segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ano da Fé / Ano da Graça

Mensagem para a Missa de encerramento do Ano da Fé

Neste dia em que professamos nossa fé, proclamando Cristo como Rei e celebramos também o encerramento do “Ano da Fé”, é prudente que não deixemos por isso mesmo, como um assunto encerrado. Precisamos aprender a fazer de cada dia, de maneira individual e profunda, o “Dia da Fé”.
            Aprender a renovar, cada vez mais, nossa crença na existência de “Deus, Pai, todo-poderoso, Criador do céu e da terra". Um Deus que se faz presente em cada detalhe, ínfimo que seja, de tudo que existe: na mãe natureza, no coração das pessoas, nos olhos inocentes das crianças, na brisa leve, suave, na Igreja, na generosidade do ministério sacerdotal, no trabalho de tantos cristãos leigos.
          Do mesmo modo, onde estiverem jovens lutando por um mundo mais justo, saindo em missão para levar alento e pão aos mais necessitados – seguindo o exemplo de São Francisco de Assis e tantos outros –, vivendo os valores pregados pelo evangelho, acreditando que vale a pena viver na fraternidade e na santidade, ali está Deus.
Por tudo que vemos e por tantas outras evidências, resta-nos acreditar na presença de um Pai-Criador que deu vida a todas as criaturas. Um Pai que nos deu seu filho, Jesus Cristo, como modelo de vida e obediência. Um Ser Supremo digno de glória e louvor.
Como disse o Papa Francisco, “Quando a luminosidade da fé se apaga, todas as outras luzes acabam por perder o seu vigor. Então, peçamos a Deus que nos abençoe e nos proporcione, sempre mais, a graça da fé, principalmente naqueles momentos de angústia e de dor, para que nossa luminosidade permaneça, frutifique e nos leve a lutar por uma cultura de paz, de amor, de vida plena com a graça de Jesus Cristo e a força do Espírito Santo. Amém.
Luisa Garbazza
24 de novembro de 2013

Mensagem lida no final da Missa das 19 horas na Igreja Matriz de 
Nossa Senhora do Bom Despacho


Mensagem para a Missa de abertura do “Ano da Graça” na Diocese de Luz

Durante essa Liturgia, ouvimos a voz do profeta Isaías convidando-nos a deixarmo-nos guiar pela luz do Senhor que se aproxima. Ouvimos, também, a voz de Jesus dizendo para ficarmos atentos, pois não sabemos em que dia o Senhor virá. E hoje somos convidados, de forma especial, a vivermos durante um ano, um tempo forte de encontro e partilha. Tempo para celebrar e confraternizar. Tempo de parada para reflexão, para repensarmos nossa caminhada de fé na família, na comunidade, na Igreja e na sociedade.
O Ano da Graça deve ser vivenciado por todos nós, pois somos todos responsáveis pelo crescimento da ação pastoral da Igreja. Para isso, aprendamos com São Paulo, em sua primeira carta aos Tessalonicenses, em que nos ensina que nossas comunidades devem ser alicerçadas na fé e estar sempre preparadas para os desafios, sendo vigilantes, tendo apreço pelas lideranças locais, sendo sempre alegres, rezando e dando ação de graças a Deus em tudo. A ação de graças nos desperta para acolher o mistério da presença de Deus em nossa vida. Ela nos alimenta e fortalece a nossa esperança.
            Estejamos em sintonia com a Igreja e perseverantes nesta caminhada que ora se inicia, refletindo sobre as palavras de Dom Hélder Câmara, arcebispo brasileiro reconhecido no mundo inteiro por sua atividade política, social e religiosa: “É graça divina começar bem. Graça maior, persistir na caminhada certa. Mas a graça das graças é não desistir nunca.”
          Aceitemos esse convite.
Assim poderemos formar, juntos, a Igreja Viva, que caminha para o Reino do Senhor.
Luisa Garbazza
2 de dezembro de 2013

Mensagem lida no final da Missa das 19 horas na Igreja Matriz de 
Nossa Senhora do Bom Despacho

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Estrela de Natal

Estamos em tempos de Natal. Ruas cheias, algumas enfeitadas, casas e praças iluminadas, músicas temáticas, tudo para chamar à atenção. Infelizmente, o clima natalino gira, quase que exclusivamente, em torno do comércio. As vitrines ornamentadas, cada uma com seu estilo próprio, todas querem atrair o consumidor.
Outro dia, ao andar pelas ruas observando curiosa o ir e vir de tantas pessoas e o carregar de tantos pacotes, presenciei uma mulher saindo de uma loja em companhia de uma senhora e de duas crianças que não estavam demonstrado muita satisfação. Quando passaram perto de mim, ouvi-a dizer uma frase, antiga, mas que estava esquecida em algum canto da memória: “Se eu não puder ser a Estrela de Belém, vaquinha de presépio também não quero ser.” Essas palavras, ditas em um tom relativamente alto e muito arrogante, deixaram-me perplexa e pensativa, principalmente pela fisionomia triste daquelas crianças. Não sei o contexto em que elas foram ditas, mas, com certeza, não combinavam com a alegria da época. Comecei a devanear sobre vários assuntos relativos ao espírito natalino. Impossível não lembrar minha infância. Era tudo tão simples e valorizado! Jesus era o centro das atenções. Hoje o consumismo ofusca as pessoas, – Inclusive as crianças! – Jesus fica em segundo plano – ou nenhum – e o “Papai Noel” ganhou maior espaço em todas as culturas. 
Naqueles dias, minha mãe nos dizia que o presente era o menino Jesus quem nos dava na noite de Natal. Ensinava-nos a amá-Lo e a respeitá-Lo como Deus que é.  Assim o fazíamos. Com toda a sabedoria que recebeu do Criador, ela reunia a família toda para montar a árvore de Natal, com enfeites que ela mesma fazia, para rezar e aguardar a “noite mágica” da chegada do Menino. Na noite do dia vinte e quatro, íamos todos dormir ansiosos para que amanhecesse logo. Assim poderíamos ver o que ganhamos. Mesmo que o presente, por causa das poucas posses, fosse algo extremamente simples, era grande a alegria com que o recebíamos. A prioridade do dia vinte e cinco era a ida à Igreja: participar da Santa Missa, visitar Jesus no presépio, rezar, agradecer pelo presente e por tudo que recebemos durante o ano todo.
Lembrei-me também de uma história que sempre aparecia nos livros de escola primária da época. Conta-se que, naquela noite esplendorosa em que nasceu o criador, ali, naquela humilde manjedoura, sem conforto algum, todos os elementos da natureza queriam ofertar algo para adornar o lugar ou para aquecer o menino. Próximo ao presépio, havia três árvores: uma tamareira, uma oliveira e um pinheirinho. A tamareira, toda cheia de si, presenteou o menino com suas doces tâmaras. A oliveira ofertou a Jesus suas azeitonas. O pinheirinho, porém, não tinha nada a ofertar. Na sua simplicidade, ficou muito infeliz. As estrelas do céu, vendo a tristeza do pinheirinho, desceram à Terra e pousaram em seus galhos adornando o pinheirinho. Assim ele se ofereceu a Jesus, iluminando e enfeitando o primeiro presépio.
Então volto àquela frase e fico pensando o quanto é triste alguém querer ser a “Estrela de Belém” e não possuir humildade suficiente para ajudar os “pinheirinhos” que se encontram ao redor, pobres, infelizes, sentindo-se rebaixados por não terem nada a ofertar. É lição de Jesus e obrigação nossa ajudar a quem precisa. Quanto mais forte for a nossa luz, mais temos o comprometimento de iluminar aqueles que necessitam de claridade.
Aproximando-nos do Natal, tomara que a luz mais forte seja a do amor incondicional a Deus e, consequentemente, aos irmãos. Possamos olhar para o outro com mais solidariedade tentando ajudar pelo menos uma pessoa, alguém que, como aquele pinheirinho da história, esteja triste por não ter nem ganhar nada nesta data. Tomara que Jesus possa renascer com toda força no coração de cada um de nós, de maneira especial, daqueles que O deixaram esquecidos e, com o coração endurecido pelos entraves da vida, já não têm esperanças de sentir uma alegria verdadeira, gratuita, que só em Deus podemos encontrar. E que o amor de Jesus e o brilho daquela estrela sejam refletidos no olhar de cada pessoa quando disser a alguém: Feliz Natal!
Luisa Garbazza
Novembro de 2013

Publicação do jornal "Paróquia"
Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho, dezembro de 2013

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Graças a Deus!

“Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”. (I Tess. 5,18)

Somos filhos amados de Deus, herdeiros do seu reino de amor e estamos constantemente elevando preces a Ele para pedir tantos benefícios que julgamos urgentes para bem vivermos. Nem sempre somos atendidos em nossas súplicas, pois não compreendemos os planos de Deus e, às vezes, nem sabemos o que é melhor para nós. Então precisamos entender que, a despeito de receber ou não a graça suplicada, é necessário dar graças a Deus a cada minuto de nossa vida.
O simples fato de acordar de manhã já é motivo suficiente para agradecimento. Abrir os olhos e perceber que estamos vivos, prontos para iniciar a jornada de um novo dia, é bênção divina. É dever de todos aproveitar o que recebeu de Deus para melhorar o mundo ao seu redor. Acordar e partir para a luta, dentro das possibilidades de cada um.
É graça divina despertar e perceber que a noite está dando seu lugar ao sol, que vem nos iluminar e nos aquecer gratuitamente. Abrir a janela e olhar para o céu, infinitamente azul, a emoldurar a maravilhosa criação de Deus: ora contrasta com o verde das matas, ora com o amarelo de tantos desertos, ora se confunde com o azul do mar. Ou apreciar o céu cinza, anúncio de chuva, boa e necessária, que chega para refrescar a terra, limpar a poeira, fecundar o chão. Admirar as flores que brincam com as cores numa aquarela bem diversificada e os pássaros com seus trinados peculiares e bailados típicos. E, no final do dia, o esplendor do horizonte que acolhe o sol num espetáculo perfeito. Graças a Deus pela natureza que nos abriga e nos dá vida.
Em tudo que fazemos e sentimos temos motivos para agradecer ao Senhor da vida, que nos deu um corpo perfeito: olhos que nos permite enxergar no outro um irmão; mãos que trabalham e devem estar sempre a serviço, disponíveis para auxiliar a quem precisa; boca que nos permite anunciar as maravilhas de Deus; pernas que nos levam a todos os lugares; mente privilegiada, capaz de criar, armazenar e pensar em tantas coisas; coração que nos mantém vivos, nos permite amar a Deus sobre todas as coisas e nos brinda com sentimentos de ternura, afeto, carinho, amor, saudade.
Graças a Deus por nos ter concedido nascer em uma família. A presença do pai, da mãe e dos irmãos, que nos acolhem, nos amam e nos deixam confiantes de que, por mais que tenhamos dificuldades na caminhada, teremos sempre para onde voltar e alguém que irá nos acolher e nos impulsionar a procurar novos caminhos. Uma família para amar e respeitar seguindo Jesus, que nos apresentou a família de Nazaré como exemplo de fé, amor, sabedoria, confiança em Deus.
Durante nossa existência terrena, ainda temos muito que agradecer a Deus Pai: pelo alimento que todos os dias vem compor a nossa mesa e saciar nossa fome; pelo ar que respiramos e nos mantém vivos; pela água que corre cristalina por lugares de beleza ímpar e chega até nós satisfazendo nossa sede; pela noite, quando temos oportunidade de descansar o corpo e nos prepararmos para um novo dia; pela religião que nos permite estar sempre em sintonia com os ensinamentos de Jesus; pelas oportunidades de fazermos o bem e ajudar a quem precisa sem preconceitos ou preferências.
Por tudo isso, Senhor, Deus do universo, nós vos damos graças. Nós vos agradecemos e vos bendizemos por sermos vossos filhos amados. Graças por ter nos concedido o dom da vida e a oportunidade de nos tornarmos santos. Mais ainda, graças a vós, ó Pai, por nos darmos a certeza da vida eterna, quando nos veremos face a face. Assim sendo, Senhor, nós vos pedimos, não permitais que nos afastemos de vós nem por um minuto sequer. Ajudai-nos a estar sempre vigilantes, a fazer o bem e a honrar seu santo nome. E a não esquecer nunca de dizer a cada momento: Graças a Deus!

Luisa Garbazza
Novembro de 2013

28 de novembro de 2013 - "Dia Nacional de Ação de Graças".
(Ou seja: a quarta quinta-feira de novembro.)

domingo, 17 de novembro de 2013

Fugacidade do tempo

Tempo que passa...  e não para
Tempo ausente, insuficiente...

Tempo...
Tão rápido na alegria
Arrastado na melancolia.
Na infância, tão demorado
Na adolescência, dispensado
Na maturidade, criticado
Na velhice, compensado.

Tempo que castiga
Quem espera pelo dia
Da sonhada felicidade.
Tempo que privilegia
Quem a vida desafia
Depois vive de saudade.

Grande amigo tempo
De tanto sentimento
Presente em cada momento.
Inimigo no tormento
Na dor, forte lamento
Na paz, grande alento.

Tempo, atenda-me o pedido
Que faço com insistência:
Mostre-se condoído
Preciso de assistência.
Que eu possa todo dia
Aceitar sua cadência
Entender o ritmo da vida
Viver com fé e decência.
Ser sempre agradecida.

Tempo...
Tem o poder em suas mãos
Não me cause decepção
Pois comanda a vida que perpassa
Tempo, que sempre e sempre passa.
Luisa Garbazza

17 de novembro de 2013

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Um simples detalhe

Um dia como outro qualquer. O tempo chuvoso e escuro das primeiras horas ilumina-se com a chegada do sol e deixa mais colorida a manhã de primavera.
Coração também amanheceu chuvoso. Triste, angustiado, apertado no peito. E assim continuou. Uma sensação estranha, indefinida. Semblante pesado. Nostalgia pura sem saber por quê. Ou de quê.
A tarde já ia adiantada. Como as nuvens da existência ainda não tinham se dissipado, dirigi-me ao jardim – um dos meus lugares preferidos. Sentei-me na grama – muito verde, agradecida pelas chuvas constantes desta estação – e deixei-me ficar. A cabeça estava longe, os pensamentos desconexos, a mente embaralhada.
Pus-me a contemplar as plantas. Cada uma tem sua história: dois coqueiros. Um foi presente de minha mãe; outro, trazido do brejo  por meu pai – Há quanto tempo!; a roseira cor-de-rosa ganhei de uma vizinha, e a rosa preta, de meu esposo; a açucena foi presente – Um vaso lindo que ganhei no dia das mães e transplantei para o jardim. – Assim fui relembrado a procedência de cada uma delas. Agradáveis lembranças.
Meus olhos pararam na grama. Milhares de folhinhas formando um lindo tapete verde. Porém, algo mais me chamou à atenção: bem no meio da grama, também verde, só que em um tom mais claro, uma pequena plantinha havia brotado. Olhando brevemente, ela nem seria notada. No entanto estava lá, firme, nitidamente visível aos olhares mais atentos. Serviu-me como ponto de reflexão.
Pude perceber naquela plantinha um toque divino que se revelou em tão simples detalhe. É realmente nas pequenas coisas que Deus  se manifesta. Ela, que brotou apertadinha por entre as raízes da grama, conseguiu ganhar seu lugar e, apesar de estar só, estava crescendo de maneira bem saudável. Por sua força de vontade, ganhou novos ares e agora fazia parte daquele jardim.
Pensamento alçou voo. Do mesmo modo, também sou criação divina. Tudo que tenho e sou devo a Deus. Por isso, preciso estar de bem com a vida e valorizar cada detalhe do dia a dia. Também faço parte de um imensurável jardim. Não preciso estragá-lo. Posso escolher enfeitá-lo com a ternura que flui do meu coração, deixá-lo leve com minhas palavras de incentivo, iluminá-lo com a luz da minha fé. Posso cuidar de cada detalhe que vai fazer a diferença aos olhos dos que o observam.
Um sorriso brotou lá no fundo. Relutei em me levantar dali. Entretanto, já me sentia aliviada e pronta para retornar à rotina. Agradeci profundamente a Deus por ter me permitido esses momentos e por ter revelado essas coisas a mim, que sou tão pequenina.
Luisa Garbazza
13 de novembro de 2013
18 horas e 20 minutos

terça-feira, 5 de novembro de 2013

“Quero ser mais santo.”

Participar da celebração eucarística é, para nós católicos, motivo de muita alegria com um significado profundo de crença na presença real de Jesus na Sagrada Comunhão. Só o fato de estar ali, na presença do sacerdote e em comunhão com Deus e os irmãos, já faz desse um momento especial, mas há dias em que certos acontecimentos nos brindam com a beleza de sua essência. Foi o que aconteceu comigo em um domingo, na celebração das nove horas na Matriz de Nossa Senhora do Bom Despacho.
Como estava ajudando na celebração, foi fácil perceber a presença de um jovem, desconhecido para mim, que estava auxiliando na equipe de canto. A camisa que ele trajava chamou minha atenção. Um azul claro, muito bonito, com escritas brancas não identificáveis por causa da distância. Quando ele se aproximou um pouco pude identificar o que estava escrito – pelo menos as letras grandes: “Quero ser mais santo”.
Essa frase me motivou profundamente e participei da Missa com entusiasmo renovado. Depois da celebração, fiquei meditando sobre essas palavras, simples, que povoam nosso pensamento e se expandem ganhando espaço e significado abstratos, em um primeiro momento, mas que vão se concretizando durante a caminhada: “Quero se mais santo.” Querer ser mais santo deve ser o objetivo maior de todo cristão. Foi para isso que Jesus nos deixou seus ensinamentos. Porém não seremos santos sozinhos. Somos chamados a viver em comunidade respeitando os preceitos do Evangelho, que nos levam à salvação, e contribuindo para a santificação da Igreja, dos ministros, da família, dos pobres, de todo o povo de Deus.
A Igreja é mais santa quando ouve com docilidade a voz do Espírito Santo; sempre que age com sabedoria dando atenção preferencial aos pobres e oprimidos; coloca-se inteiramente a serviço da humanidade e trata a todos indiscriminadamente; preserva e expande cada dia mais a unidade dos primeiros cristãos. Assim estará se firmando como a “Igreja de Cristo” e sendo fiel à sua missão de renovar o mundo.
Pela sua misericórdia, possa Jesus incitar o desejo de ser mais santo a todos os ministros da Igreja, ordenados e leigos. Sejam mais santos ao escolher os caminhos que irão percorrer; ao encontrar o irmão necessitado de uma palavra amiga, de uma ajuda, de um sorriso, de uma mão estendida; ao se colocarem a serviço, dispostos a acolher os mais necessitados.
O povo de Deus será mais santo quando entender melhor as palavras de Jesus e sentir necessidade de colocá-las em prática. Quando perceber que não adianta querer ser melhor que ninguém, pois perante Deus somos todos iguais. Foi Ele mesmo quem disse: “Deixai vir a mim os pequeninos porque deles é o reino do céu”. Quanto mais simples, humilde, solidário, mais perto de Deus e, consequentemente, mais santo. Para isso, carecemos muito da graça de Deus para que possamos entender sua mensagem de vida plena e espalhar sua verdade por onde formos.
Queremos ser mais santos, Senhor. Por isso vos pedimos: Irradiai sobre nós a vossa luz e dai-nos a graça de difundi-la em todos os lugares por onde passarmos. Dirigi o trabalho de nossas mãos, para que tudo que fizermos seja em prol da dignidade do ser humano.
Nesse caminho para a santidade, ensinai-nos, Senhor, a sermos mais solidários com aqueles que necessitam de misericórdia. Não nos permitais deixar o irmão à margem do caminho, sem forças para continuar a batalha da vida. Muitas vezes somos nós mesmos que precisamos imensamente da sua indulgência. Portanto, Senhor, “não nos deixeis cair em tentação e livrai-nos sempre de todo mal”.
Ajudai-nos, Pai do céu, a agirmos com sabedoria para, seguindo o exemplo de tantos santos e santas, que nos precederam e são celebrados neste mês de novembro, não nos afastarmos do caminho que nos conduz a vós. Dai-nos a graça de amar o irmão da mesma forma como somos amados por Vós; a sermos honestos e a fazermos sempre o bem, mesmo se não formos valorizados. E, acima de tudo, dai-nos a graça de descobrir, a cada dia, o que precisamos fazer ou em que mudar para sermos mais santos e nos preparamos para a grande glória que é vê-lo face a face na eternidade. Amém.

Luisa Garbazza

Publicado originalmente do jornal "PARÓQUIA"
Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho
Novembro de 2013

domingo, 3 de novembro de 2013

Padre Pedro - 68 anos de sacerdócio

Hoje, dia de todos os santos, tive o feliz privilégio de fazer a acolhida para a missa de ação de graças pelos 68 anos de ordenação sacerdotal do Padre Pedro.
Padre Pedro faz parte da história de Bom Despacho e vê-lo, aos 92 anos, presidindo a celebração eucarística é muito emocionante. Na serenidade do seu semblante, deixa transparecer a confiança total em Deus.
Em minha vida, ele também teve uma participação especial. Lembro-me de quando ele foi celebrar a “Primeira comunhão” das crianças preparadas por mim em uma comunidade rural onde eu lecionava. Sem similar. A boa vontade e a prontidão com que aceitou meu convite, sua maneira de agir com tranquilidade e paciência, suas palavras e seu carisma emocionou-nos. Durante muito tempo, ele foi relembrado naquele lugar.
O que mais me impressiona é sua lucidez e a sabedoria com que fala das coisas de Deus e de sua própria história.
Guardarei comigo a singeleza e a alegria com que ele recebeu e retribuiu meus cumprimentos - assim como o de todos os outros - e esse sorriso com que, na gratuidade, ele me presenteou. 
Agradecemos a Deus por nos permitir celebrar, juntamente com o Padre Pedro, seus 68 anos de vida sacerdotal e louvamos por tudo o que Deus tem feito por ele e através dele. Que Jesus e Maria o abençoem e permitam-lhe que, guiado pelo Espírito Santo, prossiga semeando Cristo no coração das pessoas com sua peculiar confiança, firmeza e serenidade.

Mensagem de acolhida
         Nossa Igreja hoje se alegra por um motivo muito particular: em 1945, nesta mesma igreja, nosso muito querido Padre Pedro Lacerda Gontijo celebrava sua primeira missa. Hoje ele aqui retorna para celebrar os 68 anos de sua ordenação sacerdotal.
         Padre Pedro nasceu em Moema aos 13 de outubro de 1921. Foi criado em Bom Despacho até os 13 anos de idade e para cá voltou, como sacerdote, em 1966. Desde então, tem nos presenteado com sua presença edificante, sua sabedoria, disponibilidade, seu sorriso franco e constante. Todos os que com ele conviveram, ou convivem, têm lembranças boas para contar: história de amizade, de aprendizado, de bons conselhos...
         Aproveitemos esta celebração para dar graças por esse homem de Deus, que, depois de todos esses anos, ainda deixa transparecer o entusiasmo, a alegria de viver, a lucidez e uma grande fé em Deus.
Seja bem-vindo entre nós, Padre Pedro.  
Luisa Garbazza
Três de novembro de 2013.