Mãe de todos nós com o título de Nossa Senhora Aparecida. Cada paróquia se prepara, da melhor forma, para receber a imagem peregrina. É a Mãe visitando seus filhos, trazendo sua presença tão amada, confortando o coração de cada um de nós.
Olhando a passagem da imagem, vejo as pessoas querendo se aproximar, tocar o manto de Nossa Senhora, olhá-la bem de pertinho. É emocionante ver a acolhida, tanto da imagem quanto das pessoas, e o entrelaçamento entre as paróquias – a que leva a imagem e a que a recebe – em uma demonstração nítida de solidariedade, de amizade, de união entre os cristãos. Talvez seja esse o modelo de comunidade desejado por Jesus. Talvez seja isso o que o Papa Francisco vive dizendo em suas andanças pelo mundo: que formemos uma Igreja única, pautada pela convivência harmoniosa, pela alegria, vivendo em torno de um só ideal: bendizer o nome de Jesus. E a Mãe Aparecida tem esse poder. Quando é ela que convida, muitos são os que aceitam o convite e vêm rezar, fazer uma visita, pedir, agradecer tantas bênçãos recebidas.
 Observando um pouco melhor, vejo que a maioria dos que ali estão, estendendo os braços em direção à pequenina imagem, são mães. Mães que, com certeza, estão ali para pedir pelos filhos. São olhares piedosos, mãos estendidas, lágrimas que umedecem as faces e revelam sofrimento e aflição, mas também amor e gratidão.
Por isso, vendo tantas mulheres se desfazendo em lágrimas, quero pedir, de modo especial, pelos filhos. Se o filho está bem, a mãe está bem. Se o filho está em dificuldades, nada acalma a alma da mãe.  Assim, Mãe Aparecida, em nome de todas as mães, peço por nossos filhos: pelos filhos pequenos, para que sejam protegidos na estrada da vida; pelos filhos grandes, para que não se desviem dos caminhos de seu filho Jesus; pelos filhos doentes, para que encontrem alento e esperança nos seus olhos maternais; pelos filhos saudáveis, para que não se tornem egoístas e lembrem-se de ajudar a quem necessita; pelos filhos estudantes, para que levem o estudo a sério, preparando-se para uma profissão; pelos filhos trabalhadores, para que tenham paz e serenidade para bem cumprir sua tarefa no dia a dia; pelos filhos distantes, para que não se esqueçam daquela que lhes deu a vida e se entregou para criá-los; pelos filhos que estão perto, para que não se impacientem ante as dificuldades de convivência com a mãe; enfim por todos os filhos e filhas.
Também aproveitando essa visita e o mês de maio, quero pedir à Mãe de todos que abençoe as mães aqui na terra. Essa bênção venha acompanhada de cuidado, de amor, de graças derramadas. Que o Dia das Mães seja um momento de alegria, de presença, de abraço, de carinho e amor, de plenitude.
Tomara todas as mães possam ser amparadas por essa Mãe zelosa. Que aprendam da Mãe Maria, o modelo de suavidade, de obediência a Deus, de entrega total, de respeito, de dedicação, e de amor incondicional. 

Luisa Garbazza
Maio de 2017
Publicação do Informativo Igreja Viva 
Paróquia Nossa Senhora do Rosário

terça-feira, 9 de maio de 2017

A primeira vez

Crônica de viagem

A vida, tão efêmera e tão cheia de surpresas, é um constante aprendizado. Cada dia é uma experiência nova: uma alegria, uma tristeza, um sonho, um encontro, um desencontro... Vamos vivendo, experimentando e aprendendo. Para cada aprendizado, desde a mais tenra idade, sempre tem uma primeira vez: primeira roupa que usou, primeiro dente que nasceu, primeiros passos, primeiro dia na escola, primeiro namorado, primeiro beijo, primeiro filho... E, como dizia uma antiga propaganda, que acabou virando clichê, “O primeiro sutiã a gente nunca esquece”. A primeira vez serve sempre como aprendizado e deixa sua marca, feliz ou negativa, daquilo que se viveu.
No último final de semana, vivi uma sensação indescritível com uma primeira vez: voar. O objetivo era participar de um evento literário: lançamento de uma antologia poética da qual faço parte. Nos dias que antecediam a viagem, fiz de tudo para não me concentrar no voo, para evitar a ansiedade. Curiosamente, foi uma tarefa bem fácil. Tudo pronto, na tarde do dia 6 de maio, rumei para o aeroporto, em companhia de meu filho Matheus. Para ele, acostumado a viajar, uma viagem normal, mas para mim tudo era novidade. Já havia visitado o Aeroporto da Pampulha, no século passado, mas em nada se compara ao aeroporto de Confins. Acompanhava os passos largos do Matheus procurando demonstrar a maior naturalidade possível. Para falar a verdade, não fiquei nervosa, com medo ou qualquer outro sentimento negativo. Estava, sim, ansiosa para viver aquela experiência.
Primeira vez no aeroporto, tudo era novidade: a imensa extensão do lugar; o check-in – feito pelo Matheus no terminal eletrônico –; a passagem pelo raio x; o burburinho constante entrecortado por falas em outros idiomas; a grande caminhada para o acesso ao portão de embarque número 26; o túnel para a entrada no avião. Tudo certo. Depois foi só identificar o assento, ajeitar a bagagem e aguardar a partida.  
Primeira vez dentro de um avião, ouvi a tripulação dar os cumprimentos e os avisos necessários para um voo tranquilo. Então senti a aeronave se locomover, bem devagarinho, por uma grande extensão. A expectativa foi aumentando. Quando o comandante nos comunicou que estava prestes a decolar, aumentando a velocidade, e os motores emitiram um som característico, senti-me suspensa no ar. E a mágica aconteceu sem que eu percebesse: quando olhei pela janela – confesso que a primeira vez causou-me um pouco de vertigem – o avião já estava no ar e a cidade foi ficando para trás.
O tempo estava nublado. Então, em instantes, minhas vistas não mais divisaram a terra lá embaixo. Pelo contrário, e para minha surpresa e alegria, ao olhar pela janela, deparei-me com um imenso colchão de nuvens brancas que flutuavam logo abaixo do avião. Um sentimento indescritível dominou-me. Sentia-me extasiada com tudo aquilo. Pena que não tinha como dividi-lo com alguém, pois estávamos em assentos separados. Olhei para o lado, para trás, para frente. Acostumados com a situação, ninguém parecia notar o que estava acontecendo. Então me concentrei novamente em minha janela. As nuvens haviam ficado para trás. Agora as vistas divisavam, bem lá embaixo, sem muita nitidez, as matas, as cidades e o curso das águas. Apesar do sol que entrava por minha janela – as outras estavam quase todas fechadas – fiquei o tempo todo observando o que havia lá fora. Confesso que fiquei até com dores no pescoço. Mas valeu a pena! O momento da aterrissagem chegou mais rápido do que eu esperava: o comandante avisou e logo avistei a grande São Paulo frente aos meus olhos, também pela primeira vez.
A estada na cidade foi relâmpago. Um olhar pela janela do hotel confirmava a selva de pedras em que nos encontrávamos. Dia 7, o evento, durante uma boa parte do dia, e, à noitinha, já estávamos nos aprontando para o retorno.
O voo de volta foi ainda mais lindo. As luzes, lá embaixo, hipnotizaram-me. Fiquei novamente com os olhos grudados na janelinha observando o formato de cada cidade, cada lugarejo, vila ou arraial que exibiam suas luzes. 
Na viagem de volta a Bom Despacho, ainda em êxtase provocado por tal experiência, confesso que, por duas vezes, surpreendi-me aproximando-me da janela do ônibus e olhando para baixo. 





Luisa Garbazza
9 de maio de 2017

sábado, 15 de abril de 2017

Noite Santa

Belíssima cerimônia de Vigília Pascal na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Despacho.
Todos juntos, em sintonia com o divino, passamos momentos de intensa espiritualidade: a crença no fogo novo que renova nossas forças; a meditação através das leituras bíblicas; a renovação da fé através da renovação das promessas do Batismo. Uma cerimônia demorada, mas carregada de significado. parece que o tempo para, pois nem o sentimos passar.
A caminhada com o ressuscitado – Jesus Eucarístico – marca o ponto alto da nossa fé. no silêncio da noite, o canto marca a alegria da ressurreição. "Ele vive, Ele reina." "Glória, glória, aleluia."


Registro aqui agradecimentos a todos os que colaboraram para a concretização dessa festa religiosa tão intensa. Esforço de muitos em prol desses momentos de fé e esperança.

Registro também as preces que escrevi para serem apresentadas a Deus durante a celebração.

Que Deus nos permita alcançar esses e outros pedidos que trazemos em nosso coração:


Sábado Santo – 2017
Preces dos fiéis

Senhor, venha a nós a vossa luz!

1- Nesta noite da Vigília Pascal, exultemos de alegria pela glória do Ressuscitado.  Protegei, Senhor, a Igreja, para que seja fiel na missão de testemunhar Cristo Salvador a todos os povos, nós vos pedimos.

2- Nesta noite santa, creiamos na certeza de que o ressuscitado está no meio de nós. Amparai, Senhor, vossos filhos e filhas, para que, comprometidos com nosso Batismo, possamos levar a verdadeira libertação aos escravizados e excluídos no mundo de agora, nós vos pedimos.

3- Nesta noite luminosa da Páscoa, aumentemos a nossa alegria de sermos Igreja. Ajudai-nos, Senhor, a acolher vossa ressurreição, para que sejamos renovados em nossa imagem divina e construamos o mundo na paz, nós vos pedimos.

4- Nesta noite santa, fortaleçamos nossa fé e nossa esperança em Cristo. Dai, Senhor, ao povo brasileiro, a graça de reconhecer a importância dos biomas para a vida no planeta e, assim, possa cuidar com responsabilidade dos bens recebidos de Vós, nós vos pedimos.

5- Nesta noite de fogo novo, sejamos fortalecidos pela luz da ressurreição. Conduzi, Senhor, nossa paróquia e os Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, para que vivamos na fraternidade e sejamos semeadores de vida nova no mundo, nós vos pedimos.



Fogo novo.


Bênção da água.


Eis a Luz de Cristo! 


Equipe de Liturgia


Equipe de Canto


Cristo ressuscitado, no entorno da praça, pelas mãos do Padre Márcio Pacheco, abençoa a cidade.

Luisa Garbazza

Aos trinta minutos do dia 16 de abril de 2017


domingo, 12 de março de 2017

Cuidemos do que é nosso

Juntamente com os três pilares que sustentam nossa caminhada quaresmal – oração, jejum e caridade – estamos vivenciando também a Campanha da Fraternidade: um tempo de estudo, reflexão, oração e de comprometimento com as questões sociais.
A Igreja nos propõe o tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”, tendo como lema “Cultivar e guardar a Criação”.
Em suma, precisamos entender que cada um de nós é responsável pela vida no planeta. É nosso dever defender toda e qualquer criação divina. Além de cuidarmos uns dos outros, cuidar do ar, da água, da terra e de tudo que nela habita: “Louvado seja, ó Senhor, pela Mãe terra, / que nos acolhe, nos alegra e dá o pão”.
Ao ouvimos falar de biomas brasileiros, parece algo bem distante de nossa realidade. No entanto estamos inseridos nesses biomas. Bom Despacho fica em uma região de cerrado que precisa ser cuidada com carinho. Como podemos contribuir?
Quando chegamos hoje à igreja, encontramos uma realidade diferente daquela a que estamos acostumados. Com certeza, a presença de sacos de lixo espalhados pelo chão incomodou muita gente. O objetivo é justamente este: incomodar. E, através dessa atitude, conscientizar as pessoas para que cuide do próprio lixo. Ninguém joga lixo na igreja, nem em sua própria casa, mas as calçadas estão sujas, nossas ruas e praças estão cheias de papéis, embalagens e outros descartáveis. Saibamos que o lixo é um dos agentes destruidores dos biomas brasileiros.
Parece pouca coisa, mas isso nós podemos fazer. Além disso, um copo de água que deixamos de desperdiçar, o consumismo desnecessário que evitamos, o lixo que reciclamos, o verde que preservamos, tudo isso contribui para a constituição de um planeta mais saudável para nós e para nosso semelhante.  

Façamos a nossa parte e rezemos a Deus através da oração da Campanha da Fraternidade: “Ajudai-nos, Senhor, a ser responsáveis e zelosos pela Casa Comum. Cresça, em nosso imenso Brasil, o desejo e o empenho de cuidar mais e mais da vida das pessoas, e da beleza e riqueza da criação, alimentando o sonho do novo céu e da nova terra que prometestes. Amém”.
Luisa Garbazza

Texto para motivação da Campanha da Fraternidade 2017.
Apresentado nas missas dos dias 11 e 12 de março, 
nas igrejas da Paróquia N. Sra. do Bom Despacho. 

sábado, 11 de março de 2017

Cristão – um ser em formação

Ao sermos batizados, e termos o sinal da Cruz traçado sobre nós, recebemos o óleo sagrado e nosso nome é registrado nos livros da Igreja católica. Isso normalmente quando criança – bem pequena. Nem nos lembramos desse dia. Não sabemos nada da vida, nem quem somos, nem quem foi Jesus Cristo. Levados por nossos pais e padrinhos, somos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Aos poucos, vamos recebendo os primeiros ensinamentos e somos apresentados ao Papai e à Mamãe do céu. E também a Jesus Cristo, que passa a ser nosso companheiro de caminhada. Quando já temos condições de assimilar esses preceitos, começamos a frequentar a catequese. Aí vamos aprimorar os ensinamentos recebidos do papai e da mamãe – nossos primeiros catequistas – e aprender os princípios básicos fundamentais para a peregrinação de todo cristão.
Frequentamos a catequese por mais ou menos cinco anos e aprendemos apenas o básico. Nossa catequese, entretanto, deve ser pela vida toda, em um aprendizado constante, um pouco mais a cada dia, em todos os dias de nossa vida: ninguém pode dizer que está pronto na fé. – Outro dia encontrei o Padre Antônio lendo um livro bem extenso sobre introdução à Liturgia. E nós, às vezes, achando que sabemos muito.
Os próprios catequistas precisam de formação. E nossa paróquia tem esse cuidado. Em fevereiro, antes mesmo de iniciarem os encontros com os catequizandos, houve quatro encontros, dos quais tive o privilégio de participar: momentos de socialização, de aprendizado, de experiência de Deus, de reafirmação de tão bela vocação.
No primeiro encontro, a Salomé levou-nos uma bonita mensagem sobre “A Fé”. Com sua voz firme, mas, ao mesmo tempo, tão terna, e com palavras profundas e verdadeiras, fez-nos refletir sobre nossa vivência de cristãos e como devemos cuidar da sementinha de fé que todos trazemos dentro de nós. Nossa missão, que não é nada fácil, é fazê-la brotar, crescer e frutificar.
O Diácono Douglas conduziu o segundo encontro: “A oração”. Com citações bíblicas, exemplos de vida e testemunhos, transmitiu-nos o valor da oração e a necessidade que temos de estar sempre em contato com Deus através dela. Com simplicidade e entusiasmo, Douglas abriu nosso coração para enxergarmos a generosidade de Deus, a amizade de Jesus, a presença de Maria e a intercessão dos santos.
“Os Sacramentos” foi o tema abordado pelo Padre Antônio no terceiro encontro. Sempre nos enriquecendo com sua fala tranquila e cheia de sabedoria, Padre Antônio nos proporcionou maior aprofundamento sobre os sete sinais sagrados que recebemos ao longo da vida e que não nos deixam afastar da graça de Deus.
Por fim, no último encontro, o Luís Henrique falou-nos sobre “Os mandamentos”. Com seu jeito calmo, transmitiu-nos nossas obrigações de cristãos: viver de acordo com os mandamentos do Senhor. Mas mostrou-nos também a misericórdia infinita de Deus, sempre disposto a nos perdoar a cada vez que nos aproximarmos e pedirmos perdão.

Assim como os catequistas, todos os cristãos, principalmente nós que participamos ativamente da vida da Igreja, quer nas Pastorais, nas equipes de Liturgia, nas equipes de Canto, no Ministério da Eucaristia, carecemos de momentos de espiritualidade e aprofundamento na fé, comparada pelo próprio Jesus a um grão de mostarda. Lançá-lo na terra e vê-lo crescer é tarefa de uma vida toda. Talvez nem vivamos o suficiente para vê-lo florescer e frutificar. Não podemos, no entanto, desistir no meio do caminho, ou achar que já sabemos o bastante. Precisamos ter humildade para reconhecer nossa pequenez, aceitar que ainda temos muito que aprender e aproveitar, da melhor maneira que pudermos, os momentos de formação a nós oferecidos.
Luisa Garbazza

Março de 2017
Publicação do Jornal 
Paróquia N. Sra. do Bom Despacho

segunda-feira, 6 de março de 2017

Quaresma e fraternidade

     A Igreja, Mãe cuidadosa, oferece-nos, ao longo do ano, momentos específicos para reflexão, oração e crescimento da fé. Estamos iniciando, mais uma vez, o período da Quaresma. São quarenta dias nos quais somos convidados a um maior exame de consciência, a rezarmos uns pelos outros, a nos convertermos e nos aproximarmos mais de Deus Pai, que nos ama e nos acolhe. Nesses quarenta dias, somos também convidados a experimentarmos três práticas penitenciais: a oração, o jejum e a esmola. Assim estaremos nos preparando, mais intensamente, para bem viver a Páscoa. 
        Durante a Quaresma, a Igreja Católica nos propõe ainda a Campanha da Fraternidade: um tempo de orações, estudo, reflexões e práticas que nos levem a um maior comprometimento com as questões sociais; além da tentativa de chamar a atenção dos políticos e lideranças do país para as necessidades mais urgentes, tanto do povo quanto da terra em que vivemos. 
        Em 2017, com lançamento na Quarta-feira de Cinzas, a Igreja lança a campanha englobando, mais uma vez, a saúde do planeta. Definido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o tema deste ano é “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida". E o lema: “Cultivar e guardar a Criação”. Como cristãos e criaturas de Deus, somos responsáveis pela conservação de toda criação divina. 
         O objetivo maior da Campanha da Fraternidade deste ano é alertar para a importância dos biomas brasileiros, pois eles são essenciais para a preservação da vida em nosso país. É dever de cada um de nós fazer a nossa parte para a conservação de nossas matas e nossas águas. De acordo com o Bispo Diocesano de Foz, Dom Dirceu Vegini, “Tudo deve ser cultivado e guardado e não destruído. A vida é toda ela fraternal. Queremos intensificar uma pastoral em defesa da vida de todos os seres vivos do planeta. A Igreja tem uma responsabilidade pela criação, deve defender a terra, a água, o ar como dons da criação que pertencem a todos. Queremos harmonia entre ecologia humana e ecologia ambiental. O ser humano é guardião de toda a criação e de todas as criaturas”. 
     Com a consciência de que também precisamos fazer a nossa parte, reflitamos com o hino da Campanha, que nos diz: Louvado seja, ó Senhor, pela Mãe terra, / que nos acolhe, nos alegra e dá o pão. / Queremos ser os teus parceiros na tarefa / de “cultivar o bem guardar a criação”. E nos lembra dos biomas brasileiros, cada um com sua característica e sua função específica, formando a unidade do nosso chão: a Amazônia, o Cerrado, a Caatinga, os Manguezais, o Pantanal e os Pampas. 
      Façamos a nossa parte, no dia a dia, para a preservação da natureza. Parece pouca coisa, mas podemos colaborar: um copo de água que deixamos de desperdiçar, o consumismo desnecessário que evitamos, o lixo que reciclamos, o verde que preservamos, tudo isso contribui para a constituição de um planeta mais saudável para nós e para nosso semelhante. Também podemos rezar e pedir a Deus que nos oriente nessa missão, com a oração da Campanha da Fraternidade: “Ajudai-nos a ser responsáveis e zelosos pela Casa Comum. Cresça, em nosso imenso Brasil, o desejo e o empenho de cuidar mais e mais da vida das pessoas, e da beleza e riqueza da criação, alimentando o sonho do novo céu e da nova terra que prometestes. Amém”. 

Luisa Garbazza 

Março de 2017 
Publicação do Informativo Igreja Viva 
Paróquia N. Sra. do Rosário