terça-feira, 20 de outubro de 2015

Viver em poesia



                    Viver  em  poesia



Na querência do ser humano
os passos, o caminho, a busca
a procura incessante
perguntas e respostas
 perguntas sem respostas
no labirinto da existência
do pensamento  constante.



Na  essência do ser humano
a leveza da alma
que aqui e ali se encontra
nas esquinas, no espaço, nos sentimentos
sem perguntas, nem respostas
eternizando momentos
sem nada que amedronta.


Na  transparência do ser humano
a poesia da vida
os olhos que cantam a sorrir
a flor que se entrega ao olhar
o verso que tudo renova
a palavra que permite sonhar
e novo horizonte faz surgir.

Luisa Garbazza
Pelo dia do poeta - 20 de outubro de 2015

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Quem é Jesus



Vivemos em um mundo globalizado, cada vez mais místico. Valoriza-se muito o passageiro, as soluções fáceis, a beleza construída em clínicas, a riqueza e a fama. Uns enriquecem com o dinheiro do povo, outros promovem guerras e provocam morte e destruição. O caos se instala na vida de tanta gente inocente. Os valores vão ficando em segundo plano. O catecismo de dois mil anos, pregado por Jesus, vai sendo esquecido. Muitos O desconhecem. Alguns O ignoram. Outros O combatem e questionam: “Quem é Jesus”?
Diante da dureza e da incredulidade das pessoas, Jesus perguntou aos discípulos: “E vós quem dizeis que eu sou?” Na palavra de Pedro, a resposta histórica: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!” Depois de dois mil anos, a pergunta ainda ecoa em cada parte do planeta. Ainda hoje, não se conhece Jesus. De tempos em tempos, armam-se novas maneiras de degradar esse nome e tirar dele o título que lhe é devido: Filho de Deus. Essa pergunta ressoa também no ouvido de cada um de nós. E as respostas, como naquele tempo, ainda são muito diversificadas! Uns respondem mecanicamente, outros com convicção; uns o veem como Deus, outros como um profeta, ou apenas como um homem influente do seu tempo; uns o adoram outros o combatem. Mas, afinal, quem é Jesus?
Jesus é o filho de Deus, cada dia mais vivo entre nós. É o homem simples de Nazaré, o Messias, nascido em uma família. Ali, ao lado de Maria e José, deu exemplo de obediência, de amor, de trabalho. Ele é o modelo mais forte de solidariedade, de valorização do ser humano, de defesa dos pobres e oprimidos. É aquele que veio para tirar o pecado do mundo e livrar o homem tanto do egoísmo, da ganância, do culto ao poder, quanto da miséria, da fome, da opressão. É aquele que clama por justiça, por igualdade social e pela paz.
Ele é o Mestre que, com seus doze discípulos, saiu pelo mundo fazendo o bem, perdoando os pecados, mostrando às pessoas que existe um jeito mais simples de se viver: na solidariedade, na igualdade e na fraternidade. E declarou que Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida; que as suas palavras são ensinamentos de vida e de salvação. Assim deixou traçado para nós o melhor caminho a ser seguido, ou melhor, para quem acredita, o único.  
Jesus é quem nos acompanha pela vida inteira e, de vez em quando, sussurra em nossos ouvidos: “Coragem! Não temas! Confia em mim! Eu estarei contigo todos os dias, com a minha mão estendida para sustentar-te na caminhada.” Mas é Ele também que nos diz com voz firme: “Vem e segue-me! Eu preciso de ti para continuar o que comecei. Para evangelizar, levar alegria ao meu povo, alento aos sofredores, libertar os que estão oprimidos e injustiçados.” Jesus é assim: força na caminhada; presença constante; amigo fiel que está sempre ali, no Santíssimo Sacramento, pronto a ouvir-nos, a fortalecer-nos, a dar-nos forças para continuar nossa missão. Mas é Ele também que, de vez em quando, vem nos cobrar: “Onde estão os talentos que lhe confiei?”
Assim sendo, eu creio que Jesus também é Deus, uno e trino na Santíssima trindade. Como é bom estar na presença de Jesus, elevar os olhos para seu Corpo e Sangue no altar e acreditar; senti-lo no coração e ter a certeza de que Ele é verdadeiramente o Filho de Deus. Mas não basta crer. É preciso espalhar essa crença; mostrar ao mundo, através do nosso testemunho de vida e de nossas palavras, a face de Jesus. Onde houver pessoas que cultivem e vivenciem a fé, Ele estará no meio delas. É preciso ouvir os apelos do Mestre: que todos estejamos juntos, na mesma fé, no mesmo amor. Assim, quando chegar o fim de nossa peregrinação neste mundo, estaremos prontos para vê-lo face a face.
Luisa Garbazza
Publicação do jornal "Paróquia"
Paróquia N. S. do Bom Despacho  
outubro de 2015 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Lançamento de livro

Livro
Igreja do Rosário
Dos primórdios ao cinquentenário

Uma coprodução que conta um pouco da história da Igreja do Rosário em Bom Despacho:
origem, primeiros devotos, construção, caminhada da Igreja Povo, reformas e passagem à paróquia.
 


Lançamento dia 3 de outubro às 19h na Igreja do Rosário
Bom Despacho 





terça-feira, 15 de setembro de 2015

O cuidado com o sagrado

A Igreja Católica, fundada por Jesus e difundida pelos apóstolos, é enraizada nos valores ensinados pelo próprio filho de Deus. A base de tudo é o amor: a Deus, em primeiro lugar, e aos irmãos, indiscriminadamente. Para melhor trilharmos a caminhada de fé, a Igreja nos oferece sete sinais do sagrado: os sete Sacramentos. É dever de cada cristão cuidar para que esses sinais sejam ministrados com respeito e em um ambiente propício.
Quando nasce, a criança é apresentada à comunidade e recebe o primeiro sinal: o Sacramento do Batismo. Antes disso, pais e padrinhos participam de um encontro de formação para entenderem o significado desse momento de iniciação cristã. É obrigação dos pais e padrinhos cuidar para que a criança cresça frequentando a igreja.
Depois que a criança começa a entender as coisas de Deus, ela é preparada para receber mais dois sinais, que vão acompanhá-la pela vida toda: o Sacramento da Penitência e o da Eucaristia. Em um trabalho conjunto, pais, padrinhos e catequistas empenham-se na formação da criança Também ensinam que a igreja é um lugar sagrado e devemos frequentá-la com alegria, respeito e fé, pois ali Jesus está presente.
Então a criança é convidada a acompanhar os encontros para amadurecimento na fé e, posteriormente, receber mais um sinal: o Sacramento da Crisma. Agora adolescente, já sabe caminhar com mais independência e reafirmar, diante do Bispo, o sim dito pelos pais e padrinhos no Batismo. Mas ainda precisa do apoio deles e da comunidade cristã.
Na idade jovem, ou adulta, o cristão opta se quer receber mais sinais. Alguns escolhem apenas continuar a caminhada cristã, na Igreja e na sociedade.
Outros fazem opção pela vida religiosa: colocar-se a serviço e anunciar o Evangelho. São consagrados a Deus ou recebem outro sinal: o Sacramento da Ordem. Em ambos, a espiritualidade, a obediência e a castidade devem ser os maiores sinais.
Os que fazem opção por formar uma família, preparam-se para receber mais um sinal: o Sacramento do Matrimônio. Depois dessa escolha, participando do Encontro de Noivos, recebem orientações sobre a vida de casados e sobre a cerimônia religiosa: ocasião em que vão à igreja, diante de Deus e dos homens, dizer sim um ao outro, dizer que estão dispostos a acolher, a amar, a ser fiel.
O último sinal é a Unção dos Enfermos, ministrado aos doentes, de qualquer idade, que precisam da graça divina naquele momento de intenso desfalecimento físico.
Para recebermos esses sinais, ou apresentar alguém para recebê-los, precisamos saber o real significado de cada um e como dar testemunho deles no dia a dia. É essencial saber que, para isso, vamos à igreja e nos colocamos diante de Deus. É d’Ele que vem a graça. O sacerdote é apenas um instrumento. Deus está presente. Por isso é importante que respeitemos o lugar sagrado e nos coloquemos humildemente diante do Senhor... façamos silêncio... ouçamos o que Ele tem a nos dizer. Só assim veremos a graça frutificar.
Em todas essas ocasiões, principalmente nas cerimônias de Casamento Religioso, temos ainda muito a aprender. E a ensinar: cuidar para que o espaço sagrado seja respeitado; primar pela valorização do divino; não permitir que uma enxurrada de coisas – sem sentido para a ocasião – quebre a espiritualidade do momento; não transformar a igreja em um mero salão social. Estamos ali para receber a graça de Deus. E Deus aparece na simplicidade, no silêncio, na brisa leve, no acolhimento.

Assim, como discípulos de Jesus que todos somos – ou deveríamos ser – cuidemos melhor das coisas e dos lugares sagrados. Em um ambiente alegre, porém suave e acolhedor, a graça surge com maior intensidade.
Luisa Garbazza

Publicação do Jornal PARÓQUIA
Paróquia N. S. do Bom Despacho
Setembro de 2015

domingo, 6 de setembro de 2015

“Permanecei no meu amor”

Setembro é um mês muito especial para nós católicos: é o mês em que colocamos a palavra de Deus em destaque; é o mês da Bíblia. Todo ano, a Igreja, através da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – determina uma sequência bíblica e um tema para reflexão durante este mês. Em 2015, estamos diante do Evangelho de São João, com o lema: “Permanecei no meu amor para dar bons frutos” (Jo 15,8-9).
A manifestação do amor de Deus para com os homens está presente em toda a história da humanidade. Mais ainda, depois da vinda de seu filho Jesus: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós.” (Jo 1,14). João deixa isso bem claro em seu Evangelho e narra, em várias passagens da vida pública de Jesus, o amor que Ele demonstra pelo povo de Deus: “Ele, que tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1).
Esse amor de Jesus também é manifestado em obras. Quem ama cuida, é solidário, dá carinho, procura aliviar a dor dos que sofrem. Assim Jesus o fez. Foi solidário com os amigos daquela festa de casamento em que o vinho acabou. Aquelas talhas de água transformada em vinho foi o primeiro sinal concreto de seu amor. Deparamos também na narração de São João, o encontro de Jesus com a samaritana. Ali, ao lado daquele poço, ele se coloca como Água Viva que sacia a sede da alma. A samaritana bebe primeiro a fonte de água viva que são as palavras de Jesus. Depois suplica a Ele: “Senhor, dá-me desta água, para eu já não ter sede nem vir aqui tirá-la!” (Jo 4,15) Mais adiante, Jesus se coloca como protetor, cheio de cuidados por aqueles que ama: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas”. (Jo 10,11) Como mensagem de amor, Jesus dá o exemplo e lava os pés dos discípulos. Deixa-nos também um ensinamento: “Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros.” (Jo 13,14)  
Em outras passagens do Evangelho, São João descreve os encontros de Jesus e sua preocupação com o povo, principalmente os mais pobres, os mais sofridos, os marginalizados, os doentes. O preceito que Ele nos transmite, através da palavra presente na Sagrada Escritura, é de paz, amor e solidariedade. Sempre pedindo que amemos uns aos outros e coloquemos em prática seus ensinamentos, que imitemos seus exemplos e sigamos seus passos. Durante a vida pública de Jesus, depois que escolhera os doze discípulos para continuar sua obra, Ele deixou mais um ensinamento de vida em comum: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos.” (Jo 15,12-13). Depois da ressurreição de Jesus, o Evangelho de João narra sua aparição e a missão destinada aos apóstolos: “A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós.” (Jo 20,21).
Jesus enviou os doze e envia cada um de nós para essa mesma missão: anunciar o Evangelho, tratar a todos como irmãos e propagar o amor ao próximo, a solidariedade, a partilha. E deixa-nos a doutrina do amor sem medida. É isso que devemos fazer, se quisermos seguir o Mestre: amar ao extremo, dar continuidade a essa aliança de amor realizada em Jesus Cristo. É isso que Ele espera de nós: que acolhamos o irmão que encontramos pelo caminho; que transmitamos sua mensagem de paz; que vivamos na igualdade, sem preferências, sem discriminações ou marginalizações; que tenhamos todos uma só identidade: filhos de Deus.

Que neste mês da Bíblia, meditemos nas palavras de São João e tenhamos fortalecida nossa fé e nossas convicções nos valores deixados pelo nosso Mestre Jesus. Assim poderemos viver melhor o mandamento do amor sem medida que Ele nos deixou.
Luisa Garbazza

Publicação do Informativo Igreja Viva
Paróquia N. S. do Rosário
Setembro 2015

sábado, 8 de agosto de 2015

O olhar de Maria

Imaculado Coração de Maria
Igreja Nossa Senhora do Bom Despacho
Maria é o exemplo mais sublime e santo de mulher e de mãe. Por isso mesmo, foi escolhida, entre todas, para gerar, amamentar e educar o filho de Deus. Mais tarde, como mãe da humanidade, tornou-se nossa intercessora diante de seu filho e medianeira de todas as graças a nós concedidas.
Desde menina, aprendi a amar Maria através dos exemplos e ensinamentos de minha mãe, também Maria, que tinha grande devoção por Nossa Senhora. Aprendi a dirigir meu olhar e minhas preces à “Mamãe do Céu” e, de mãos postas, rezar: “Salve, Rainha, Mãe de misericordiosa, vida, doçura e esperança nossa, salve!”. A vida inteira foi assim, recorrendo a ela nos momentos de aflição e fraqueza. Depositando a seus pés minhas necessidades e aguardando, ansiosamente, o socorro desejado.
Recentemente, em um momento de urgência, em que o desespero toma o lugar da razão, com o coração angustiado, mas cheio de ternura e confiança, aproximei-me da imagem de Maria e a ela dirigi meu olhar de súplica. Absorta a observar sua face, percebi que meus olhos não encontravam o olhar de Maria. Terminei minha oração e pus-me a observar outras imagens, em casa e na igreja: nenhuma me devolvia o olhar. Por último, no dia catorze de junho, em peregrinação a Luz, para a posse do novo bispo – Dom José Aristeu – busquei ansiosa a imagem de Maria. Mais uma constatação: Nossa Senhora da Luz também não me dirigia o olhar.
Pensativa, surpreendi-me analisando os olhares de Maria: algumas imagens, como o Imaculado Coração de Maria, presente na parede da minha sala, – e uma imagem belíssima na Igreja Matriz – ostenta um olhar distante, mas ao mesmo tempo sereno e profundo que, apesar de não nos mirar, envolve-nos com o ar doce e terno que emana de sua face. Parece olhar através de nós, enxergando o coração; a alma, talvez. Ensina-nos a valorizar o interior das pessoas. Não importa o aspecto de quem a procura, ela busca a essência da alma para nos encontrar.
Outras, como Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Graças, olham para baixo. Do alto dos altares, Maria permanece de cabeça inclinada, sem impor seu olhar nem sua presença. Ensina-nos a humildade, a modéstia, a pertença total a Deus. Toda a força do olhar contempla a humanidade inteira e está sempre pronta a entender nossas necessidades, interceder por nós e conceder-nos suas graças.
Já Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora da Conceição apresentam-se com os olhos voltados para o céu. O olhar é dirigido a Deus Pai. Um olhar de súplica por causa das dores de seu filho Jesus; um olhar de súplica pelo sofrimento de tantos filhos de Deus.
Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento pousa, com suavidade, o olhar no Corpo Eucarístico de Jesus. É um exemplo para darmos o valor devido ao Corpo de Cristo a nós oferecido através do sacrifício revivido na Celebração Eucarística. Um convite para crermos na real presença de Jesus na hóstia consagrada.
Nossa Senhora do Bom Despacho, nossa padroeira, olha ao longe, expandindo sua proteção. Como mãe, vê tudo e entende nossas necessidades. Como padroeira, seu olhar materno e seus cuidados são dirigidos a toda a cidade. “De Bom Despacho tu és, patrona e titular.”

Assim encontramos Maria de tantos títulos, de tantos lugares: olhar humilde de serva de Deus; olhar suplicante de quem confia na misericórdia divina; olhar terno de mãe dirigido aos filhos; olhar contemplativo que enxerga a essência e vê a presença de Deus em tudo e em todos. Contemplando o olhar de Maria, em qualquer que seja a direção, e com o coração cheio de esperança de um dia vê-la face a face, peçamos a ela: “Vosso olhar a nós volvei! Vossos filhos protegei!”.  
Luisa Garbazza

Publicação do Jornal "PARÓQUIA"
Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho
Agosto de 2015

domingo, 2 de agosto de 2015

Deus aí está

A Igreja Católica, com suas celebrações e seus ritos, oferece-nos momentos de profunda intimidade com o Criador; oportunidades para refletirmos sobre nossa vivência de filhos e filhas de Deus e sobre nossa missão aqui na terra.
Um desses momentos é a adoração ao Santíssimo Sacramento, em que nos prostramos convictos da presença real de Jesus na Hóstia Consagrada. De vez em quando, a Igreja abre suas portas e se prepara para um tempo forte de adoração e súplica através do “Cerco de Jericó”. Foi o que presenciamos na Paróquia Nossa Senhora do Rosário no mês de julho: sete dias de orações contínuas diante de Jesus Sacramentado.
Várias pessoas, verdadeiros intercessores, se revezavam, dia e noite, nessa crença no poder da oração. A presença maior dos fiéis, no entanto, foi no início da noite, para a participação na Eucaristia, realizada, todos os dias, com a igreja cheia.
Após as celebrações, o padre conduzia Cristo Eucarístico pelos corredores da igreja, proporcionando-nos momentos de adoração e proximidade com o Deus Filho. Instantes tão fortes e sublimes que “não sei se a igreja havia subido ou o céu descido”. Uma coisa eu sei, com certeza: Deus estava presente naquele lugar.
Deus estava presente na voz do Padre Cristiano, que nos arrancava a venda dos olhos, abria nossa consciência e mostrava-nos a luz que é Jesus. Em suas palavras que conduzia nossos pensamentos e penetrava em nossos corações em um exercício de extrema sensibilização.
Deus estava presente nas mãos do sacerdote que sustentava o ostensório e em seus pés, que conduzia, passo a passo, o divino Mestre.
Presença divina na música que enchia o templo e envolvia o espírito, fazendo-nos refletir sobre a força do nome de Jesus. É Ele quem abre o mar, derruba as muralhas e faz surgir milagres. Música que também nos convidava a cantar e louvar.
A Igreja aceitou o convite e cantou uma nova canção. Recebeu então do Espírito Santo a nova Unção prometida: abriu-se os olhos dos que ali estavam e eles acreditaram no que viram. A Igreja estava toda impregnada com a força do Espírito e Deus se fazia presente em tudo e em todos:
nas mãos que embalavam o turíbulo e seguravam as velas, preparando e iluminando os caminhos do Senhor;
nas pessoas que olhavam fixamente o ostensório durante toda a caminhada;
nos fiéis que se ajoelhavam emocionados em profunda adoração;
nos olhares piedosos dirigidos a Jesus na Hóstia Santa;
nas mãos ávidas que se estendiam e tocavam o ostensório confiantes na presença real de Jesus;
nas lágrimas que corriam inconscientemente pelas faces dos que contemplavam Jesus e sentiam sua proximidade, sua ternura, seu amor;
na leveza da alma após aquele encontro sublime.
Assim aconteceu durante os sete dias. Um sinal concreto do fervor, da força da oração e da fé do povo de Deus era visível na presença de tantos e tantas e na caixa repleta de súplicas. Às vezes podemos não saber ao certo onde e como a graça de Deus agiu, mas temos a certeza de que muralhas foram destruídas e muitas bênçãos foram derramadas no meio de nós. 


Luisa Garbazza

Publicação do "Informativo Igreja Viva"
Paróquia N. S. do Rosário