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sábado, 6 de outubro de 2018

Salve os pequeninos!


"Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. (São Marcos 10, 14)"

Jesus nos ensinou a ter alma de criança por causa da pureza que elas trazem no coração. Lendo essa passagem, lembro-me de meu sobrinho-neto Davi. Em seus cinco anos, Davi é pura inocência! Tem um jeito todo especial de viver e conviver. Um sorriso puro, jeito carinhoso, um olhar do qual emana uma paz que toca a alma da gente. E ainda tem um quê de ingenuidade que me encanta. Davi é um anjo. Na última vez em que o encontrei, despedi-me dando-lhe duas notas de vinte reais. Chegou o irmão Miguel e disse: “Ô, Davi, divide aí!” Em sua inocência, com o semblante doce e sereno, ele simplesmente pegou uma das notas e a entregou ao irmão. Meu sobrinho Thales - pai de Davi - quis intervir. Fiz sinal para que deixasse. Foi um gesto muito lindo que precisa ser valorizado e imitado. Ali entendi realmente o significado de ser semelhante aos pequeninos.
Ainda pensando nessa passagem, projeto-a para a festa que celebraremos em outubro: o Dia das Crianças. Como é bom festejar esse dia! Como é gratificante receber o olhar de gratidão dessas pessoinhas tão amadas por Jesus e que têm tanto a nos ensinar! A criança traz, escancarada no olhar, toda a essência de sua alma. A sinceridade com que falam as verdades e traduzem os sentimentos é graça divina. As lições que nos ensinam precisam ser levadas a sério.
Para esse dia dedicado às crianças, e para todos os outros dias, peço a Deus:
que todas as crianças possam ser criadas com amor;
que haja paz em todas as famílias, para que as crianças cresçam sem serem obrigadas a participar de cenas de violência e desamor;
que as dores das crianças sejam levadas a sério e que elas possam receber sempre os cuidados necessários;
que as crianças tenham direito ao carinho dos pais, e que os pais estejam sempre presentes e disponíveis para ajudá-las;
que todas as crianças tenham alguém para lhes contar histórias, muitas, e alguém para ouvir suas próprias histórias;
que as crianças tenham livros, muitos livros, para crescerem com mais sensibilidade e menos ansiedade;
que os pais sejam provedores das necessidades materiais, mas, acima de tudo, provedores de amor, de carinho, de compreensão, de ternura e afeto;
que os pais tenham consciência da gravidade da superexposição da criança às telas: computador, televisão, celular, tablet;
que os pais ensinem às crianças o caminho do bem, da religião, do amor;
que os pais apresentem às crianças o Papai e a Mamãe do céu;
que os pais tomem seus filhos pelas mãos e os levem à igreja, casa de Deus, para aprenderem a rezar e abastecerem o coraçãozinho dos bens espirituais;
que nenhuma criança tenha que enfrentar a fome, o frio, o desprezo, o abandono, o abuso sexual, os maus tratos, a tristeza, o medo;
que nenhuma criança tenha que crescer rápido demais por causa das asperezas da vida.
            Neste dia doze, e sempre, abençoai, Senhor, todas as crianças para que vivam com alegria e dignidade. E abençoai-nos, Senhor, para que aprendamos delas a sabedoria de vida que nos ensina a sermos dóceis, mansos e humildes de coração. Só assim poderemos nos aproximar de vós. Só assim seremos dignos de suas bem-aventuranças. Amém.

Luisa Garbazza
Jornal Paróquia (Paróquia N. Sra. do Bom Despacho)

Outubro de 2018 

sábado, 8 de setembro de 2018

Doar a própria vida


Em nossa passagem por este mundo, há muito para se viver. Cada ser humano vive a seu jeito, afinal o Criador nos dotou de livre arbítrio, quer dizer, somos livres para fazer nossas escolhas. Uns vivem com euforia o tempo todo; outros, com calma e delicadeza.  Uns querem experimentar de tudo; outros, comedidos, vivem resumidamente. Uns gastam a vida em festas e mil maneiras de aumentar a autoestima; outros doam a própria vida em favor dos irmãos em Cristo. Estes abandonam-se nas mãos de Deus e vão se santificando.
Foi assim que aconteceu com o Papa João Paulo II, o papa de tantas gerações, que não se deixou esmorecer com os reveses da vida e continuou sua missão até o último de seus dias. Nem a tentativa de assassinato que sofreu, nem a doença, nem o cansaço da idade o fizeram parar. Mesmo com o corpo deformado, o tremor nas mãos e a voz comprometida, continuou a evangelizar e a enviar sua mensagem de esperança para os cristãos de todo o mundo. Seu jeito humano e sua disponibilidade para ir ao encontro dos filhos e filhas de Deus, até nos lugares mais longínquos, foi um marco na história da Igreja Católica.
Foi assim com minha santa mãe, Dona Maria Garbazza, uma mulher cheia de Deus, que também deixou sua marca na vida de tanta gente. Dona Maria nasceu predestinada a viver uma vida de provações e a se doar inteiramente. Primeiro para a família do próprio pai, pois vivera com madrasta e ajudou a cuidar dos irmãos. Depois para o marido e os dez filhos. Desde pequena, doou-se também para Deus. Participava das coisas da Igreja e da espiritualidade de todos os que solicitavam sua presença para a reza do terço, ou pedindo suas orações em favor de alguém. Também como enfermeira, conselheira, parteira, em um indo e vindo sem fim. Com os filhos criados, passou a ajudar na comunidade, na paróquia e nas Oficinas de Oração e Vida. Enquanto deu conta de se locomover, saiu ao encontro do irmão necessitado, levando sua ajuda, sua oração, sua companhia. Tal qual o Papa João Paulo II, também teve o corpo deformado pela doença, mas não se entregou. Apesar das dores terríveis que sentia, carregou a cruz até o fim e evangelizou muita gente.
E foi assim com tantos outros...
Atualmente, vejo o Padre Jayme subindo as escadas do presbitério para celebrar: devagar, passo a passo, amparado por braços solícitos dos dois lados. Apesar das limitações, continua firme seu ministério. Olho para ele e deixo-me levar pelas lembranças... Como me esquecer daquela menina tímida e assustada que se aproximou do padre para se confessar pela primeira vez?  Lá estava o Padre Jayme para me ouvir, aconselhar e perdoar meus pecados. Foi ele também que me apresentou Jesus pela primeira vez no dia da minha primeira comunhão. Na minha juventude, tive o privilégio de conviver com ele no “Movimento Roda Viva”. Muito aprendi com suas palestras, seus conselhos, seus ensinamentos, suas chamadas de atenção. E quando me aproximei do altar, juntamente com o Flávio, para o Sacramento do Matrimônio, foi de suas mãos que recebi as bênçãos de Deus. Igualmente quando completamos 25 anos de casados.
Hoje já está quase sem forças, mas sustenta a fé e o ministério que assumiu há tanto tempo. Quando o vejo subindo ao altar, é com ternura e gratidão que o faço: gratidão por ter representado Cristo em tantos momentos de minha história. Também sentimento de respeito e admiração pela perseverança em celebrar o mistério de Cristo na Santa Missa. A voz, já cansada, ganha força para proclamar a palavra de Deus.
Por tudo que já viveu e continua vivendo, aplausos para esse homem que doa própria vida para Deus, desde a mais tenra idade: Padre Jayme Lopes Cançado.

Luisa Garbazza
Jornal "Paróquia" - setembro de 2018

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Mãos estendidas


"Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos." (Mateus 11:25)
Outro dia, eu havia acabado de ler essas palavras de Jesus, quando ouvi algumas pessoas – católicas – comentando sobre a Missa. Entre uma palavra e outra, alguém disse que não ia à Missa, pois era muito repetitiva. “Todo dia a mesma coisa. Até o Evangelho é repetido.” Fiquei a pensar o quão ignorante somos quando se trata das coisas de Deus. A Missa é mesmo repetitiva. Já ouvimos o Evangelho várias vezes e ainda não conhecemos a verdade do Mestre Jesus. Ele vai nos concedendo gotas de entendimento. Cada vez que ouvimos – ou lemos – suas palavras, nossos olhos se abrem para esse ou aquele ponto que estamos preparados para entender.
Um ensinamento de Jesus que precisamos muito compreender melhor é o das mãos estendidas. O mundo precisa muito de braços e mãos estendidas para ajudar o irmão necessitado. Aliás, somos todos carentes, miseráveis criaturas de passagem por esse mundo às vezes tão desumano. Somos necessitados uns dos outros. Aprendamos então a lição das mãos estendidas, ensinada várias vezes por Jesus.
Ao olhar para nós mesmos e para o irmão, percebemos claramente os instantes da vida em que precisamos de ajuda. A criança indefesa, frente ao mundo desconhecido, precisa das mãos de alguém para ajudá-la a dar os primeiros passos, a aprender as primeiras lições de vida, a conhecer o Pai e a Mãe do céu. E há muitas crianças desamparadas, sem ninguém que lhe sirva de amparo, de sustentáculo. Percebemos a urgência em seu olhar: o olhar inocente revela a graça divina; o olhar carente revela a fragilidade humana; o olhar suplicante revela a insensibilidade das pessoas.
E assim, pela vida toda. Também estão esperando mãos estendidas o jovem desorientado perante a vida, sem rumo, sem discernimento, querendo desesperadamente se afirmar como cidadão. O jovem que muitas vezes, diante das cobranças da sociedade, vê-se desanimado, sem perspectiva e se entrega aos prazeres momentâneos que, não raro, deixa consequências. Algumas, irreversíveis, compromete toda sua existência.
Muitas famílias estão perdidas entre as verdades cristãs e aquilo que a sociedade laica mostra como verdadeiro e nos é imposto através da mídia. Estão precisando de braços estendidos, de mãos que auxiliam, de presença, de uma voz que proclama a verdade absoluta, a que aprendemos na Santa Missa através da palavra de Deus. Da mesma forma, encontramos pessoas idosas, que já não conseguem dar os passos sozinhas. Ficam ali, paradas, olhar distante, alheias ao turbilhão de acontecimentos que movem o mundo. Precisam de uma mão caridosa para ampará-las, para mostrar-lhes seu valor como ser humano, como filhos e filhas de Deus.
São muitas as lições. Ainda temos muito a aprender. As coisas de Deus nos são reveladas aos poucos. Se precisamos ir à Missa todos os domingos? Claro que precisamos. Mais que ir à Missa, procurar aprender alguma coisa. Não terá valido a pena se sairmos da igreja sem absorver, uma gota que seja, da palavra de Deus que nos foi dita através das leituras e da fala do sacerdote. Quando estamos preparados, Ele nos abre os olhos para ver suas maravilhas. A Missa é repetitiva sim. E continuará a ser repetida até que todos os seres humanos, sem exceção, tenham aprendido os ensinamentos de Jesus e os colocado em prática. Como nos diz o poeta: “A lição sabemos de cor. Só nos resta aprender.”
Luisa Garbazza
Publicação do jornal "A Paróquia" - agosto de 2018
Paróquia N. Sra. do Bom Despacho


domingo, 1 de julho de 2018

Criança que reza


 
A oração é o nosso meio de comunicação com Deus e com os santos, nossos intercessores, aqueles que, conforme acreditamos, levam nossos pedidos ao Pai, através de seu filho Jesus. Quando nascemos em família orante, aprendemos, desde pequeno, a rezar, assim que nos levantamos pela manhã, e parar um pouco, no final do dia, erguer os olhos para o céu e formular uma prece de agradecimento pelo dia que passou. Depois aprendemos a rezar participando da Santa Missa. Aos domingos, ir à Missa é um ritual, uma obrigação, um momento de encontro com Jesus na Eucaristia. E assim, pela vida toda, a oração é – ou deveria ser – o que nos sustenta e nos faz entender que a espiritualidade é essencial para nossa existência.
Seria bom que essa certeza fizesse parte da vida de todas as pessoas, ou pelo menos da vida dos cristãos, pois foi o próprio Cristo que nos ensinou a rezar, através dos apóstolos. No entanto, em todos os tempos, mais ainda na era científica e tecnológica em que vivemos, o homem tem uma estranha mania de pensar que pode viver sem Deus. Então cria suas próprias certezas, seus próprios deuses e vive cada um à sua maneira. Por isso é tão importante intensificarmos nossa vida de oração e pedirmos, insistentemente, que a mão de Deus esteja sobre nós e sobre o mundo inteiro. Através do nosso exemplo de fé e oração, pela força do Espírito, podemos atingir a vida de muitas pessoas. E são muitos os necessitados, inclusive nós próprios.
Um dos momentos mais sublimes de comunhão com Deus é a Santa Missa. Quando realmente entramos em sintonia com o mistério celebrado, saímos com a alma leve e o coração feliz pela presença de Jesus em nossa vida. Gosto de observar, durante as celebrações, a atitude das crianças. Fico emocionada e agradecida quando vejo uma criança que reza, que participa da celebração. Algumas, apesar da pouca idade, acompanham o folheto, rezam alto, repetem os gestos, tudo com seriedade e concentração. Outro dia, acompanhei o comportamento de uma menina – sete, oito anos mais ou menos – que estava sentava bem à minha frente. Foi lindo de ver: os olhos fixos no altar, alheia aos demais acontecimentos. Dava para imaginar a presença dos anjos ali à sua volta.
Outro momento de alegria, pela presença de criança que reza, foi no dia em que celebramos o Sagrado Coração de Jesus. A turma do Apostolado da Oração estava em destaque na igreja, com suas camisas brancas e suas fitas vermelhas. Vivemos momentos de emoção e muita fé. No final, o Padre André, que presidia a celebração, chamou à frente as pessoas que iriam receber a fita. Entre elas, duas crianças – pré-adolescentes, talvez. Foi uma grata surpresa ver aqueles dois pequenos participando do Apostolado da Oração. Eu olhava com admiração a atenção dos dois, o olhar atento dirigido ao padre, ouvindo-lhe as palavras. Senti, junto com eles, a presença de Jesus, quando receberam a fita vermelha.
"Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.” Foi uma das mensagens que Jesus nos deixou através do Evangelho de São Mateus. A oração sustenta o espírito. É muito bom ver alguém em oração. Melhor ainda é ver uma criança que reza, pois sabemos que, por trás de tal comportamento, há uma família que reza, que ensina, que dá o exemplo aos filhos. Dai-nos, ó Pai, a graça de nos mantemos unidos a vós através da oração. Amém.
Luisa Garbazza

Jornal "A Paróquia"
Julho de 2018





sexta-feira, 18 de maio de 2018

Instantes de vida


É muito prazeroso ler poesia. Dar vida a cada verso, parar em uma palavra ou outra, sentir a emoção de se conectar com outro universo.
É melhor ainda escrever poesia. Deixar o coração à larga e a mão – Amo escrever à mão, apesar das modernidades. – ir registrando cada sentimento, a palavra única, especial, que toca a alma e provoca outros sentimentos.
Mas a graça maior está em viver a poesia. Foi exatamente o que vivi na manhã desta sexta-feira: a poesia da vida.
Convidada pela professora – e amiga – Tânia, fui à Escola Municipal Dona Duca para falar às crianças, apresentar meu livro e contar-lhes minha história: “A menina que queria ser vento”. Tudo ali era poesia: o acolhimento da diretora e demais funcionários, a educação das crianças, a organização e ornamentação do ambiente, os trabalhos dos alunos.
O que aconteceu então, aquele contato prazeroso com os pequenos, foi lindo, pura poesia. Ver todos aqueles pares de olhos olhando-me, prestando atenção nas minhas palavras, brilhando ao escutar minha história, foi mágico.
 A presença dos alunos que queriam levar meu livro e a alegria ao registrar a dedicatória foram versos que saíram carregados de afetos, de rimas e de sons.
Receber, depois de tudo, a ternura, o carinho, o sorriso e o abraço dos pequenos foram os versos finais, os mais lindos, que compuseram os momentos poéticos que preencheram as linhas de minha manhã.
Gratidão imensa. Gratidão sentida, vivida, extravasada.
Luisa Garbazza
18 de maio de 2018















segunda-feira, 14 de maio de 2018

Materialização da poesia



Sempre amei os livros, desde bem pequena. Em casa não os havia. Morava nos arredores da cidade, então, a maratona – quase diária – até à Biblioteca Municipal, para buscá-los era percorrida com gosto. Às vezes lia o livro pelo caminho, tamanha a ansiedade. Cresci lendo, escrevendo, contando histórias. Como eu gostava – e ainda gosto – desse universo! Imaginava mil coisas além daquelas que preenchiam as páginas do livro.
Já com os filhos criados, comecei a escrever mais sistematicamente e a publicar meus escritos. De repente, fui chamada de “Escritora”. E acreditei. Em pouco tempo, estava com meu primeiro livro nas mãos. Uma tarde, enquanto aguardava um aluno, peguei o lápis – Amo escrever a lápis! – e comecei a rabiscar umas palavras. Era o esboço de um livro, minha primeira historinha para crianças. Saiu, assim, sem planejar. Nunca havia pensado em publicar um livro infantil. Mas ele veio: presente de Deus. Poesia e leveza compuseram aquelas páginas. Fiquei muito contente com o resultado.
A publicação e a divulgação desse livro foram momentos de muito encantamento. Em cada criança eu via o brilho no olhar e as palavras de incentivo. E ainda: “Quando você vai fazer outro livro?” Só o tempo dirá. O que importa são as ocasiões marcantes de encontro entre as crianças e o livro. E os depoimentos das mães, sobre o momento da primeira leitura, os comentários sobre a história, a menina que ficou no quintal imitando a personagem, o menino que carregava o livro para todos os lugares aonde ia, e tantos outros.
A maior surpresa, no entanto, aconteceu no sábado, 12 de maio. Expus meus livros lá na Praça da Matriz, como faço de vez em quando, para divulgá-los. A Praça estava alegre, movimentada: um evento da faculdade, escoteiros espalhados, crianças brincando, pessoas procurando um presente para o Dia das Mães. A Banda de Música veio chegando para nos presentear com suas canções. Algumas pessoas já haviam se interessado pelos meus livros, principalmente as crianças: Gabriel, Arthur, Elena, Rafael, Levi. Estava feliz.
Mais alguns minutos e vejo passando uma ex-aluna – Suzana – com seus netinhos. Convidei-a para conhecer meus livros. Ela veio chegando e me cumprimentou, com a alegria que lhe é peculiar. A netinha – Júlia – foi logo ver os livros. Chegou, com brilho nos olhos, e observou cada um. Indagou sobre o valor. Pegou então meu livro infantil: “A menina que queria ser vento, eu quero este”. E sem esperar a opinião da avó, abriu cuidadosamente sua bolsinha. Vi que havia duas notas. Ela tirou uma das notas e entregou-me. Segurou o livro com uma mão e começou a questionar sobre os outros, com olhar de quem queria mais. Expliquei que aqueles eram livros para pessoas com um pouco mais de idade. Com ar de contrariedade, ela não ficou satisfeita: continuou a manusear os livros. Então eu disse: “Este aqui serve para sua mãe. Você já comprou o presente para o Dia das Mães?” – A avó confirmou minha fala. – O olho brilhou novamente. Sem hesitar, abriu a bolsinha, retirou a outra nota e entregou-me. Pegou com gosto o outro livro e sorriu realizada.
O coração era todo ternura quando a abracei e disse a ela o quanto aquele momento me deixara feliz. Vê-la se interessando tanto por livros, a ponto de pegar seu próprio dinheirinho e gastá-lo todo para comprá-los, foi o ponto máximo de minha caminhada de escritora. Foi doce, mágico, foi pura poesia em instantes de vida.

Luisa Garbazza
12 de maio de 2018
Véspera do Dia das Mães

Agradeço imensamente à Suzana e à pequena Júlia por me proporcionarem essa alegria tão grande, tão bela, inesquecível. 

sábado, 12 de maio de 2018

Dia de Lembranças



Mãe, palavra única e bela;
som que embala a vida, afaga a alma, sonhos revela,
torna-se a representação física do amor.
Mãe, doce e suave essência da vida,
aquela que é sempre exaltada e querida
pelos que gerou e criou com primor.

Mãe, minha mãe!
Mais uma vez estamos às voltas com o “Dia das Mães”.
O meu virou “Dia de Lembranças”.
Lembranças da senhora, minha mãe, que me acompanhou por tantos e tantos anos.
Deu-me a vida, ensinou-me a andar, a falar.
Apresentou-me ao Papai e à Mamãe do céu e ensinou-me a rezar.
Foi minha mãe, minha professora, minha catequista, minha amiga, minha companheira...
Por tantas vezes, nas horas de dores físicas, foi minha médica e minha enfermeira.
Ensinou-me a amar Maria, a confiar em Jesus e a me abandonar em Deus.
Foi exemplo de força, de luta, de resignação, de perseverança, de fé e, acima de tudo, de esperança.
Hoje já não está mais aqui.
Olho para trás e vejo-a em tudo que vivi.
Sinto sua doce presença em cada curva do meu caminho.
Ah! As lembranças!... Elas que alimentam meus dias.
Lembrança da pura e bela existência de minha mãe...
Tantos filhos, tantos problemas, mas tanto amor.
Lá está você, minha mãe, cuidando de cada um de nós...
Carregando lenha e vasilha de água na cabeça; lavando roupas, muitas roupas; cozinhado para tanta gente; costurando, noites a dentro: remendando, cerzindo, emendando, refazendo;
Lá está você pelejando com a vida, fazendo o melhor que podia para cada filho. Tarefa nem sempre fácil. Aliás, tarefa assaz difícil. E você a fazia com força e delicadeza, com autoridade e doçura... e outros paradoxos, pois viver com tanta suavidade, só mesmo com muita poesia. Preenchia as faltas – tantas – que a vida nos impunha. Fazia-nos ver a vida com olhos de esperança. Mantinha a dignidade e a confiança no Pai.
Lá está você, minha mãe, cuidando de mim: penteando meus cabelos, vestindo-me, acompanhando meus passos pela vida, em cada momento, cada dia, cada etapa vivida.
Como não viver de lembranças?
Você é presença mais que viva; faz parte de mim, dos meus dias, dos meus pensamentos, das minhas orações.
Sinto-a tão perto!... Vislumbro-a em todos os lugares, percebo sua presença, seu sorriso tão lindo, sua intercessão.
Obrigada por ter sido a “minha” mãe. Por fazer-me ver a vida desta maneira tão especial. Por ensinar-me a buscar as coisas simples, a sorrir mesmo nas horas difíceis. Obrigada por deixar-me como herança a fé em Deus, seu maior legado.
Parabéns, minha mãe. Abraço apertado para a senhora.
Minha alegria é saber que a senhora vai receber o abraço mais especial de todos: daquela que a acompanhou pela vida afora, todos os dias de sua existência e hoje é sua companheira no céu: sua mãe e madrinha, Nossa Senhora.
Com amor de filha: doce, enorme, especial, infinito...                                                                                                             Luisa Garbazza
12 de maio de 2018
Véspera do Dia das Mães.

domingo, 11 de março de 2018

A graça da vida


A vida é uma caixinha de surpresas: vai se descortinando aos pouquinhos, revelando sua face oculta, ora bela e sorridente, ora de cara fechada. Aos poucos vai traçando nossos passos, bordando nossos sonhos, alinhavando nosso futuro. E, a despeito de qualquer engano ou desengano, queremo-la bem vivida. Queremos achar graça em nossa existência, encontrar a essência da vida. Para viver com graça e buscar a completude, necessitamos de Deus e das pessoas. É em Deus, através do outro, que conseguimos encontrar o sentido da vida. Cada pessoa que passa por nossa vida tem seu papel predestinado. Precisamos acolher o irmão e descobrir algo bom em todos os que cruzam nossos caminhos.
Nos encontros desta vida, há as pessoas que apenas passam por nós. Às vezes estão tão próximas, mas é como se nem as notássemos. Não trazem nada, não pedem nada, ficam alheias à nossa presença. Nada que façamos vai proporcionar o verdadeiro encontro. Ficam ali, por meses, anos até, e nada acontece. Depois, da mesma forma que chegaram, vão-se embora. Assim como não permitiu que notássemos sua presença, também a ausência passa despercebida.
Há as pessoas que se aproximam com tamanho barulho, que enchem o ambiente. Falam muito, riem alto, fazem palhaçada. O que querem mesmo é chamar a atenção. Em pouco tempo, ficam “amigas” de todo mundo. Todas as pessoas as conhecem. São muito populares, querem mandar e desmandar. Mas é tudo mecânico demais. Há um barulho excessivo. Isso impede a aproximação. Não há como ficar pertinho, aprofundar os sentimentos, criar laços.  
E há as pessoas que chegam como se fossem anjos, com sua presença discreta e agradável. Falam baixo, sem exageros, ouvem muito, sorriem com os olhos. Mesmo a uma pequena distância, chegam tão perto que nos envolvem completamente. Sabem se fazer presente sem se impor: mexem com nossos sentimentos, cativam nosso bem querer, tornam-se indispensáveis.
Uma dessas pessoas anjo que conheci atualmente chama-se André. Melhor dizendo: Padre André, Missionário Sacramentino de Nossa Senhora. Encontrei-o, brevemente, em Manhuaçu, em setembro de 2017. Agora o recebemos em nossa paróquia. Chegou de mansinho, quase deslizando, tão leve são seus passos. Demonstrou uma humildade tão grande! Não falou alto, não se impôs, não fez barulho. Quando falou, durante a celebração de acolhida, foi com propriedade, de forma suave e forte ao mesmo tempo. Tocou-me o coração. No momento da consagração, deu-me a impressão de que estava muito pertinho de Jesus, repetindo suas palavras, tão necessárias para nossa fé.  Em sua fala, no final da celebração, pude perceber sua vontade enorme de anunciar Jesus, de expandir o Reino de Deus, de se aproximar do irmão, seja ele quem for.
Depois da Missa, conversando com outras pessoas, compreendi que haviam percebido a mesma coisa. Um falava, o outro comentava, alguém fazia gestos de impaciência por não encontrar as termos certos, mas não conseguimos traduzir em palavras o que estávamos sentindo. Soubemos apenas que o Padre André era diferente.  
Nos outros momentos de convivência, fui percebendo que não havia me enganado. Em todos os lugares onde o encontrei, suas atitudes eram as mesmas: de proximidade, carinho com as pessoas, de humildade. A leveza em suas palavras nos faz entender tudo com mais sentimento. E o gesto de ir ao encontro do outro faz com que o vejamos como verdadeiro discípulo de Jesus e do Padre Júlio Maria.
Dizem que a primeira impressão é a que fica. Essas foram minhas primeiras impressões sobre o Padre André: alguém que traz consigo a marca do “amar ao próximo como a si mesmo”, alguém comprometido com a missão, alguém de quem me aproximo com a impressão de que já o conheço há muito tempo. Tomara eu não esteja enganada e nossa paróquia tenha sido mesmo agraciada com essa pessoa de Deus, abençoada por Maria, cumprindo sua missão sob a intercessão do Servo de Deus Padre Júlio Maria. Hoje e sempre, seja muito bem-vindo, Padre André.
Luisa Garbazza
Jornal Paróquia Nossa Sra. do Bom Despacho.
Março de 2018

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Cultura de paz

Início de ano é sempre assim: carregado de projetos e esperanças em dias melhores. Quisera que aparecessem, em todos os corações, projetos para uma cultura de paz. Talvez não seja tão fácil assim, mas é tão necessário!
Estamos vivendo uma cultura do individualismo e tudo que vem atrapalhar a paz egoísta é motivo para desavenças. Percebemos irmãos nossos presos em seu mundo, sem se importar com o outro: o vizinho, o transeunte, a pessoa que se senta ao seu lado na igreja e, às vezes, até aqueles que moram na mesma casa. Encontramos, em nosso caminho, muitos que se exasperam uns com os outros – às vezes por coisas pequenas – e começam a cultura da violência, que vai ganhando forças e atingindo proporções incontroláveis em nossa sociedade. O que presenciamos? Violência nas famílias, nas ruas, no trânsito, nos poderes públicos. Violência provocando mortes, brigas, guerras, desespero, decepção, sofrimento, destruição. Urge colocarmos um pouco mais de humanidade em nossas relações com o outro, seja ele quem for. Afinal, somos feitos à imagem e semelhança de Deus e é assim que devemos olhar o irmão que está ao nosso lado.
Pensando nessa paz, tão necessária e urgente, retorno o pensamento para o dia primeiro de janeiro deste ano. Transporto-me – e convido o leitor a também se transportar – para a missa das dezenove horas, na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Despacho. Padre Antônio Otaviano como celebrante. A igreja muito cheia. Fiéis de várias paróquias participam da celebração. – A Igreja católica não tem fronteiras. – A bandeira branca, na procissão de entrada, assinala a preocupação com a paz, cujo dia comemoramos. A celebração começa com o peculiar entusiasmo do celebrante, que – sem pressa nem atropelos – nos leva a meditar os mistérios de Jesus em nossa vida e a perceber as mensagens que Deus nos envia através da Palavra. Em sua homilia, bem preparada, Padre Antônio dá o destaque devido à Virgem Maria, figura exaltada neste dia, e ao Dia Mundial da Paz. As palavras que chegam ao nosso coração são de calmaria e vigor ao mesmo tempo. Calmaria que nos leva a imaginar um universo de paz entre nós; vigor que nos provoca e nos coloca como corresponsáveis pela propagação da paz. Contamos ainda com a presença de Jesus entre nós, de forma mais significativa no momento da consagração, trazendo-nos a certeza de que precisamos caminhar juntos, pois somos todos irmãos.
Bela celebração! Mas ainda não acabou. Padre Antônio faz agora a oração final. Depois convida todos para cantar, sem instrumentos, a Oração de São Francisco de Assis. Começo, juntamente com os demais: “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.” Então, sem entender o porquê, fico em silêncio. Fecho os olhos e absorvo o momento: As vozes saem com força e beleza, enchem a igreja, transbordam... Enchem também meu coração. Fico apenas ouvindo. Lindo, lindo! Deus se faz presente. A emoção toma conta. A lágrima escorre. A alma transcende. A paz acontece. Uma paz tão grande que, sozinha, é capaz de alcançar o coração de todos. Retomo o pensamento e fico pensando: É essa paz que desejo a toda a humanidade. A paz que vem de Deus, inunda nosso ser e reflete nas pessoas.
Por falar em paz, estamos nos preparando para vivenciar a Campanha da Fraternidade 2018, que vem gritar para o Brasil – e para o mundo – o quão necessário é a luta pela “Fraternidade e superação da violência”, afinal “Vós sois todos irmãos”.
Nessa “guerra” por um mundo mais pacífico, contemos com a força poderosa do Espírito Santo de Deus e peçamos, insistentemente, o dom da Paciência, para que aprendamos a difícil arte de nos conhecermos uns aos outros e a nos aceitarmos como irmãos. Assim, teremos o mesmo desejo: o bem e a paz.



Luisa Garbazza 

Publicação do Jornal Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho
Fevereiro de 2018

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Celebrar o padroeiro



A caminhada do cristão precisa ser feita em linha reta, com um único objetivo: a santidade. Nessa busca incansável, Deus – uno e trino – é nosso ideal maior. Mas Ele não é egoísta: reconhece o esforço desmedido de alguns de seus filhos e filhas e a eles concede a graça de ajudá-Lo na tarefa de santificar o mundo. E a Igreja os torna santos. Na caminhada da Igreja, os santos de maior devoção são escolhidos como padroeiros. Aqui em nossa paróquia, estamos muito bem protegidos por Nossa Senhora: padroeira da América Latina – Nossa Senhora de Guadalupe –; padroeira do Brasil – Nossa Senhora Aparecida –; padroeira de Minas Gerais – Nossa Senhora da piedade –; padroeira da paróquia – Nossa Senhora do Rosário. E ainda temos a força e a proteção dos santos padroeiros das comunidades de fé: Nossa Senhora do Rosário, Santa Ângela, São João Batista, São Judas Tadeu, Jesus Misericordioso, São Pedro e São Paulo, São Bento, Imaculado Coração de Maria. Assim, com o exemplo de força desses homens e mulheres de Deus, temos a oportunidade de dar passos mais equilibrados.
Muito sublime e carregado de significado é a comemoração do santo padroeiro em cada comunidade. Ano após ano, a comunidade se organiza, se reúne e se prepara para festejar, com fé e simplicidade, conforme nos ensinou Jesus, o dia daquele ou daquela que nos protege. Nesses momentos de oração e confraternização, percebemos a boa vontade e a convivência fraterna entre os moradores da comunidade e os que vêm de mais longe.
A Comunidade São João Batista sempre prepara a festa do padroeiro com muita dedicação. É fácil perceber a habilidade e a dedicação gratuita na ornamentação do lugar: bandeirinhas e enfeites coloridos anunciam o dia de oração e alegria. Em 2017 não havia de ser diferente: tudo muito bem organizado, boa acolhida. A participação das pessoas foi crescendo durante o tríduo.
No sábado, Dia de São João, o espaço celebrativo estava repleto de fiéis, rezando, louvando e agradecendo a Deus por tantos benefícios concedidos. A Santa Missa, celebrada pelo Padre Cristiano, foi um momento de muito crescimento na fé. Com seu entusiasmo e sua voz forte, conduziu-nos a meditar sobre o exemplo de vida do padroeiro, exemplo digno de ser imitado: simplicidade absoluta, fé em Deus e coragem para anunciar o nome de Jesus. Também chamou a atenção de todos para o aspecto festivo do dia. São João trouxe alegria para o povo de Deus: alegria pela chegada do Salvador. E trás alegria para nós também. Por isso as cores da festa, as bandeirinhas, os cantos, a fogueira, a bandeira hasteada em nome do santo.
A celebração seguiu animada, com o povo rezando e cantando. No abraço da paz, a certeza de que somos todos irmãos. No “Viva São João Batista”, a alegria de quem acredita. Mas no momento em que o Padre Cristiano pediu que cada um fizesse a sua oração pessoal, o silêncio se fez. Por alguns instantes, cada um imerso em seus próprios pensamentos, não se ouvia nem o barulho do vento, mas podia se ouvir o grito de Deus sussurrando no coração de cada homem e mulher, seus filhos e filhas. Com certeza, a voz de Deus soou diferente para cada pessoa ali presente. "A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum." (I Cor 12,7).

Luisa Garbazza

Publicação do Informativo Igreja Viva
Paróquia N. Sra. do Rosário
Julho de 2017

terça-feira, 11 de julho de 2017

Questão de solidariedade

Em nossa caminhada de Igreja, alguns requisitos são necessários para nos aproximar mais e mais de Cristo e conseguir alcançar aquele que deve ser o objetivo de todo cristão: a santidade. Nesse propósito, em alguns momentos, achamos que estamos muito próximos; em outros, sentimo-nos tão distantes! O importante, no entanto, é a perseverança. Continuar nossos passos, firmemente, e não desistir nunca.
Mesmo nos esforçando para fazer o melhor nessa marcha da vida, às vezes, assistindo ao exemplo de certas pessoas, somos surpreendidos por verdadeiras lições de solidariedade. Recebi uma lição dessas por ocasião da Missa de Santo Antônio, às doze horas do dia treze de junho, na Igreja Matriz. A crença no santo – defensor dos pobres e fama de santo casamenteiro – e a tradição do pãozinho bento fazem com que a igreja fique repleta de fiéis, de todos os cantos da cidade.
Na igreja, a movimentação começa cedo. Onze horas os fiéis começam a chegar. Do lado esquerdo do altar, colocamos as caixas com os pãezinhos, doados por várias pessoas, para a partilha no final da celebração. À frente do altar, alimentos, também doados, que serão divididos em cestas básicas para os menos favorecidos. Várias pessoas ainda anotavam seus pedidos ao santo. Outras entravam e seguiam até o altarzinho onde estava a imagem para fazer o pedido pessoalmente. Ao meio-dia, tudo pronto para a Santa Missa.
A celebração já havia começado, quando vi entrar uma mulher: simples, humildemente vestida – roupas velhas e um pouco amassadas –, cabelos rusticamente presos, sapatos gastos. Entretanto ostentava, ao mesmo tempo, um caminhar tranquilo em direção ao altar, um meio sorriso no rosto e certo orgulho por sustentar nas mãos, dentro de uma sacolinha transparente, um litro de óleo, que foi depositado juntamente com os alimentos que ali já se encontravam. Depois se afastou e sentou-se na lateral do templo, para participar daquele momento sagrado.
Aquele gesto me tocou profundamente o coração e encheu-me de um sentimento misto de ternura e vergonha: ternura por presenciar aquele gesto tão genuinamente cristão; vergonha por ter me esquecido – como a grande maioria dos que ali estavam – de levar algo para ser oferecido ao irmão carente.
A lição que me foi dada por aquela mulher fez-me pensar na mesquinhez dos homens. Em quanto somos egoístas, pensando tanto em nossos próprios problemas e esquecendo-nos de nossos irmãos em Cristo. Também me trouxe à mente duas lembranças: a primeira, um antigo ditado que diz “Ninguém é tão pobre que nada possa dar e ninguém é tão rico que não precise receber.”; a segunda, aquela passagem do capítulo 21 do Evangelho de São Lucas, que narra a história da viúva pobre que entrou no templo e depositou apenas duas moedinhas de valor mínimo. Jesus, porém, disse aos apóstolos: "Em verdade vos digo: esta pobre viúva pôs mais do que os outros. Pois todos aqueles lançaram nas ofertas de Deus o que lhes sobra; esta, porém, deu, da sua indigência, tudo o que lhe restava para o sustento." 
Tomara possamos estar sempre em sintonia com Deus e uns com os outros, vivendo a solidariedade no dia a dia. Sabemos que há muitos necessitando de ajuda. E também nós precisamos do auxílio de outras pessoas para bem vivermos. Assim, com a graça de Deus, poderemos nos sensibilizar com as dificuldades dos irmãos e ajudá-los com o que estiver ao nosso alcance, mesmo que seja apenas o equivalente a um litro de óleo.
Luisa Garbazza
Publicação do jornal "Paróquia N. Sra. do Bom Despacho"
Julho de 2017