terça-feira, 10 de março de 2015

Mulher: criação divina




Mulher é obra divina
cheia de paz e esplendor,
feita de matéria fina
pelas mãos do criador.

Mulher por Deus tão querida
cumpre com fé a missão:
ser geradora da vida,
plantar o amor e o perdão.

Mulher fonte de ternura
jeito e graça no falar,
água que abranda a secura,
vida nova faz brotar.

Mulher que vive o amor
sente aflição e cansaços,
a recompensa da dor
é o filho que traz nos braços.

Todos os dias são seus
Mulher, cheia de coragem,
Receba as bênçãos de Deus
E a nossa homenagem.
                                                                     Luisa Garbazza

Publicação de março de 2015 do Informativo Igreja Viva 
Paróquia Nossa Senhora do Rosário.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Recortes do tempo


 O tempo, inexplicável e piedoso, (Sábio, talvez!) bate à minha porta. Manhã de sábado. Última de fevereiro. Despertei com ares de nostalgia – dessas que vêm subitamente e nos pegam desprevenidos. Algumas lembranças se responsabilizam pelo semblante sério.
Sem esperar, ou preparar-me para tal, deparo-me com um desenho: recordação de outras épocas. Não sei precisar o período em que, alheia a tudo, me vi absorta contemplando a folha de papel. Sei que o tempo roubou-me a realidade e transportou-me através do vácuo do passado...
Era o meu desenho favorito. De onde surgiu a inspiração? Não há lembranças. Também não me lembro de quantas vezes o reproduzi: no caderno de desenho; em uma folha qualquer; nas últimas páginas dos cadernos... Por muitos anos, foi parte de mim. Servia para extravasar qualquer sentimento, desde uma imensa alegria até a mais triste decepção. O coração pedia ajuda, a mente flutuava, a mão iniciava a “obra de arte”.
Volto a olhar a folha desenhada. O que será que motivou esse desenho em particular? Ficou perdido, esquecido em algum lugar e apareceu quando teve vontade. Não há datas ou outro registro qualquer...
Mas há o caminho: longa subida até o horizonte. Caminho da vida. Muito dele já foi percorrido. Muita coisa vivida e conquistada; outras, perdidas pelas curvas do caminho. E os sonhos da menina? Quem sabe?
Há as pedras. Aqui e ali, lá estão elas. Obstáculos inevitáveis que inibem nossos passos. Faz-nos parar, desviar, passar por cima, ou, algumas vezes, mudar o rumo do destino. Foram muitos os que encontrei! Alguns, medonhos, que roubaram-me a paz e quase me expulsaram da pista. Outros mais leves. Alguns quase imperceptíveis. Sobrevivi a todos eles, mas não sem algumas marcas que teimam em lembrar-me o caminho percorrido.
Há as flores, que alegram o caminho. Alento para os olhos. Oasis para a alma. Insuficientes, é certo. Por que tão poucas? Creio que vi, cultivei e colhi muito mais nas voltas dos anos que vivi.
E há o horizonte, – Bem longe! – a esperar-me. O sol é o destino? Ou apenas o início?  Talvez seja o momento de agora: o início de um novo caminhar. Dali se descortina outro horizonte. E o sol? Há de esperar-me ao final de mais um ciclo dessa estrada – bem ou mal traçada – que é a vida.
Luisa Garbazza
28 de fevereiro de 2015

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Linha tênue



Misteriosa linha, fina e tênue,
divide e alinha, separa e contrapõe.
A linha da lua nova, no céu bem colocada
apresenta-se faceira depois da escuridão.
A doce linha do tempo, ocaso ou aurora,
aparta o claro da noite, devolve ao dia o clarão.

A delicada linha da vida, em fases bem dividida
Assusta, surpreende, escorre sem avisar.
Os anos passam ligeiros, o corpo sofre e sucumbe
ante a ruína anunciada da vida tão limitada.

Mas coisa alguma interfere na casta linha da alma:
segue o rumo trigueira, faz-nos sentir inteiros
soltos e libertos, qualquer a idade somada.
O corpo pesa, mas a alma é leve.
A alma é sempre livre: quer espaço para voar.
Brincar com o tempo, viver e reviver o passado,
encantar-se com o presente, sonhar o futuro:
sempre, e sempre, e sempre.
Luisa Garbazza
21 de fevereiro de 2015

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

2015 – O Ano da Paz



Início de um novo ano é sinônimo de expectativas. Sempre fazemos novos planos, esperamos viver com um pouco mais de dignidade e que coisas boas aconteçam em nossa vida. No entanto vemos a violência se alastrar com tamanha intensidade que nos sentimos angustiados e inseguros quanto ao dia de amanhã. Por causa dessa onda crescente de violência, a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – decidiu promover o Ano da Paz, objetivando mobilizar o Brasil para a cultura da paz e da não violência. Do dia 30 de novembro de 2014 até o Natal de 2015, vivenciaremos esse Ano da Paz. E teremos a oportunidade de nos engajarmos nessa luta.
Refletindo sobre essa questão, aproveitemos o tema escolhido pelo Papa Francisco para o dia 1º de janeiro de 2015, o 48º Dia Mundial da Paz: “Não mais escravos, mais irmãos”. Sabemos que, mesmo com toda a evolução humana e a era tecnológica e globalizada em que vivemos, a escravidão ainda é um dos motivos da violência que rouba a paz de tantas famílias. Muitos são os que, privados de sua liberdade, têm que trabalhar desumanamente para sobreviver. São escravizados para sustentar o luxo e o egoísmo de outras pessoas.
Por outro lado, são inúmeras as situações em que ficamos expostos à violência: homicídios, principalmente em consequência do tráfico de drogas; acidentes de trânsito, que ceifam a vida de tantos inocentes; agressões, injustiças e corrupção; opressão política e econômica; conflito nos lares; e outros. Em decorrência disso tudo, aumenta o número dos que morrem, vítimas de atos violentos, ou perdem o direito de viver com dignidade.
Muitas vezes é fácil perceber e apontar as causas da violência. De forma indireta, ela é causada pelo egoísmo e pela ganância que escraviza. Como nos diz o Papa Francisco: “Enquanto não se eliminarem a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre os vários povos será impossível desarraigar a violência. Acusam-se da violência os pobres e as populações mais pobres, mas, sem igualdade de oportunidades, as várias formas de agressão e de guerra encontrarão um terreno fértil que, mais cedo ou mais tarde, há de provocar a explosão.”.
Do mesmo modo, não é difícil saber qual o melhor caminho para uma sociedade mais pacífica: precisamos respeitar o direito à vida, que todos possuem; ser generosos e não medir esforços para ajudar o outro; lutar pela preservação da integridade física, psicológica, social e espiritual de que todos necessitamos; respeitar as diferenças e valorizar o que o outro pode oferecer, mesmo que seja apenas uma moedinha, como fez a viúva citada na Bíblia por Jesus.
Assim, temos muito a fazer, durante este ano e sempre, para que o Brasil seja um lugar melhor de se viver. Sabemos que não damos conta sozinhos. Será necessária a participação de todos, principalmente dos políticos e dos que detêm alguma forma de poder. Não é uma tarefa simples, muito menos fácil, mas é uma tarefa possível, se todos tiverem o mesmo objetivo.
Portanto, não desanimemos. Entremos para valer, de corpo e alma, nessa corrente pacificadora. Sejamos fiéis ao nosso Batismo e respondamos ao apelo da Igreja nos empenhando pela construção da paz em todos os lugares. Como primeiro passo, estejamos em oração. Entremos em sintonia com o Espírito Santo e peçamos a Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, que nos ensine os caminhos para essa sociedade tão sonhada.
Luisa Garbazza

Publicação do "Informativo Igreja Viva" 
 Paróquia Nossa Senhora do Rosário. 
Fevereiro de 2015