domingo, 16 de novembro de 2014

Noite alta




Vozes esparsas, vindas da rua, chegam-lhe aos ouvidos.
A madrugada aproxima-se mansamente.
A mente, que não para, contraria o corpo entregue ao cansaço.
A insônia é saudada pelo som agudo da saracura:
“Três potes! Três potes! Três potes!”
Canta repetidas vezes... Para... Retorna...
Intercala sons e silêncios
em intervalos cuidadosamente ensaiados.
A cabeça entra no ritmo e espera o próximo acorde.
Vez ou outra é enganada pela quebra criativa dos sons:
“Três potes! Três potes! Pote, pote, pote, pote!”
A mente reprograma e aguarda as novas notas.

Nos intervalos maiores,
aproveita para analisar seus próprios dramas.
Fecha os olhos, aperta, priva-os da ausência de luz: nada consegue.
Abre-os novamente, vira e revira na cama:
o sono não vem.
A saracura exibe seus trinados mais uma vez.
Um reflexo, ainda ofuscado, entra pela fresta da cortina.
Reconhece a presença morna que vem se aproximando.
Abandona a luta vã:
salta da cama e aproxima-se da janela.
As trevas estão abandonando a rua.
A saracura, depois do plantão noturno,
recolhe-se ao seu sossego.
A realidade não deixa por menos:
agora é o corpo que não para,
contrariando a mente entregue ao cansaço.
O novo dia, que chega reivindicando seus direitos,
saúda o sol que explode no horizonte.
Luisa Garbazza
                                   Madrugada de 15 de novembro de 2014

sábado, 8 de novembro de 2014

Jesus – companheiro de caminhada



“O Senhor esteja convosco!”
“Ele está no meio de nós!”
Essa invocação é realizada três vezes durante a Celebração Eucarística. Um diálogo entre o celebrante e os fiéis.  Estamos, dessa forma, afirmando constantemente nossa crença na presença real de Cristo em nosso meio. Mas, às vezes, essas palavras são repetidas mecanicamente e não tomamos consciência da verdadeira dimensão daquilo que proferimos. Precisamos refletir sobre o significado dessas palavras para dizê-las com mais propriedade.
O povo de Deus se reúne em torno do altar, para a celebração, em nome de Jesus. Após os ritos iniciais e as leituras proclamadas pelos leigos, o padre diz pela primeira vez: “O Senhor esteja convosco!”, despertando a atenção dos presentes, que respondem: “Ele está no meio de nós!”. Nesse momento, a Igreja toda se prepara para ouvir o próprio Jesus, na pessoa do sacerdote. Jesus está presente no meio de nós e nos fala através do texto bíblico. Em oração, acompanhando a homilia, reconhecemos a mensagem a nós dirigida.
Depois do ofertório, a invocação é repetida para que, vigilantes, participemos do momento mais sublime da Santa Missa: a Consagração. É agora que Cristo se faz presente substancialmente e doa seu corpo e sangue repetindo o que fez na última ceia: “Tomai, comei; isto é o meu corpo.” (Mt 26,26) “Bebei dele todos; porque este é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos para remissão de pecados.” (Mt 26,27-28) Na hóstia consagrada está Jesus, “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Somos então convidados a receber esse alimento que nos purifica. Ao comungarmos, transformamo-nos em sacrários vivos e Jesus agora já não está apenas no meio de nós, mas também em nós.
No término da Missa, antes da bênção final, ouvimos pela terceira vez o padre dizer que o Senhor está conosco, pronto para nos abençoar. Acreditamos de verdade que Ele está no meio de nós e irá nos acompanhar por onde formos. Depois desse tempo de espiritualidade, com a alma renovada, estamos prontos para viver, a semana inteira, repletos da graça de Deus. A vida lá fora deve ser uma continuação do que vivemos durante a celebração; e a companhia de Jesus, uma constante.
Essas palavras, simples e verdadeiras, repetidas com insistência durante a Missa, precisam ecoar igualmente em nosso dia a dia. A vida se torna mais leve e o jugo suave quando estamos convictos de que podemos confiar em Jesus. Ele é a presença certa nos momentos de dor e também nos de alegria. Nas ocasiões de calmaria, em que tudo parece estar bem, e naquelas em que o vento sopra com intensidade e desmorona tudo. O Mestre nos acompanha nos dias pacíficos e continua ao nosso lado quando os ânimos se exaltam e as mentes tornam-se confusas. Sua presença é certa quando vemos nascer uma nova vida e mais forte ainda nas situações em que nos sentimos desolados, com o coração dilacerado pela perda de alguém muito querido. Nos dias de sol, Ele participa conosco da nossa alegria; também não se esconde, nem se afasta, nos dias sombrios de chuva. Continua firme ao nosso lado protegendo-nos das avarias provocadas pela tempestade.
Assim sendo, não nos esqueçamos de que nunca estamos sozinhos. Foi Jesus mesmo quem disse aos apóstolos e diz a nós também: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”. (Mt 28,20)Todos os nossos caminhos, passo a passo, são trilhados na companhia do Filho de Deus.  Assim, não O deixemos esquecido nos dias de glória, pois, com toda a certeza, Ele não soltará nossa mão quando o fardo for pesado demais.
Luisa Garbazza

Publicação do Jornal Paróquia N. S. do Bom Despacho
Novembro de 2014.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Sentimentos
















3 de março de 2015
18 horas e 30 minutos: inicio da noite.



Saudade
O dia, da noite se aproxima.
Eis que a saudade bate à porta.
Avizinha-se,
envolve-me,
agiganta-se...
Em alguns segundos,
traz de volta
sentimentos,
momentos,
pessoas únicas e especiais.
E não quer mais ir embora.

........... Luisa Garbazza
26 de fevereiro de 2015




 Alma nebulosa
                                                                                        27 de dezembro de 2015

  Natal II
 
                                                          25 de dezembro de 2015

Natal
                                                        24 de dezembro de 2015

 Criação das mãos de Deus:

20 de novembro de 2014

Amor materno - amor maior:
17 de novembro de 2014


Para os momentos de frio e nebulosidade na alma:

10 de novembro de 2014

Sintonia total com Deus:



Quando o entardecer é sinônimo de entristecer.


6 de novembro de 2014


Mas que não falte o encanto pela vida.



Lua inspiradora
 
Luisa Garbazza
4 de novembro de 2014



domingo, 2 de novembro de 2014

Saudade materna



Mãe,
sua presença ainda é tão necessária!
Ainda não consegui assimilar sua partida.
Muitas vezes fico ensaiando um diálogo,
lembrando as coisas que gostaria de partilhar com você.
Parece tão real!
Mas a realidade insiste em mostrar sua face impiedosa.
O arrepio na alma e o aperto no coração trazem-me à realidade:
não terei mais esse privilégio.
Sinto-me quase infeliz.
A quem contar minhas novidades?
Quem vai acolher minhas angústias, minhas dúvidas?
Com quem dividir minhas aflições?
Só a senhora compreendia meus ais,
conhecia minhas dores,
entendia a gravidade dos meus anseios.
Hoje, mais do que nunca, chorei sua ausência.
Apego-me às lembranças de sua voz, de seu sorriso,
de sua presença forte e animadora,
sua compreensão, seu carinho, sua fé.
E é nessa fé que eu me ancoro
e busco forças para continuar a vida
até encontrá-la novamente.
Luisa Garbazza
2 de novembro de 2014