sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Sobre brumas e manhãs

Amanhece.
A luz fraca que entra pelas frestas da janela denuncia um dia diferente.
O tempo urge.
As horas não esperam o desejado despertar.
Levanto-me.
Abro a janela e desvendo o mistério:
_ Um dia cinza!
Parece não ter amanhecido completamente.
A bruma reina poderosa.
Confunde-se com o céu e anula o horizonte.
Invade a cidade, as ruas, as casas, os jardins...
Envolve os transeuntes.
Provoca a imaginação.
Amo as manhãs eclipsadas pela bruma.
Observo-a pensativamente.
Ando pela rua e sinto-me envolvida intensamente.
 A bruma fria e úmida invade meu corpo, minha pele, minha alma.
Traz de volta momentos vividos na realidade
ou através das páginas de um bom livro.
Ou ainda, momentos que gostaria que tivessem acontecido.
Sinto-me leve, plena, feliz.
Começo a flutuar, pensar coisas agradáveis, sentir a beleza da vida.
Somos tão frágeis!
A vida é tão efêmera, no entanto deixamos de aproveitar momentos ímpares.
O dia cinza talvez traga à memória os entraves da existência e certo tom de melancolia.
Porém a alegria maior é saber que o sol não nos abandona.
Por maior que seja a névoa que povoa nossas manhãs,
 não conseguirá ofuscar nossos olhos por muito tempo.
Devagar vai se dissipando e alargando os horizontes.
Clareando o dia e a alma.
E estaremos prontos para saltar da cama e começar um novo dia.
Luisa Garbazza
18 de outubro de 2013

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Vida plena aos idosos

 “Eu vim para que todos tenham vida”, disse Jesus. E ainda completou que todos deverão ter vida plena. Buscando significados para essas palavras, precisamos entender essa plenitude da vida começando na concepção, ainda no ventre materno – todos têm o direito de nascer; nos primeiros anos da vida, quando são necessários muitos cuidados; na juventude – tempo das descobertas, tantas e necessárias para a construção da personalidade; na idade adulta e também na velhice.
            A pessoa idosa passou por muitas experiências, boas e difíceis, e tem muito a nos ensinar. Quando olhamos para alguém de idade mais avançada, sem reservas, percebemos a paz que ela nos transmite. Hoje, por exemplo, vi um velhinho entrando na Igreja. Estava sendo conduzido em uma cadeira de rodas, possivelmente por um filho, que demonstrava paciência e zelo. Era magro, estava vestido com simplicidade, porém com elegância, tinha o cabelo muito branco, cuidadosamente penteado e apresentava uma expressão tão serena e feliz, que me fez sorrir por dentro, tamanha a ternura sentida. Pelas aparências, percebi que aquele homem tinha vida plena, apesar das limitações da idade.
Essa cena trouxe-me à mente a imagem de minha mãe. Também está velhinha e não consegue mais andar. Com a saúde debilitada, passa quase todo o tempo em sua cama. A despeito disso, conserva seu bom humor, sua vaidade e bom gosto. Seu rosto continua bonito. Os cabelos, lindos, não embranqueceram, tingiram-se de prata. Um tom tão lindo e brilhante que salta aos olhos. Possui um semblante tão puro, sempre calmo, com uma serenidade envolvente que aquece a alma. Não se exalta, nem se desespera. Deposita toda sua confiança em Deus. Confiante também porque está sempre bem cuidada, em especial por sua devotada filha caçula.
Assim deveria ser com todos os idosos. Por tudo que viveram, aprenderam, ensinaram, pelos filhos que criaram, por aqueles que ajudaram a superar obstáculos, pelo amor que espalharam e pela crença em Deus, merecem ser amados, respeitados, bem cuidados. É só se aproximar de alguém com mais idade e perceber que tem muito a ensinar daquilo que viveu ou do que aprendeu com seus antepassados. E sentem necessidade disso: conversar com alguém, contar as experiências de vida, mostrar que estão vivos.
Por merecerem o respeito da família e da sociedade é que os idosos ganharam uma homenagem: um dia no calendário. Dia primeiro de outubro é dedicado àqueles que já deram sua contribuição para melhorar o mundo em que vivem e precisam ser valorizados por isso.
Nesse dia comemora-se também o Dia de Santa Teresinha do menino Jesus. Portanto, é a ela que pedimos intercessão por nossos pais, mães, avós, tios, que já não podem mais viver independentes como gostariam e precisam de cuidados e atenção especiais. Tomara todos tenhamos a consciência de que eles são filhos amados de Deus e merecem todo nosso apoio, nosso amor, carinho e afeto.

Luisa Garbazza

Publicada no Informativo Igreja Viva - outubro de 2013
Paróquia Nossa Senhora do Rosário

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A menina em mim

                Ano de 2013. Outubro se adianta. Nas redes sociais a brincadeira é postar fotos da infância em homenagem ao dia das crianças que se aproxima. Fiquei muitos dias curtindo aquelas fotos, todas com uma beleza em comum: a inocência. Resolvi entrar na brincadeira. Demorei um pouco para encontrar essa foto – a mais antiga que possuo. Já estava com dez anos. Postei assim mesmo. Como diz o poeta: “Pra gente ser feliz, tem que mergulhar na própria fantasia”.
                Surpresa com o carinho dos amigos – mais de uma centena curtindo e comentando carinhosamente – decidi olhar com mais atenção a menina daquela foto. Foi como se voltasse no tempo e me deparasse com um mundo muito diferente.
Perdida em meus pensamentos, dei-me conta do quanto aquele cenário estava fora da minha realidade. Talvez por isso tenha me encantado tanto. Esse arranjo, enorme, enfeitando a mesa, por exemplo. Em minha casa, as flores ficavam apenas no jardim. Havia apenas uma pequena mesa em casa. E muitas crianças para estudar. Não sobrava espaço para flores. As cortinas? Tão dispensáveis em janelas de madeira! O telefone era algo muito distante. Nunca havia nem tocado um antes. Além dos livros sobre a mesa – nessa época não havia nem um livro em casa – e o ursinho enfeitando a cortina.
O coração se derreteu olhando aquela pequena menina. Lembro-me do cabelo, ondulado e muito rebelde, difícil de pentear, ficava sempre preso em uma comprida trança. O corpinho magro, vestido com o uniforme velho e um pouco amarrotado, com muitos consertos, detalhes que não se tornaram visíveis na foto. Os braços finos, colados ao corpo, e as mãos inseguras sem saber ao certo como agir sugerindo  uma timidez sem limites. O rosto  revela um semblante sereno, um olhar quase triste, um esboço de sorriso num misto de espanto, curiosidade e alegria. Meus olhos se enchem de água ao analisar aquela face singela, tão conhecida e o aperto no peito é muito doído quando se dá conta da distância que nos separa.
A memória não quis se aquietar, deixou-se voltar no tempo e trouxe os dias de então. Fui uma criança muito feliz! Vivi muitas aventuras por lugares incríveis oferecidos pela mãe natureza. As coisas mais simples era motivo de grandes emoções. Hoje tenho consciência de como a vida era difícil naquela época. Sei todas as necessidades que tivemos de suportar. Mas aquela menininha da fotografia não sabia nada disso.  Para ela, a vida era encantada. Cada minuto era vivido com intensidade. Não tinha percepção das diferenças sociais. Na pobreza em que vivia não lhe faltava nada. Como no momento dessa imagem em que se sentiu alguém muito, muito importante.
O presente se impõe. A foto volta a ser apenas a lembrança de uma época venturosa que será lembrada para sempre. Tomara consiga resgatar essa maneira ingênua, pura, leve de lidar com os percalços da vida. No coração ficará continuamente uma ternura enorme por essa criança que continua viva em mim.
 Luisa Garbazza
10 de outubro de 2013

Agradecimento a todos os amigos que curtiram minha foto motivando-me a escrever essa crônica.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Maria – mãe e missionária

A primeira imagem de Maria que a Bíblia nos apresenta a é de uma mocinha meiga, frágil, inexperiente, mas, ao mesmo tempo, decidida e cheia de fé. Ao ser visitada pelo anjo Gabriel, não titubeou e respondeu com firmeza: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”. Desde então, Maria foi se firmando como a mãe de Deus, a esposa de José, a amiga, a companheira de caminhada, a primeira cristã, uma autêntica missionária.
A primeira missão de Maria foi a visita a sua prima Isabel. Morando longe, com idade avançada e grávida, Isabel estava precisando de ajuda. Prontamente, a jovem de Nazaré se pôs a caminho para servir e, acima de tudo, para levar a boa nova que, antes de ser dita, foi sentida por aquela senhora que também participou da história da redenção, pois trazia no ventre João Batista, o precursor, aquele que anunciou a chegada do messias e preparou-lhe os caminhos. Percebemos a amplitude da graça de Deus nessas duas mulheres refletindo nas palavras ditas no instante da saudação: “Ave, cheia de graças, o Senhor é contigo!”; “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu salvador.”
De volta a casa, Maria enfrentou a difícil missão de ser esposa de José e mãe de Jesus. José, que pensou em abandoná-la por causa da gravidez, foi visitado em sonho, acreditou em Deus e aceitou Maria. Mas a missão de gerar e criar o filho de Deus não foi tão simples. Enfrentaram muitos percalços, começando pelo nascimento de Jesus, em Belém, em uma manjedoura, sem recursos nem apoio; a viagem forçada para o Egito, fugindo da tirania de Herodes; o desespero durante a procura pelo filho e o reencontro no templo; as palavras do velho Simeão a Maria: “Uma espada transpassará a tua alma.”; e as palavras de Jesus no templo: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” No entanto, Maria guardava todas as palavras e acontecimentos em seu coração e seguia firme com fé e confiança em Deus.
Durante a vida adulta de Jesus, Maria de Nazaré continuou acompanhando seus passos. Sua missão mais dolorosa foi a de assistir ao martírio do filho – prisão, flagelo, condenação, a caminhada desumana sob o peso da cruz, a crucifixão e morte. Nessa época, já não tinha a companhia de José. Enfrentou sozinha todas aquelas dores que dilaceravam seu coração de mãe. Não há nada que machuque mais o coração materno que o sofrimento do filho. E ela suportava em silêncio entregando toda a agonia nas mãos do Pai. Como aquela dor tão profunda sentida no instante em que seus olhos encontraram os de Jesus na subida para o calvário; a responsabilidade ao ser nomeada “mãe da humanidade”; o momento doído em que recebeu nos braços o corpo de seu filho já sem vida.
Depois de ter passado pela experiência da dor e se alegrado e glorificado a Deus pela ressurreição de Cristo, Maria continuou, mais firme que antes, sua missão de propagar o acontecido, acompanhar os apóstolos na tarefa de anunciar o que o Mestre ensinou e arrebanhar as pessoas convertendo-as ao cristianismo. Apesar das dificuldades e das ameaças que sofreram, renovavam cada dia a fé que os impulsionava a dar continuidade aos ensinamentos de Jesus. Foi persistente dando seu testemunho de missionária, de cristã legítima, até ser assunta ao céu.
Mas o ministério de Maria não se encerrou ali. Prosseguiu pelos séculos afora e continua até hoje. Revivemos a missionariedade da mãe de Deus e nossa mãe em cada título que ela recebeu na história da Igreja para interceder por nós atendendo nossas necessidades; em cada ave-maria que rezamos suplicando sua presença de mãe e desejando a proteção de seu manto sagrado; em cada graça recebida. É ela que nos conduz pelas mãos e nos ajuda a continuar no caminho da fé dando seguimento à missão de apregoar o Evangelho. É através dela que encontramos força para suportar os sofrimentos inevitáveis da vida. É ela que vai nos acompanhar em todos os momentos da vida e na hora da morte. E será ela, com certeza, que nos abrirá as portas do céu.

Luisa Garbazza

Publicação do Jornal "Paróquia"
Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho
Outubro de 2013

sábado, 14 de setembro de 2013

Palavra da Salvação

      "Tua Palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho!" (Salmo 119,105)
      A palavra de Deus é luz para todos os momentos de nossa vida, especialmente aqueles em que precisamos nos orientar pela verdade. Essa verdade é a nós transmitida por meio da Bíblia: conjunto de 73 livros sagrados, que nos revelam a história do povo de Deus e a participação de Jesus na história da salvação.
      Esse livro, tão importante para nós cristãos, escrito primeiramente nos idiomas Hebraico, Aramaico e Grego, está dividido em duas partes: Antigo Testamento – livros escritos desde o século XV a.C. até o nascimento de Cristo, contendo a Lei de Deus dada a Moisés e a história do povo de Deus rumo à Terra Prometida; Novo Testamento – livros escritos após o nascimento do Messias até o final do século I d.C. – apresentando a vida de Jesus, suas obras, seus ensinamentos e a criação da Igreja pelo próprio Jesus Cristo: "Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; tudo o que ligares na terra será ligado nos céus..." ( Mt 16, 18-19)
      Algum tempo depois, entre fins do século IV e início do século V, a Bíblia foi traduzida para o latim clássico por São Jerônimo – doutor da Igreja – a pedido do Papa Dâmaso. O latim era a língua oficial e o Papa queria uma tradução fiel, que o povo pudesse compreender. E assim se fez. Mas, depois do Concílio de Trento (1545-1563) o povo católico ficou um longo tempo sem ter acesso à Bíblia. Foi o Concílio Vaticano II (1962-1965) que a devolveu ao povo, através da Constituição Dogmática “Dei Verbum”.
      Hoje, dois mil anos depois de ter sua escrita concluída, essa palavra continua viva entre nós. Ela é uma grande “Carta de amor” à Humanidade e revela-nos o projeto de Deus para o mundo. Nós, católicos, que acreditamos na ressurreição de Jesus e na sua promessa de ficar conosco até o fim dos tempos, sabemos que a Bíblia nos traz a mensagem de um Deus que é amor e nos transmite os preceitos necessários para alcançarmos uma vida santa vivendo em comunhão com Deus e com os irmãos. Como nos diz São Paulo: "Tudo o que se escreveu no passado foi para o nosso ensinamento que foi escrito, a fim de que, pela perseverança e consolação, que nos dão as Escrituras, tenhamos esperança." (Rm 15,4).
      As Sagradas Escrituras não só contam a história do povo de Deus, mas também denuncia as injustiças, as situações desumanas que deixam muitos à margem da sociedade sendo explorados, excluídos e vivendo em extrema pobreza. Através delas reconhecemos que Deus nos ama, que caminha conosco e está sempre ao nosso lado para nos dar força e coragem. Nelas encontramos textos que nos ajudam a fortalecer nossa fé ajudando-nos nos momentos de dificuldades. Em suas páginas, a exemplo de Jesus Cristo, somos chamados a viver na fé e a lutar por um mundo mais irmão, mais solidário e fraterno.
      Nesta era pós-moderna em que vivemos, muitos já não têm o devido respeito pelas coisas divinas e criam outras alternativas de vida, colocando o homem – e o dinheiro – como centro das atenções, mas a palavra de Deus continua “viva e eficaz” e muitos são os que a seguem com fidelidade buscando inspiração para viver e realizar o projeto de Deus.
      Entendamos, então, que, fora da Igreja, a Bíblia é apenas mais um livro de literatura. Só quem acredita nas palavras inspiradas por Deus valoriza o que ali está escrito. Assim sendo, a Igreja escolheu o mês de setembro para homenagear e ressaltar a importância desse Livro Sagrado. Dia 30 de setembro é dia de São Jerônimo e o “Dia da Bíblia”, que é celebrado liturgicamente no último domingo desse mês.
      Em 2013, a Igreja nos propõe a leitura do Evangelho de São Lucas durante o mês da Bíblia, que tem como tema: “Discípulos Missionários a partir do Evangelho de Lucas”. E o lema: “Alegrai-vos comigo, encontrei o que estava perdido.” (Lc 15). São Lucas nos coloca a necessidade de sermos discípulos missionários e a importância de confiarmos no Espírito Santo aceitando-O como nossa força e nosso entendimento. É Ele que revela a presença de Deus e sempre nos ilumina em nossa missão de construir um mundo melhor. 
      “A Bíblia é a palavra de Deus / Semeada no meio do povo / Que cresceu, cresceu e nos transformou / Ensinando-nos viver num mundo novo.”
Luisa Garbazza
Publicação original - Informativo Igreja Viva
Paróquia Nossa Senhora do Rosário

domingo, 8 de setembro de 2013

Olhos fixos no Senhor

Por muitas vezes, anos até, participamos da Santa Missa   de forma automática,    sem nos aprofundarmos no sentido dessa cerimônia. Ficamos ali quase  por obrigação e    saímos incompletos, sem perceber o seu real valor.  Mas quando conseguimos absorver a verdadeira acepção dos momentos que passamos na casa de Deus e    mergulhamos profundamente no mistério revivido, a celebração ganha um novo significado.   Já não há nem preocupação com o tempo, que passa sem ser notado.
Chegando à Igreja, vivenciamos a comunhão com o irmão. Sem preocupação com a cor, classe social, grau de estudo, idade, vamos acolhendo uns aos outros e acomodando-nos para nosso encontro com Deus. Aos poucos, vamos ficando rodeados de irmãos que ali se encontram com a mesma fé, a mesma esperança e um só objetivo: glorificar o nome de Jesus, filho de Deus.
Ainda nesse clima de acolhida, acompanhamos a introdução, o canto de entrada e as palavras do sacerdote, que nos convida a fazer o sinal da cruz – pois tudo ali será realizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo – e acolhe-nos como irmãos, filhos e filhas de Deus.  Segue um instante de recolhimento, silêncio interior, oportunidade de colocar nossas misérias aos pés de Deus e pedir sua misericórdia antes de louvar e bendizer o nome do Senhor. Então podemos colocar nossas intenções diante do Pai.
A comunhão com a palavra de Deus acontece através das leituras e do salmo, proclamados por nossos irmãos; do evangelho, proclamado pelo sacerdote; e da homilia. O segredo é abrir o coração para perceber que é Jesus que nos fala, e os ouvidos, para entender o que Ele tem a nos dizer nesse momento. Logo após, reafirmamos nossa fé e dirigimos ao alto os pedidos da comunidade cristã.
Em seguida, o momento de ofertar a Deus o que recebemos gratuitamente. Juntamente com o canto, precisamos esvaziar nosso coração e oferecer tudo que temos e somos. Colocamo-nos inteiramente diante do Pai pedindo que aceite nosso sacrifício. Depois o sacerdote reza o prefácio e o povo canta afirmando que Jesus é três vezes santo e que sua glória é proclamada no céu e na Terra. Acreditar nisso e repetir essas palavras com sentimento proporciona-nos uma grande proximidade com Deus.

A partir desse momento, os olhos estarão sempre fixos no Senhor.
Olhos fixos no Senhor durante a consagração, quando o pão e o vinho se tornam verdadeiramente o corpo e o sangue de Jesus. As mãos se encontram e os joelhos se dobram em atitude de adoração. O coração sente que não está sozinho. A presença de Deus é real na Eucaristia e no viver de cada pessoa que O aceita.
Olhos fixos no Senhor durante a oração eucarística, quando rezamos pelos diversos segmentos do povo de Deus: pela Igreja, pelos irmãos falecidos, por nossos amigos e conhecidos, por alguém que pediu nossas orações.
No instante da elevação do Sangue e Corpo de Cristo, ouvindo o sacerdote dizer que a Ele pertence toda honra e toda glória, os olhos fixos no Senhor transforma-nos e nosso coração transborda de amor. Esse amor nos leva a aceitar o outro como irmão, acompanhá-lo na oração do “Pai-Nosso” e a querer abraçar todos os que estão participando do mesmo mistério desejando a cada um aquela paz que vem de Deus e inunda nossa existência. Em seguida ainda temos mais uma ocasião de nos purificarmos pedindo a piedade e a paz ao Cordeiro de Deus.
Olhos fixos no Senhor quando o sacerdote nos apresenta o Corpo de Deus e nos convida a participar da Ceia Sagrada. Sabemos que não somos dignos, mas a misericórdia divina nos acompanha nessa caminhada e uma única palavra é capaz de salvar-nos.
Logo após, os irmãos reunidos vão ao encontro do Senhor e os olhos são mais fixos ainda quando O recebemos e O comungamos. Como sacrários vivos, por alguns instantes, tornamo-nos com Cristo um só Corpo e um só Espírito. Percebemos a dimensão desse ato e sentimos Jesus em nós, mas não conseguimos explicar a emoção. Como humanos não alcançamos a totalidade desse mistério, pois como disse São João Maria Vianney: “Se soubéssemos o que é a Santa Missa, morreríamos de amor”.
No final, o padre nos abençoa e nos convida a continuar a caminhada na companhia de Jesus vivendo a paz ensinada por Ele. Ainda repletos da graça de Deus, saímos pensando como os discípulos de Emaús: “Não se nos abrasava o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as escrituras?” (Lc 24,32)
Depois desse tempo forte de experiência de Deus, voltamos para casa cada dia mais ansiosos pela oportunidade de viver toda essa emoção outra vez. Assim fazemos do dia a dia uma extensão do que vivemos durante a celebração: “Não sou eu que vivo, mas Cristo que vive em mim.” (Gl 2,20).

Luisa Garbazza
Agosto de 2013

Publicação do Jornal "Paróquia"
Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho
Setembro de2013

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Ah! Aniversário!

Aniversário
Ah! Aniversário!
Essa data mágica que mexe com o ego, com a imaginação.
Transforma um dia comum em dia de festa.
Impõe-nos a barreira do tempo:
Um olhar para o passado; outro para o futuro.
Abro os olhos e uma menina magra, descalça, feliz corre pelos campos:
persegue borboletas, colhe flores, admira pássaros;
brinca, pula, ri, canta;
vive a magia de uma infância ditosa.
Num piscar de olhos, uma mocinha tímida aparece diante das retinas.
Na ingenuidade da adolescência, mergulhada em sonhos, sente-se feliz.
Nos mesmos sonhos às vezes se alegra, outras chora. Sem motivos?
É a vida que se adianta. Um leque que se abre à sua frente.
“Como será o amanhã?”
Entre um pensamento e outro,
Ora uma jovem professora;
Uma noiva que caminha ao encontro do noivo no altar da Matriz;
Uma mãe que acalenta o filho;
Outro filho que alegra a vida;
Uma mulher madura.
Meus olhos pousam novamente no presente.
A imagem que o espelho me devolve não é a mesma que o coração sugere.
As lembranças são tantas!
E os sonhos da adolescência? Muitos se perderam; uns feitos, outros refeitos.
No entanto, a felicidade estava presente em cada curva do caminho.
O sorriso vem fácil.
O corpo já não tem o vigor da juventude, mas a alma é leve.
O saldo de tudo que vivi, nesses anos todos, é positivo.
A gratidão é imensa: a Deus, o Senhor da vida;
Aos que me trouxeram à vida;
Aos que cruzaram o mesmo caminho – ou trilhos, trechos, alguns passos;
Àquele com o qual dividi a vida e às vidas que geramos.
Desmedida é a alegria.
Tudo valeu a pena, pois a alma sempre foi grande demais.
E assim há de ser até próximo 4 de setembro, se Deus quiser.
E o próximo... e o próximo...
Luisa Garbazza

03 de setembro de 2013