terça-feira, 3 de novembro de 2015

Ação de Graças




A Paróquia Nossa Senhora do Rosário encerrou, no mês de outubro, o Ano do Cinquentenário de sua Igreja Matriz. Vivemos um tempo de graça, de louvor e de muitas realizações. Relembramos nossa história, reafirmamos nossa fé e nossa confiança na intercessão da padroeira, a Virgem do Rosário. Temos certeza de que os feitos só foram possíveis por causa da presença efetiva do Espírito Santo em cada instante da caminhada.  Agora é tempo de agradecer. Render graças ao Criador por todos os benefícios concebidos.
Demos glória a Deus por ter nos concedido a graça de pertencer à Igreja Católica e fazermos parte desta paróquia. Por ter-nos enviado o Padre Cristiano, um pároco tão entusiasmado com as coisas de Deus. Graças pela presença do Padre Orlando, que tanto nos enriquece com sua sabedoria. Onde há sacerdotes convictos de seu ofício de evangelizadores e de valores genuinamente cristãos, há fiéis que assumem sua missão e contribuem para a formação de uma sociedade mais justa e fraterna.
Nós vos damos graças, ó Pai, por tantos leigos e leigas que se colocam a serviço e contribuem com a expansão do Evangelho. São pessoas que acreditam na divindade de Jesus e em seu projeto de salvação da humanidade. Por isso compreendem que também são responsáveis por essa obra.
Damos graças pelos coroinhas, crianças que, com simplicidade e alegria, estão sempre presentes nas celebrações, fazendo valer a vontade de Jesus: “Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o Reino dos Céus.”
Graças pela bonita missão dos catequistas, que auxiliam crianças, jovens e adultos na caminhada da iniciação cristã; que transmitem os primeiros ensinamentos.
Agradecemos, Senhor, pelos que auxiliam nas Celebrações Eucarísticas, momento sublime da vida religiosa. Graças pelo Ministério da Música, da Eucaristia, pela Pastoral Litúrgica, que empresta a voz para proclamar a palavra de Deus, pelos que organizam a celebração e trabalham no anonimato.
Nós vos damos graças, Senhor, pelos dons que concedestes a cada um de nós. Graças pelos dons artísticos dos que preparam os ambientes celebrativos. Graças pela habilidade criativa que transforma simples temas em imagens que evangelizam. Pelas mãos habilidosas que criam e recriam motivos para enfeitar, alegrar e louvar a Deus em todas as circunstâncias. São mãos abençoadas, dádivas do Criador, que dizem sim e colocam seus dons à disposição, com presteza e simplicidade.
Agradecemos, ó Pai, por todos os vossos filhos e filhas que fazem parte desta paróquia. Pelos que frequentam a igreja em busca do alimento espiritual. Pelos que atuam nos movimentos e nos grupos de oração e serviço. Graças pela caminhada de fé de cada um de nós. As dificuldades são muitas e a luta é constante, mas a fé e a confiança em Deus supera qualquer obstáculo, qualquer pedra que se coloca em nosso caminho e tenta nos desviar dos propósitos de vida e santidade.
Por tudo isso, Senhor, nós vos damos graças, sempre, por todos os séculos. Amém.
Luisa Garbazza

Texto publicado no Informativo Igreja Viva 
Paróquia N. S. Rosário
Novembro de 2015.

domingo, 1 de novembro de 2015

Obsessão



O dia amanhecera nublado. Nuvens pesadas e escuras impediam a claridade. Uma bruma densa e fria cobria o vale onde morava Kíssia. Moça solteira, na plenitude da existência, insistia em viver isolada da sociedade: nunca saíra do sítio onde vivia com os pais. A mãe bem que insistia, mas a recusa era implacável.  
Nesse dia, Kíssia acordou diferente. Saiu do quarto, atravessou a cozinha, a sala, desceu as escadas da varanda e ganhou a estrada. A bruma a envolveu completamente. Sentiu-se abraçada pela névoa. E gostou. Nada enxergava, porém os passos eram seguros. Andou, quase flutuando, sem saber para onde, nem por quê. E não parou mais de andar.
Os pais acordaram e sentiram algo estranho em casa. Um cheiro de tristeza impregnava o ambiente. Andaram pela casa: nada, nem ninguém. Pelo sítio, também, a procura foi em vão. Na região, ninguém sabia de nada. Voltaram desconsolados. Jamais souberam o que aconteceu, no entanto não viram a filha nunca mais.


Luisa Garbazza
1º de novembro de 2015

sábado, 24 de outubro de 2015

Lusco-fusco



 O último clarão,
último sopro de vida do dia,
momento ímpar entre duas metades:
o dia passa a vez à sua antítese.
Admiro esses instantes entre o claro e o escuro.
O som do silêncio vem acalmar os ânimos.
Há paz!
Fico absorta aos segundos que se sucedem.
Sinto-me em paz! 
...
Hoje, no entanto, algo diferente aconteceu:
O ar ficou pesado!
O horizonte não quis participar da última cena do dia.
Uma atmosfera de nostalgia cobriu tudo.
Até o pôr do sol se enegreceu.
As cigarras começaram lentamente seu canto.
Uma cigarra bradou seu lamento:
um tom estridente e triste,
alto, cada vez mais alto.
Seu grito rasgou-me a alma.
Estática, perdi-me em devaneios...
segundos... minutos...
percebi os pensamentos se escondendo.
A mente se esvaziou.
Os olhos foram se entregando ao negrume da noite...
...
até que a lua veio tomar seu lugar na cena da vida.
Seu brilho saudou-me,
inundou-me,
devolveu-me o viço, o ânimo, o sorriso.
Luisa Garbazza
no lusco-fusco deste 24 de outubro de 2015