terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Aniversário de ordenação sacerdotal



Padre Jayme e Padre Robson


Queridos sacerdotes, querido povo de Deus
Dirigir, em nome da comunidade, algumas palavras a esses dois bom-despachenses é tão fácil! E, ao mesmo tempo, é tão difícil!
É fácil trazer à memória o jovem Padre Robson, que tanto carinho dedicava aos fiéis, especialmente às crianças, a quem tanto ajudou, tanto na transmissão da fé, quanto de conhecimento. É muito fácil lembrar sua trajetória sacerdotal, seu longo ministério aqui em Bom Despacho. Saber de sua alegria, seu riso certo, seu bom humor.
É fácil falar do Padre Jayme, que acompanhou todos os momentos de minha vida, desde minha primeira Eucaristia, como também participou da vida de muita gente, principalmente da minha geração. É fácil lembrar todos os seus feitos em prol da juventude, da comunidade paroquial, da sociedade. Saber de sua seriedade nos momentos devidos e de sua espontaneidade nas horas mais descontraídas.
Entretanto é tão difícil falar para esses dois ícones, não só da Igreja, mas da sociedade bom-despachense. Dois homens de fé, de grande sabedoria e de tantas virtudes.  Duas figuras ímpares, que já viveram tantas experiências no sacerdócio, já cruzaram tantas barreiras, venceram tantos obstáculos, e insistiram, confirmando a fé e seu sim a Deus ano após ano.
Então, limitamo-nos a demonstrar a eles a grande admiração que sentimos por celebrarem conosco essa data tão especial. E a Deus, nossa gratidão por nos ter dado o privilégio de conviver com eles por tanto tempo.
Padre Robson, parabéns por esses 62 anos de serviço à comunidade católica.
Padre Jayme, parabéns pelos 56 anos de entrega e dedicação ao Reino de Deus.
Que Maria, Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, do Bom Despacho, da Conceição, do Rosário... continue guiando-lhe os passos.
Desejamos-lhes muitas felicidades, paz e serenidade para continuarem a missão. Sejam felizes e saibam que nos são muito caros.
Abraços de toda a comunidade.
Luisa Garbazza
Mensagem lida na missa em ação de graças pelo aniversário de ordenação sacerdotal dos padres Jayme e Robson.
8 de dezembro de 2014, 19h.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Presença



O dia começa sombrio. As nuvens se encarregam de dar o toque cinza no céu.

Ao levantar-me, peço bênçãos ao Pai do céu; faço minhas orações.

Pego a Bíblia – herança de minha saudosa mãe.

Abro-a, aleatoriamente, no final da Carta de São Paulo aos Efésios.

Surpresa, encontro, em seu interior, uma folha seca.

A mente começa a divagar, procurar significados para tal.

Lembro-me de como minha mãe era sensível a tudo e a cada detalhe.

Recordo sua vida de oração intensa e da participação nas “Oficinas de Oração e Vida”.

Seu entusiasmo era contagiante. Preparava tudo com esmero e dedicação desmedida.

Entregava-se de corpo e alma.

Quando participava do retiro espiritual, voltava com os olhos brilhando de satisfação. Era fácil imaginar: fizera realmente uma forte experiência de Deus. Tinha muita coisa para contar!

E falava de todos os detalhes, de cada momento e de como Deus se revelara nas coisas pequeninas, como uma formiga, uma borboleta, as curvas do tronco de uma árvore, um pássaro que pousara a seu lado, uma folha caída.

Segurando a pequena folha em minhas mãos, imagino minha mãe em um momento desses.

Vislumbro seu rosto – tão bonito! –, seu semblante sereno, a luz que irradia de seus olhos e de seu ser. Imagino-a iluminada, transfigurada.

Então meus pensamentos tentam imaginar o que será que Deus revelara a ela, através de algo tão simples, naquele momento tão sublime.  

Retiro a folha e leio na Bíblia: “Irmãos, fortalecei-vos no Senhor, pelo seu soberano poder.”

Volto o pensamento novamente para as lembranças de minha mãe: mulher forte, repleta das graças de Deus. Não se deixava sucumbir. Nada abalava sua fé em Deus e na Imaculada Conceição – sua madrinha. Foi sustentáculo para tanta gente! Uma vida inteira de doação: cuidou da dor de tantos e tantas! E, paradoxalmente, alegrava-se com qualquer minúcia e padecia dores imensas e inimagináveis. Santificou-se.

Prestes a completar seis meses de sua experiência definitiva com Deus, sua imagem ainda é tão nítida em minha memória! – Acho que o será para sempre. Os olhos se turvam pelas lágrimas que não consegue reter. É difícil me lembrar de pessoa tão querida e não me emocionar. Sinto tanto sua falta! Hoje, mais ainda. Nossa Senhora da Conceição era, realmente, madrinha de minha mãe. Assim ela considerava e assim – por causa das evidências – acreditávamos.

É a Maria – a Imaculada – que peço proteção neste dia: “Vosso olhar a nós volvei; vossos filhos protegei.”
Luisa Garbazza
8 de dezembro de 2014
Dia de Nossa Senhora da Conceição

domingo, 7 de dezembro de 2014

Vida plena: direito de todos



Estamos, mais uma vez, nos aproximando do Natal. A despeito de todas as festas, comemorações, presentes, pensemos no verdadeiro significado desta data: o nascimento de Jesus. O filho de Deus veio ao mundo com um objetivo claro, que ele mesmo nos revelou: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Segundo suas palavras – que é a lei maior – todos nós temos os mesmos direitos. Mas o egoísmo faz com que os homens esqueçam essas palavras e queiram ser e ter cada vez mais, numa eterna luta pelo poder. Por isso há tantas leis humanas tentando diminuir a muralha que separa as pessoas, dividindo-as pelas “diferenças”.
Por causa dessa maneira exclusivista de viver, foi proclamada, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo objetivo seria evitar guerras, promover a paz e a democracia e fortalecer os direitos humanos. Nela está declarado que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos, dotados de razão e consciência e devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.
Sabemos que, infelizmente, muitos são os que desrespeitam as leis, – tanto as de Deus quanto as do homem – e isso se traduz em uma sociedade cada vez mais desigual e elitista. Uma boa parcela da sociedade sofre com a discriminação, o preconceito, a fome e a falta de oportunidades. É cruel viver em uma sociedade com uma disparidade tão grande, em que os deveres são cobrados, de forma mais intensa, justamente de quem não têm seus direitos respeitados. A igualdade tão sonhada fica, quase sempre, apenas no papel.
No mês de dezembro, mais especificamente no dia dez, comemora-se o Dia Internacional dos Direitos Humanos. É uma oportunidade para todos, principalmente para nós cristãos, refletirmos sobre o nosso dia a dia na família, na comunidade, na Igreja e na sociedade. Ponderar sobre nossos direitos e deveres e procurar vivenciá-los em todos os momentos. Entender que realmente somos iguais e temos o mesmo valor perante Deus. Estamos todos a serviço do reino. O trabalho que um cristão faz, por mais sofisticado e perfeito que seja, não é maior que o trabalho simples prestado por alguém mais humilde. Aliás, foi Jesus mesmo quem disse: “Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança.” (Mt 5,5) O que importa é a fé, a humildade, a sinceridade e a pureza de coração.
Quando o ser humano entender o real sentido dessa Declaração, todos os membros da sociedade vão usufruir dos próprios privilégios. Aí, sim, poderá ser exercida a cidadania plena. Aí, sim, teremos todos os mesmos direitos e poderemos cumprir nossos deveres para o bem da coletividade.
Seguindo esse caminho, sentimo-nos próximos de Deus e quanto mais nos aproximamos de Deus, mais convicção temos de que o mundo foi criado para todos e de que precisamos cuidar uns dos outros. Assim poderemos propagar o amor sugerido e exemplificado por Jesus e viver com a consciência tranquila. Dessa forma teremos a alma mais santa e o coração mais puro para ir ao encontro de Jesus.
Tomara, neste Natal, possamos olhar para o presépio e renovar em nosso coração o amor pelo filho de Deus. Tomara possamos nos dirigir ao irmão que está ao nosso lado com o mesmo olhar com o qual contemplamos Jesus na manjedoura. E que esse olhar seja repleto de amor, de ternura e de respeito. Assim estaremos cumprindo a lei maior: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amo”. (Jo 15,12).
Luisa Garbazza
Publicação do Informativo “Igreja Viva”
                                                                                      Paróquia N. S. do Rosário – dezembro de 2014

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Vida em paradoxos



Realidade que domina o mundo.
Responda: Quem nunca há de sentir?
Paradoxo conflitante e profundo
A dor e a alegria de existir.

Repare as crianças: solo fecundo!
Todo instante é pra cantar e sorrir.
Vem a juventude e basta um segundo,
sofre por amor. Como prosseguir?

Encontrou seu amor correspondido?
Reina paz e alegria verdadeira.
Breve vem o filho. Grande alarido!
Preenche a casa, muda a vida inteira.

Mas o tempo, não é nada contido,
nem conhece diferente maneira:
esvazia o espaço preenchido;
foi um sonho, tornou-se só poeira.

Quando brotar motivos para sorrir,
abrace-o, pois, com toda a intensidade!
Faça reservas para compensar
os momentos de dor e de saudade.

Porque, na passagem dura da vida,
Tem-se degraus, subidas e tropeços;
vai sorriso, vem lágrima sentida,
até o fim de todos os começos.
Luisa Garbazza
Dezembro de 2014