sábado, 5 de março de 2016

Lágrimas da alma


Aos 5 dias do mês de março de 2016
Dia em que a alma ficou aquém das expectativas, mas, com a graça de Deus, recuperou a serenidade.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Novo dia

Uma claridade acanhada mexe com as cores do horizonte.
O negrume da noite se entrega e deixa ser invadido.
Algo novo acontece de novo: luz.
Não uma luz qualquer: uma luz que atinge, indistintamente, todos os rincões da terra;
uma luz que clareia onde as luzes noturnas da cidade não consegue atingir.
É dia outra vez. 
Outro momento, outra manhã.
Um novo quadro, encoberto, que vai se desenhando, paulatinamente, ante nossos olhos.
A nós, cabe abrir, lentamente, a cortina que nos impede de viver as cenas da vida:
sair de nós mesmos, ir ao encontro do outro;
estar presente;
ser presença que aquece e alegra;
cantar, sorrir, abraçar.
E, na dança da vida que recomeça,
olvidar a indiferença,
olhar nos olhos e dizer:
“Bom dia!”
Luisa Garbazza
28 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

A vivência da misericórdia

O Papa Francisco decretou: 2016 é o “Ano da Misericórdia”. A palavra misericórdia é composta pelos termos latinos MISERATIO, derivado de MISERERE, que significa “compaixão”, e CORDIS, derivado de COR, “coração”. Juntas, significam “‘dar o coração àqueles que são vítimas da miséria”. Essa palavra aparece muitas vezes nas Sagradas Escrituras, tanto para mostrar a compaixão de Deus para com a humanidade, quanto para nos ensinar a ter misericórdia para com nossos irmãos.
No Antigo Testamento, Deus se compadece de seu povo, que sofria os maus tratos da escravidão no Egito, e depois, quando sentia as más condições do deserto em busca da Terra Santa. E na caminhada do povo de Deus, até a vinda do Salvador, muitas foram as interferências do Criador para amenizar as dores dos seus filhos e filhas. No Novo Testamento, enquanto estava entre nós, Jesus deixou vários exemplos para que entendêssemos que devemos ter misericórdia uns para com os outros. Em uma das parábolas, enquanto o sacerdote e o levita viram o homem jogado no chão, ferido, quase sem vida, e passaram adiante, o samaritano agiu com misericórdia e ajudou-o a recuperar a dignidade. E o próprio Jesus estendeu a mão e teve misericórdia dos doentes, do cego, da viúva, da pecadora arrependida, dos leprosos e do ladrão crucificado ao seu lado.
Muitos séculos se passaram e a humanidade não aprendeu os ensinamentos de Jesus. Pelo contrário, continuam a viver numa busca desenfreada pelo poder acima de todas as coisas. Cada Nação quer ser mais poderosa e, para isso, declaram guerra, agem com violência, matam milhares de inocentes. A humanidade está cada vez mais necessitada de clemência: misericórdia para com as pessoas que lutam pela sobrevivência; com as crianças que são privadas de viver plenamente a infância; com os idosos não compreendidos e, às vezes, esquecidos; com os que são discriminados e oprimidos. Também necessitam da misericórdia de Deus os poderosos que detêm o poder, incapazes de praticar a justiça e a solidariedade; os ditadores que fecham os olhos para a evolução da humanidade; os que se enriquecem às custas do sofrimento de muitos; os que idolatram os valores mundanos e teimam em deixar fechados os olhos da fé.
Nós, católicos, também precisamos repensar o sentido dessa palavra em nossas ações diárias. Não basta ir à igreja uma vez por semana e depois fechar os olhos ao que ouviu. Também não basta ir à igreja todos os dias e agir como se isso fosse suficiente. O que mais importa é a vivência da misericórdia. E os que mais precisam praticar essa vivência, são os que estão a serviço da Igreja. Ali, colocando os dons à disposição, somos todos iguais. Precisamos agir com misericórdia. Precisamos ser samaritanos com os que nos relacionamos. Trabalhar em comunhão uns com os outros, em comunhão com os sacerdotes e em comunhão com Deus. Só assim, nosso trabalho será agradável aos olhos daquele que nos criou.

Aproveitemos este Ano da Misericórdia para pedirmos a Deus este dom e praticá-lo em nosso dia a dia. Tenhamos, primeiramente, misericórdia de nós mesmos, para vivermos na simplicidade dos lírios do campo, como nos ensinou Jesus, e na humildade do cordeiro, como Ele mesmo nos deu o exemplo. Desta forma, estaremos prontos para agir com misericórdia e acolher a todos os que precisam de nossa ajuda, de nossa compreensão, de nosso sorriso, de nossos conhecimentos dentro e fora da Igreja. É assim também que alcançaremos a misericórdia infinita de Deus Pai, que nos ama e nos acolhe, sempre de braços abertos.
Luisa Garbazza

Publicação do Jornal Paróquia N. S. do Bom Despacho 
Fevereiro de 2016

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A prática do bem

Estamos vivendo – e vivenciando – o “Ano da misericórdia”. É um tempo de graça, para que possamos implorar a misericórdia de Deus. Deus está sempre disposto a nos acolher, a perdoar nossas faltas, a nos receber de volta. Isso porque Deus é bom o tempo todo e nos ama incondicionalmente. Depois que recebemos a graça de Deus, passamos a ser seus colaboradores e recebemos a missão de propagar o seu reino de amor e justiça. Somos convidados a difundir a prática do bem.
Precisamos fazer o bem ao nosso semelhante. Caminhar ao lado daqueles que necessitam de nosso auxílio, ajudá-los a trilhar as veredas da fé, superar obstáculos, anular pensamentos e atitudes que possam provocar o distanciamento de Deus, reinventar a vida cultivando os valores cristãos e dar testemunho da força do amor.
Da mesma forma, é necessário praticar o bem para com a casa que nos acolhe: o planeta. Este ano – 2016 – a Campanha da Fraternidade vem nos lembrar – mais uma vez – o quão urgente é o cuidado com o meio ambiente. “Casa comum, nossa responsabilidade”. A “casa” é de todos nós, portanto somos todos responsáveis por sua conservação. A campanha traz ainda o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca.” (Am 5, 24), para nos mostrar que todos somos filhos da mesma terra e herdeiros dela. Não dá para conviver indiferentemente com tanta injustiça, com a exploração das riquezas da terra para o enriquecimento de uma pequena parte da população. Defendendo os direitos das pessoas e lutando pela preservação do meio em que vivemos, estaremos também praticando o bem.
A Campanha da Fraternidade vai enfocar ainda a questão do saneamento básico. Existem tantos irmãos nossos vivendo em condições mínimas de higiene. Todos são igualmente filhos de Deus e têm o direito a uma vida digna. Estão necessitados de alguém que caminhe à luz da fé e interceda por eles e por todo o planeta, promovendo o bem e buscando políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa “Casa Comum”.
Entretanto, para cuidarmos do outro, precisamos, antes de tudo, cuidarmos de nós mesmos. Precisamos ver o que pode ser feito para que nos tornemos mais justos, mais responsáveis, mais dignos de sermos chamados “filhos de Deus”. Para ser filho de Deus, no significado pleno dessa expressão, é necessário muito mais que aparências. É preciso despojar-se de tudo que afasta do Pai: desamor, injustiça, egoísmo, falsidade. É preciso ser verdadeiro em tudo que se fala e faz. Aí, sim, estaremos preparados para praticar o bem, a nos tornar disponíveis, a nos alegrar com o progresso do outro, a andar de mãos dadas em busca de uma comunidade fraterna a caminho da santidade.
Portanto, ao analisarmos essas palavras, perceberemos que a prática do bem deve ser a marca de todo cristão. E é tão fácil viver fazendo o bem! Quando nos conscientizamos disso, torna-se natural dar testemunho do amor de Cristo, zelando pelos irmãos, valorizando a vida em quaisquer circunstâncias. A começar pela nossa própria vida.

Aproveitemos a Campanha da Fraternidade e o Ano da Misericórdia e façamos essa experiência. Veremos como a vida ficará mais leve. Assim seremos merecedores da misericórdia de Deus e podemos anunciar as graças incontáveis que ele nos concede a cada dia. Amém.

Luisa Garbazza
Publicação do Informativo Igreja Viva
Fevereiro de 2016

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Horizonte da vida



O véu da noite vai perdendo a densidade.

Deixa-se substituir.

Vem rompendo, morosamente, o amanhecer.

Os primeiros sinais do sol abrem a cortina do tempo.

A imensidão enegrecida perde forças e se entrega às nuanças da primeira claridade.

O sol se aproxima. As primeiras réstias de sua luz dá vida ao horizonte. Depois ganham o céu e se espalham pela terra penetrando lugares sombrios, distribuindo luz e calor.

É outro dia que desponta. Nova oportunidade no horizonte da vida. Tempo para viver, amar, sonhar e realizar.

Que seja um dia alegre! Feliz!

Que seja um dia de verdade: dia de lutas e vitórias. 

Que possamos aproveitar essa dádiva, esse sopro de vida, essa luz que nos impele a algo mais.

Que possamos realizar algo de bom, que nos preencha o coração e a alma, antes que o sol se despeça e o véu da noite cubra a terra mais uma vez.

Luisa Garbazza
8 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Vida de passarinho


À chuva e ao frio sobrevivendo,
bem no aconchego do ninho,
as asas fortalecendo,
este meigo passarinho.

A mãe, zelosa aprendiz,
vai buscar o alimento.
Retorna e fica feliz
ao contemplar seu rebento.

Doce é contemplar um ninho,
que devagar é formado.
O casal com seu ovinho
depois, filhote emplumado.


Luisa Garbazza
12 de janeiro de 2016

domingo, 10 de janeiro de 2016

Misericórdia infinita

Abertura da Porta Santa
em Santo Antônio do Monte
Diocese de Luz
O Santo Padre – o Papa Francisco – em seu ministério pautado na simplicidade e em sua ação preferencial pelos pobres e oprimidos, preocupado com o destino da humanidade, decretou o “Ano Santo da Misericórdia”. Por meio de portas santas, abertas no mundo todo, nós somos convidados à conversão e à busca de novas e melhores maneiras de viver.
O papa Francisco abriu, terça-feira, dia 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição, a Porta Santa da basílica de São Pedro, para oficializar a abertura do Jubileu da Misericórdia, diante de milhares de peregrinos. No dia 13, Papa Francisco abriu a Porta Santa na Basílica de São João de Latrão. Neste dia também foram abertas as Portas Santas nas Catedrais em todo o mundo.
Na Diocese de Luz, o Bispo Dom José Aristeu Vieira realizou o rito de abertura da Porta Santa da Catedral, conforme o gesto do Papa Francisco, na Basílica de São Pedro em Roma, na tarde do dia 17 de dezembro. Nas foranias, a cerimônia aconteceu no dia 20. Aqui na Forania de Lagoa da Prata, foi escolhida, durante a reunião do Conselho Forâneo, a Igreja de Santo Antônio, em Santo Antônio do Monte, para abertura da Porta Santa e local de peregrinação.
Marcada para 15h, a cerimônia teve início, com orações e proclamação do Santo Evangelho, no Santuário de N. S. do Rosário, de onde saímos em peregrinação até a Matriz de Santo Antônio. A caminhada, com a presença dos sacerdotes da forania, – Padre Mundinho representando a Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho – foi realizada piedosamente, com orações e cânticos de louvor a Deus.
Na chegada – a igreja de portas fechadas – a multidão se aglomerava e esperava a aproximação dos sacerdotes. Padre Marcos Tiago, vigário forâneo, aproximou-se da porta e rezou. Aos olhos da multidão, fervorosa e ansiosa, a porta foi sendo aberta lentamente. Logo após, bem em frente à Matriz, iniciou-se uma queima de fogos bem providencial. Uma quantidade significativa de fogos, estourando simultaneamente por alguns minutos, abafou qualquer outro ruído que pudesse, por ventura, tirar nossa atenção. Foram instantes de fé e emoção. Fechei os olhos, e o pensamento mostrou-me apenas uma coisa: a presença de Deus. Aqueles fogos pipocando, neutralizando qualquer outro som, fechou-nos aos barulhos externos, mas silenciou-nos por dentro e abriu nossos ouvidos para ouvirmos o Criador, para entendermos o sentido daquele momento e acreditar mais ainda na infinita misericórdia de Deus.
A entrada no templo foi outro momento de peregrinação. Precedido pelos sacerdotes, sem pressa nem atropelo, os fiéis foram entrando e ocupando seus lugares. A igreja grande e acolhedora foi abraçando e acomodando cada um dos que ali entraram. Preenchendo os bancos, os cantinhos, os corredores, o povo foi se ajeitando. Em um verdadeiro milagre, a multidão passara pela Porta Santa e estava toda ali, agasalhada por aquelas paredes também santas.
No início da Celebração Eucarística, em um ato de penitência, a água benta descia sobre nossas cabeças e purificavam-nos os pecados: “Banhados em Cristo, somos uma nova criatura.” A celebração, piedosamente participada pela assembleia atenta, coroou de êxito aquele momento tão especial. Nas palavras do Padre Tiago, durante a homilia, a certeza de que não há outro caminho para a humanidade a não ser através da misericórdia de Deus. Só assim teremos mais confiança e saberemos viver na alegria da fraternidade e da partilha.

A leitura do decreto de Dom Aristeu, para abertura daquela Porta Santa, e a bênção com a imposição das mãos de todos os sacerdotes que rodeavam o altar, marcaram o final da celebração. Está oficialmente aberta a Porta Santa na Forania de Lagoa da Prata. Resta agora aos párocos e a nós, povo de Deus, dar testemunho dessa crença e organizarmo-nos em peregrinação implorando a misericórdia de Deus para nós e para o mundo inteiro.

Luisa Garbazza
Dezembro de 2015
Publicação no jornal "Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho"