domingo, 2 de agosto de 2015

Deus aí está

A Igreja Católica, com suas celebrações e seus ritos, oferece-nos momentos de profunda intimidade com o Criador; oportunidades para refletirmos sobre nossa vivência de filhos e filhas de Deus e sobre nossa missão aqui na terra.
Um desses momentos é a adoração ao Santíssimo Sacramento, em que nos prostramos convictos da presença real de Jesus na Hóstia Consagrada. De vez em quando, a Igreja abre suas portas e se prepara para um tempo forte de adoração e súplica através do “Cerco de Jericó”. Foi o que presenciamos na Paróquia Nossa Senhora do Rosário no mês de julho: sete dias de orações contínuas diante de Jesus Sacramentado.
Várias pessoas, verdadeiros intercessores, se revezavam, dia e noite, nessa crença no poder da oração. A presença maior dos fiéis, no entanto, foi no início da noite, para a participação na Eucaristia, realizada, todos os dias, com a igreja cheia.
Após as celebrações, o padre conduzia Cristo Eucarístico pelos corredores da igreja, proporcionando-nos momentos de adoração e proximidade com o Deus Filho. Instantes tão fortes e sublimes que “não sei se a igreja havia subido ou o céu descido”. Uma coisa eu sei, com certeza: Deus estava presente naquele lugar.
Deus estava presente na voz do Padre Cristiano, que nos arrancava a venda dos olhos, abria nossa consciência e mostrava-nos a luz que é Jesus. Em suas palavras que conduzia nossos pensamentos e penetrava em nossos corações em um exercício de extrema sensibilização.
Deus estava presente nas mãos do sacerdote que sustentava o ostensório e em seus pés, que conduzia, passo a passo, o divino Mestre.
Presença divina na música que enchia o templo e envolvia o espírito, fazendo-nos refletir sobre a força do nome de Jesus. É Ele quem abre o mar, derruba as muralhas e faz surgir milagres. Música que também nos convidava a cantar e louvar.
A Igreja aceitou o convite e cantou uma nova canção. Recebeu então do Espírito Santo a nova Unção prometida: abriu-se os olhos dos que ali estavam e eles acreditaram no que viram. A Igreja estava toda impregnada com a força do Espírito e Deus se fazia presente em tudo e em todos:
nas mãos que embalavam o turíbulo e seguravam as velas, preparando e iluminando os caminhos do Senhor;
nas pessoas que olhavam fixamente o ostensório durante toda a caminhada;
nos fiéis que se ajoelhavam emocionados em profunda adoração;
nos olhares piedosos dirigidos a Jesus na Hóstia Santa;
nas mãos ávidas que se estendiam e tocavam o ostensório confiantes na presença real de Jesus;
nas lágrimas que corriam inconscientemente pelas faces dos que contemplavam Jesus e sentiam sua proximidade, sua ternura, seu amor;
na leveza da alma após aquele encontro sublime.
Assim aconteceu durante os sete dias. Um sinal concreto do fervor, da força da oração e da fé do povo de Deus era visível na presença de tantos e tantas e na caixa repleta de súplicas. Às vezes podemos não saber ao certo onde e como a graça de Deus agiu, mas temos a certeza de que muralhas foram destruídas e muitas bênçãos foram derramadas no meio de nós. 


Luisa Garbazza

Publicação do "Informativo Igreja Viva"
Paróquia N. S. do Rosário

terça-feira, 14 de julho de 2015

“Minha casa é a casa do Senhor”

Quando paramos para meditar sobre a história de Jesus, vamos entendendo sua divindade em várias passagens do Evangelho. Mas é aí também, nas escrituras sagradas, que percebemos seu lado humano. Em várias ocasiões, Jesus se mostra homem, com todas as suas carências, suas necessidades, seus medos e seus sentimentos. Um exemplo disso é a amizade de Jesus com os irmãos Lázaro, Marta e Maria.
Alguns relatos bíblicos contam que, em seus poucos momentos de descanso, Jesus ia à casa dos amigos para visitá-los. Ali chegando, Jesus conversava com eles, como nos diz o Evangelho de Lucas: “Naquele tempo, Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu­-o em sua casa. Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: ‘Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!’ O Senhor, porém, lhe respondeu: ‘Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada’.”
Cada uma a sua maneira, as duas irmãs zelavam pelo amigo: Maria ficava a seu lado e dava-lhe a devida atenção; Marta se ocupava de organizar a casa para que o amigo se sentisse confortável. Mesmo ouvindo Marta reclamar de que a irmã não a ajudava e dizendo que Maria escolhera a melhor parte, Jesus valorizou o trabalho da amiga. Ele se sentia bem em sua casa. Tanto que ali voltou outras vezes.
Como vimos, na época em que viveu em condição humana, Jesus encontrou acolhida na casa de Marta durante suas andanças. Com certeza, encontrou acolhida também no coração daqueles três irmãos. E hoje? Onde Jesus encontra acolhida?
Precisamos nos lembrar sempre de que, para nós católicos, o mundo gira em torno de Jesus Cristo. É Ele o nosso salvador, aquele que se compadece de nós e acolhe nossas dores e sofrimentos. Em outra passagem da Bíblia, Jesus retorna àquela casa em um momento de dor; fica compadecido com as súplicas e o choro de Marta; chora com as duas irmãs e opera o milagre da ressurreição de Lázaro. É o exemplo da plenitude da fé em Deus.
 Jesus é a face conhecida de Deus, aquele que promove nossa conexão com o Pai. Por isso é tão importante que o aceitemos como tal e o acolhamos em nossa casa e em nossa vida. Simbolicamente, Jesus é acolhido em nossa casa em forma de imagens ou de uma bela estampa afixada na parede. Mas isso não basta. O que realmente importa é a fé que sentimos e traduzimos em obras. A fé que nos permite aceitar Jesus como presença real e acolhê-lo também em nosso coração, em nossa casa e na pessoa de cada irmão. Assim, nos momentos de desânimo, teremos a certeza de que não estaremos sozinhos e seremos atendidos em nossos pedidos.

Luisa Garbazza
Publicação do Informativo Igreja Viva
Paróquia N. S. do Rosário
julho 2015

sexta-feira, 10 de julho de 2015

E o milagre acontece

Quinta-feira, quatro de junho de 2015 – Dia de Corpus Christi.
O dia abriu suas janelas e presenteou-nos com uma manhã clara e fria. Os primeiros raios de sol limitavam-se a tocar o topo dos edifícios quando saímos de casa em missão: enfeitar as ruas, no entorno da Praça da Matriz, para a procissão.
Quando chegamos à praça, um grupo reduzido de pessoas já nos esperava, aguardando que fosse dada a largada para o início dos trabalhos. Nada ainda havia sido providenciado. Nesse momento, chegou o caminhão trazendo a serragem – matéria-prima para os enfeites – que foi distribuída em vários pontos da praça. 
Olhei aquelas pessoas aqui e ali. Passei os olhos pela extensão das ruas. Observei os impressos dos desenhos em minhas mãos. “Não vai dar tempo. É muito trabalho a ser feito!” Sem criar expectativas, fui distribuindo as cópias dos desenhos. Havíamos combinado três grupos, que se responsabilizariam por determinado espaço com um tema específico: para o primeiro grupo, o tema seria “O Ano da Vida Consagrada”; para o segundo, o “Ano da Paz”; o terceiro grupo homenagearia “Dom Aristeu”, o recém-ordenado bispo da Diocese de Luz.
O tempo se adiantava. As ruas foram interditadas. Esperávamos os desenhistas que haviam confirmado presença. Uma ponta de insegurança perpassou meus pensamentos. Tratei logo de afastá-la: “A obra é de Deus. Há de dar certo!” E assim aconteceu. Algumas mulheres chegaram com vassouras e baldes e começaram a varrer as ruas e recolher o lixo. Alguém trouxe pedaços de gesso que serviriam para riscar os desenhos. Delimitados os espaços, as imagens foram surgindo no chão duro e cinza. Quem tinha o dom, traçava os desenhos mais complexos com facilidade. Outros arriscavam, cheios de vontade. Alguns descobriram o dom, ali mesmo, impelidos pelo desejo de ajudar.
 Acudindo aqui e ali, fui percebendo os fatos. Uns riscavam, outros carregavam serragem e espalhavam, cuidadosamente, observando cores e espaços. Com delicadeza, faziam os contornos e os riscos ganhavam vida e beleza. Era um trabalho demorado. O sol já ia alto. Havia muito a ser feito. Lembrei-me da frase: “A messe é grande e poucos os operários.”
No tempo de Deus é que as coisas acontecem. Mais pessoas vieram ajudar. Uns carregavam serragem, outros espalhavam, alguém ia mais longe buscar uma cor específica, tudo na mais bela fraternidade: jovens, adultos, crianças, – Algumas bem pequeninas, que passavam por ali, com os pais, e pediram para ajudar. – todos trabalhando, incansavelmente. Alguns moradores dos prédios ofertaram café com quitandas deliciosas: energia para continuar o trabalho. Outros iam ao encontro das pessoas e serviam água, em um indo e vindo constante, o tempo todo, saciando a sede do corpo já cansado e castigado pelo sol.
Nesse ritmo, a missão foi cumprida. A praça, circundada por belíssimos desenhos, ganhou vida e cores. Os últimos retoques ainda estavam sendo feitos e já alguns cuidavam da limpeza e do recolhimento dos utensílios usados e das sobras. Uns tiravam fotos, outros admiravam o fruto do trabalho – belo e significativo – feito por mãos humanas, abençoadas por Deus.
No final da tarde, a procissão com o Corpo de Cristo, passando sobre aqueles tapetes coloridos, foi um momento de extrema espiritualidade e emocionou muita gente. No entanto, ali na praça, naquela manhã fria de outono, em meio a tantos fiéis empenhados na mesma missão, Deus também se fez presente e o milagre aconteceu.
Luisa Garbazza
Texto publicado no jornal "PARÓQUIA"
da Paróquia N. S.do Bom Despacho - julho de 2015

sexta-feira, 3 de julho de 2015

A Deus o que é de Deus


Nada adianta ao homem
esquecer-se de Deus
Viver a vida “como o vento levar”.
Negar a existência de Deus
e tudo pela ciência explicar.
Ou buscar outros deuses
E a eles adorar.

Pobre do homem que quer ser Deus!
Autônomo!
Autossuficiente!
Poderoso!
Onipotente!
Quer criar suas próprias leis,
corrigir a criação divina,
emancipar-se.
Tem muito a aprender!

A Deus o lugar que é de Deus.

Nós, seres humanos,
Em nossa miserável pequenez,
só somos alguém
em sua completude
em Deus.
E enquanto não aceitarmos
nossa condição de filhos,
estaremos fadados à angústia,
à procura de explicações,
à busca por nós mesmos.
Luisa Garbazza
03 de julho de 2015

terça-feira, 23 de junho de 2015

Quem sou eu?

Sou gente importante, capaz, imprescindível?
Sou inteligente, eficaz, tangível?
Pessoa de destaque, insubstituível?
Com mente privilegiada, sensível?
O tempo se encarrega de responder:
Não sou nada. Não sou ninguém.
Sou verme, indigno de viver.
Reles mortal pelo mundo além,
lutando para sobreviver.
Estou passando pelo mundo.
Amanhã? Onde estarei?
Chega o fim da existência
e para sempre calarei.
Deixo o mundo, deixo a vida,
só Deus sabe para onde irei.
Nesse mundo conturbado,
onde todos querem o poder
Mais vale a vida tranquila
o jeito humano de ser;
ter mente que não vacila,
para o bom senso não perder;
deixar de lado o egoísmo,
o orgulho e a ganância
que valoriza tanto o ter.
Vivamos para ser bem quisto:
o outro é sempre o irmão,
pois somos todos de Cristo,
pisamos o mesmo chão.
E quando minha hora chegar,
depois da jornada da existência,
como vou me apresentar
à Divina Providência?
Para o que quero encontrar,
preciso buscar minha essência.
Ser mais simples, viver para amar,
buscar da vida a ciência.
Diante do humilde me ajoelhar,
com todo amor e bondade,
para poder Jesus abraçar,
e glorificar por toda a eternidade.
Luisa Garbazza
23 de junho de 2015

sábado, 13 de junho de 2015

Junho – devoção aos santos


A história da humanidade é permeada de homens e mulheres que se destacaram por sua bondade e pelo bem que fizeram aos outros, principalmente aos mais necessitados. Depois de Cristo, na história da Igreja Católica, muitas pessoas adotaram como objetivo de vida a obrigação de ajudar o próximo de um modo mais concreto. Por isso ganharam graças, diante de Deus, e o dom da intercessão, entendido por nós como milagres. São os santos e santas, que foram eternizados e ganharam a glória dos altares.
O mês de junho vem recheado de santos para serem lembrados. Entre eles, quatro se destacam pela devoção fervorosa e pelo folclore em torno da história de cada um: Santo Antônio, São João, São Pedro e São Paulo. Desde criança, aprendemos a venerar esses santos e a buscar a sua intercessão; acompanhamos a tradição da reunião das famílias para a reza do terço; o costume das fogueiras, que são acesas para homenageá-los. Acompanhamos também as crendices populares, ligadas principalmente a Santo Antônio, e as alegres e festivas quadrilhas.
Santo Antônio vem primeiro, no dia treze, trazendo-nos um exemplo de simplicidade, humildade e muito serviço.  Por isso é tido como o padroeiro dos pobres. Deixou-nos também um exemplo de partilha, porque saciou a fome de muitos necessitados. Dessa virtude, vem a tradição do “pãozinho de Santo Antônio”, distribuído em muitas igrejas todo dia treze de junho. É o pãozinho da fartura. Por outro lado, imitando seu exemplo, somos convidados, ainda, a distribuir pão a quem tem fome.
Santo Antônio povoa também o imaginário das pessoas, que o elegeram como “o santo casamenteiro”, baseado na narrativa de que ele ajudou uma moça que não possuía dotes – detalhe imprescindível na cultura da época – a arrumar um casamento. Talvez por isso se comemore o Dia dos Namorados na véspera de seu dia.
São João é comemorado no dia 24, com a força das fogueiras, dos fogos, das bandeiras içadas em altos mastros e das histórias que o envolvem. A primeira fogueira, segundo algumas tradições, foi acesa para anunciar o nascimento de João Batista. E os fogos? Para acordar São João. – Quando criança, minha mãe nos contava essa história: São João queria muito voltar à terra para comemorar seu aniversário e participar das famosas festas em sua homenagem. Deus não podia permitir. Então, quando ele perguntava: “Ô Senhor, qual é o meu dia?”, Deus respondia: “João, seu dia ainda não chegou.” Na véspera, porém, Deus o colocava para dormir e só o acordava no dia 25. São João então perguntava: “Ô Senhor, qual é o meu dia?” E o Senhor explicava: “João, seu dia já passou.” E assim em todos os anos.
Encerrando o mês, no dia 29, aparece São Pedro, o pilar do catolicismo, o guardião das chaves do céu, o primeiro papa. Foi um dos doze apóstolos de Cristo, aquele em quem Jesus confiou para dar continuidade aos seus ensinamentos: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja." (Mt 16,18) Neste mesmo dia, a Igreja Católica homenageia São Paulo Apóstolo, um autêntico fariseu que se converteu ao cristianismo e dedicou sua vida pela evangelização dos povos. Juntos, Pedro e Paulo sustentam a força da expansão do catolicismo e receberam a significativa comparação – colunas da Igreja.
Mais que qualquer história ou tradição popular, o que importa é a fé em Deus e no santo de nossa devoção. Para nós, católicos, os santos representam exemplos a serem conhecidos e imitados. Cada um a sua maneira, todos confiaram no Pai e deixaram-se guiar por Ele. Seja servindo aos que vivem na pobreza material, sendo exemplo de fé ou espalhando o evangelho de Cristo, todos encontraram graças diante de Deus e podem interceder por nós.

Para a vida, procuremos conhecer a história dos santos e, no dia a dia, imitar seus exemplos de fé, de partilha, pobreza, humildade, oração, de força e entrega total a Deus. Essa é nossa missão neste mundo: a santificação – nossa e daqueles com os quais convivemos. 
Luisa Garbazza
Artigo publicado no Jornal PARÓQUIA
Da Paróquia N. S. do Bom Despacho - junho de 2015

terça-feira, 2 de junho de 2015

“Fazer da vida uma oblação”

Nós, seres humanos, frágeis e limitados, passamos pela vida – Tão efêmera! – enfrentando as intempéries inevitáveis que o dia a dia se encarrega de trazer até nós. A vida é muito incerta. Nunca estamos totalmente preparados para ultrapassar as barreiras, nem estamos livres delas. Vamos aprendendo, aos poucos, com força de vontade e confiança em Deus, vivendo um dia de cada vez, colocando-nos nas mãos do Todo-Poderoso.
Muitas vezes a vida nos impõe desafios difíceis de serem superados. De um dia para outro, vemos desmoronar tudo que construímos – seja de concreto, seja em sonhos para o futuro. Hoje estamos bem, amanhã temos de enfrentar uma doença grave, nossa ou de algum familiar; um dia nos saímos bem financeiramente, outro dia passamos por crises desanimadoras; esperançosos, concluímos um curso e não conseguimos avanços profissionais; estamos felizes ao lado de alguém e Deus vem ceifar a vida de quem mais amamos. Nesses momentos de aflição, nossa e dos irmãos, às vezes nos desesperamos e não sabemos mais como continuar. Durante o processo de perda, seja ele qual for, é normal passarmos por um período de desolação, afinal somos seres humanos. Somos vulneráveis, física e emocionalmente, carregados de sentimentos e sensibilidade. Mas também somos dotados de uma grande força espiritual e de fé em Deus. Somos, por isso, capazes de nos reerguer das quedas inevitáveis de nossa existência.
Como motivação para a vida, nesse sentido, vem uma frase, de que gosto muito, do escritor e palestrante brasileiro Carlos Hilsdorf: “Não podemos escolher o que a vida vai colocar à nossa frente. Mas podemos escolher como agir diante do que ela nos apresenta.” Quanto mais penso nessa frase, mais me convenço de que seu autor tem razão. Por mais dura que tenha sido a provação, de nada adianta nos ausentarmos do mundo ou nos revoltarmos com a vida. Passados os momentos de tristeza, em que é comum nos sentirmos desamparados, precisamos acreditar na misericórdia divina, renascer, tentar outros caminhos. A vida não para nem espera ninguém. Nós somos responsáveis por nossa caminhada. Muitas vezes não é fácil, mas é urgente sairmos do estado de prostração, do sentimento de autopiedade e mudar o rumo da vida.
Exemplo concreto dessa superação, observo durante a missa do domingo, na Igreja Matriz: A igreja cheia de fiéis, mas sempre cabe mais um cristão que vem buscar, na palavra de Deus, o alento para a semana. Vejo entrando um casal com uma menininha ao lado. – Uns cinco anos, talvez. – O esposo, com semblante tranquilo, empurra devagar sua própria cadeira de rodas, posicionando-a, mais à frente, onde consiga ver o altar. A esposa, que vejo sempre sorrindo, vem logo atrás, senta-se em um banco próximo ou fica em pé. A menina, netinha do casal, acompanha-os e fica por ali, ora ao lado da avó, ora ao lado do avô. Em certo momento, a menina se aproxima do avô e sobe, ternamente, em seu colo. Acolhida e abraçada por ele, permanece ali, naquele aconchego, recebendo o carinho que buscara. Cena emocionante e tão afetuosa que nos revela a presença de Deus.
Acho que todos ali os conhecem: São carinhosamente chamados de Luisinho e Ritinha. E a neta Isabela. Esse casal passou por momentos difíceis, de provações, tristezas, desânimos. Mas, com certeza, os dois souberam como agir diante da situação que a vida colocou à sua frente. Com força e fé, ultrapassaram as barreiras, colocaram-se no colo de Deus e continuam a caminhada, firmes e confiantes. É isso que Deus espera de nós: que, a despeito de qualquer barreira que possa surgir em nosso caminho, depositemos toda nossa confiança em suas mãos misericordiosas, façamos da vida uma oblação e sigamos rumo ao seu reino.

Luisa Garbazza

Publicação do Informativo Igreja Viva
Paróquia N. S. do Rosário
Junho de 2015.